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sábado, 10 de junho de 2017

TSE rejeita cassação e absolve Temer - Placar, que era esperado, foi de 4 a 3 pró-governo

Após quatro dias de julgamento, a maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) votou nesta sexta-feira  (9) contra a cassação da chapa Dilma-Temer, vencedora das eleições de 2014, pelas acusações de abuso de poder político e econômico. O placar da votação ficou em 4 a 3.  O voto de desempate foi proferido pelo presidente da corte, ministro Gilmar Mendes.
Em seu voto, Gilmar mencionou que foi o relator do pedido inicial do PSDB para a reabertura da análise da prestação de contas da chapa Dilma-Temer. Ele disse, entretanto, que o pedido foi aprovado pelo tribunal para reexame do material e não para condenação sumária. “Não se trata de abuso de poder econômico, mas se trata de um dinheiro que sai da campanha e não disseram para onde vai. Primeiro é preciso julgar para depois condenar. É assim que se faz e não fixar uma meta para condenação. O objeto dessa questão é sensível porque tem como pano de fundo a soberania popular”, defendeu.
Também votaram pela absolvição os ministros Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Luiz Fux e Rosa Weber acompanharam o relator, Herman Benjamin, pela cassação da chapa.
Quatro dos sete ministros entenderam que não há provas suficientes para retirar o mandato da chapa. Além disso, a maioria avaliou que as delações de ex-executivos da Odebrecht não podem ser incluídas no julgamento porque não estavam no pedido inicial de cassação, feito pelo PSDB em 2014.
“Não é algum fricote processualista que se quer proteger, mas o equilíbrio do mandato. Não se substitui um presidente a toda a hora, mesmo que se queira. A Constituição valoriza a soberania popular, a despeito do valor das nossas decisões”, disse Gilmar ao proferir seu voto.
A maioria dos ministros também argumentou que as provas que restaram, como outros depoimentos de delatores da Operação Lava Jato, que também citam repasses de propina para a chapa, não são suficientes para concluir que os recursos desviados para o PT e PMDB abasteceram a campanha de 2014.
Mendes voltou a dizer durante seu voto que  “não cabe ao TSE resolver a crise política” do país, e que falou isso a políticos que o procuraram para debater o tema.
Portal no Ar

terça-feira, 6 de junho de 2017

Procuradoria do DF abre investigação contra Lula e Dilma - Petistas teriam recebido US$ 80 milhões ilícitos em contas no exterior

A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) abriu ontem (6) uma investigação penal para apurar o suposto recebimento pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff de US$ 80 milhões ilícitos em contas no exterior, conforme relatado por delatores do grupo empresarial J&F.
Os repasses foram relatados nos depoimentos ao Ministério Público Federal (MPF) dos executivos Joesley Batista, um dos donos do J&F, e Ricardo Saud, diretor do frigorífico JBS, uma das empresas do grupo.
Segundo informações repassadas pelo MPF ao Supremo Tribunal Federal (STF), os delatores informaram que cada um dos ex-presidentes tinha uma conta distinta no exterior. Do total, US$ 50 milhões teriam sido destinados a Lula e US$ 30 milhões a Dilma.
O caso, segundo informou a PR-DF, guarda relação com a Operação Bulish, que investiga desvios no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e foi remetido à primeira instância. A Justiça Federal do DF ficará responsável por supervisionar o andamento do inquérito.
Outros cinco casos relacionados a Lula e Dilma e decorrentes das delações da J&F foram remetidos à procuradoria do Distrito Federal, mas ainda aguardam definição sobre a abertura ou não de novos procedimentos de investigação criminal.
Ao menos três desses casos estão relacionados a investigações já em andamento: dois com a Operação Sépsis, sobre desvios na Caixa Econômica Federal comandados pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o outro com a Operação Zelotes, que apura fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão de apelação que julga a cobrança de impostos.
No momento em que os depoimentos dos delatores da J&F se tornaram públicos, a ex-presidenta Dilma Rousseff divulgou nota classificando as declarações de Joesley de “improcedentes e inverídicas”. No texto, ela reafirmou que, “mais uma vez, rejeita delações sem provas ou indícios”.
Portal no Ar

Relatório diz que Henrique influenciou repasses da OAS para ABC e América

Henrique Alves, Rubens Guilherme, ex-presidente do ABC, e Alex Padang, ex-presidente do América

Clubes receberam, em 2013, R$ 2 milhões cada em virtude de contrato firmado com a OAS Engenharia, que construiu e administra a Arena das Dunas, obra superfaturada

Quando ABC e América firmaram contrato com a Arena das Dunas, em meados de 2013, para mandarem seus jogos no palco que viria, pouco tempo depois, receber quatro jogos da Copa do Mundo FIFA, eles jamais imaginariam que isso, um dia, se tornaria caso de polícia. Porém, neste 06 de junho de 2017 a situação aconteceu e tem causado pânico nos torcedores das duas equipes.
Diante da prisão do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, capturado hoje através da Operação Manus (desdobramento da Lava Jato no Rio Grande do Norte), a Polícia Federal incluiu em seu relatório que o ex-deputado intercedeu junto a Léo Pinheiro, então sócio da OAS Engenharia (empresa que construiu e administra a Arena) para que a empresa firmasse contrato com os clubes. A informação foi à tona através do portal Globoesporte.com.
De acordo com o relatório da PF, a situação se caracteriza por ‘corrupção passiva’ quando se identifica ‘vantagem indevida a favor de terceiros’, no caso ABC e América. Em 2013, os dois clubes receberam R$ 2 milhões de luvas pela assinatura do contrato com a OAS sob influência de Henrique Alves. A participação do ex-deputado foi confirmada por Alex Padang e Rubens Guilherme, presidentes dos clubes à época.
No documento, a Polícia Federal diz que “houve solicitação de vantagem indevida em favor de terceiro em razão do auxílio político e parlamentar prestado pelo então deputado federal ao grupo empresarial OAS, e que pode configurar o crime de corrupção passiva, previsto no art. 317 do Código Penal”. Muito embora isso tenha sido ‘constatado’ pela investigação, o relatório diz que ainda vai apurar caso o ex-deputado tenha solicitado dinheiro em troca do auxílio.
Henrique Eduardo Alves foi preso no início da manhã desta terça-feira 06 acusado dos crimes de corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro. A investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público aponta que o deputado teria sido beneficiado no sobrepreço de R$ 77 milhões identificado na construção da Arena das Dunas, palco potiguar da Copa de 2014. Na época, Henrique era candidato ao Governo do RN.
Agora RN

domingo, 4 de junho de 2017

Valério: “Ronan ia entregar Lula como mentor do assassinato”

Lula: mentor? (Leonardo Benassatto/Reuters)

Preso, operador do mensalão diz que empresário ia denunciar o ex-presidente no caso Celso Daniel se não recebesse 6 milhões de reais


Em setembro de 2012, o publicitário Marcos Valério prestou depoimento ao Ministério Público Federal e revelou que  foi informado em 2004 pelo secretário-geral do PT, Silvio José Pereira, que o presidente Lula estava sendo chantageado. A conversa entre os dois ocorreu dois anos após o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. O publicitário disse que o empresário Ronan Maria Pinto exigia 6 milhões de reais para não divulgar informações relacionadas ao caso Santo André, envolvendo o presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o então assessor particular Gilberto Carvalho.
Marcos Valério diz agora que quer  esclarecer todos detalhes da chantagem. Pelo menos foi o que ele garantiu à deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que colheu um longo depoimento do publicitário: “O Valério me disse que Ronan ia apontar  o ex-presidente Lula como mentor do assassinato do Celso Daniel”, disse a deputada. Segundo ela, Valério garantiu ter as provas da chantagem.
Valério: o publicitário decidiu revelar os segredos do Caso Santo André (Vara Federal de Curitiba/Reprodução)
A primeira conversa de Valério com a deputada foi no dia 11 de outubro. Ela foi ao presídio atender às reivindicações de presos portadores de necessidades especiais e encontrou o publicitário em uma das celas. No ano passado, Mara, que é filha de um empresário que foi extorquido pela quadrilha que atuava na Prefeitura de Santo André,  tinha entregado ao juiz Sérgio Moro um dossiê sobre o assassinato.  No dia 3 de abril, Mara enviou um ofício ao procurador de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, narrando as conversas com o publicitário e pedindo andamento às investigações do crime.
“Ele (Valério) deixou muito claro que o senhor Ronan Maria Pinto ia entregar o senhor Luiz Inácio Lula da Silva para a polícia como mentor do assassinato do prefeito Celso Daniel”, escreveu a deputada. Para ela, o depoimento de Valério pode ajudar a desvendar o crime.
Deputada Mara Gabrilli: duas conversas com Valério na cela (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
Valério já vem negociando sua delação premiada com três promotores de Minas Gerais e dois procuradores da República. O publicitário disse que o ex-prefeito, pouco antes do assassinato, ia entregar um dossiê para a Polícia Federal e para o presidente Lula, envolvendo petistas com o crime organizado. Após o envio do ofício da deputada ao procurador de Justiça de São Paulo, dois promotores foram visitá-lo. O  publicitário quer depor  somente à Polícia Federal.
Perguntado sobre a acusação, Ronan, por intermédio de seu advogado, informou que jamais chantageou quem quer que seja.   A  assessoria do ex-presidente Lula não comentou.
veja

terça-feira, 30 de maio de 2017

Frota diz que Lula tem que morrer e Fábio Assunção parar de ‘cheirar’ pó - O ator foi bastante criticado nas redes sociais por conta do comentários

Frota foi bastante criticado nas redes sociais

As opiniões políticas de Alexandre Frota rendem polêmicas e não é de hoje. O ator, que está sempre desabafando contra o PT não mede palavras contra seus desafetos e dessa vez mirou no ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, desejando até que ele morresse.
“De boa esse vagabundo do Lula tinha que ter uma parada cardíaca e morrer e deixar o mundo mais leve o Brasil Livre sujeito pilantra”, disparou Frota em seu Twitter.
E como quem fala o quer, ouve o que não quer, Frota foi bastante criticado nas redes sociais por conta do comentários. “Vai fazer pornografia no cinema porque de política vc não entende nada sua anta”, escreveu uma internauta, relembrando que o ator já fez filmes adultos.
Não satisfeito, ele ainda disparou suas ofensas contra o ator Fábio Assunção, que já enfrentou problemas com cocaína. Frota cita o vídeo em que Assunção convoca o povo para as ‘Diretas Já’. “O Fábio precisa parar de cheirar isso sim é procurar um tratamento”, finalizou.
Agora RN

sábado, 20 de maio de 2017

Delação da JBS - (vídeo) Delator confirma R$ 500 mil em propina para campanha de Fátima

Doação teria acontecido na campanha de 2014
Ricardo disse que a doação teve orientação do tesoureiro de Dilma Rousseff, Edinho Silva. Citou também que R$ 150 mil foram transferidos para o diretório estadual do partido

O diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F (holding do grupo JBS), Ricardo Saud, citou em um depoimento de delação premiada que aplicou R$ 500 mil à campanha da senadora Fátima Bezerra (PT).  Ele apontou que o dinheiro era oriundo da conta de propina do PT, e classificou esses recursos de “carimbados”. Ricardo disse que a doação teve orientação do tesoureiro de Dilma Rousseff, Edinho Silva. Citou também que R$ 150 mil foram transferidos para o diretório estadual do partido no Rio Grande do Norte.
Segundo o diretor da J&F, Edinho Silva fazia os pedidos para os pagamentos de propina. Aproximadamente R$ 70 milhões ficaram para a campanha presidencial. O restante foi destinado às eleições para governador, senador, deputado federal e deputado estadual de candidatos do PT.
“Tudo doação dissimulada, isto era dinheiro de propina”, afimou Ricardo Saud.
O dinheiro classificado pelo delator como “carimbado”, foi destinado às candidaturas de Fátima Bezerra, da senadora Angela Portela (PT-RR) e do governador de Minas Gerais Fernando Pimentel.
Ricardo diz que tem como comprovar os pedidos de propinas de Edinho a partir de “bilhetinhos” que contém números ao lado do nome de Fátima Bezerra.
RESPOSTA
A senadora Fátima Bezerra divulgou em nota que não houve irregularidade nas doações recebidas para sua campanha eleitoral. Disse também que não fez contato com diretores ou proprietários da JBS.
Fátima confirma doações feitas pela empresa, através do diretório estadual do PSD e da direção nacional do PT, mas devidamente legalizadas. “Nossa campanha recebeu uma doação de R$ 500 mil, via Direção Estadual do PSD do RN, em 18/07/2014, cujo doador originário foi a empresa JBS S/A. Ou seja, quem recebeu da empresa foi o PSD e não nossa campanha”, informou. “Posteriormente, em 10/09/2014 e 15/09/2014, a Direção nacional do PT fez duas outras doações à nossa campanha, nos valores de R$ 190 mil e R$ 475 mil respectivamente. Mais uma vez nosso doador direto foi o PT e não a JBS”, acrescentou.
“Naquele ano, a legislação vigente permitia o financiamento privado de campanhas e essas doações foram legais, tanto que estão devidamente informadas à Justiça Eleitoral”, destacou a senadora Fátima. “Há uma confusão, não sabemos se por desonhecimento ou se de forma proposital, acerca das doações privadas das campanhas passadas no Rio Grade do Norte e do país. A população precisa ser informada sim, mais do que nunca. Mas é necessário responsabilidade com a verdade. Eu jamais esconderia o nome de qualquer empresário que contribuísse com o financiamento de minha campanhas, até porque eu faço política com honradez, não a utilizo como moeda de troca”, disse.

Agora RN

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Lula e Dilma tinham US$ 150 milhões em ‘conta’ de propina, diz Joesley

Delator informou que em 2009 destinou uma conta a Lula


Empresário revelou que em dezembro de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de 2 bilhões de dólares

O termo de colaboração 1 do empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, descreve o fluxo de duas ‘contas-correntes’ de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O empresário informou à Procuradoria-Geral da República que o saldo das duas contas bateu em US$ 150 milhões em 2014. Ele disse que o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma) operava as contas.
O delator informou que em 2009 destinou uma conta a Lula e no ano seguinte, outra para Dilma.
Joesley revelou que em dezembro de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, “para apoio do plano de expansão” naquele ano.
“O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, relatou Joesley.
Segundo o empresário, em reunião com Mantega, no final de 2010, o petista pediu a ele “que abrisse uma nova conta, que se destinaria a Dilma”.
“O depoente perguntou se a conta já existente não seria suficiente para os depósitos dos valores a serem provisionados, ao que Guido respondeu que esta era de Lula, fato que só então passou a ser do conhecimento do depoente”, contou o empresário.
“O depoente indagou se Lula e Dilma sabiam do esquema, e Guido confirmou que sim.”
Joesley declarou que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator disse que Mantega “interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do BNDES) para que o negócio saísse”
“A operação foi realizada após cumpridas as exigências legais”, afirmou Joesley. “Sempre percebeu que os pagamentos de propina não se destinavam a garantir a realização de operações ilegais, mas sim de evitar que se criassem dificuldades injustificadas para a realização de operações legais.”
O empresário declarou que depositou, “a pedido de Mantega”, por conta desse negócio, crédito de US$ 30 milhões em nova conta no exterior.
“O depoente, nesse momento, já sabia que esse valor se destinava a Dilma; que os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef; que esses saldos somavam, em 2014, cerca de US$ 150 milhões.”
Segundo Joesley, a partir de julho de 2014, Mantega “passou a chamar o depoente quase semanalmente ao Ministério da Fazenda, em Brasília, ou na sede do Banco do Brasil em São Paulo, para reuniões a que só estavam presentes os dois, nas quais lhe apresentou múltiplas listas de políticos e partidos políticos que deveriam receber doações de campanha a partir dos saldos das contas”.
Neste trecho de seu depoimento, Joesley cita o partido do Governo Michel Temer. O empresário destacou que o executivo Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da J&F (controladora da JBS), fazia o contato com partidos e políticos
“A primeira lista foi apresentada em 4 de julho de 2014 por Guido ao depoente, no gabinete do Ministro da Fazenda no 15º andar da sede do Banco do Brasil em São Paulo, e se destinava a pagamentos para políticos do PMDB; que a interlocução com políticos e partidos políticos para organizar a distribuição de dinheiro coube a Ricardo Saud, Diretor de Relações Institucionais da J&F, exceção feita a duas ocasiões”, relatou.
Joesley disse que em outubro de 2014 no Instituto Lula, encontrou-se com Lula e relatou ao petista que as doações oficiais da JBS já tinham ultrapassado R$ 300 milhões.
“Indagou se ele (Lula) percebia o risco de exposição que isso atraía, com base na premissa implícita de que não havia plataforma ideológica que explicasse tamanho montante; que o ex-presidente olhou nos olhos do depoente, mas nada disse”, contou.
Em outra ocasião, em novembro de 2014, Joesley disse que “depois de receber solicitações insistentes para o pagamento de R$ 30 milhões para Fernando Pimentel, governador eleito de Minas Gerais, veiculadas por Edinho Silva (tesoureiro da campanha de Dilma em 2014), e de receber de Guido Mantega a informação de que ‘isso é com ela’, solicitou audiência com Dilma”.
“Dilma recebeu o depoente no Palácio do Planalto; que o depoente relatou, então, que o governador eleito de MG, Fernando Pimentel, estava solicitando, por intermédio de Edinho Silva, R$ 30 milhões, mas que, atendida essa solicitação, o saldo das duas contas se esgotaria; que Dilma confirmou a necessidade e pediu que o depoente procurasse Pimentel”, narrou aos investigadores.
Joesley afirma que, no mesmo dia, encontrou-se com Pimentel no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e disse ao petista “que havia conversado com Dilma e que ela havia indicado que os 30 milhões deveriam ser pagos”.
“Pimentel orientou o depoente a fazer o pagamento por meio da compra de participação de 3% na empresa que detém a concessão do Estádio Mineirão; que afora essas duas ocasiões, Edinho Silva, então tesoureiro da campanha do PT, encontrava-se, no período da campanha de 2014, semanalmente com Ricardo Saud e apresentava as demandas de distribuição de dinheiro; que Ricardo Saud submetia essas demandas ao depoente, que, depois de verificá-las com Guido Mantega, autorizava o que efetivamente estivesse ajustado com o então ministro da Fazenda.”
Defesa
Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, que defendem Lula, afirmam: “Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.
A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi – ilegalmente – devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos – bancário, fiscal e contábil – foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas – com o compromisso de dizer a verdade – que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.
A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premidas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência – ainda que frivolamente – ao nome do ex-Presidente.”
Agora RN

terça-feira, 16 de maio de 2017

Léo Pinheiro entrega a Moro ‘registros de encontros’ com Lula

Registros dos encontros estavam na agenda dos celulares do empreiteiro

Material foi anexado à ação penal na qual Léo Pinheiro e Lula são réus; documentos foram entregues com o objetivo de corroborar o depoimento do empreiteiro

O ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, entregou à Justiça nesta segunda-feira, 15, “registros de encontros” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. A defesa de Léo Pinheiro afirmou que os registros dos encontros estavam na agenda dos celulares do empreiteiro.
Um dos arquivos entregues por Léo Pinheiro tem 41 páginas. O documento indica três reuniões no Instituto Lula: em 23 de fevereiro de 2012, em 27 de julho de 2012 e 16 de abril de 2013
O material foi anexado à ação penal na qual Léo Pinheiro e Lula são réus. Os documentos foram entregues com o objetivo de corroborar o depoimento do empreiteiro. Ao juiz federal Sérgio Moro, o executivo afirmou que o tríplex de Guarujá (SP) “era de Lula”.
O ex-presidente é acusado pelo Ministério Público Federal de receber R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012
As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira por meio do tríplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção.
Uma das mensagens anexada por Léo Pinheiro é de 22 de fevereiro de 2014. O empreiteiro conversa com a filha e escreve. “Voltando de SBC. Trânsito horroroso no Ibirapuera.”
Segundo a denúncia da Lava Jato, em fevereiro de 2014, Léo Pinheiro solicitou a Fábio Yonamine, então presidente da OAS Empreendimentos, que o apartamento 164-A do Condomínio Solaris fosse preparado “com sua limpeza e retoques na pintura” para a visita de Lula.
No dia da visita, afirma a força-tarefa da Lava Jato, Fábio Yonamine encontrou Léo Pinheiro e ambos foram no mesmo carro para São Bernardo do Campo, onde encontraram Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia – morta em fevereiro de 2017. De lá, seguiram todos para o Condomínio Solaris, no Guarujá. Em depoimento a Moro, Lula confirmou que esteve uma vez no tríplex, em fevereiro de 2014.
Na agenda de Léo Pinheiro, há a indicação de encontro com Fabio Yonamine entre 1 e 2 de fevereiro. “Res. Dr. Léo – Após ir para o Guarujá.”
Em outra mensagem entregue à Justiça, um interlocutor diz a Léo Pinheiro em 6 de junho de 2014. “Léo, amanhã vou pra o nosso tema para esvaziar o lago para impermeabilizar. Eles, eu soube que vão estar lá para acompanhar a despesca. Mas não tenho certeza. Se desejar podemos combinar.”
Segundo o Portal da Transparência, um dos seguranças de Lula esteve em no sítio de Atibaia entre 6 e 10 de junho.
O documento interno da OAS Empreendimentos, entregues por Léo Pinheiro, é intitulado “Análise de Custos de Obras”, de outubro de 2014. O relatório trata de custos de construção de edifícios da OAS, entre eles o Solaris.
Agora RN

quinta-feira, 11 de maio de 2017

‘Eu não tenho influência no PT’, afirma Lula a juíz federal Sérgio Moro

Petista minimizou a influência que tinha sobre o Partido

Ex-presidente disse a Sérgio Moro que 'Ministério Público não conhece o PT', ao ser questionado sobre sua influência no partido

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao juiz federal Sérgio Moro que o “Ministério Público não conhece o PT”, ao ser questionado sobre sua influência no partido e se tomou providências dentro da legenda ao ter conhecimento dos esquemas de corrupção na Petrobras, amplamente divulgados pela imprensa, após a deflagração da Lava Jato. Lula foi interrogado por Moro durante cerca de cinco horas nesta quarta-feira, 10.
O ex-presidente falou ao magistrado no âmbito de processo em que é réu pelo suposto recebimento de propinas de R$ 3,7 milhões da OAS. Na mesma peça de acusação, o Ministério Público Federal sustenta que Lula tinha conhecimento e comandava os esquemas de corrupção dentro da estatal.
Frente a frente com Moro, o petista foi questionado se, quando vieram à tona os escândalos de corrupção na petrolífera, “tomou alguma providência”.
“Já estava fora da presidência há quatro anos. Eu era ex-presidente quando houve as denúncias da Lava Jato”, disse.
Perguntado novamente sobre o mesmo tema, o ex-presidente minimizou a influência que tinha sobre o Partido dos Trabalhadores.
“Essa influência dentro do PT é porque o MP (Ministério Público) não conhece o PT. Se eles conhecessem o PT, não falariam isso. o PT é um partido que eu não participo de nenhuma reunião do PT desde que virei presidente. Isso foi em 2002. Até 2014. Eu não tenho influência no PT, eu tenho influência na sociedade. Quando eu falo as pessoas me ouvem. Alguns ouvem, nem todos”, afirmou.
Agora RN

domingo, 30 de abril de 2017

“A máscara caiu, ele virou um anti-herói”, dispara Fernanda Montenegro sobre Lula

Fernanda Montenegro, 87, revelou estar decepcionada com a política brasileira e as mudanças no cenário nacional. Em entrevista à revista “Veja”, a atriz contou que se surpreendeu com os políticos do Partido dos Trabalhadores (PT)
“Esses corruptos invadiram Brasília feito ETs e dominaram o país. Sempre votei no Lula, mas minha decepção começou há tempos, em 2012, quando ele visitou Paulo Maluf para pedir apoio à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, bem antes da Lava-Jato. Ali, a máscara caiu, e ele virou um anti-herói”, afirmou a veterana.
Montenegro, que recentemente mandou um “Fora, Temer!” no Festival de Teatro de Curitiba, falou ainda sobre a hipótese de Lula ser preso. “O momento é tão surpreendente que não sabemos o que vai acontecer amanhã. Brasília continua como se nada estivesse acontecendo. A equipe do Temer está toda envolvida com corrupção. Mas, quando gritam ‘Fora, Temer’, não temos quem colocar no lugar. A Lava-Jato nos mostrou que todas as tendências partidárias e correntes ideológicas estão unidas no crime. A propina conseguiu algo incrível: unir esquerda e direita”, disse.
No raro desabafo, a atriz da Globo confidenciou que não vê esperança no atual governo: “E o pior é que nem começamos a passar as coisas a limpo. Ainda estamos na fase de pôr as cartas na mesa. Muitas descobertas virão à tona. Vivemos uma tragédia”. 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Para MBL, greve tem cunho político e serve para desviar foco de investigações contra Lula

Integrante do MBL no RN, Luciana Monteiro comenta série de manifestações programadas para esta sexta e, ao contrário do protesto, celebra reformas


O Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ganhou notoriedade após articular protestos a favor do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), considera a greve geral conclamada por movimentos sociais de Esquerda para esta sexta-feira 28 um ato de “cunho político” e voltado para “desviar o foco” das investigações contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). É o que afirma a odontóloga Luciana Monteiro, uma das integrantes do MBL no Rio Grande do Norte.
De acordo com Luciana, os protestos de hoje foram convocados por sindicalistas porque “eles não gostam de trabalhar de jeito nenhum”. “O país está precisando trabalhar e superar o buraco onde estamos. Não tem cabimento uma greve geral na véspera de um feriadão. Isso demonstra que eles [sindicalistas] não tem compromisso nenhum com o país, nem com o pobre nem com ninguém”, critica.
A greve geral desta sexta tem o objetivo de manifestar repúdio às reformas propostas para a Previdência e a legislação trabalhista. Para sindicalistas, as mudanças representam retirada de direitos de trabalhadores. Segundo Luciana, contudo, a revolta tem apenas uma motivação: o fim da obrigatoriedade do pagamento da contribuição sindical pelos trabalhadores, que têm o desconto em folha.
“Esses sindicalistas arrecadam, em média, R$ 3,3 bilhões por ano e não têm que prestar conta de nada. O que nós vemos são sindicalistas andando em carros de luxo, empregando parentes nos sindicatos e usando trabalhadores como massa de manobra. Esses movimentos todos são pagos com dinheiro público. Aí quando tiram a taxação obrigatória, eles acham ruim”, dispara Luciana.

Foto: Luciana Monteiro, integrante do MBL no RN / Arquivo Pessoal
Segundo a articuladora do MBL, a reforma trabalhista, ao propor o fim do “imposto sindical”, representa um avanço. “Ao trabalhador, foi dado o direito de escolher. Agora, os sindicalistas precisarão mostrar serviço. E sindicalista não gosta de trabalhar de jeito nenhum”, repete. “Eles estão defendendo os interesses deles e dos parentes”, complementa.
Ainda de acordo com Luciana, além do fim do imposto sindical, a reforma trabalhista que foi aprovada na Câmara dos Deputados não acarreta fortes mudanças na legislação. “A reforma foi mínima. E o que mudou foi positivo, como a divisão das férias e a regulamentação da terceirização. Agora, os trabalhadores terceirizados vão ter os mesmos direitos dos efetivos”, assinala.
Sobre a possibilidade de flexibilização da carga horária de trabalho, a porta-voz do Movimento Brasil Livre considera outra alteração positiva. “O estudante universitário, por exemplo. No turno contrário ao de suas aulas e compromissos na faculdade, ele poderá trabalhar, receber pelo período que ele trabalhar (3h, 4h ou 5h) e complementar sua renda”, pontua.
Por fim, a integrante do MBL afirma que os sindicalistas que conclamaram a manifestação de hoje não têm conhecimento profundo das causas. “Eles não sabem nem por que estão protestando. Só sabem gritar e agredir as pessoas. Eles estão apedrejando ônibus… isso é democracia? Isso é liberdade?”, conclui.
Agora RN

quinta-feira, 27 de abril de 2017

PT já cogita eleição sem Lula como candidato, diz jornal

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Reprodução/VEJA)

Em análises internas de cenário, petistas reconhecem que delações da Odebrecht e de Léo Pinheiro, da OAS, complicaram a vida de Lula para as eleições


As novas suspeitas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de corrupção por ex-executivos de empreiteiras, fez com que o PT passasse a incluir em suas análises internas do cenário político e discussões sobre estratégias a possibilidade concreta de não contar com o seu líder máximo na disputa eleitoral de 2018. O receio é que uma condenação em segunda instância na Operação Lava Jato o torne inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

A reação do PT às novas suspeitas é reforçar o empenho na defesa de Lula tanto nas ruas quanto nas redes sociais. Ninguém no partido ousa questionar ou cobrar explicações do ex-presidente.
Lula é visto no PT como alvo de perseguição da Lava Jato e vítima de uma campanha para impedir sua candidatura em 2018. Mas, com a divulgação dos depoimentos da Odebrecht e a delação do empreiteiro José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da OAS, a possibilidade de condenação de Lula, antes vista como remota, ganhou novo status.
Líderes petistas avaliam que mesmo que as novas acusações não sejam confirmadas com provas materiais, elas engrossam o caldo das chamadas “provas indiciárias” (com base em indícios) que poderiam sustentar, pelo volume, um pedido de condenação de Lula com base na teoria do domínio do fato, usada para levar José Dirceu à prisão no mensalão.
Lula é alvo de seis pedidos de abertura de inquéritos enviados pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), à primeira instância da Justiça Federal com base nas delações da Odebrecht.
Na semana passada, Léo Pinheiro disse, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que Lula pediu a destruição de provas e seria o verdadeiro dono do tríplex no Guarujá (SP) que está em nome da OAS. Além disso, o ex-presidente é réu em outros cinco processos relacionados à Lava Jato.

Cenário

Embora a ordem seja sair em defesa de Lula, no PT já se fala em um cenário no qual ele seria um grande cabo eleitoral transferindo votos para outro candidato. Uma das possibilidades é o partido indicar um nome para ser vice na chapa deCiro Gomes (PDT). O mais citado é o do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.
Para o PT, o conteúdo da lista de Fachin e a delação de Pinheiro não afetam o eleitorado cativo do partido, mas afastam eleitores que estavam se convencendo a voltar a votar em Lula por causa de políticas impopulares do governo Michel Temer. Além disso, dificultam o discurso da militância em defesa do ex-presidente.
As saídas são a mobilização popular em defesa do petista e a criação de uma narrativa favorável a Lula. Por isso o ex-presidente vai pedir a Moro que o depoimento marcado para o dia 10 de maio, em Curitiba, seja transmitido ao vivo. Lula diz a pessoas próximas que está convencido de que vai “engolir” Moro devido à falta de provas sobre o apartamento no Guarujá.
Para o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont, integrante do Diretório Nacional do PT, Lula é alvo de um processo “tão tendencioso que não resta outro caminho que não a solidariedade e a defesa”. Ele avalia, no entanto, que a difusão das acusações causaram “um estrago do PT na opinião pública”. “O ódio, isso foi alcançado”, disse ele, que admite a possibilidade de Lula não ser candidato no ano que vem.
(Com Estadão Conteúdo)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sentimento reinante no PT é de que Lula será preso em breve

Balde de água fria no partido


A revelação de que a Odebrecht matinha uma poupança milionária para Lula trouxe ao PT a mesma percepção de 9 em cada dez brasileiros: sem foro privilegiado e no alvo de Sérgio Moro, a prisão de ex-presidente virou uma questão de tempo.
A cúpula do partido viu na divulgação dos vídeos um petardo na imagem de Lula, justamente no momento em que a Lava Jato partia com tudo para cima das traficâncias tucanas.
Radar on-line - veja

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Núcleo do esquema, PT tem 20 nomes na lista do ministro Edson Fachin



Bandeiras do PT durante manifestação

Fachin aponta governador do Acre, 4 senadores e ex-ministros de Dilma e de Lula como alvos da Lava Jato

Acusado de ser o partido líder do núcleo político do esquema de corrupção e cartel na Petrobrás, o PT tem 20 nomes incluídos na lista de Fachin, que teve o sigilo liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, estão o governador do Acre, Tião Viana, três ex-ministros dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, quatro senadores e 13 deputados e ex-deputados.
São 76 inquéritos abertos por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, com base na megadelação premiada dos 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht. O conteúdo das revelações confirma as investigações da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, que desde 2014 aponta a existência de um megaesquema de cartel, entre as maiores empreiteiras do País – Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, entre outras – e partidos base de sustentação dos governos Lula e Dilma, em especial PT, PMDB e PP, para arrecadar propinas em contratos da Petrobrás. O dinheiro teria sido usado para financiar as legendas e suas campanhas entre 2004 e 2014.
No Senado, estão na mira da Lava Jato os senadores Humberto Costa (PT-PE), Jorge Viana (PT-AC), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Paulo Rocha (PT-PA). Os deputados com mandato investigados são: Marco Maia (PT-RS), Carlos Zarattini (PT-SP), Décio Lima (PT-SC), Nelson Pellegrino (PT-BA), Maria do Rosário (PT-RS), Vander Loubet (PT-MS), Vicente Paula da Silva, o Vicentinho (PT-SP), Vicente Cândido (PT-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP), Zeca do PT (PT-MS) e Zeca Dirceu (PT-PR). O ex-deputado petista Cândido Vaccarezza hoje está no PTdoB.
Segundo os delatores, os ex-ministro Antonio Palocci e Guido Mantega foram os principais interlocutores da Odebrecht com as propinas e o caixa 2 pagos ao PT e suas campanhas eleitorais. Os dois estão identificados nas planilhas do grupo como “Italiano” e “Pós-Itália”.
Governador. O governador do Acre, Tião Viana, e o irmão dele, senador Jorge Viana, receberam R$ 2 milhões para a campanha de 2010 ao governo estadual. Desse total, R$ 1,5 milhão foi pago via caixa 2. O registro consta da planilha do Setor de Operações Estruturadas na conta corrente “Italiano” – que seria a referência a Palocci, que tratava dos valores para campanha presidencial do PT – como valores a serem pagos ao “Menino da Floresta”. Segundo a lista de Fachin, “os colaboradores relatam a ocorrência de pagamento de vantagem, a pedido do senador da República Jorge Viana, no contexto de campanha eleitoral de seu irmão, Tião Viana, ao governo do Acre, no ano de 2010”.
Senador. O senador Lindbergh Farias, candidato à presidência do PT, também é alvo de um inquérito. A apuração investiga repasse de R$ 4,5 milhões em propinas para as campanhas de 2008 e 2010. O petista, segundo dois delatores da Odebrecht, é identificado nas planilhas como “Lindinho” e “Feio”.
Agora RN

sábado, 1 de abril de 2017

Réu na Lava Jato - Ex-presidente Lula já montou plano para o caso de ser preso, conta revista

Ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT)
Defesa e partido do ex-presidente montaram roteiro pormenorizado para minutos que se seguirem à entrada da PF na cobertura de São Bernardo do Campo

Conforme declarou há três semanas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acorda todos os dias achando que será preso. Se vai ser mesmo, e quando, ninguém pode dizer. Mas, caso isso aconteça, já é certo que nem ele nem o PT serão pegos de calças curtas. Isso é o que conta a revista Veja neste sábado 1°.
A defesa e o partido do ex-presidente montaram um roteiro pormenorizado para os minutos que se seguirem à entrada da Polícia Federal na cobertura de São Bernardo do Campo onde mora o petista. Depois de ouvir sete fontes, Veja desvendou os detalhes já definidos da operação.
O plano de contingência do PT para o “Dia D” de Lula terá início em um grupo de WhatsApp batizado de “Tamoios”. O nome é uma referência à aliança formada por povos indígenas brasileiros no século XVI. O grupo Tamoios de WhatsApp reúne cerca de quarenta pessoas, incluindo o presidente do PT, Rui Falcão, senadores do partido e os presidentes da CUT e do MST. Seu objetivo: dar uma demonstração de força do PT e conferir a Lula a aura de “injustiçado”.
Agora RN

sábado, 25 de março de 2017

Ex-presidente Lula afirma que Dallagnol é “moleque” e fica “sentado na Bíblia”

Ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, do PT

Em evento do PT, ex-presidente ataca procurador da República que o acusou de ser ‘comandante máximo’ de organização criminosa

Réu em cinco processos, três deles provenientes da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, de “moleque”. E acrescentou que o procurador, que é fiel da Igreja Batista, acha que “sentar em cima da Bíblia dele” é a solução dos problemas do país.
“Fomos criados para mudar a história deste país e para agir corretamente. Quem comete erro paga pelo erro que cometeu. A instituição é muito forte. E aquele Dallagnol sugerir que o PT foi criado para ser uma organização criminosa… O que aquele moleque conhece de política? Ele nem sabe como se monta um governo. Não tem a menor noção. Ele acha que sentar em cima da Bíblia dele dá a solução de tudo”, disse Lula.
As declarações foram feitas durante o seminário “O que a Lava Jato tem feito pelo Brasil”, promovido pelo PT, em São Paulo. Com a voz fraca e abatido por uma virose, Lula falou menos de dez minutos e chegou a chorar ao dizer que fez um esforço para comparecer ao evento apenas para dar uma satisfação aos mais de 200 convidados que lotaram o auditório de um hotel. Além de dirigentes petistas, o seminário contou com a presença de juristas, jornalistas, sindicalistas e políticos de outros partidos.
As críticas de Lula a Dallagnol cresceram depois que, em setembro do ano passado, o procurador deu uma entrevista coletiva na qual disse que o petista era o “comandante máximo” da organização criminosa que promoveu desvios na Petrobras. Para exemplificar como o petista era o centro do esquema, ele usou uma apresentação em Powerpoint, que tinha o nome de Lula ao centro, cercado por irregularidades cometidas na administração pública e na Petrobras na sua gestão.
A entrevista, transmitida ao vivo por emissoras de TV, tinha por objetivo apresentar denúncia contra o petista no caso do triplex do Guarujá, que a Procuradoria entende ser um presente da construtora OAS ao ex-presidente com dinheiro desviado da estatal. Apesar de ter acusado Lula de ser chefe de uma organização criminosa, Dallagnol não denunciou o ex-presidente por isso, mas por corrupção e lavagem de dinheiro. Lula se incomodou com a afirmação e foi à Justiça contra Dallagnol, pedindo R$ 1 milhão de indenização por danos morais.
Na defesa de Dallagnol, a Advocacia-Geral da União, que defende Dallagnol no caso, disse que o procurador é vítima de “retaliações indevidas” por parte do ex-presidente e que esse tipo de ataque pode comprometer “a independência e o funcionamento adequado do Ministério Público”.
Nesta sexta-feira, Dallagnol não respondeu à fala de Lula. Quando foi processado, ele afirmou que “é natural que pessoas investigadas reajam”. “E quando essas pessoas são poderosas econômica e politicamente, as reações tomam vulto. Não nos surpreendemos, encaramos com naturalidade”, disse à época.
EXCESSOS
Os participantes do seminário do PT defenderam as investigações da Lava Jato, mas destacaram os supostos abusos da força-tarefa. Lula desafiou os procuradores a apontarem quais crimes ele cometeu. “Estou na expectativa para saber qual é o crime que será imputado a mim. Vou nessa briga até o fim. Não tenho negociata. Eles vão ter que provar”, disse o ex-presidente.

Agora RN

sexta-feira, 24 de março de 2017

Delator revela repasses de propina para ‘conta’ do ex-presidente Lula

Lula, ex-presidente
Marcelo Odebrecht apresentou ao TSE documentos que apontam detalhamento da movimentação da conta-corrente do Setor de Operações Estruturadas realizada pelo ex-presidente

Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo que leva seu sobrenome, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) documentos que apontam o detalhamento da suposta movimentação da conta-corrente do Setor de Operações Estruturadas – o departamento da propina – realizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A informação consta de trechos das declarações divulgadas nesta quinta-feira, 23, pelo site O Antagonista. Entre os documentos está uma curta planilha em que aparece o codinome “Amigo”, que seria uma referência a Lula.
A lista revela que, em 22 de outubro de 2013, o saldo de “Amigo” era de R$ 15 milhões. Já em 31 de março de 2014, o valor passou para R$ 10 milhões – não foi explicado o que foi feito com R$ 5 milhões.
Ao falar sobre o gerenciamento da conta com recursos repassados para as campanhas de Lula e da presidente cassada Dilma Rousseff, Marcelo afirmou que foi o ex-presidente quem indicou o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci para ser o administrador da conta-corrente irrigada por recursos de caixa 2. “Eu falei com ela (Dilma)… Olha, presidente, em 2010, 2009, em 2010, eu falei: presidente, tudo eu estou tratando com o Palocci, era o meu combinado com o Lula, tá ok? Ela falou: Tá ok”, disse o delator.
A assessoria de imprensa do Instituto Lula, por meio de nota, afirmou que não foi encontrado nenhum recurso indevido para o ex-presidente. “Lula jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para qualquer fim e isso será provado na Justiça.”
“Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros se referem a ele como ‘Amigo’.” O instituto disse que “não cabe comentar depoimento sob sigilo de Justiça vazado seletivamente e de forma ilegal.”
Agora RN

Odebrecht diz que ‘inventou’ campanha de Dilma em 2014 - Juiz mandou instaurar procedimento interno para investigar o vazamento de depoimentos


Por Andreza Matais, Erich Decat, Mateus Coutinho, Pedro Venceslau, Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho


O ex-presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que “inventou” a campanha de reeleição da presidente cassada Dilma Rousseff, em 2014. As declarações constam do depoimento prestado pelo empreiteiro no dia 1.º deste mês, na ação que pede a cassação da chapa de Dilma e de seu vice à época, o presidente Michel Temer, por suposto abuso de poder político e econômico.
O conteúdo do depoimento foi relevado nessa quinta-feira (23) pelo site O Antagonista e confirmado pelo jornal O Estado de S. Paulo O juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral Bruno César Lorencini mandou instaurar procedimento interno para investigar o vazamento de depoimentos. O magistrado atendeu a pedido da presidente cassada, que chamou as acusações de “levianas”.
“A campanha presidencial de 2014, ela foi inventada primeiro por mim, tá?”, disse Marcelo ao ser questionado sobre sua relação com a reeleição de Dilma. “Os valores (de doações) foram definidos por mim”, afirmou o empresário, preso em Curitiba desde junho de 2015, em razão de investigações da Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras.
No depoimento, Marcelo disse que “não tem a menor dúvida” de que Dilma tinha conhecimento do pagamento de despesas de campanha com recursos de caixa 2, conforme o Estado antecipou na edição do dia 2.
De acordo com o delator, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi o responsável por solicitar os repasses da construtora. Em maio de 2014, o empresário se encontrou com o “Pós-Italiano”, como Mantega era identificado nas planilhas do Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina da empresa. Na ocasião, foi informado de que os repasses prioritários deveriam ser para a campanha presidencial.
“Marcelo, a orientação dela (Dilma) agora é que todos os recursos de vocês vão para a campanha dela. Você não vai mais doar para o PT, você só vai doar para a campanha dela, basicamente as necessidades da campanha dela: João Santana, Edinho Silva ou esses partidos da coligação”, relatou o delator
O empreiteiro afirmou que a presidente cassada nunca lhe pediu nada diretamente, mas tinha conhecimento dos pagamentos via caixa 2. “Dilma sabia da dimensão da nossa doação e sabia que nós éramos quem doá(vamos)… Quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa 2 para João Santana”, disse. Santana foi o marqueteiro das campanhas de 2010 e 2014. Edinho foi o tesoureiro no último pleito.
O empreiteiro afirmou que parte dos débitos feitos a Santana se referia ainda às dívidas de campanha de 2010. A Lava Jato identificou pagamentos a Santana e sua mulher, Mônica Moura, por meio de contas não declaradas no exterior. Ambos tentam acordo de colaboração como Ministério Público Federal (MPF).
Refis
Marcelo afirmou também que a movimentação na conta Italiano atendia a pedidos do ex-ministro Antonio Palocci até 2011. A partir de então, passou a discutir os valores com Mantega. Ao todo, a Odebrecht repassou R$ 150 milhões, segundo o delator, para a campanha de 2014. Parte desse valor – R$ 50 milhões – era uma contrapartida pela aprovação da Medida Provisória 470 (Refis), em 2009, que facilitou a renegociação das dívidas de empresas do grupo. O valor deveria ter sido pago em 2010.
Defesas
A assessoria de imprensa da presidente cassada afirmou, em nota, que ela “não tem e nunca teve qualquer relação próxima com o empresário Marcelo Odebrecht, mesmo nos tempos em que ela ocupou a Casa Civil” no governo Luiz Inácio Lula da Silva. O texto afirmou ainda que Dilma “sempre manteve uma relação distante do empresário, de quem tinha desconfiança desde o episódio da licitação da Usina de Santo Antônio”.
Na nota, Dilma afirmou que Marcelo precisa incluir provas e documentos das acusações. “Não basta acusar de maneira leviana”. Ela criticou que, “mais uma vez, delações sejam vazadas seletivamente, de maneira torpe, suspeita e inusual”. Procurada, a assessoria de imprensa do PT informou que não comentaria vazamento.
A Odebrecht, em nota, informou que “não se manifesta sobre o teor de eventuais depoimentos de pessoas físicas”. A empresa disse que “reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça”. A defesa de Mantega e Palocci não foi localizada.
Relatório
Na quarta-feira, 22, Benjamin, responsável pelo caso, entregou relatório parcial do processo aos integrantes do TSE. A ação foi proposta pelo PSDB logo após o segundo turno das eleições.
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