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terça-feira, 16 de maio de 2017

Léo Pinheiro entrega a Moro ‘registros de encontros’ com Lula

Registros dos encontros estavam na agenda dos celulares do empreiteiro

Material foi anexado à ação penal na qual Léo Pinheiro e Lula são réus; documentos foram entregues com o objetivo de corroborar o depoimento do empreiteiro

O ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, entregou à Justiça nesta segunda-feira, 15, “registros de encontros” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. A defesa de Léo Pinheiro afirmou que os registros dos encontros estavam na agenda dos celulares do empreiteiro.
Um dos arquivos entregues por Léo Pinheiro tem 41 páginas. O documento indica três reuniões no Instituto Lula: em 23 de fevereiro de 2012, em 27 de julho de 2012 e 16 de abril de 2013
O material foi anexado à ação penal na qual Léo Pinheiro e Lula são réus. Os documentos foram entregues com o objetivo de corroborar o depoimento do empreiteiro. Ao juiz federal Sérgio Moro, o executivo afirmou que o tríplex de Guarujá (SP) “era de Lula”.
O ex-presidente é acusado pelo Ministério Público Federal de receber R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012
As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira por meio do tríplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção.
Uma das mensagens anexada por Léo Pinheiro é de 22 de fevereiro de 2014. O empreiteiro conversa com a filha e escreve. “Voltando de SBC. Trânsito horroroso no Ibirapuera.”
Segundo a denúncia da Lava Jato, em fevereiro de 2014, Léo Pinheiro solicitou a Fábio Yonamine, então presidente da OAS Empreendimentos, que o apartamento 164-A do Condomínio Solaris fosse preparado “com sua limpeza e retoques na pintura” para a visita de Lula.
No dia da visita, afirma a força-tarefa da Lava Jato, Fábio Yonamine encontrou Léo Pinheiro e ambos foram no mesmo carro para São Bernardo do Campo, onde encontraram Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia – morta em fevereiro de 2017. De lá, seguiram todos para o Condomínio Solaris, no Guarujá. Em depoimento a Moro, Lula confirmou que esteve uma vez no tríplex, em fevereiro de 2014.
Na agenda de Léo Pinheiro, há a indicação de encontro com Fabio Yonamine entre 1 e 2 de fevereiro. “Res. Dr. Léo – Após ir para o Guarujá.”
Em outra mensagem entregue à Justiça, um interlocutor diz a Léo Pinheiro em 6 de junho de 2014. “Léo, amanhã vou pra o nosso tema para esvaziar o lago para impermeabilizar. Eles, eu soube que vão estar lá para acompanhar a despesca. Mas não tenho certeza. Se desejar podemos combinar.”
Segundo o Portal da Transparência, um dos seguranças de Lula esteve em no sítio de Atibaia entre 6 e 10 de junho.
O documento interno da OAS Empreendimentos, entregues por Léo Pinheiro, é intitulado “Análise de Custos de Obras”, de outubro de 2014. O relatório trata de custos de construção de edifícios da OAS, entre eles o Solaris.
Agora RN

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Primeiro julgamento de Lula por Moro já tem data marcada

Lula enfrenta outros quatro processos em fase de julgamento

Em outros casos Moro anunciou a sentença em um período de apenas três a quinze dias posteriores à apresentação das alegações finais da defesa

O primeiro julgamento por corrupção contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará pronto para sentença a partir de 20 de junho, segundo uma decisão adotada nesta segunda-feira pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.
Embora não tenha sido estabelecido um prazo, em outros casos Moro anunciou a sentença em um período de apenas três a quinze dias posteriores à apresentação das alegações finais da defesa.
Moro negou nesta segunda-feira os pedidos dos advogados de Lula para ouvir mais testemunhas, encerrando a instrução do caso que busca determinar se o ex-presidente recebeu um apartamento triplex no Guarujá, em São Paulo, em troca de vantagens indevidas concedidas à construtora OAS.
“A ampla defesa, direito fundamental, não significa um direito amplo e irrestrito à produção de provas, mesmo as impossíveis, as custosas e as protelatórias”, escreveu o juiz em sua decisão, publicada por sua 13ª Vara Federal em Curitiba.
“Considerando a necessidade de aguardar a degravação do último interrogatório (com juntada prevista para 24/05), fixo os seguintes prazo para alegações finais: – sete dias úteis para o MPF, iniciando em 25/05, encerrando em 02/06; – dois dias úteis para a Petrobras, iniciando em 05/06, encerrando em 06/06; – nove dias úteis para a Defesa, iniciando em 07/06, encerrando em 20/06”, acrescentou.
A partir desta data, estaria em condições de ditar uma sentença.
Moro interrogou Lula na quarta-feira passada por quase cinco horas, em um duelo cara a cara entre o juiz que encarna a luta contra a corrupção sistêmica na política e o presidente mais popular da história recente.
Lula enfrenta outros quatro processos que já estão na fase de julgamento, além de estar envolvido em uma série de investigações, que cobrem um amplo leque de acusações como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de uma organização criminosa e obstruir o trabalho da justiça.
O fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) nega todas as acusações e denuncia uma manipulação judicial para inabilitá-lo como candidato às eleições presidenciais de 2018, que lidera com folga, segundo as pesquisas de intenção de voto.
Agora RN

quinta-feira, 11 de maio de 2017

‘Eu não tenho influência no PT’, afirma Lula a juíz federal Sérgio Moro

Petista minimizou a influência que tinha sobre o Partido

Ex-presidente disse a Sérgio Moro que 'Ministério Público não conhece o PT', ao ser questionado sobre sua influência no partido

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao juiz federal Sérgio Moro que o “Ministério Público não conhece o PT”, ao ser questionado sobre sua influência no partido e se tomou providências dentro da legenda ao ter conhecimento dos esquemas de corrupção na Petrobras, amplamente divulgados pela imprensa, após a deflagração da Lava Jato. Lula foi interrogado por Moro durante cerca de cinco horas nesta quarta-feira, 10.
O ex-presidente falou ao magistrado no âmbito de processo em que é réu pelo suposto recebimento de propinas de R$ 3,7 milhões da OAS. Na mesma peça de acusação, o Ministério Público Federal sustenta que Lula tinha conhecimento e comandava os esquemas de corrupção dentro da estatal.
Frente a frente com Moro, o petista foi questionado se, quando vieram à tona os escândalos de corrupção na petrolífera, “tomou alguma providência”.
“Já estava fora da presidência há quatro anos. Eu era ex-presidente quando houve as denúncias da Lava Jato”, disse.
Perguntado novamente sobre o mesmo tema, o ex-presidente minimizou a influência que tinha sobre o Partido dos Trabalhadores.
“Essa influência dentro do PT é porque o MP (Ministério Público) não conhece o PT. Se eles conhecessem o PT, não falariam isso. o PT é um partido que eu não participo de nenhuma reunião do PT desde que virei presidente. Isso foi em 2002. Até 2014. Eu não tenho influência no PT, eu tenho influência na sociedade. Quando eu falo as pessoas me ouvem. Alguns ouvem, nem todos”, afirmou.
Agora RN

Policiais federais vão processar Lula após insinuação durante depoimento

A entidade ainda afirma que “a fala de Lula vai gerar consequências”

Ao ser apresentado a um documento por Moro, o ex-presidente 'insinuou' que agentes federais teriam 'plantado provas em seu apartamento'

A Federação Nacional dos Policiais Federais afirmou, por meio de nota, nesta quinta-feira, 11, que vai processar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por “denunciação caluniosa”.
A entidade afirmou que, ao ser apresentado a um documento pelo juiz Sérgio Moro, durante interrogatório, o ex-presidente Lula “insinuou” que agentes federais teriam “plantado provas em seu apartamento”.
As declarações, segundo a entidade, foram feitas no âmbito de processo em que Lula é réu pelo suposto recebimento de R$ 3,7 milhões de propinas da OAS.
O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Luís Boudens, afirmou que “atribuir a inserção de provas dentro do local de busca é uma afronta à Polícia Federal”.
Lula teria feito a insinuação de prova plantada quando o juiz Sérgio Moro, que o interrogou nesta quarta-feira, 10, o questionou sobre documento sem assinatura que agentes da Polícia Federal apreenderam no apartamento em São Bernardo do Campo onde o ex-presidente mora.
O endereço foi alvo de buscas na Operação Aletheia, desdobramento da Lava Jato, no dia 4 de março de 2016. Naquele mesmo dia, os federais conduziram coercitivamente o petista para depor em uma sala no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Congonhas.
“Lula foi pego de surpresa pelo documento exibido por Moro. Ele reagiu de pronto, não pode ter uma reação calculada ou ensaiada. Não vamos permitir que essa alegação de Lula gere como efeitos processos administrativos contra os colegas federais ofendidos”, declarou Luís Boudens.
A entidade ainda afirma que “a fala de Lula vai gerar consequências” e que o ex-presidente fez uma “denunciação caluniosa contra a PF”.
“Vamos esperar os efeitos do judiciário em resposta ao que Lula alegou. A fala dele exige uma reação, foi uma afronta à PF jamais ocorrida durante toda a Lava Jato”, afirmou o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais.
Fonte: Exame

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Moro interroga Lula por 3 horas e 20 min; audiência acaba após 5h

Lula é recepcionado por militantes e apoiadores nos arredores da Justiça Federal em Curitiba antes de depoimento ao juiz Sergio Moro - 10/05/2017 (Vagner Rosário/VEJA.com)

Após questionamentos do juiz federal, procuradores do Ministério Público Federal e advogados de defesa fazem perguntas; audiência já dura cinco horas


O interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz federal Sergio Moro durou cerca de 3 horas e 20 minutos. O petista presta depoimento nesta quarta-feira, 10, em ação penal sobre o suposto recebimento de propina da construtora OAS por meio de um tríplex no Guarujá e o armazenamento de bens que acumulou durante a Presidência. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção – ele nega as acusações.
O depoimento terminou por volta das 19h, cerca de cinco horas após o seu início, às 14h10.  Moro foi o primeiro a fazer perguntas a Lula. Durante as quase três horas e vinte minutos, houve apenas um intervalo de cerca de 10 minutos em que as partes puderam se servir de água e café. Após as perguntas juiz da Lava Jato, foi a vez de o Ministério Público Federal dar início a seus questionamentos, já por volta das 17h40. Depois da Procuradoria da República, foi a vez dos advogados das partes.
Lula deixou o prédio da Justiça Federal por volta das 19h25 em uma comitiva de carros – antes, havia chegado caminhando por algumas quadras, quando foi abraçado e ovacionado por seguidores. O amplo esquema de segurança montado em torno do Fórum já foi desmobilizado.
Triplex
O tríplex fica no Edifício Solaris, que era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.
A ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva (morta em fevereiro deste ano) assinou Termo de Adesão e Compromisso de Participação com a Bancoop e adquiriu “uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico”, atual Solaris, em abril de 2005.
Em 2009, a Bancoop repassou o empreendimento à OAS e deu duas opções aos cooperados: solicitar a devolução dos recursos financeiros integralizados no empreendimento ou adquirir uma unidade da OAS, por um valor pré-estabelecido, utilizando, como parte do pagamento, o valor já pago à Cooperativa.
Segundo a defesa de Lula, a ex-primeira-dama não exerceu a opção de compra após a OAS assumir o imóvel. Em 2015, Marisa Letícia pediu a restituição dos valores colocados no empreendimento.
Bens
A Lava Jato afirma que a OAS pagou durante cinco anos pelo aluguel de dez guarda-móveis usados para armazenar parte da mudança do ex-presidente Lula quando o petista deixou o Palácio do Planalto no segundo mandato. A empreiteira desembolsou entre janeiro de 2011 a janeiro de 2016, R$ 1,3 milhão pelos contêineres, ao custo mensal de R$ 22.536,84 cada.
Toda negociação com a transportadora Granero teria sido intermediada pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que indicou a OAS como pagante com o argumento de que a empreiteira é uma “apoiadora do Instituto Lula.” Para investigadores da Lava Jato, os fatos demonstram “fortes indícios de pagamentos dissimulados” pela OAS em favor de Lula. Isso porque o contrato se destinava a “armazenagem de materiais de escritório e mobiliário corporativo de propriedade da construtora OAS Ltda”, mas na verdade os guarda-móveis atendiam a Lula.
(Com Estadão Conteúdo)

Depoimento de Lula a Moro ganha repercussão internacional - As matérias tratam do embate político entre os dois e dos protestos no Brasil

O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz federal Sérgio Moro nesta quarta-feira, 10, em Curitiba, ganhou destaque em portais de notícias internacionais. As matérias tratam do embate político entre os dois e dos protestos no Brasil.
O jornal italiano ‘La Repubblica’ disse que “o dia da verdade chegou” e o confronto esperado entre Lula e Moro vai acontecer. O ex-presidente é acusado de ter recebido vantagens após favorecer a empreiteira OAS. “O caso virou uma grande dor de cabeça”, destaca. O La Repubblica fala ainda que o partido convocou milhares de militantes para a ocasião.
A BBC ressaltou que o depoimento vai influenciar o destino de Lula, lembrando que o petista é o candidato favorito para as próximas eleições presidenciais. Por isso, o portal afirma que Lula não estará falando apenas para o juiz. “As suas palavras serão medidas para passar a mensagem certa aos eleitores em todo o País”.
Já o jornal Clarín, da Argentina, diz que o Brasil está sob tensão por causa do “explosivo encontro”, que virou o assunto do dia. O depoimento é o momento para que o juiz Sérgio Moro prove suas hipóteses sobre a culpa do réu. E Lula deve demonstrar que as suspeitas são “artimanhas judiciais” que escondem uma perseguição política.
portal no Ar

terça-feira, 9 de maio de 2017

Tribunal Regional Federal mantém para amanhã depoimento de Lula

Ex-presidente vai ser interrogado nesta quarta-feira

Juiz federal, Nivaldo Brunoni, rejeitou pedido liminar da defesa do petista para suspender a ação penal e o interrogatório do ex-presidente

O juiz federal Nivaldo Brunoni, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), manteve o interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para esta quarta-feira, 10. O magistrado rejeitou pedido liminar da defesa do petista para suspender a ação penal e o interrogatório do ex-presidente
“Não há razão para o deferimento de suspensão do interrogatório do paciente e sobrestamento da ação penal”, afirmou o magistrado
Nivaldo Brunoni pontuou que “não pode passar despercebido que o interrogatório do réu, ato comum a qualquer ação penal, ganhou repercussão que extrapolou a rotina da Justiça Federal de Curitiba/PR e da própria municipalidade”.
“Medidas excepcionais foram tomadas para evitar tumulto e garantir a segurança nas proximidades do fórum federal; prazos foram suspensos, o acesso ao prédio-sede da Subseção Judiciária será restrito a pessoas previamente identificadas e o trânsito nas imediações será afetado, medidas que vem mobilizando vários órgãos da capital paranaense”, observou o magistrado.
O ex-presidente vai ser interrogado nesta quarta-feira, 10, pelo juiz federal Sérgio Moro. Na ação, ele é acusado de ter recebido R$ 3,7 milhões em propinas da OAS que, em troca, teria fechado três contratos com a Petrobras, supostamente por ingerência de Lula.
Os advogados de Lula pediram por meio de habeas corpus a imediata (concessão de liminar) suspensão do processo criminal em que ele é réu por corrupção e lavagem de dinheiro no caso triplex – imóvel situado no Guarujá, litoral de São Paulo, que a Lava Jato diz pertencer a Lula, o que é negado por ele. A defesa alegou que não teria tempo suficiente para analisar o conteúdo de uma supermídia com 5,42 gigabytes com documentos que a Petrobras anexou aos autos – estima-se que o arquivo tenha 100 mil páginas.
A defesa de Lula havia solicitado pelo menos 90 dias para examinar os documentos da Petrobras e queriam que o Tribunal determinasse “a renovação dos atos processuais prejudicados pelos atos ilegais impugnados, em especial, o interrogatório marcado para o dia 10 de maio de 2017 e a etapa do artigo 402 do Código de Processo Penal”.
Para Brunoni, “no tocante ao prazo de 90 dias para o exame do material apresentado pela Petrobras, não merece acolhimento o pedido por falta de previsão legal”.
“A documentação juntada em meio digital é inédita para todas os atores processuais (defesa, acusação e juízo). Não se desconsidera que a existência de milhares de páginas para exame demanda longo tempo, mas foge do razoável a defesa pretender o sobrestamento da ação penal até a aferição da integralidade da documentação por ela própria solicitada, quando a inicial acusatória está suficientemente instruída”, anotou Nivaldo Brunoni.
Agora RN

domingo, 7 de maio de 2017

Moro pede que população não vá às ruas durante interrogatório de Lula

Sérgio Moro
O juiz federal usou página nas redes sociais para divulgar vídeo pedindo para que a população não vá as ruas; grupos se mobilizam para articulações em Curitiba

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, solicitou aos simpatizantes da operação que não compareçam a Curitiba na próxima quarta-feira, dia 10 de maio, data em que está marcado o interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu tenho ouvido que muita gente que apoia a Operação Lava Jato pretende vir a Curitiba manifestar esse apoio”, disse Moro. “Eu diria o seguinte: esse apoio sempre foi importante, mas, nessa data, ele não é necessário”.
Segundo o juiz, deve-se evitar qualquer tipo de “confusão e conflito” e zelar pela segurança das pessoas, para que ninguém se machuque em eventuais discussões nesta data. “O interrogatório é uma oportunidade que o senhor ex-presidente vai ter para se defender, é um ato normal do processo. Nada de diferente ou anormal vai acontecer nessa data, apenas esse interrogatório”, pondera Moro.
Originalmente, o interrogatório de Lula estava previsto para o dia 3 de maio, mas foi remarcado por Moro para 10 de maio a pedido da Secretaria de Segurança Pública do Paraná e da Polícia Federal. As corporações alegaram necessidade de mais tempo “para providências de segurança” diante de manifestações populares que poderiam ocorrer em Curitiba.
Na ação, Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do tríplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016.
“A minha sugestão é: não venha, não precisa. Deixe a Justiça fazer o seu trabalho, tudo vai ocorrer com normalidade. Eu espero que todos compreendam”, finalizou Moro, no vídeo. O material foi publicado por volta das 21 horas de ontem e republicado minutos depois na mesma página. Juntos, os dois vídeos já registraram quase 2 milhões de visualizações e mais de 92 mil compartilhamentos.
Mobilização
Nas redes sociais, grupos apoiadores da operação e pessoas favoráveis a Lula se organizam para fazer manifestação em Curitiba durante o interrogatório. O Movimento Brasil Livre (MBL), que figura entre os grupos mais ativos em apoio a Moro, disse que não está promovendo nenhuma organização oficial de protesto, mas que seus representantes estarão em Curitiba acompanhando a oitiva. A porta voz do movimento Nas Ruas, Carla Zambelli, em declaração pública, também pediu aos seguidores para não irem a cidade, para evitar confrontos.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) disse que não está promovendo a organização de caravanas. Já o grupo Frente Povo Independente usou a internet por meio de um site de financiamento coletivo para garantir o pagamento de dois ônibus fretados rumo a Curitiba. Foram arrecadados R$ 8,5 mil em doações.
Na terça-feira, véspera do depoimento, Lula e apoiadores vão participar de um culto ecumênico na Catedral Metropolitana de Curitiba. Entre os confirmados no ato de apoio e solidariedade ao ex-presidente está a direção nacional do PT, dezenas de deputados, senadores e ex-ministros.
Agora RN

domingo, 5 de março de 2017

Juiz Sérgio Moro “inocenta” Marisa Letícia e marca interrogatório de Lula e outros seis réus

Outras seis pessoas que também são réus na ação penal serão interrogadas por Sérgio Moro

Juiz federal atendeu pedido da defesa de 'extinção a punibilidade' da mulher do ex-presidente; petista será interrogado no dia 3 de maio, em Curitiba

O juiz federal Sérgio Moro decidiu, no despacho publicado nesta sexta-feira (3), atender o pedido da defesa de “extinção a punibilidade” de Marisa Letícia Lula da Silva, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morta em fevereiro .
“Não havendo condenação criminal, é evidente que o acusado, qualquer que seja o motivo, deve ser tido como inocente. Assim, em vista do lamentável óbito, declaro a extinção da punibilidade de Marisa Letícia Lula da Silva”, escreve Moro no despacho.
Ainda na decisão, o juiz federal marcou para o dia 3 de maio, em Curitiba, o interrogatório do ex-presidente. Nesta ação penal, o casal petista foi acusado de ser beneficiário “de vantagens ilícitas” na reforma de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral paulista, pela empreiteira OAS, e na guarda de bens do em um guarda-volumes. O casal sempre negou as acusações.
Audiências
Outras seis pessoas que também são réus na ação penal serão interrogadas por Sérgio Moro. Os empreiteiros da OAS, José Adelmário Pinheiro Filho e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, no dia 20 de abril; Fábio Hori Yonamine, Paulo Roberto Valente Gordilho e Roberto Moreira Ferreira, no dia 26 de abril; e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, no dia 28 de abril.
Denúncia
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o ex-presidente teria sido beneficiado com propina de aproximadamente R$ 3,7 milhões, pagos pela construtora OAS. Parte do acordo teria sido quitado por meio da compra e reforma do tríplex no condomínio Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo.
A denúncia aponta ainda que a empreiteira OAS teria aceitado, como parte de acertos de propinas destinadas ao PT, entregar e reformar o imóvel – operações que, somadas, equivalem a mais de R$ 2,4 milhões.
Além do episódio envolvendo o apartamento, a construtora também teria pagado, entre 2011 e 2016, as despesas referentes ao armazenamento de presentes que o petista recebeu durante seu período na Presidência da República.
O MPF estima que a empreiteira OAS chegou a pagar cerca de R$ 87,6 milhões em propinas para atuar nas obras das refinarias Abreu e Lima e Presidente Getúlio Vargas, da Petrobras. Deste valor, segundo os procuradores, mais de R$ 3,7 milhões seriam direcionados diretamente ao ex-presidente.
Defesa
Os advogados de Lula questionaram, em nota, a decisão de Sérgio Moro de não “declarar a absolvição sumária” de Marisa Letícia e apenas fazer a “extinção a punibilidade”. Segundo eles, o juiz federam deveria  “absolver sumariamente o acusado quando verificar ‘extinta a punibilidade do agente’”. “Lutaremos para que ela tenha, mesmo após o falecimento, o mesmo tratamento que a legislação assegura a todos os jurisdicionados”, afirmaram os advogados.
Fonte: iG

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Juízes federais querem Moro na cadeira que Teori ocupava

O resultado da consulta interna da entidade dos juízes federais deverá ser levado ao presidente da República, Michel Temer.

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) elegeu o juiz Sérgio Moro, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Reynaldo Fonseca e o desembargador Fausto De Sanctis como sugestões para a cadeira do ministro Teori Zavascki, morto em acidente aéreo no dia 19 de janeiro em Paraty (RJ).
A lista tríplice foi votada por 761 associados da principal entidade dos magistrados federais do País. Moro, que comanda a Operação Lava Jato, recebeu a maior votação, 319 votos, seguido de perto pelo ministro do STJ, com 318. Em terceiro ficou o desembargador De Sanctis, com 165 votos.
O resultado da consulta interna da entidade dos juízes federais deverá ser levado ao presidente da República, Michel Temer.
Portal no Ar

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Operação Lava Jato denuncia Lula, Palocci e Odebrecht por corrupção e lavagem

Esta é a segunda acusação formal da força-tarefa do Ministério Público Federal, no Paraná, contra o ex-presidente do Brasil, que já acumula cinco denúncias

Em denúncia oferecida nesta quarta-feira (14) pela força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal, em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de praticar os crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro, desta vez em razão de contratos firmados entre a Petrobrás e a Construtora Norberto Odebrecht S/A.
Ao todo, Lula é alvo de cinco denúncias: duas da Lava Jato, no Paraná, uma na Operação Zelotes, uma na Operação Janus e uma no âmbito da Lava Jato, em Brasília.
A acusação formal tornada pública nesta quinta é a segunda da força-tarefa do Ministério Público Federal, no Paraná. Em setembro deste ano, a Procuradoria da República, no Paraná, denunciou o petista também por lavagem de dinheiro e corrupção no caso triplex e no pagamento da armazenagem de bens pessoais.
Lula foi denunciado ainda na Operação Zelotes por tráfico de influência na compra dos caças Gripen e na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627 em 9 de dezembro.
O ex-presidente também é acusado pelo Ministério Público Federal por obstrução de Justiça, por supostamente ter tentado barrar a delação do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró na Operação Lava Jato e ainda por tráfico de influência em um empreendimento da Odebrecht em Angola, na Operação Janus, que envolve o sobrinho de sua primeira mulher.
A exemplo da acusação feita na Ação Penal nº 5046512-94.2016.4.04.7000, Luiz Inácio Lula da Silva é apontado como o responsável por comandar uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal. A denúncia aponta que esse esquema ocorreu nas mais importantes diretorias da Petrobrás, mediante a nomeação de Paulo Roberto Costa e Renato Duque para as diretorias de Abastecimento e Serviços da estatal, respectivamente.
Por meio do esquema, diz a denúncia, estes diretores geravam recursos que eram repassados para enriquecimento ilícito do ex-presidente, de agentes políticos e das próprias agremiações que participavam do loteamento dos cargos públicos, bem como para campanhas eleitorais movidas por dinheiro criminoso.
Também foram denunciados o empresário Marcelo Odebrecht, acusado da prática dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; Antonio Palocci e Branislav Kontic, denunciados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e Marisa Letícia Lula da Silva, acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.
Nesta denúncia, a propina, equivalente a percentuais de 2% a 3% dos oito contratos celebrados entre a Petrobrás e a Construtora Norberto Odebrecht S/A, totaliza R$ 75.434.399,44. Este valor foi repassado a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Progressista (PP) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), bem como aos agentes públicos da Petrobrás envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro.
Parte do valor das propinas pagas pela Construtora Norberto Odebrecht S/A foi lavada mediante a aquisição, em benefício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do imóvel localizado na Rua Dr. Haberbeck Brandão, nº 178, em São Paulo (SP), em setembro de 2010, que seria usado para a instalação do Instituto Lula. O acerto do pagamento da propina destinada ao ex-presidente foi intermediado pelo então deputado federal Antonio Palocci, com o auxílio de seu assessor parlamentar Branislav Kontic, que mantinham contato direto com Marcelo Odebrecht, auxiliado por Paulo Melo, a respeito da instalação do espaço institucional pretendido pelo ex-presidente.
A compra desse imóvel foi realizada em nome da DAG Construtora Ltda., mas com recursos comprovadamente originados da Construtora Norberto Odebrecht, em transação que também contou com a interposição de Glaucos da Costamarques, parente de José Carlos Costa Marques Bumlai, sob a orientação de Roberto Teixeira, que atuou como operador da lavagem de dinheiro. O valor total de vantagens ilícitas empregadas na compra e manutenção do imóvel, até setembro de 2012, chegou a R$ 12.422.000,00, como demonstraram anotações feitas por Marcelo Odebrecht, planilhas apreendidas na sede da DAG Construtora Ltda. e dados obtidos em quebra de sigilo bancário, entre outros elementos.
Além disso, parte das propinas destinadas a Glaucos da Costamarques por sua atuação na compra do terreno para o Instituto Lula foi repassada para o ex-presidente na forma da aquisição da cobertura contígua à sua residência em São Bernardo de Campo (SP). De fato, R$ 504.000,00 foram usados para comprar o apartamento vizinho à cobertura do ex-presidente. A nova cobertura, que foi utilizada pelo ex-presidente, foi adquirida no nome de Glaucos da Costamarques, que atuou como testa de ferro de Luiz Inácio Lula da Silva, em transação que também foi concebida por Roberto Teixeira, em nova operação de lavagem de dinheiro. Na tentativa de dissimular a real propriedade do apartamento, Marisa Letícia Lula da Silva chegou a assinar contrato fictício de locação com Glaucos da Costamarques, datado de fevereiro de 2011, mas as investigações concluíram que nunca houve o pagamento do aluguel até pelo menos novembro de 2015.
A denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação, todas disponíveis nos anexos juntados aos autos.
“Esta denúncia reafirma o compromisso do Ministério Público Federal com o cumprimento de suas atribuições constitucionais e legais, independentemente das tentativas de intimidação dos acusados e de seus defensores, dos abusos do direito de defesa em desrespeito ao Poder Judiciário e do abuso do poder de legislar utilizado em franca vingança contra as Instituições”, diz nota da Procuradoria da República.
Reprodução das informações de O Estado de S. Paulo

domingo, 27 de novembro de 2016

Blindado: Sergio Moro conta com escolta de 7 seguranças 24 horas por dia


Sérgio Moro, que antes recusava seguranças, cedeu. Agora conta com os serviços de sete vigilantes, durante as 24 horas do dia. São quatro policiais federais e três agentes da própria Justiça Federal.

Radar online

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Moro bloqueia R$ 10 milhões de Sérgio Cabral, mulher e outros dez

Os inquéritos e processos sobre corrupção nos contratos da Petrobras estão sob a guarda de Moro


Por Estadão Conteúdo
 

O juiz federal Sérgio Moro decretou o bloqueio de R$ 10 milhões do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e de outros onze investigados, inclusive a mulher do peemedebista, Adriana de Lourdes Ancelmo, e do escritório de advocacia dela, o Ancelmo Advogados.
A decisão de Moro é relativa exclusivamente a uma investigação de sua alçada, aberta contra Sérgio Cabral, que teria recebido propinas de R$ 2,7 milhões em obras da Petrobrás – no caso o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).
Os inquéritos e processos sobre corrupção nos contratos da Petrobras estão sob a guarda de Moro.
A origem da Lava Jato são os empreendimentos fraudados da estatal petrolífera no período de 2004 a 2014. Por isso, Moro também mandou prender Cabral – simultaneamente, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, decretou a prisão do ex-governador, mas por propinas em outras obras bilionárias, sem vínculo com a Petrobrás.
Segundo Moro, “na linha dos desdobramentos, este feito tem por objeto crimes de corrupção consistentes no pagamento de vantagem indevida ao então governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho em decorrência do contrato celebrado entre a Andrade Gutierrez e a Petrobras para obras de terraplanagem no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro/Comperj”.
A investigação foi aberta a partir da delação premiada de executivos da empreiteira Andrade Gutierrez. No termo de colaboração número 5, um ex-dirigente da empreiteira, Rogério Nora de Sá, declarou que se reuniu “mais de uma vez com o então governador do Rio Sérgio Cabral e ainda com Alberto Quintães, superintendente Comercial da Andrade Gutierrez para o Rio, para discutir pagamento de vantagem indevida em contratos (da empreiteira) naquele Estado”.
“A pretensão do então governador era receber propina mensal de cerca de R$ 300 mil da Andrade Gutierrez”, assinala o juiz. “Entre os pagamentos, propinas da ordem de R$ 2,7 milhões em contrato de obra de terraplanagem de Petrobras no Complexo Petroquímico do Rio, o que foi combinado com o diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.”
Alberto Quintães teria operacionalizado o pagamento juntamente com Clóvis Renato Numa Peixoto Primo, diretor-geral da Construtora Andrade Gutierrez.
O confisco de R$ 10 milhões tem base em uma planilha de repasses ilícitos supostamente realizados em favor do peemedebista. “Viável o decreto do bloqueio dos ativos financeiros dos investigados em relação aos quais há prova, em cognição sumária, de recebimento de propina”, decidiu Moro. “Não importa se tais valores, nas contas bancárias, foram misturados com valores de procedência lícita. O sequestro e confisco podem atingir tais ativos até o montante dos ganhos ilícitos.”
“Também se justifica a mesma medida em relação às contas das empresas de sua titularidade e controle que podem ter sido utilizadas para ocultar e dissimular a vantagem indevida recebida”, anotou o juiz da Lava Jato.
“Considerando os valores constantes na aludida planilha, resolvo decretar o bloqueio das contas dos investigados até o montante de dez milhões de reais.”
Portal no Ar

sábado, 29 de outubro de 2016

Tribunal Federal nega habeas corpus a deputado cassado Eduardo Cunha


Pedido tinha sido impetrado na segunda-feira (24) pela defesa do político. Cunha foi preso no dia 19 de outubro após decisão do juiz Sérgio Moro em um processo da Lava Jato

O desembargador federal João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), negou nesta sexta-feira (28) habeas corpus para o deputado cassado Eduardo Cosentino Cunha. O pedido tinha sido impetrado na segunda-feira (24) pela defesa do político.
Cunha foi preso no dia 19 de outubro após decisão do juiz Sérgio Moro em um processo da Lava Jato. Ele é acusado de receber propina de contrato de exploração de Petróleo no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro.
Em nota, a defesa de Cunha observou que vai agora aguardar o julgamento do mérito do habeas corpus.
No pedido, a defesa alegou que a prisão preventiva já havia sido requerida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) à época em que Cunha era deputado e negada pelo ministro Teori Zavascki por perda de objeto após a cassação. Além disso, a defesa alegou que os fatos apontados contra o cliente estariam relacionados à atividade parlamentar e que a decretação da prisão estaria desrespeitando decisão do STF.
Os advogados argumentaram ainda que Cunha não representa risco à ordem pública e que eventual existência de depósitos bancários no exterior e a dupla cidadania do ex-deputado não justificam a prisão preventiva, uma medida que seria desproporcional, segundo a defesa.
Sobre o primeiro argumento dos advogados, o desembargador João Pedro Gebran Net reforçou que a influência de Cunha não estaria restrita ao mandato parlamentar, visto que ele seguia ostentando poder de fato em razão de sua anterior condição de presidente da Câmara dos Deputados. Além desse fato, ressalvou que, uma vez comunicada a cassação de seu mandato, o STF deixou de ser o foro competente para julgá-lo e um novo requerimento de prisão preventiva é válido desde que fundamentado.
Em seu voto, o desembargador destacou que Cunha é figura proeminente de sua agremiação política, o PMDB, e teria recebido propinas e participado de forma relevante no esquema criminoso da Petrobras. “A percepção de propinas em esquema criminoso enquanto estava sendo processado caracteriza, em princípio, acentuada conduta de desprezo não só à lei e à coisa pública, mas igualmente à Justiça criminal e à Suprema Corte”, avaliou Gebran.
Conforme o desembargador, enquanto não for rastreada e bloqueada a integralidade dos valores originários de propina e depositados em contas no exterior, é razoável supor a possibilidade de reiteração delitiva com a prática de atos de dissimulação.
“Para preservar a ordem pública, em um quadro de corrupção sistêmica e de reiteração delitiva, justifica-se a prisão preventiva. A medida, além de prevenir o envolvimento do investigado em outros esquemas criminosos, também terá o salutar efeito de impedir ou dificultar novas condutas de ocultação e dissimulação do produto do crime, já que este ainda não foi recuperado”, concluiu o magistrado.
*Informações do G1/RS.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

PF afirma que Marcelo Odebrecht usava codinomes para citar Lula

Afirmação está no relatório de indiciamento do ex-ministro Antônio Palocci, enviado nesta segunda-feira (24) ao juiz federal Sérgio Moro


Por André Richter/Agência Brasil
A Polícia Federal suspeita que o empresário Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato, usava os codinomes “amigo”, amigo de meu pai” e “amigo de EO [Emílio Odebrecht, pai de Marcelo]” para se referir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A afirmação está no relatório de indiciamento do ex-ministro Antônio Palocci, enviado nesta segunda-feira (24) ao juiz federal Sérgio Moro. De acordo com os investigadores, os codinomes eram usados por Odebrecht em conversas com terceiros.
Em um dos trechos do documento, a PF diz que a investigação das planilhas apreendidas revelou “que os pagamentos no total de R$ 8 milhões foram debitados do saldo da conta-corrente da propina que correspondia ao agente identificado pelo codinome de “amigo”.
A PF diz no relatório que há “respaldo probatório e coerência investigativa em se considerar que o termo “amigo” faz referência à Lula.
O delegado Felipe Pace, responsável pelo inquérito sobre Palocci, afirmou no documento que a investigação sobre “a responsabilidade criminal do ex-presidente da República” não é feita pelo grupo de trabalho da Lava Jato, do qual ele faz parte, mas por outro delegado, Márcio Anselmo, que já investiga Lula.
“Luiz Inácio Lula da Silva era conhecido pelas alcunhas de “amigo de meu pai” e “amigo de EO”, quando usada por Marcelo Bahia Odebrecht e, também, por “amigo de seu pai” e “amigo de EO”, quando utilizada por interlocutores em conversar com Marcello Bahia Odebrecht”, diz o relatório da PF.
Em nota, a defesa de Lula afirmou que os investigadores da Lava Jato não apresentam provas contra o ex-presidente e se baseiam em “convicção” e de achismos” para acusá-lo.
“A Lava Jato não apresentou qualquer prova que possa dar sustentação às acusações formuladas contra o ex-Presidente Lula. São, por isso, sem exceção, acusações frívolas, típicas do lawfare, ou seja, da manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política. Na falta de provas, usa-se da “convicção” e de achismos”, afirmam os advogados.
Propina
No despacho em que Palocci foi indiciado, a PF afirmou que a empreiteira comandada por Marcelo Odebrecht tinha uma “verdadeira conta-corrente de propina” com o PT. Para os investigadores, a conta era gerida pelo ex-ministro.
Segundo os investigadores, os pagamentos ao ex-ministro eram feitos por meio do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, setor responsável pelo pagamento de propina a políticos, em troca de benefícios indevidos no governo federal.
Portal no Ar

sábado, 22 de outubro de 2016

SÚPLICA: “Deixa eu responder em liberdade para tocar minha vida”, pede Dirceu a Moro

Em depoimento ao juiz Sergio Moro nesta sexta (21), o ex-ministro José Dirceu fez um pedido ao magistrado para que responda ao processo em liberdade, a fim de “tocar sua vida” e “trabalhar para sustentar a filha”.
“Eu preciso sair para trabalhar, para sustentar minha filha que tem seis anos de idade”, pediu Dirceu, ao final da audiência. “Não é crível que alguém acredite que eu vou fugir, que eu vou obstruir a Justiça, na situação que eu estou.”
Réu em duas ações na Operação Lava Jato e já condenado em uma delas a 23 anos de prisão, o ex-ministro está preso preventivamente há mais de um ano, desde agosto de 2015.
“Eu não estou dizendo isso para ter piedade, porque a responsabilidade é minha pelo que aconteceu. Eu estou dizendo isso porque são fatos objetivos. A realidade da minha família é de dificuldade financeira.”
Moro respondeu que já decidiu a respeito –negou o pedido de liberdade–, e que cabe às instâncias superiores reverterem a decisão.
A defesa de Dirceu recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas ambas as cortes negaram a libertação até aqui. Ainda falta a decisão da corte do Supremo.

AÇÃO DA PETROBRAS
Na Justiça do Paraná, Dirceu é acusado de receber propina da empresa Apolo Tubulars para que ela fosse contratada pela Petrobras, com a intervenção do ex-diretor Renato Duque.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, foram R$ 7 milhões em propina no total. O ex-ministro teria recebido cerca de 30% do valor.
No depoimento desta sexta, ele negou que tenha interferido em licitações na Petrobras e disse jamais ter solicitado propina a empresários em troca de contratos na estatal.
“Eu estou sendo responsabilizado por um contrato sem nenhuma participação minha ou de minha empresa. Nenhuma. Zero”, afirmou. “Eu, realmente, não tenho nada a ver com isso. Na verdade, eu não devia estar aqui, sinceramente. Eu não tenho muito o que dizer.”
O ex-ministro reconheceu que recebeu valores da Credencial Construtora –empresa apontada como de fachada pela Procuradoria e considerada a operadora da transação.
Dirceu, porém, diz que o valor foi devido por uma consultoria no Panamá.
“Nós fomos ao Panamá, eu apresentei eles a empresários, ao Presidente da República… Eu prestei meu trabalho e cobrei aquilo que considerei adequado, e eles pagaram.”
O ex-ministro afirmou que jamais pediu a Duque qualquer intervenção em contratos ou licitações da Petrobras, e que seus encontros e jantares com ele eram “sociais, e não de negócios”.
“Eu não conhecia o Renato Duque, não me comprometi com ele e com ninguém, não pedi nenhum favor e nenhuma retribuição pela indicação dele”, afirmou Dirceu, sobre a indicação do engenheiro à diretoria da Petrobras. “[Eu tratava] questões gerais, políticas, de estratégia de governo, da situação do país.”

EM SILÊNCIO
Interrogado também nesta sexta-feira, o ex-diretor Renato Duque, que negocia acordo de delação, permaneceu em silêncio.
“Eu quero reiterar minha disposição total de colaborar com a Justiça, mas, no momento, por orientação de meu advogado, eu vou permanecer calado”, disse.
Agora RN

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Moro determina que Planalto analise bens apreendidos de Lula

Bens foram apreendidos durante as investigações da Lava Jato


Por Paulo Victor Chagas/Agência Brasil
O juiz federal Sérgio Moro solicitou à Presidência da República que analise os bens apreendidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que verifique se alguns deles devem ser incorporados ao acervo presidencial. Os bens foram apreendidos durante as investigações da Lava Jato.
Em despacho publicado nesta sexta-feira (23), o magistrado da 13ª Vara Federal de Curitiba atende a pedido do Ministério Público Federal para que a Secretaria de Administração do Palácio do Planalto verifique o patrimônio apreendido em fevereiro deste ano em um cofre do Banco do Brasil em São Paulo.
O objetivo das investigações é examinar o que pertence ao acervo pessoal do ex-presidente e o que deveria ter sido armazenado como patrimônio público da Presidência, como por exemplo presentes recebidos por líderes estrangeiros durante visitas oficiais e viagens de Estado.
Na decisão, Sérgio Moro utiliza como referência a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que constatou, no mês passado, que 4,5 mil itens do patrimônio da União estão desaparecidos. O juiz informa que o órgão poderá contar com a ajuda do TCU e pede que a averiguação seja feita, se necessário, na própria agência.
“Assim, faz-se necessário solicitar exame por órgão administrativo acerca do material apreendido para que possa ser feito o necessário crivo, entre o que pertence ao acervo pessoal do ex-Presidente – e há objetos, como medalhas, que aparentemente são pertinentes ao acervo pessoal, e o que eventualmente deveria ter sido, na esteira do disposto nos decretos, incorporado ao Patrimônio da Presidência da República”, disse o juiz.
Moro pede ainda que seja verificada a “origem dos bens ali depositados”, e dá o prazo de 45 dias, prorrogável se necessário. Além da intimação, ele pede que o Ministério Público, a defesa de Lula e a Polícia Federal tomem conhecimento do despacho.
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Moro é cortejado por artistas em almoço de apoio à Lava Jato

Estiveram no ato os atores Luana Piovani, Suzana Vieira, Vitor Fasano, Lucinha Lins e Jorge Pontual, além do cantor Fagner


Por Redação
Artistas se reuniram em Curitiba
Artistas se reuniram em Curitiba
Um grupo de artistas se reuniu com o juiz Sergio Moro e almoçou com o magistrado num restaurante em Curitiba, nessa segunda (8), para declarar apoio à Operação Lava Jato e às dez medidas contra a corrupção.
Estiveram no ato os atores Luana Piovani, Suzana Vieira, Vitor Fasano, Lucinha Lins e Jorge Pontual, além do cantor Fagner -um dos favoritos de Moro, que almoçou com o juiz também no domingo, com direito a fotos e a uma palhinha de “Guerreiro Menino”.
“Estou aqui fazendo coro de apoio à Lava Jato e ao Sergio Moro”, disse Fagner, que em seguida cantou: “Guerreiros são pessoas / São fortes, são frágeis / Guerreiros são meninos / No fundo do peito / Precisam de um descanso”.
“Ele foi muito elegante, muito discreto, mas acima de tudo agradecido”, comentou Lucinha Lins, sobre o almoço com o magistrado.
“Ele é gentilíssimo, amoroso. Ficou encantado de a gente pegar um avião e vir até aqui”, afirmou Suzana Vieira, uma das mais tietadas por manifestantes que aguardavam o grupo. “Eu tenho certeza de que ele é abençoado.”
Moro, que recebeu os artistas em seu gabinete antes do almoço, não desceu para o ato, realizado em frente ao prédio da Justiça Federal do Paraná.
Na chegada dos artistas ao local, cerca de cem pessoas com bandeiras do Brasil, faixas e camisetas de apoio a Moro celebraram, cantaram o hino nacional e gritaram “E dá-lhe Moro, e dá-lhe Moro, olê, olê, olê” e “Justiça Federal, orgulho nacional”.
Na sequência, tiraram selfies com os atores e agradeceram pelo apoio.
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