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terça-feira, 16 de maio de 2017

Léo Pinheiro entrega a Moro ‘registros de encontros’ com Lula

Registros dos encontros estavam na agenda dos celulares do empreiteiro

Material foi anexado à ação penal na qual Léo Pinheiro e Lula são réus; documentos foram entregues com o objetivo de corroborar o depoimento do empreiteiro

O ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, entregou à Justiça nesta segunda-feira, 15, “registros de encontros” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. A defesa de Léo Pinheiro afirmou que os registros dos encontros estavam na agenda dos celulares do empreiteiro.
Um dos arquivos entregues por Léo Pinheiro tem 41 páginas. O documento indica três reuniões no Instituto Lula: em 23 de fevereiro de 2012, em 27 de julho de 2012 e 16 de abril de 2013
O material foi anexado à ação penal na qual Léo Pinheiro e Lula são réus. Os documentos foram entregues com o objetivo de corroborar o depoimento do empreiteiro. Ao juiz federal Sérgio Moro, o executivo afirmou que o tríplex de Guarujá (SP) “era de Lula”.
O ex-presidente é acusado pelo Ministério Público Federal de receber R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012
As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira por meio do tríplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção.
Uma das mensagens anexada por Léo Pinheiro é de 22 de fevereiro de 2014. O empreiteiro conversa com a filha e escreve. “Voltando de SBC. Trânsito horroroso no Ibirapuera.”
Segundo a denúncia da Lava Jato, em fevereiro de 2014, Léo Pinheiro solicitou a Fábio Yonamine, então presidente da OAS Empreendimentos, que o apartamento 164-A do Condomínio Solaris fosse preparado “com sua limpeza e retoques na pintura” para a visita de Lula.
No dia da visita, afirma a força-tarefa da Lava Jato, Fábio Yonamine encontrou Léo Pinheiro e ambos foram no mesmo carro para São Bernardo do Campo, onde encontraram Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia – morta em fevereiro de 2017. De lá, seguiram todos para o Condomínio Solaris, no Guarujá. Em depoimento a Moro, Lula confirmou que esteve uma vez no tríplex, em fevereiro de 2014.
Na agenda de Léo Pinheiro, há a indicação de encontro com Fabio Yonamine entre 1 e 2 de fevereiro. “Res. Dr. Léo – Após ir para o Guarujá.”
Em outra mensagem entregue à Justiça, um interlocutor diz a Léo Pinheiro em 6 de junho de 2014. “Léo, amanhã vou pra o nosso tema para esvaziar o lago para impermeabilizar. Eles, eu soube que vão estar lá para acompanhar a despesca. Mas não tenho certeza. Se desejar podemos combinar.”
Segundo o Portal da Transparência, um dos seguranças de Lula esteve em no sítio de Atibaia entre 6 e 10 de junho.
O documento interno da OAS Empreendimentos, entregues por Léo Pinheiro, é intitulado “Análise de Custos de Obras”, de outubro de 2014. O relatório trata de custos de construção de edifícios da OAS, entre eles o Solaris.
Agora RN

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Primeiro julgamento de Lula por Moro já tem data marcada

Lula enfrenta outros quatro processos em fase de julgamento

Em outros casos Moro anunciou a sentença em um período de apenas três a quinze dias posteriores à apresentação das alegações finais da defesa

O primeiro julgamento por corrupção contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará pronto para sentença a partir de 20 de junho, segundo uma decisão adotada nesta segunda-feira pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.
Embora não tenha sido estabelecido um prazo, em outros casos Moro anunciou a sentença em um período de apenas três a quinze dias posteriores à apresentação das alegações finais da defesa.
Moro negou nesta segunda-feira os pedidos dos advogados de Lula para ouvir mais testemunhas, encerrando a instrução do caso que busca determinar se o ex-presidente recebeu um apartamento triplex no Guarujá, em São Paulo, em troca de vantagens indevidas concedidas à construtora OAS.
“A ampla defesa, direito fundamental, não significa um direito amplo e irrestrito à produção de provas, mesmo as impossíveis, as custosas e as protelatórias”, escreveu o juiz em sua decisão, publicada por sua 13ª Vara Federal em Curitiba.
“Considerando a necessidade de aguardar a degravação do último interrogatório (com juntada prevista para 24/05), fixo os seguintes prazo para alegações finais: – sete dias úteis para o MPF, iniciando em 25/05, encerrando em 02/06; – dois dias úteis para a Petrobras, iniciando em 05/06, encerrando em 06/06; – nove dias úteis para a Defesa, iniciando em 07/06, encerrando em 20/06”, acrescentou.
A partir desta data, estaria em condições de ditar uma sentença.
Moro interrogou Lula na quarta-feira passada por quase cinco horas, em um duelo cara a cara entre o juiz que encarna a luta contra a corrupção sistêmica na política e o presidente mais popular da história recente.
Lula enfrenta outros quatro processos que já estão na fase de julgamento, além de estar envolvido em uma série de investigações, que cobrem um amplo leque de acusações como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de uma organização criminosa e obstruir o trabalho da justiça.
O fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) nega todas as acusações e denuncia uma manipulação judicial para inabilitá-lo como candidato às eleições presidenciais de 2018, que lidera com folga, segundo as pesquisas de intenção de voto.
Agora RN

quinta-feira, 11 de maio de 2017

‘Eu não tenho influência no PT’, afirma Lula a juíz federal Sérgio Moro

Petista minimizou a influência que tinha sobre o Partido

Ex-presidente disse a Sérgio Moro que 'Ministério Público não conhece o PT', ao ser questionado sobre sua influência no partido

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao juiz federal Sérgio Moro que o “Ministério Público não conhece o PT”, ao ser questionado sobre sua influência no partido e se tomou providências dentro da legenda ao ter conhecimento dos esquemas de corrupção na Petrobras, amplamente divulgados pela imprensa, após a deflagração da Lava Jato. Lula foi interrogado por Moro durante cerca de cinco horas nesta quarta-feira, 10.
O ex-presidente falou ao magistrado no âmbito de processo em que é réu pelo suposto recebimento de propinas de R$ 3,7 milhões da OAS. Na mesma peça de acusação, o Ministério Público Federal sustenta que Lula tinha conhecimento e comandava os esquemas de corrupção dentro da estatal.
Frente a frente com Moro, o petista foi questionado se, quando vieram à tona os escândalos de corrupção na petrolífera, “tomou alguma providência”.
“Já estava fora da presidência há quatro anos. Eu era ex-presidente quando houve as denúncias da Lava Jato”, disse.
Perguntado novamente sobre o mesmo tema, o ex-presidente minimizou a influência que tinha sobre o Partido dos Trabalhadores.
“Essa influência dentro do PT é porque o MP (Ministério Público) não conhece o PT. Se eles conhecessem o PT, não falariam isso. o PT é um partido que eu não participo de nenhuma reunião do PT desde que virei presidente. Isso foi em 2002. Até 2014. Eu não tenho influência no PT, eu tenho influência na sociedade. Quando eu falo as pessoas me ouvem. Alguns ouvem, nem todos”, afirmou.
Agora RN