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terça-feira, 6 de junho de 2017

MPF acusa Henrique de receber propina de quatro empreiteiras - Segundo a investigação, R$ 7,5 milhões em recursos ilícitos teriam sido recebidos pelo ex-ministro

O procurador da República Rodrigo Teles disse haver indícios de que o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, preso hoje (6) em Natal, solicitou e recebeu recursos ilícitos de ao menos quatro empreiteiras para sua campanha ao governo do Rio Grande do Norte, em 2014, da qual saiu derrotado.
Segundo a investigação, ao menos R$ 7,5 milhões em recursos ilícitos teriam sido recebidos pelo ex-ministro, que também usou o dinheiro para despesas pessoais.
Uma das empresas envolvidas foi a OAS, responsável pela construção da Arena das Dunas, sede da Copa do Mundo de 2014 em Natal. As investigações in dicam que Alves atuou junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte para atrasar em anos as ações de fiscalização do órgão, que havia identificado o superfaturamento da obra.
Em troca, o político recebeu uma doação oficial de R$ 3 milhões da OAS por meio Diretório Estadual do PMDB, afirmaram os investigadores, bem como outros R$ 650 mil diretamente. Negociações parecidas teriam ocorrido junto às empreiteiras Odebrecht (R$ 3 milhões não declarados), Carioca Engenharia (R$ 400 mil) e Andrade Gutierrez (R$ 100 mil).
As investigações foram conduzidas em parceira com a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram operações suspeitas, como o saque de grandes quantias em dinheiro a poucos de dias da eleição de 2014.
“A gente analisando a propria época desses saques de valores em espécie nota, inclusive, um saque de R$ 2 milhões em espécie poucos dias antes do segundo turno, o que gerou a suspeita de que esses recursos possam ter sido utilizados para a compra de votos”, afirmou o procurador Rodrigo Teles.
Segundo os procuradores responsáveis pelo caso, Henrique Eduardo Alves teria oferecido a todas as empresas sua influência nos poderes Executivo, Legislativo e, inclusive, Judiciário em troca de propina. Ele teria agido também em conjunto com o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Nesta quarta-feira, a Polícia Federal cumpriu cinco mandados de prisão preventiva na Operação Manus, incluindo aquele contra Henrique Eduardo Alves, além de seis mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada forçadamente a depor, e 22 ordens de busca e apreensão. O ex-ministro permanecerá preso em Natal, informou a PF.
Ele também investigado em um caso paralelo, conduzido pela Procuradoria da República do Distrito Federal, no qual é suspeito de ocultar R$ 20 milhões em contas no exterior. A Agência Brasil entrou em contato com a defesa de Henrique Eduardo Alves e aguarda retorno.
Portal no Ar

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Henrique Alves recebia propina por meio do Ibope, aponta delator da JBS

Ex-ministro do Turismo Henrique Alves (PMDB)

Ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara é citado como tendo recebido R$ 3 milhões, para campanha ao governo do Rio Grande do Norte, em 2014

Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da J&F, entregou, como parte de sua delação premiada ao Ministério Público Federal, contratos e notas fiscais que teriam sido utilizados para dissimular propinas à cúpula do PMDB. O ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB) é citado como tendo recebido R$ 3 milhões, para campanha ao governo do Rio Grande do Norte, em 2014.
Entre os documentos que, segundo o delator, são “frios” e “fictícios”, estão números de notas fiscais emitidas pela JBS ao Ibope. Do total deste montante, R$ 1 milhão foi doado oficialmente ao PMDB Nacional, “em nome do Henrique”, segundo palavras de Ricardo Saud, e outra parte foi por meio de contratos de advocacia e de consultoria, e termos firmados com o Ibope.
“Fazia pesquisa para eles (senadores) e pagava com essa propina. O Ibope recebia propina. Nunca fez um serviço para nós”. O instituto reagiu com veemência à denúncia do executivo da JBS sobre emissão de notas fiscais frias.
A acusação de Saud está registrada em vídeo, onde ele detalha o pagamento ao político potiguar, que depois veio a ser ministro do Turismo nos governos de Dilma e Temer, mas acabou pedindo exoneração do cargo após as inúmeras acusações que surgiram contra ele no âmbito da Operação Lava Jato.
O delator ainda relatou que o Ibope teria sugerido contratos fraudulentos para justificar os repasses da JBS. “Inclusive, eles várias vezes mandavam um contrato com um punhado de pesquisa e falaram: arquiva isso aí direitinho, se amanhã ou depois, se acontecer alguma coisa, você mostra isso aí. Eu falei: ‘ó, rapaz, agora quer me ensinar a roubar dos outros?’”. “Nunca fizeram pesquisa pra mim. Pegavam pesquisa nacional e queria pôr no contrato da gente”, relatou.
Um dos anexos do acordo de colaboração da JBS com a Procuradoria-Geral da República se refere a um pacotão de R$ 46 milhões ao PMDB nas eleições de 2014, que, segundo os executivos, teriam sido acertados entre o então ministro da Fazenda Guido Mantega e um dos donos da JBS, Joesley Batista. Do total, R$ 35 milhões seriam destinados à cúpula do PMDB no Senado.
Agora RN

domingo, 21 de maio de 2017

Joesley Batista diz que Lula pediu ajuda para o Movimento Sem-Terra

Lula, ex-presidente, mostrando preocupação

'Ele me ligou esses dias, pediu pra mim [sic] atender os sem-terra', disse o dono da JBS em delação premiada à PGR

Segundo delação do empresário da JBS Joesley Batista, ele disse ao deputado Rocha Loures (PMDB/PR) que a última vez que conversou pessoalmente com Lula foi no fim de 2016, mas contou que recentemente recebeu uma ligação do ex-presidente com um pedido de ajuda ao Movimento dos Sem-Terra (MST). “Ele me ligou esses dias, pediu pra mim [sic] atender os sem-terra. Eu digo: ‘ô presidente’ (risos)… ‘Joesley, eu tô aqui com o (João Pedro) Stédile, não sei o que ele precisa falar com você’… ‘Tá bom presidente, manda ele vir aqui. Eu atendo ele, tá bom?'”, relatou o empresário ao deputado.
A conversa com Loures foi gravada pelo próprio Joesley, já no curso da delação premiada que ele fechou com a Procuradoria-Geral da República. O áudio tem uma hora e 14 minutos de duração e foi anexado aos autos da Operação Patmos, que mira o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB) e o próprio Loures.
O encontro do delator Joesley com o parlamentar – afastado do mandato por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal -, ocorreu no dia 13 de março, apenas uma semana depois que o executivo da JBS gravou a conversa com Temer. Na ocasião, Joesley recebeu Loures em sua própria residência, no Jardim Europa, em São Paulo.
Aos procuradores da Lava Jato, Joesley contou que abriu uma ‘conta corrente’ de US$ 80 milhões no exterior para atender ao ex-presidente. Ele disse que não tem amizade com o petista como as pessoas imaginam.
“Sobre o Lula, eu acho assim, primeiro, que eu não tenho amizade com ele igual o povo acha que eu tenho. Eu conheci o Lula tem dois anos atrás, fim de 2013”, contou Joesley ao deputado Loures
Segundo ele, o parlamentar foi indicado por Temer como uma pessoa de sua ‘estrita confiança’ para ajudar o empresário em seus negócios. O deputado foi filmado pela Polícia Federal pegando uma mochila com R$ 500 mil em dinheiro vivo, em São Paulo.
Loures comenta com Joesley que tem ‘boa relação’ com Lula. “Sempre me dei bem com ele, sempre fui não-ideológico, mas prático. Agora, me parece que muito desse movimento (investigações da Lava Jato) é para alcançá-lo, né Joesley, a ele e ao entorno”, disse o deputado. “Com certeza”, respondeu o empresário. No diálogo, ambos concordaram que ‘a única coisa que resta’ a Lula ‘é enfrentar’ a Lava Jato.
Curiosamente, foi nesse período em que Joesley disse ter conhecido Lula pessoalmente que ganhou força o boato nas redes sociais de que um dos filhos do ex-presidente, Fabio Luis Lula da Silva, era sócio-oculto da Friboi, marca de frigorífico do grupo JBS. Ele e os irmãos que são sócios da empresa sempre trataram os rumores com ironia.
Ao Ministério Público Federal, Joesley disse que abriu duas ‘contas correntes’ de propina no exterior que seriam vinculadas a Lula e à ex-presidente Dilma Rousseff, para pagamento de campanhas eleitorais. O saldo em ambas chegou a US$ 150 milhões, segundo o delator. Esses recursos, afirmou o empresário, eram operados pelo ex-ministro Guido Mantega (Fazenda) nos governos Lula e Dilma.
Defesa de Lula – A defesa de Lula divulgou nota sobre o assunto. Veja abaixo:
“Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.
A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi – ilegalmente – devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos – bancário, fiscal e contábil – foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas – com o compromisso de dizer a verdade – que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.
A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premiadas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência – ainda que frivolamente – ao nome do ex-Presidente.”
Defesa de Dilma – A assessoria de imprensa de Dilma Rousseff também divulgou nota sobre o assunto. Veja abaixo:
“A propósito das notícias a respeito das delações efetuadas pelo empresário Joesley Batista, a Assessoria de Imprensa da presidenta eleita Dilma Rousseff esclarece que são improcedentes e inverídicas as afirmações do empresário:
1. Dilma Rousseff jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos.
2. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo.
3. Mais uma vez, Dilma Rousseff rejeita delações sem provas ou indícios. A verdade virá à tona.”
Assessoria de Imprensa/Dilma Rousseff
Agora RN

sábado, 20 de maio de 2017

Delação da JBS - (vídeo) Delator confirma R$ 500 mil em propina para campanha de Fátima

Doação teria acontecido na campanha de 2014
Ricardo disse que a doação teve orientação do tesoureiro de Dilma Rousseff, Edinho Silva. Citou também que R$ 150 mil foram transferidos para o diretório estadual do partido

O diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F (holding do grupo JBS), Ricardo Saud, citou em um depoimento de delação premiada que aplicou R$ 500 mil à campanha da senadora Fátima Bezerra (PT).  Ele apontou que o dinheiro era oriundo da conta de propina do PT, e classificou esses recursos de “carimbados”. Ricardo disse que a doação teve orientação do tesoureiro de Dilma Rousseff, Edinho Silva. Citou também que R$ 150 mil foram transferidos para o diretório estadual do partido no Rio Grande do Norte.
Segundo o diretor da J&F, Edinho Silva fazia os pedidos para os pagamentos de propina. Aproximadamente R$ 70 milhões ficaram para a campanha presidencial. O restante foi destinado às eleições para governador, senador, deputado federal e deputado estadual de candidatos do PT.
“Tudo doação dissimulada, isto era dinheiro de propina”, afimou Ricardo Saud.
O dinheiro classificado pelo delator como “carimbado”, foi destinado às candidaturas de Fátima Bezerra, da senadora Angela Portela (PT-RR) e do governador de Minas Gerais Fernando Pimentel.
Ricardo diz que tem como comprovar os pedidos de propinas de Edinho a partir de “bilhetinhos” que contém números ao lado do nome de Fátima Bezerra.
RESPOSTA
A senadora Fátima Bezerra divulgou em nota que não houve irregularidade nas doações recebidas para sua campanha eleitoral. Disse também que não fez contato com diretores ou proprietários da JBS.
Fátima confirma doações feitas pela empresa, através do diretório estadual do PSD e da direção nacional do PT, mas devidamente legalizadas. “Nossa campanha recebeu uma doação de R$ 500 mil, via Direção Estadual do PSD do RN, em 18/07/2014, cujo doador originário foi a empresa JBS S/A. Ou seja, quem recebeu da empresa foi o PSD e não nossa campanha”, informou. “Posteriormente, em 10/09/2014 e 15/09/2014, a Direção nacional do PT fez duas outras doações à nossa campanha, nos valores de R$ 190 mil e R$ 475 mil respectivamente. Mais uma vez nosso doador direto foi o PT e não a JBS”, acrescentou.
“Naquele ano, a legislação vigente permitia o financiamento privado de campanhas e essas doações foram legais, tanto que estão devidamente informadas à Justiça Eleitoral”, destacou a senadora Fátima. “Há uma confusão, não sabemos se por desonhecimento ou se de forma proposital, acerca das doações privadas das campanhas passadas no Rio Grade do Norte e do país. A população precisa ser informada sim, mais do que nunca. Mas é necessário responsabilidade com a verdade. Eu jamais esconderia o nome de qualquer empresário que contribuísse com o financiamento de minha campanhas, até porque eu faço política com honradez, não a utilizo como moeda de troca”, disse.

Agora RN

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Lula e Dilma tinham US$ 150 milhões em ‘conta’ de propina, diz Joesley

Delator informou que em 2009 destinou uma conta a Lula


Empresário revelou que em dezembro de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de 2 bilhões de dólares

O termo de colaboração 1 do empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, descreve o fluxo de duas ‘contas-correntes’ de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O empresário informou à Procuradoria-Geral da República que o saldo das duas contas bateu em US$ 150 milhões em 2014. Ele disse que o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma) operava as contas.
O delator informou que em 2009 destinou uma conta a Lula e no ano seguinte, outra para Dilma.
Joesley revelou que em dezembro de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, “para apoio do plano de expansão” naquele ano.
“O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, relatou Joesley.
Segundo o empresário, em reunião com Mantega, no final de 2010, o petista pediu a ele “que abrisse uma nova conta, que se destinaria a Dilma”.
“O depoente perguntou se a conta já existente não seria suficiente para os depósitos dos valores a serem provisionados, ao que Guido respondeu que esta era de Lula, fato que só então passou a ser do conhecimento do depoente”, contou o empresário.
“O depoente indagou se Lula e Dilma sabiam do esquema, e Guido confirmou que sim.”
Joesley declarou que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator disse que Mantega “interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do BNDES) para que o negócio saísse”
“A operação foi realizada após cumpridas as exigências legais”, afirmou Joesley. “Sempre percebeu que os pagamentos de propina não se destinavam a garantir a realização de operações ilegais, mas sim de evitar que se criassem dificuldades injustificadas para a realização de operações legais.”
O empresário declarou que depositou, “a pedido de Mantega”, por conta desse negócio, crédito de US$ 30 milhões em nova conta no exterior.
“O depoente, nesse momento, já sabia que esse valor se destinava a Dilma; que os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef; que esses saldos somavam, em 2014, cerca de US$ 150 milhões.”
Segundo Joesley, a partir de julho de 2014, Mantega “passou a chamar o depoente quase semanalmente ao Ministério da Fazenda, em Brasília, ou na sede do Banco do Brasil em São Paulo, para reuniões a que só estavam presentes os dois, nas quais lhe apresentou múltiplas listas de políticos e partidos políticos que deveriam receber doações de campanha a partir dos saldos das contas”.
Neste trecho de seu depoimento, Joesley cita o partido do Governo Michel Temer. O empresário destacou que o executivo Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da J&F (controladora da JBS), fazia o contato com partidos e políticos
“A primeira lista foi apresentada em 4 de julho de 2014 por Guido ao depoente, no gabinete do Ministro da Fazenda no 15º andar da sede do Banco do Brasil em São Paulo, e se destinava a pagamentos para políticos do PMDB; que a interlocução com políticos e partidos políticos para organizar a distribuição de dinheiro coube a Ricardo Saud, Diretor de Relações Institucionais da J&F, exceção feita a duas ocasiões”, relatou.
Joesley disse que em outubro de 2014 no Instituto Lula, encontrou-se com Lula e relatou ao petista que as doações oficiais da JBS já tinham ultrapassado R$ 300 milhões.
“Indagou se ele (Lula) percebia o risco de exposição que isso atraía, com base na premissa implícita de que não havia plataforma ideológica que explicasse tamanho montante; que o ex-presidente olhou nos olhos do depoente, mas nada disse”, contou.
Em outra ocasião, em novembro de 2014, Joesley disse que “depois de receber solicitações insistentes para o pagamento de R$ 30 milhões para Fernando Pimentel, governador eleito de Minas Gerais, veiculadas por Edinho Silva (tesoureiro da campanha de Dilma em 2014), e de receber de Guido Mantega a informação de que ‘isso é com ela’, solicitou audiência com Dilma”.
“Dilma recebeu o depoente no Palácio do Planalto; que o depoente relatou, então, que o governador eleito de MG, Fernando Pimentel, estava solicitando, por intermédio de Edinho Silva, R$ 30 milhões, mas que, atendida essa solicitação, o saldo das duas contas se esgotaria; que Dilma confirmou a necessidade e pediu que o depoente procurasse Pimentel”, narrou aos investigadores.
Joesley afirma que, no mesmo dia, encontrou-se com Pimentel no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e disse ao petista “que havia conversado com Dilma e que ela havia indicado que os 30 milhões deveriam ser pagos”.
“Pimentel orientou o depoente a fazer o pagamento por meio da compra de participação de 3% na empresa que detém a concessão do Estádio Mineirão; que afora essas duas ocasiões, Edinho Silva, então tesoureiro da campanha do PT, encontrava-se, no período da campanha de 2014, semanalmente com Ricardo Saud e apresentava as demandas de distribuição de dinheiro; que Ricardo Saud submetia essas demandas ao depoente, que, depois de verificá-las com Guido Mantega, autorizava o que efetivamente estivesse ajustado com o então ministro da Fazenda.”
Defesa
Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, que defendem Lula, afirmam: “Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.
A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi – ilegalmente – devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos – bancário, fiscal e contábil – foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas – com o compromisso de dizer a verdade – que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.
A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premidas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência – ainda que frivolamente – ao nome do ex-Presidente.”
Agora RN

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dilma Rousseff recebeu R$ 200 mil em dinheiro vivo de João Santana, admite Mônica Moura

“Pra (sic) todos que estão perguntando: tirei a Dilma Bolada do ar, o.k.? Sem drama e sem mimimi”

Em delação premiada, Mônica Moura relatou como a campanha de Dilma Rousseff em 2014 convenceu o administrador da página a reativá-la

Em meio à guerra nas redes sociais durante a campanha presidencial de 2014, vencida pela ex-presidente Dilma Rousseff, a página “Dilma Bolada” no Facebook era uma das armas mais poderosas do lado petista das trincheiras virtuais. Tanto era assim que Dilma e o bunker de sua campanha se ressentiram quando a página, com 1,4 milhão de seguidores à época, foi desativada por seu criador, o publicitário Jeferson Monteiro, e se esforçaram (com sucesso) a demovê-lo da deserção.
“Pra (sic) todos que estão perguntando: tirei a Dilma Bolada do ar, o.k.? Sem drama e sem mimimi”, anunciou Monteiro em tom de mistério, no dia 23 de julho de 2014.
Em sua delação premiada, a mulher do marqueteiro João Santana, Mônica Moura, revela a principal motivação da mudança de ideia de Monteiro e como suas postagens sagazes e bem humoradas para dali em diante foram financiadas: 200.000 reais em dinheiro vivo, retirados do caixa dois recebido pelo casal de marqueteiros.
“Em reunião no comitê central da campanha em Brasília, Edinho Silva relatou a Mônica que Dilma Rousseff estava furiosa pela retirada da página Dilma Bolada do ar, e que esse problema teria que ser imediatamente resolvido pela Polis, pois eles não tinham outro meio de sanar o problema com a urgência necessária”, diz o acordo de Mônica Moura firmado com a Procuradoria-Geral da República e divulgado nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao saber da fúria da então presidente, Mônica Moura diz ter ligado a Jeferson Monteiro e combinado com o publicitário que um funcionário dela o procuraria para “resolver o assunto”.
“Então, Monica Moura utilizou parte dos pagamentos que recebia por fora em espécie (propina) e realizou pagamento de 200.000 reais ao publicitário em espécie, que reativou a página no dia 29 de julho do mesmo ano”, relatou.
Após a volta do soldado pródigo ao front dilmista (veja o tuíte abaixo), Mônica relatou aos investigadores ter comentado com Edinho Silva, hoje prefeito de Araraquara (SP), “que estava fazendo isso como um ato de boa vontade pois o contrato da Polis não previa este tipo de responsabilidade”.
De acordo com a mulher de João Santana, o funcionário responsável por negociar o pagamento e entregá-lo a Jeferson Monteiro também vai aderir a um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
Monteiro usou o Facebook para comentar as revelações de Mônica Moura. “Pelos meus cálculos, eu já teria que ter, no mínimo, R$ 1,7 milhão de reais na conta: R$ 500 mil segundo a Revista Época, R$ 1 milhão segundo Marcelo Odebrecht e agora mais R$ 200 mil segundo Monica Moura. Alguém, por gentileza, me avisa onde que tenho que retirar a quantia porque estou com o aluguel atrasado e o telefone cortado. Obrigado!”.
Outros favores
Além de utilizarem dinheiro de caixa dois para convencer Jeferson Monteiro a ressuscitar “Dilma Bolada”, João Santana e Mônica Moura também utilizaram o caixa dois para fazer outros agrados à ex-presidente.
O cabeleireiro Celso Kamura recebeu 50.000 reais de Santana e Mônica, oriundos de pagamentos paralelos, para prestar serviços a Dilma entre os anos de 2010 e 2014, incluindo o período não eleitoral. Segundo a delatora, Kamura cobrava 1.500 reais a cada ida a Brasília, onde atendia a então presidente no Palácio da Alvorada. O valor, sempre em espécie, era entregue ao cabeleireiro em seu escritório em São Paulo, conforme Mônica disse à PGR.
O casal também gastou 40.000 reais com os serviços de uma mulher que fazia as vezes de camareira, cabeleireira e maquiadora particular de Dilma durante o ano de 2010. Segundo a delação de Mônica Moura, o valor foi dividido em parcelas de 4.000 reais, entregues em espécie à funcionária.
Outro favor bancado por Santana e Mônica à ex-presidente com dinheiro de caixa dois de campanha foi o pagamento, em períodos não eleitorais, dos três operadores de teleprompter preferidos de Dilma: Flávio Votmannsberger, Yetor Votmannsberger e Rafael Votmannsberger. Segundo a delatora, eles cobravam 1.500 reais por dia para acompanhar a petista em alguns deslocamentos e “até em viagens internacionais como, por exemplo, na reunião da ONU”. Os Votmannsberger receberam, de acordo com a mulher de João Santana, valores superiores a 100.000 reais.
Fonte: Veja

terça-feira, 18 de abril de 2017

Odebrecht pagou R$ 7,3 milhões em propina por reforma do Maracanã

Estádio do Maracanã

Foram pagos a Sérgio Cabral, que está preso desde novembro, aproximadamente R$ 6,3 milhões em propina relacionada às obras do Maracanã

Executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram, em delação premiada, que a empresa pagou cerca de R$ 7,3 milhões em propina para fraudar a licitação para as obras de reforma do estádio do Maracanã. e acordo com os delatores, o montante, destinado ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, a secretários e a membros do Tribunal de Contas do estado (TCE-RJ), poderia ter sido ainda maior se os acordos tivessem sido cumpridos, o que não ocorreu devido à deflagração da Operação Lava Jato.
Segundo Benedicto Barbosa da Silva Junior, responsável pelo Setor de Operações Estruturadas da empresa, o departamento da propina, foram pagos ao ex-governador do Rio de Janeiro, que está preso desde novembro, aproximadamente R$ 6,3 milhões em propina relacionada às obras do Maracanã.
Já os diretores da Odebrecht Marcos Vidigal do Amaral, Leandro Andrade Azevedo e João Borba disseram, nos depoimentos, que R$ 1 milhão foram repassados para o então presidente do TCE-RJ, Jonas Lopes. O valor, pago para que o tribunal aprovasse o edital de licitação da obra, deveria ter sido de R$ 4 milhões, que corresponde a 1% do valor inicial do projeto. No entanto, com início da Operação Lava Jato, o repasse, dividido em quatro parcelas, foi interrompido e somente uma “prestação” foi “devidamente” paga.
“Fizemos o primeiro pagamento de R$ 1 milhão na data de 17 de março de 2014. O outro seria no final de 2014, quando começou a Operação Lava Jato, e não fizemos mais os pagamentos”, disse Leandro Azevedo ao Ministério Público Federal. Azevedo explicou que, apesar da Lava Jato, o então presidente do TCE fluminense pressionou para que o restante da propina fosse paga.
“No final do ano [2014], fui convocado pelo presidente do tribunal, e ele me cobrou a continuidade do pagamento. Fiquei sem graça, estávamos no meio da Lava Jato. Delicadamente, pedi a ele que lesse a capa do jornal O Globo que estava sobre a mesa [que informava sobre a prisão de empreiteiros]. Ele ficou super sem graça, virou-se para mim e disse que entendia a situação, mas que estava sendo muito pressionado pelos outros conselheiros”, disse.
Marcos Amaral informou que, para que o consórcio formado inicialmente pelas empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez vencesse a licitação, apresentou ao então secretário de Obras de Sérgio Cabral, Hudson Braga, exigências a serem colocadas no edital de modo que o certame fosse direcionado, evitando a concorrência. Ainda de acordo com o executivo, por determinação de Cabral, a construtora Delta também deveria integrar o consórcio, mesmo não tendo qualificação técnica para a obra.
“Era uma questão política. O Sérgio Cabral havia solicitado a entrada da Delta com a participação de 30%. A Odebrecht [que tinha participação de 70%] ficou com 49% e a Andrade Gutierrez [que tinha 30%] ficou com 21%”, acrescentou Amaral.
Ele disse também que, antes da publicação do edital, apresentou algumas exigências “no papel” para o secretário Hudson Braga. “Ele se comprometeu a dar prosseguimento ao assunto e, de fato, isso ocorreu e tivemos a certeza disso na publicação do edital. Depois do edital publicado, fui chamado ao escritório do secretário Wilson Carlos, e ele falou que havia feito um acerto [com representantes do TCE] e que deveríamos pagar uma propina de 1% do valor do contrato.”
Segundo Leonardo Azevedo, o pagamento foi feito no escritório do filho do ex-presidente do TCU, Jonas Lopes Neto. “Ele [Jonas Lopes Neto] me passou o endereço do escritório deles, não tinha como contabilizar isso [o valor integral da propina] porque era uma concessão. Então, usei o codinome ‘Casa de Doido’, que já existia para diversos pagamentos que não fossem contabilizados”, contou o executivo.
Inicialmente, o contrato inicial para reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 era de R$ 705 milhões. Ao final, a obra custou aos cofres públicos mais de R$ 1,2 bilhão.
Ainda conforme depoimento dos executivos da Odebrecht, o ex-governador Sérgio Cabral e seu grupo político também receberam vantagens indevidas pelas obras da Linha 4 do Metrô, do Arco Metropolitano e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Favelas.
Procurado pela Agência Brasil, o advogado de Cabral, Luciano Saldanha, informou que a defesa só vai se manifestar nos autos do processo. A defesa de Jonas Lopes não foi encontrada pela reportagem. Os advogados dos ex-secretários também não foram encontrados para se manifestar sobre as delações.
Mané Garrincha
Os delatores da Odebrecht também afirmaram que a construtora influenciou nas obras do Estádio Nacional do Mané Garrincha. Ouça aqui a reportagem da Rádio Nacional.
*Colaborou Akemi Nitahara, do Rio de Janeiro / Agora RN

sábado, 15 de abril de 2017

Ministro da Cultura passa mal após saber que estava na lista de Edson Fachin, na Lava Jato

O susto, no entanto, foi desnecessário

De acordo com a acusação, ele teria recebido pagamentos de R$ 200 mil não contabilizados na campanha eleitoral de 2010

O ministro da Cultura, Roberto Freire, teve uma crise de pressão alta ao saber que estava na lista de pedidos do abertura de inquérito elaborada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
As informações da coluna Radar On-Line, do site da revista Veja.
O susto, no entanto, foi desnecessário. O suposto caso que envolvia o ministro foi rejeitado por Fachin, e a informação sobre a inclusão do nome do ministro foi corrigida posteriomente pela Corte.
De acordo com a acusação, ele teria recebido pagamentos de R$ 200 mil não contabilizados na campanha eleitoral de 2010. O nome do ministro foi citado nos depoimentos dos ex-executivos da Odebrecht Carlos Armando Paschoal e Benedicto Júnior.
Fonte: Notícias ao Minuto

sábado, 16 de julho de 2016

Esquema de propinas de delegados da PF já operava há cinco anos, diz procuradora - Os delegados cobravam quantias em dinheiro de investigados (por fraudes à Previdência)

Por Agência Estado
O Ministério Público Federal informou nesta sexta-feira, 15, que há cinco anos operava o suposto esquema de propinas no âmbito da Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários (Deleprev), unidade da Polícia Federal em São Paulo alvo da Operação Inversão que culminou na prisão de três delegados federais na quinta-feira, 14. Segundo a procuradora da República Ryanna Pala Veras, que integra a força-tarefa da Inversão, “os delegados cobravam quantias em dinheiro de investigados (por fraudes à Previdência)”.
Inversão resultou da Operação Trânsito, deflagrada em 2015 pela PF para combater fraudes aos cofres da Previdência Social. Uma advogada, citada na Trânsito, procurou a Corregedoria da PF e denunciou que estava sendo extorquida. Em parceria, o Setor de Contra Inteligência da PF e a Procuradoria começaram a monitorar os alvos da Inversão, inclusive instalando escuta ambiental na sala dos delegados da PF, no bairro da Lapa, em São Paulo.
Na quinta, foram presos os delegados Ulisses Francisco Vieira Mendes, ex-chefe da Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários da PF em São Paulo, hoje aposentado, Rodrigo Cláudio de Gouvea Leão e Carlos Bastos Valbão. Nesta sexta-feira eles foram ouvidos em audiência de custódia pela juíza Ana Clara de Paula Oliveira, da 9.ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Os três delegados foram presos em regime preventivo. Por meio de seus advogados, os três delegados negam taxativamente envolvimento com o suposto esquema de propinas.
“As informações que temos até agora nas investigações é que havia um esquema na Deleprev”, destacou a procuradora Ryanna Pala Veras.
A procuradora disse que a expectativa é que sejam reunidos mais detalhes e provas do esquema a partir das apreensões realizadas na Operação Inversão e dos interrogatórios de investigados e testemunhas. Ryanna Pala Veras anotou que na Operação Trânsito “os delegados cobravam de investigados quantias em dinheiro para que a investigação não andasse”.
Ela esclareceu que a Operação Inversão prendeu “pessoas que intermediavam esses pagamentos (de propinas), pessoas que também pagavam para não ser investigadas e os delegados”.
Contra os delegados, segundo a procuradora do Ministério Público Federal, “já há provas suficientes de que estavam envolvidos”.
O grupo investigado ficou sob monitoramento telefônico e telemático. “As conversas (interceptadas) dão conta que isso já acontece há pelo menos cinco anos”, declarou Ryanna Pala Veras.
A procuradora disse que “é difícil” estabelecer o quanto foi pago em propinas. “Não tem um valor fixo, eles exigiam as quantias de dinheiro que variavam de acordo com a capacidade econômica das pessoas que eram investigadas. Então, há um investigado que chegou a pagar de 500 (mil) a 800 mil reais, é o caso do dono de uma empresa de benefícios fraudulentos. Outras pessoas, por exemplo um perito, pagou 300 mil. E outros com participação menor chegavam a pagar até 10, 15 mil reais.”
Defesa
Os delegados da Polícia Federal presos na Operação Inversão, por meio de seus defensores, negam taxativamente qualquer ato ilícito. “Pedi a liberdade provisória do dr. Ulisses Francisco Vieira Mendes na audiência de custódia. O Ministério Público Federal vai se manifestar em 24 horas”, declarou o advogado Olímpio José Ferreira Rodrigues, do escritório Nelson Willians Advogados, que representa a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). Neste caso, o escritório defende o delegado Ulisses Francisco Vieira Mendes, que chefiava a Deleprev e há cerca de dois meses se aposentou.
“Posso afirma que o delegado Ulisses é inocente. A Operação (Inversão) quebrou o sigilo telefônico do dr. Ulisses e não foi identificada nenhuma vinculação dele com qualquer irregularidade Ele foi alvo da Operação porque foi chefe da Deleprev, só por conta disso”, declarou o advogado Olímpio José Ferreira Rodrigues.
Ao pedir liberdade provisória para o delegado Ulisses, o advogado afirmou. “Ele não representa nenhum risco para a instrução processual, até porque está aposentado. Ele foi incluído na Operação exclusivamente porque era o chefe da Deleprev na Operação Trânsito.”
Trânsito foi deflagrada em 2015 contra um grupo de fraudadores da Previdência. “O delegado Ulisses tem uma carreira respeitada, foi delegado da Polícia Civil, depois foi agente e delegado da Polícia Federal. Não há contra ele nenhuma gravação e ninguém o cita. Além disso, não foi identificado nenhum depósito bancário, nem foi encontrado dinheiro na casa dele.”
O criminalista Luiz Fernando Pacheco, que defende o delegado Rodrigo Leão, também pediu liberdade provisória durante a audiência de custódia. “Nossa expectativa é que o Ministério Público Federal dê parecer favorável e a juíza decida pela liberdade provisória. Não há nenhum motivo para essa prisão preventiva do delegado Rodrigo Leão. Foi uma grande surpresa a prisão do delegado porque não existe nada nos autos contra ele ”
Pacheco anota que o argumento para a decretação da prisão de Rodrigo Leão foi uma reclamação protocolada na Corregedoria da Polícia Federal por investigados, “pessoas estas que foram indiciadas (pela Deleprev). O delegado Leão presidiu o inquérito da Operação Trânsito. Posso assegurar que não há materialidade de propina, nada, nada, nada. Por isso, temos a convicção de que o Ministério Público Federal vá emitir parecer favorável ao pedido de liberdade provisória ante a ausência de qualquer justificativa para a medida cautelar.”
O criminalista enfatiza que Rodrigo Leão “está há 14 anos na Polícia Federal e conta uma longa ficha de serviços prestados, sem nada que o desabone”.
Pacheco acredita que o delegado Leão pode ter sido vítima de uma vingança de pessoas por ele indiciadas na Operação Trânsito.
Portal no Ar

sábado, 11 de junho de 2016

João Vaccari decide quebrar o silêncio

“Se eu falar, entrego a alma do PT. E tem mais: o pessoal da CUT me mata assim que eu botar a cara na rua.”, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT(Vagner Rosario/VEJA)

O homem que arrecadou e distribuiu mais de 1 bilhão de reais em propina para o PT, do qual foi tesoureiro, se prepara para falar à Lava Jato

Em março passado, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teve uma conversa reveladora com um de seus companheiros de cárcere. A situação de abandono do superburocrata petista, sentenciado a mais de 24 anos de prisão e com pelo menos outras quatro condenações a caminho, fez o interlocutor perguntar se ele não considerava a hipótese de tentar um acordo de delação com a Justiça. Conhecido pelo temperamento fechado, que lhe rendeu o apelido de "Padre" nos tempos de militância sindical, Vaccari respondeu como se já tivesse pensado muito sobre o assunto: "Não posso delatar porque sou um fundador do partido. Se eu falar, entrego a alma do PT. E tem mais: o pessoal da CUT me mata assim que eu botar a cara na rua". Algo aconteceu nos últimos dois meses. Depois desse diálogo travado com um petista importante e testemunhado por outros presos, Vaccari não resistiu às próprias convicções e resolveu romper o pacto de silêncio. O caixa do PT, o homem que durante décadas atuou nas sombras, o dono de segredos devastadores, decidiu delatar.
Preso desde abril do ano passado, o ex-tesoureiro, hoje no Complexo Médico-Penal de Pinhais, no Paraná, está corroído física e psicologicamente, segundo relatam pessoas próximas. Ele sabe que a hipótese de escapar impune não existe. Assim como os demais delatores, sabe que, aos 57 anos de idade, a colaboração com a Justiça é o único caminho que pode livrá-lo de morrer na prisão. Os movimentos do ex-tesoureiro em direção à delação estão avançados. Emissários da família de Vaccari já sondaram advogados especializados no assunto. Em conversas reservadas, discutiu-se até o teor do que poderia ser revelado. Um dos primeiros tópicos a ser oferecido aos procuradores trata da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2014. Vaccari tem documentos e provas que podem sacramentar de vez o destino da presidente afastada, mas não só. O ex-tesoureiro sempre foi ligado ao ex-­presidente Lula e, como ele mesmo disse, conhece a alma do PT.
A cúpula do partido foi informada sobre a disposição do ex-tesoureiro há duas semanas. A primeira reação dos petistas foi de surpresa, depois substituída por preocupação. Até onde o ex-tesou­reiro chegaria? Uma comitiva foi despachada a Curitiba para tentar descobrir. Encarregado da missão estava o líder do PT na Câmara, Afonso Florence, que foi ao presídio acompanhado pelo ex-deputado paranaense Ângelo Vanhoni. Em Pinhais, ainda não se sabe exatamente de que maneira a comitiva conseguiu driblar os controles da prisão e conversar longamente com o ex-tesoureiro. Magoado, reclamando de ter sido esquecido na prisão, Vaccari confirmou sua decisão de quebrar o silêncio. Os petistas retornaram a Brasília estranhamente mais calmos. Florence procurou o líder do PT no Senado, Paulo Rocha, e relatou a conversa que tivera com Vaccari. "Será uma explosão controlada", disse. O que significava isso? O parlamentar explicou que Vaccari pode prestar depoimentos calculados, detonando explosões com efeito controlado para provar a "ilegitimidade" do governo Temer. Se o plano petista der certo, a carreira política de Dilma Rousseff será liquidada, mas também terá arrastado ao cadafalso o presidente interino Michel Temer, por comprometer a chapa eleita em 2014.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Idealizador da Lei da Ficha Limpa diz STF pode afastar Cunha imediatamente


De acordo com o idealizador da Lei da Ficha Limpa e coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), juiz Márlon Reis, em entrevista ao site Congresso em Foco, o STF pode afastar Eduardo Cunha de ofício, com a aplicação do artigo 86 da Constituição.Cunha, segundo na linha sucessória à Presidência da República, pode ser imediatamente afastado do comando da Casa se virar réu da Operação Lava Jato. Ou seja, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aceite a denúncia que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou contra Cunha, em breve, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
A avaliação é a de que como Cunha pode vir a ocupar a Presidência da República em eventuais ausências da titular, Dilma Rousseff, e do vice, Michel Temer, também está sujeito a ser enquadrado no artigo da Constituição que trata do afastamento do chefe do Executivo. O dispositivo estabelece que o presidente tem de ser afastado do cargo, por determinado período, caso vire réu no Supremo.
O artigo 86, combinado ao parágrafo 1º, inciso 1º, define que o presidente da República “ficará suspenso de suas funções nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal”.
Para Márlon, isso se aplica diretamente àqueles que estão na linha sucessória presidencial, como o vice-presidente da República e os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal – este, o último da linha sucessória.
Robson Pires

sexta-feira, 20 de março de 2015

Prefeito flagrado recebendo R$ 100 mil de propina é expulso do PT

A decisão foi tomada pelo diretório estadual do PT após a divulgação da notícia da prisão de Chagas, quarta-feira, em um posto de combustíveis na BR-101, em Macaé

Preso em Bangu 8, após ser flagrado pela Polícia Federal quando receberia R$ 100 mil de propina de um empresário, Mauro Henrique Chagas, prefeito de São Sebastião do Alto, na Região Serrana, foi expulso do Partido dos Trabalhadores. A decisão foi tomada pelo diretório estadual do PT após a divulgação da notícia da prisão de Chagas, quarta-feira, em um posto de combustíveis na BR-101, em Macaé.
“Apesar de filiado ao PT, ele era uma figura de pouca expressão e nenhum envolvimento na vida partidária. No domingo, a reunião do Diretório Estadual irá referendar esta medida”, disse o presidente do PT estadual, Washington Quaquá, na nota.
De acordo com a Lei Orgânica do município, cabe à presidente da Câmara de Vereadores, Rosângela Pereira Borges do Amaral (PMDB), assumir a prefeitura, o que deve ocorrer ainda hoje. Ao site‘G1’, o procurador da Câmara, Carlos Eduardo Ferraz, explicou que a posse depende da condenação de Chagas pelo Tribunal de Justiça, o que o impediria de retornar ao cargo. A Câmara decidirá, nos próximos dias, se vai abrir processso de cassação contra o prefeito.
Em nota, a assessoria de comunicação da prefeitura se negou a comentar o caso, alegando desconhecer “o inteiro teor da denúncia veiculada, assim como dos autos investigatórios”.
“Informamos que a administração pública municipal continua funcionando normalmente, até decisão superior em sentido contrário”. A assessoria informou ainda que se encontra à disposição das autoridades para esclarecimentos.
Eleito vice-prefeito, Chagas assumiu a prefeitura em abril de 2014, após afastamento de Carmond Bastos (PT), por irregularidades administrativas.
Fonte: Terra

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Carta Capital: Testemunha acusa Agripino Maia de receber propina

A nova edição da revista Carta Capital destaca a denúncia contra o senador José Agripino Maia, que teria recebido propina de pessoas envolvidas na operação Sinal Fechado.

Leia um dos trechos da revista: “Há pouco mais de um mês, em 2 de abril, um grupo de seis jovens promotores de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Norte organizou uma sessão secreta para ouvir um lobista de São José do Rio Preto (SP), Alcides Fernandes Barbosa, ansioso por um acordo que o tirasse da cadeia. Ele foi preso com outras nove pessoas, em 24 de novembro de 2011, durante a Operação Sinal Fechado, que teve como alvo a atuação do Consórcio Inspar, montado por empresários e políticos locais com a intenção de dominar o serviço de inspeção veicular no estado por 20 anos. A quadrilha pretendia faturar cerca de 1 bilhão de reais com o negócio. Revelado, agora, em primeira mão, por CartaCapital, o depoimento de Barbosa aponta a participação do senador Agripino Maia, presidente do DEM, acusado de receber 1 milhão de reais do esquema.

O depoimento de Barbosa durou 11 horas e reforçou muitas das teses levantadas pelos promotores sobre a participação de políticos no bando montado pelo advogado George Olímpio, apontado como líder da quadrilha, ainda hoje preso em Natal. De acordo com trechos da delação, gravada em vídeo, Barbosa afirma ter sido chamado, no fim de 2010, para um coquetel na casa do senador Agripino Maia, segundo disse aos promotores, para conhecer pessoalmente o presidente do DEM. O convite foi feito por João Faustino Neto, ex-deputado, ex-senador e atual suplente de Agripino Maia no Senado Federal. Segundo o lobista, ele só foi chamado ao encontro por conta da ausência inesperada de outros dois paulistas, um identificado por ele como o atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o outro apenas como “Clóvis” – provavelmente, de acordo com o MP, o também tucano Clóvis Carvalho, ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso”.

Fonte: Ana Ruth