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quinta-feira, 11 de maio de 2017

João Santana cita Lula e diz que decisões dependiam ‘da palavra final do chefe’

Afirmação foi feita em depoimento em delação premiada

Santana disse ter participado de encontros com Palocci nos quais disse ter ficado 'claro' que Lula 'sabia de todos os detalhes

O marqueteiro João Santana afirmou em depoimento em delação premiada à Procuradoria-Geral da República que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha conhecimento dos pagamentos feitos à empresa dele no exterior.
Segundo João Santana, responsável pelas campanhas eleitorais a presidente de Lula em 2006 e 2010 e de Dilma Rousseff em 2014, o ex-ministro Antonio Palocci sempre afirmava que as “decisões definitivas” dependiam da “palavra final do chefe”.
Santana disse ter participado de encontros com Palocci nos quais disse ter ficado “claro” que Lula “sabia de todos os detalhes, de todos os pagamentos por fora recebidos pela Pólis [a empresa de Santana]”.
“Apesar de nunca ter participado de discussões finais de preços ou contratos – tarefa de MONICA MOURA – JOÃO SANTANA participou dos encaminhamentos iniciais e decisivos com ANTONIO P ALOCCI. Nestes encontros ficou claro que LULA sabia de todos os detalhes, de todos os pagamentos por fora recebidos pela Pólis, porque ANTONIO P ALOCCI, então Ministro da Fazenda, sempre alegava que as decisões definitivas dependiam da “palavra final do chefe”, diz trecho do documento da delação premiada de Santana.
Procurada, a assessoria do Instituto Lula afirmou: “Não vamos comentar declarações de pessoas que buscam benefícios judiciais. Delações, pela legislação brasileira, não são provas.
advogado de Palocci, José Roberto Battochio, disse: “Primeiramente, não se conhece com precisão o exato teor dessa suposta delação. Independentemente disso, é certo que nessas ‘delações à la carte’ o cardápio que se apresenta para se oferecer liberdade é sempre o nome do ex-presidente e daquele que foi o principal ministro da Economia do nosso país. É o preço que está sendo cobrado pela liberdade impune”.
Nesta quinta-feira, o ministro Edson Facchin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada do sigilo das delações premiadas do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura. Os dois são investigados por indícios de terem recebido dinheiro de caixa 2 por trabalhos em campanhas eleitorais. O ministro também retirou o sigilo da delação de André Luis Reis Santana, funcionário do casal.
Agora RN

Dilma Rousseff recebeu R$ 200 mil em dinheiro vivo de João Santana, admite Mônica Moura

“Pra (sic) todos que estão perguntando: tirei a Dilma Bolada do ar, o.k.? Sem drama e sem mimimi”

Em delação premiada, Mônica Moura relatou como a campanha de Dilma Rousseff em 2014 convenceu o administrador da página a reativá-la

Em meio à guerra nas redes sociais durante a campanha presidencial de 2014, vencida pela ex-presidente Dilma Rousseff, a página “Dilma Bolada” no Facebook era uma das armas mais poderosas do lado petista das trincheiras virtuais. Tanto era assim que Dilma e o bunker de sua campanha se ressentiram quando a página, com 1,4 milhão de seguidores à época, foi desativada por seu criador, o publicitário Jeferson Monteiro, e se esforçaram (com sucesso) a demovê-lo da deserção.
“Pra (sic) todos que estão perguntando: tirei a Dilma Bolada do ar, o.k.? Sem drama e sem mimimi”, anunciou Monteiro em tom de mistério, no dia 23 de julho de 2014.
Em sua delação premiada, a mulher do marqueteiro João Santana, Mônica Moura, revela a principal motivação da mudança de ideia de Monteiro e como suas postagens sagazes e bem humoradas para dali em diante foram financiadas: 200.000 reais em dinheiro vivo, retirados do caixa dois recebido pelo casal de marqueteiros.
“Em reunião no comitê central da campanha em Brasília, Edinho Silva relatou a Mônica que Dilma Rousseff estava furiosa pela retirada da página Dilma Bolada do ar, e que esse problema teria que ser imediatamente resolvido pela Polis, pois eles não tinham outro meio de sanar o problema com a urgência necessária”, diz o acordo de Mônica Moura firmado com a Procuradoria-Geral da República e divulgado nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao saber da fúria da então presidente, Mônica Moura diz ter ligado a Jeferson Monteiro e combinado com o publicitário que um funcionário dela o procuraria para “resolver o assunto”.
“Então, Monica Moura utilizou parte dos pagamentos que recebia por fora em espécie (propina) e realizou pagamento de 200.000 reais ao publicitário em espécie, que reativou a página no dia 29 de julho do mesmo ano”, relatou.
Após a volta do soldado pródigo ao front dilmista (veja o tuíte abaixo), Mônica relatou aos investigadores ter comentado com Edinho Silva, hoje prefeito de Araraquara (SP), “que estava fazendo isso como um ato de boa vontade pois o contrato da Polis não previa este tipo de responsabilidade”.
De acordo com a mulher de João Santana, o funcionário responsável por negociar o pagamento e entregá-lo a Jeferson Monteiro também vai aderir a um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
Monteiro usou o Facebook para comentar as revelações de Mônica Moura. “Pelos meus cálculos, eu já teria que ter, no mínimo, R$ 1,7 milhão de reais na conta: R$ 500 mil segundo a Revista Época, R$ 1 milhão segundo Marcelo Odebrecht e agora mais R$ 200 mil segundo Monica Moura. Alguém, por gentileza, me avisa onde que tenho que retirar a quantia porque estou com o aluguel atrasado e o telefone cortado. Obrigado!”.
Outros favores
Além de utilizarem dinheiro de caixa dois para convencer Jeferson Monteiro a ressuscitar “Dilma Bolada”, João Santana e Mônica Moura também utilizaram o caixa dois para fazer outros agrados à ex-presidente.
O cabeleireiro Celso Kamura recebeu 50.000 reais de Santana e Mônica, oriundos de pagamentos paralelos, para prestar serviços a Dilma entre os anos de 2010 e 2014, incluindo o período não eleitoral. Segundo a delatora, Kamura cobrava 1.500 reais a cada ida a Brasília, onde atendia a então presidente no Palácio da Alvorada. O valor, sempre em espécie, era entregue ao cabeleireiro em seu escritório em São Paulo, conforme Mônica disse à PGR.
O casal também gastou 40.000 reais com os serviços de uma mulher que fazia as vezes de camareira, cabeleireira e maquiadora particular de Dilma durante o ano de 2010. Segundo a delação de Mônica Moura, o valor foi dividido em parcelas de 4.000 reais, entregues em espécie à funcionária.
Outro favor bancado por Santana e Mônica à ex-presidente com dinheiro de caixa dois de campanha foi o pagamento, em períodos não eleitorais, dos três operadores de teleprompter preferidos de Dilma: Flávio Votmannsberger, Yetor Votmannsberger e Rafael Votmannsberger. Segundo a delatora, eles cobravam 1.500 reais por dia para acompanhar a petista em alguns deslocamentos e “até em viagens internacionais como, por exemplo, na reunião da ONU”. Os Votmannsberger receberam, de acordo com a mulher de João Santana, valores superiores a 100.000 reais.
Fonte: Veja

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marqueteiro João Santana confirma: Dilma Rousseff sabia de caixa dois na campanha

A delação premiada do casal João Santana e Mônica Moura é considerada a pá de cal contra Dilma

Marqueteiro prestou depoimento em ação que tramita na Justiça Eleitoral e que pode levar à cassação da chapa Dilma-Temer

Marqueteiro das campanhas presidenciais dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o publicitário João Santana afirmou nesta segunda-feira, em depoimento à Justiça Eleitoral, que a ex-presidente cassada sabia do esquema de caixa dois utilizado em 2014 em sua campanha à reeleição. Santana fechou acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato e é testemunha-chave no processo em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai decidir se cassa a chapa Dilma-Temer, vencedora no último pleito.
Santana depôs por cerca de duas horas, por meio de videoconferência, ao ministro Herman Benjamin, relator da ação de impugnação de mandato em tramitação no TSE. Pouco antes das 9h30 desta segunda-feira, a sócia e mulher dele, Mônica Moura, também delatora da Lava-Jato, relatou ter tratado pessoalmente com Dilma, em uma reunião no Palácio do Planalto em 2014, do esquema ilegal de arrecadação de recursos para a disputa eleitoral. Na versão apresentada pela publicitária ao ministro Herman, os contatos com o PMDB e com o então candidato a vice-presidente, Michel Temer, se resumiam a preparações para os programas de TV.
A delação premiada do casal João Santana e Mônica Moura é considerada a pá de cal contra Dilma Rousseff na ação que tramita no TSE. O vice-procurador-geral eleitoral Nicolao Dino revelou a existência do acordo com a Justiça após a defesa da ex-presidente ter conseguido que o processo fosse reaberto para a oitiva do ex-ministro Guido Mantega. Mantega, aliás, é apontado pela dupla de marqueteiros como o operador do caixa dois presidencial na campanha de 2014. Na campanha anterior, como o casal já havia admitido ao juiz Sergio Moro, cabia ao ex-ministro Antonio Palocci a tarefa de administrar os recursos não contabilizados, em boa parte provenientes dos cofres da Odebrecht, para irrigar o caixa eleitoral de Dilma. Também em depoimento à Justiça Eleitoral, o delator da Odebrecht Hilberto Mascarenhas disse que João Santana recebeu, via caixa dois, pelos serviços de marketing político prestados a campanhas presidenciais em El Salvador, Angola, Venezuela, República Dominicana e Panamá.
Fonte: Veja

sábado, 6 de agosto de 2016

Santana destrói Dilma em negociação de delação premiada

Marqueteiro prometeu ao MP revelar um arsenal de informações que, como o próprio marqueteiro admitiu, vai “destruir” a biografia da presidente afastada

O marqueteiro João Santana guar­da­va segredos tão sulfurosos sobre as campanhas do PT que, por meses a fio, anos a fio, se recusou a revelá-los. Preso em Curitiba e questionado pelo juiz Sergio Moro sobre seu mutismo implacável a respeito das duas campanhas de Dilma Rousseff, Santana desmontou e confessou: “Eu, que ajudei a eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a presidente”. Na semana passada, VEJA levantou o véu sobre o cardápio de revelações que o marqueteiro entregou ao Ministério Público na negociação de sua delação premiada — e, considerando-se o que promete dizer, pode-se finalmente entender por que ele usou a expressão “destruir a presidente”.
A principal revelação que Santana e a sua mulher, Mônica Moura, se dispuseram a comprovar é que a presidente afastada autorizou ela mesma as operações de caixa dois de sua campanha. Ou seja: não se trata de dizer que Dilma sabia do que acontecia nos bastidores clandestinos de suas finanças eleitorais, mas sim que ela própria comandava o jogo. Faz sentido diante da personalidade meticulosa de Dilma, tão dada aos detalhes. Segundo Santana, em 2014, quando Dilma o convidou para tocar sua campanha à reeleição, ele relutou em aceitar a proposta. Argumentou que, nas eleições anteriores, de 2010, havia tido problemas para receber os pagamentos pelos serviços prestados e não queria voltar a enfrentar as mesmas complicações. Para piorar, em 2014, com um cenário político mais competitivo, achava que precisaria de mais recursos do que na campanha anterior. Para convencê-lo a topar a empreitada, Dilma garantiu que dinheiro não seria problema. Santana dirá que ouviu dela que não haveria atraso no pagamento e que o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, se encarregaria de negociar o caixa paralelo com os doadores.
Mantega, o ministro mais longevo da era petista, não era o único operador do caixa dois nas campanhas do PT, segundo Santana. O ex-ministro Antonio Palocci exerceu o mesmo papel até 2011, quando tropeçou nas explicações sobre a multiplicação do próprio patrimônio. Ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil e da Fazenda, Palocci ganhou um capítulo exclusivo na proposta de delação do marqueteiro. Ele é apontado como o responsável por esquematizar o fluxo de pagamentos clandestinos que viabilizaram vários serviços nas eleições de 2006 e 2010, incluindo o do próprio Santana. Palocci tinha uma conta junto às empresas envolvidas no petrolão. Também tinha um braço-direito, Juscelino Dourado, que distribuía uma parte do dinheiro.
Os segredos do marqueteiro atingirão outras campanhas. Santana relatou aos procuradores que a reeleição de Lula, em 2006, também recebeu dinheiro sujo. O sistema era semelhante ao utilizado na campanha de Dilma em 2010: Palocci era o principal responsável por articular com os empresários a liberação de recursos para pagar determinados serviços.
veja

sábado, 30 de julho de 2016

Em proposta de delação, Santana relata que Dilma sabia de tudo

Marqueteiro vai contar aos procuradores que petista não só conhecia todas as operações de caixa dois da campanha presidencial como as autorizou
A presidente afastada Dilma Rousseff vem ajustando seu discurso de acordo com o avanço da Lava-Jato. Há cerca de um ano, diante das acusações de que sua campanha recebera doações por fora da construtora UTC, ela afirmou: “Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade (…) porque não houve”. De lá para cá, as negativas da petista ganharam um tom cada vez mais baixo. Há duas semanas, após o marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, admitirem ter recebido dinheiro pelo caixa dois na campanha presidencial de 2010, Dilma disse: “Não autorizei pagamento de caixa dois a ninguém. (…) Se houve, não foi com meu conhecimento”. Cinco dias depois, eis que surge outra justificativa: “Minha campanha não tem a menor responsabilidade sobre em que condições pagou-se dívida remanescente da campanha de 2010. (…) Ele (João Santana) tratou essa questão com a tesouraria do PT”. Em pouco tempo, a negativa da existência de dinheiro sujo saltou do “eu não sabia” e pousou no “a culpa é do partido”.
Em breve, Dilma terá de atualizar a versão. Em sua proposta de delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República, João Santana e sua mulher relatam que a presidente afastada não só sabia da existência do caixa dois como aprovou as operações ilegais. Segundo o casal, Dilma conhecia detalhes do custo real da campanha e o valor que era declarado oficialmente. A diferença, de algumas dezenas de milhões de reais, vinha de empresas envolvidas no petrolão. Uma parte dos recursos, oriundos de propinas avalizadas pela petista, foi usada até para pagar despesas pessoais da presidente. Para comprovar as acusações, que constam em mais de dez capítulos chamados de “anexos”, Santana apresentará documentos. Os detalhes do acordo do marqueteiro foram tratados recentemente numa reunião realizada com integrantes da PGR. Quem leu os anexos garante: o mago do marketing petista, que ajudou a construir a imagem de Dilma, está agora armado com provas para fulminá-la.
veja

sexta-feira, 22 de julho de 2016

João Santana e mulher dizem que receberam dinheiro de caixa dois de campanha de Dilma

Mônica, que cuidava das finanças do casal, deu maiores detalhes ao juiz Sérgio Moro.


Por Redação
O publicitário João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, admitiram nesta quinta (21) em audiência com o juiz Sergio Moro que receberam dinheiro de caixa dois para a campanha eleitoral de Dilma Rousseff de 2010. O total chega a US$ 4,5 milhões, informou Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Mônica, que cuidava das finanças do casal, deu maiores detalhes. Segundo disse, depois que os trabalhos foram encerrados, a campanha não pagou tudo o que devia.
Por cerca de três anos, eles fizeram cobranças insistentes ao PT. Em 2013, foram chamados pelo então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que disse que enfim saldaria o débito. Vaccari orientou Mônica a procurar Zwi Skornicki, que tinha negócios com a Petrobras. Ele faria os pagamentos.
Ficou acertado que o débito seria saldado em dez parcelas, numa conta não declarada no exterior. Nove parcelas foram pagas. A última ficou pendurada.
Santana afirmou no depoimento que sabia como a dívida estava sendo saldada, embora Mônica fosse a responsável pelas finanças. Os dois afirmam que não sabiam que Zwi tinha contratos com a Petrobras nem que os recursos poderiam ser fruto de propina. No depoimento eles também nada falaram sobre Dilma Rousseff ou de qualquer outro integrante da coordenação da campanha dela em 2010.
Mônica e Santana devem fazer acordo de delação premiada, mas o depoimento desta quinta (21) faz parte da audiência de defesa do casal.
Procurada na noite desta quinta-feira (21), a assessoria da presidente Dilma Rousseff disse que não comentaria o teor dos depoimentos do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura.
Portal no Ar

sábado, 5 de março de 2016

Advogado de marqueteiro do PT sonda procuradores sobre delação


Vera Magalhães, na coluna Radar Online, destaca que o advogado de Santana e Monica Moura, Fabio Toffic, teve uma conversa preliminar com procuradores da República em Curitiba sobre se haveria espaço para uma colaboração judicial do casal. Na prisão, Monica é quem dá mais sinais de que quer fazer delação.

Robson Pires

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Grupo de Temer revê estratégia para apoiar impeachment

Impulsionada pela prisão do ex-marqueteiro do PT João Santana, a retomada das discussões do impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo PMDB vai se dar com uma nova estratégia. O grupo do vice-presidente Michel Temer avalia como vital um entendimento com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Além disso, acredita que é preciso atuar de forma discreta – quase silenciosa – ao contrário do que ocorreu no semestre passado.

Para um interlocutor do grupo de Temer, “ninguém quer queimar largada de novo”. A avaliação é que o maior de todos os erros foi apostar todas as fichas no presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Apesar do poder do cargo, a imagem que se consolidou é a de que ele usou o pedido de impeachment para desviar a atenção dos processos que ele enfrenta no Conselho de Ética e no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa da Operação Lava Jato.
Robson Pires

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

PF e MP apontam repasses da Odebrecht a Santana no Brasil e pedem prorrogação de prisão

João Santana e a esposa foram encaminhados ao IML de Curitiba para passarem por exame de corpo de delito(Vagner Rosário/VEJA.com)

Planilha apreendida na Lava Jato indica que o marqueteiro do PT e a sua mulher, Mônica Moura, receberam da empreiteira R$ 4 milhões durante a campanha de Dilma Rousseff


A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal pediram nesta sexta-feira que o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, prorrogue por mais cinco dias a prisão temporária do marqueteiro do PT João Santana e de sua mulher, Mônica Moura. Também foi solicitado que a secretária do empreiteiro Marcelo Odebrecht, Maria Lúcia Tavares, suspeita de atuar na contabilidade paralela de dinheiro do grupo, continue atrás das grades. O pedido tem por base novas provas apreendidas nas buscas realizadas nesta semana, na 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé. Entre os documentos apreendidos está uma planilha com indicação de que o casal recebeu da Odebrecht 4 milhões de reais no Brasil durante a campanha eleitoral de 2014 - o que eles negaram em depoimento à PF. Foram sete repasses, entre outubro e novembro daquele ano, enquanto Santana trabalhava na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.
A planilha também contém a anotação de que a "negociação" total chegaria a 24 milhões de reais. O documento estava na casa de Maria Lúcia Tavares, funcionária da Odebrecht, contra quem a PF também requisitou a prorrogação de prisão temporária. Para os delegados, a origem dos recursos ainda não foi esclarecida, mas eles estão "claramente à margem da contabilidade oficial". As datas revelam que o repasse teria sido feito depois que a Lava Jato realizou buscas na sede da Odebrecht em São Paulo.
"Em se tratando de investigação em que parte dos investigados ligados ao grupo Odebrecht se encontra fora do país - ao nosso ver, em clara tentativa de obstruir a investigação e dificultar a obtenção de provas -, entendemos imprescindível que o aprofundamento das investigações, por meio da obtenção de esclarecimentos adicionais pelos investigados e processamento do restante do material, dê-se com manutenção da privação de liberdade de Mônica Moura, João Santana e Maria Lúcia Tavares. A medida é necessária para garantir a investigação criminal, em caráter cautelar", afirmam os delegados Márcio Anselmo e Renata da Silva Rodrigues.
documento rasgado 1
(VEJA.com/VEJA)
documento rasgado 2
(VEJA.com/VEJA)
Maria Lúcia Tavares é a responsável por elaborar a planilha de pagamentos de propina da empreiteira. João Santana é vinculado ao codinome "Feira". O documento foi encontrado no e-mail de Fernando Migliaccio da Silva, controlador das contas usadas pela Odebrecht para realizar pagamentos no exterior. A PF identifica Maria Lúcia Tavares como uma das responsáveis por gerenciar "a contabilidade paralela" e organizar também a entrega da propina - ou, conforme os investigados diziam, "os acarajés quentinhos". Em uma agenda dela, a PF encontrou, associados à anotação "Feira", os nomes de Mônica Moura, de seu filho Daniel Requião e de João Santana, além de telefones deles (uma linha internacional, de Nova York) e o endereço de um flat em São Paulo.
"Inegável que a anotação vincula, em definitivo, ambos os investigados - João Santana e Mônica Moura - às menções contidas na planilha encontrada no e-mail de Fernando Migliaccio e, por conseguinte, aos pagamentos realizados a eles no exterior pela Odebrecht, via Shellbill", afirma o relatório da PF.
O advogado do casal Santana, Fábio Tofic, pede a revogação da prisão. A PF rebateu, em representação ao juiz, os argumentos da defesa. "Inicialmente, com relação às alegações da defesa cabe destacar que, em que pese a alegação de que 'tanto os recursos recebidos da Odebrecht como aqueles doados por Zwi [Skornicki] são de campanhas realizadas no exterior, onde foram feitas seis das nove campanhas presidenciais que comandaram', não foi apresentado qualquer indício que seja, por parte de seus defensores, que corrobore tal afirmação", afirmou a PF. "Curiosamente, parte dos recursos foi atribuído à campanha de um ex-Presidente já falecido (Hugo Chávez)."
"Ademais, em que pese tenham os investigados autorizado o acesso à conta da Shellbill, mantida no Banco Heritage, não foi apresentado um documento sequer da referida conta por parte dos investigados, que já tinham conhecimento, há tempos, de que ao menos os depósitos por parte de Klienfeld, offshore ligada à Odebrecht, poderia vinculá-los às investigações da Operação Lava Jato. Assim, a defesa reduz os inúmeros indícios expostos nos presentes autos a meras especulações, mas até o presente momento nada apresentou que possa fazer prova em contrário. Não há um contrato, umainvoice, um registro ou mesmo uma troca de e-mails ou qualquer indício, por menor que seja, apto a corroborar os fatos alegados pela de defesa de João Santana e Mônica Moura."
Os delegados também destacaram que o sócio da maior empreiteira do país Marcelo Bahia Odebrecht, preso em Curitiba, sinalizou que pretende colaborar e prestar depoimento sobre os fatos investigados na 23ª fase da Lava Jato: "Espera-se que Marcelo Bahia Odebrecht possa prestar esclarecimentos relevantes sobre sua rede de distribuição de 'acarajés' e sobre as menções ao codinome Feira espalhadas em seu celular e replicadas por seus funcionários em planilhas e anotações".
Veja

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Acarajé: Depoimento de João Santana dura 3 horas - Marqueteiro do PT é ouvido pela Polícia Federal nesta quinta-feira - João Santana está preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba - Monica Moura, mulher dele, foi interrogada na quarta (24) durante 3 horas


Do G1
Marqueteiro do PT é ouvido pela Polícia Federal nesta quinta-feira
João Santana está preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Monica Moura, mulher dele, foi interrogada na quarta (24) durante 3 horas

A Polícia Federal (PF) ouviu, entre as 9h30 e as 13h desta quinta-feira (25), o publicitário João Santana, preso na 23ª fase da Operação Lava Jato. Ele deveria ter sido ouvido na quarta (24), mas o depoimento da mulher dele, Monica Moura, demorou mais do que o esperado, e, por isso, a oitiva de Santana foi adiada.
Além do marqueteiro do PT, também foi ouvido nesta manhã o investigado Vinícius Borin; o depoimento dele durou cerca de meia hora, conforme a PF.
Ainda nesta quinta, deve ser ouvida a funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares. Todos eles foram presos nesta última fase da Lava Jato.
João Santana e Monica Moura são suspeitos de receber US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior. A PF suspeita que os recursos tenham origem no esquema de corrupção na Petrobras. 
Santana foi marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff (PT) e da campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2006.
A atual fase foi batizada de Operação Acarajé, que era o nome usado pelos suspeitos quando se referiam ao dinheiro irregular.
Defesa de Monica
Após o depoimento de Monica, na quarta, o advogado Fábio Tofic afirmou que a cliente conseguiu demonstrar cada movimentação da conta no exterior no depoimento prestado aos delegados da PF. Ela falou por cerca de três horas.
Fábio Tofic relatou não existir nenhuma prova de que os recursos recebidos pelo casal sejam provenientes de corrupção ou de campanhas brasileiras.


Eles receberam recursos lícitos pelo trabalho honesto que fizeram ao longo de anos. Não são lavadores de dinheiro, não são corruptos, nunca tiveram contrato com o poder público. São trabalhadores honestos – gostemos, gostem ou não, dos clientes deles. Agora os recursos são lícitos, não envolvem campanha brasileira”, disse o advogado.
“Está claro que ela e o João estão presos por um crime de manutenção de conta não declarada no exterior. Um crime pelo qual não existe uma pessoa presa neste país. Não vou dizer que é um crime leve, mas é um crime que não enseja prisão de qualquer cidadão desse país”, afirmou Fábio Tofic.
O casal estava na República Dominicana e participava da campanha de reeleição do presidente do país. Os dois foram presos na terça (23) ao desembarcar no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). A prisão temporária de ambos vence no sábado (27) e pode ser prorrogada por mais cinco dias.
Caso as autoridades achem necessário, poderão ainda pedir a conversão da prisão para preventiva, que é quando não há prazo para que o investigado deixe a carceragem.
Aumento de patrimônio
Um relatório da Receita Federal aponta divergências nas declarações de Imposto de Renda de João Santana e da mulher. De acordo com o levantamento, o patrimônio de Santana passou de R$ 1 milhão, em 2004, para R$ 59 milhões, em 2014, em valores não corrigidos.
Conforme o relatório da Receita, parte desse dinheiro entre 2004 e 2014 não passou pelas contas bancárias de Santana.
Em 2012, por exemplo, o publicitário não informou nenhuma movimentação financeira, mas declarou rendimentos de R$ 7,8 milhões.
O levantamento da Receita também mostra que o marqueteiro do PT teve gastos elevados com cartões de crédito de mais de R$ 500 mil em 2012, mas esses valores não circularam pela conta corrente dele.
A compra de um apartamento em São Paulo, em 2013, por R$ 3 milhões também não consta na movimentação da conta bancária de Santana.

Thaisa Galvão

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Lava Jato: João Santana e Mônica Moura serão ouvidos nesta quarta-feira

Polícia Federal investiga envolvimento de João Santana com a Odebrecht

Depoimentos do publicitário e de sua esposa devem ser dados a Polícia Federal no início desta tarde


A Polícia Federal em Curitiba deve ouvir nesta quarta-feira (24), o publicitário João Santana e a mulher dele, Mônica Moura. Os depoimentos estão previstos para o início da tarde na Superintendência da Polícia Federal (PF). Santana deve ser ouvido primeiramente.
João Santana e Mônica Moura chegaram em Curitiba no fim da manhã dessa terça-feira (23), e foram encaminhados à Superintendência da PF na capital paranaense. Os dois tiveram a prisão temporária decretada na 23ª fase da Operação Lava Jato, que investiga a relação de Santana com a empresa Odebrecht. A empreiteira também é alvo de investigações da Polícia Federal e teria feito repasses financeiros ao publicitário no exterior.
Bens
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos inquéritos da Operação Lava Jato, determinou na última segunda-feira (22) o sequestro de um apartamento, localizado em São Paulo, registrado em nome de Santana e de sua mulher. Há suspeitas de que o imóvel teria sido pago com dinheiro retirado de uma conta secreta na Suíça.
Portal no Ar

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Lava Jato investiga repasse de R$ 7 milhões para grupo de João Santana

A Lava Jato chegou a João Santana por meio de anotações encontradas no aparelho celular de Marcelo Odebrecht, preso desde junho do ano passado, na 14ª fase da Lava Jato


Por Estadão Conteúdo
 

A Justiça Federal do Paraná decretou a prisão do marqueteiro do PT João Santana na 23ª fase da Operação Lava Jato deflagrada na manhã desta segunda-feira, 22. O inquérito investiga supostos pagamentos de R$ 7 milhões ao marqueteiro pela Odebrecht em paraísos fiscais. Na última década, o publicitário se dedicou no Brasil a campanhas do PT. A Polis Propaganda e Marketing assinou as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006 e da presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014. O publicitário está fora do País.
A Lava Jato chegou a João Santana por meio de anotações encontradas no aparelho celular de Marcelo Odebrecht, preso desde junho do ano passado, na 14ª fase da Lava Jato. Na mensagem a um executivo da empresa, Marcelo alerta: “Dizer do risco cta suíça chegar na campanha dela”. A partir de então, foram instauradas investigações para rastrear contas no exterior que teriam Santana como destinatário final do dinheiro.
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi um documento manuscrito enviado por Mônica Moura, mulher e sócia do marqueteiro, ao consultor Zwi Skornicki que apontou duas contas, uma nos Estados Unidos e outra na Inglaterra. O consultor é representante da Keppel Fels, estaleiro de Cingapura que prestou serviços à Petrobras e seria o operador da propina paga pela empresa no país. A Keppel Fels firmou contratos com a Petrobras entre 2003 e 2009 no valor de US$ 6 bilhões.
Em despacho na semana passada, o juiz Sérgio Mouro negou pedido dos advogados de João Santana para ter acesso às investigações justificando que o rastreamento financeiro demanda sigilo, sob risco de dissipação dos registros ou dos ativos. “Como diz o ditado, o dinheiro tem ‘coração de coelho e patas de lebre'”, escreveu o magistrado.
No sábado, 20, os criminalistas Fábio Tofic Simantob e Débora Gonçalves Perez, informaram ao juiz Sérgio Mouro que seus clientes estavam à disposição dele “para prestar todos os esclarecimentos necessários à descoberta da verdade” e que ouvi-los em caráter preliminar poderia “evitar conclusões precipitadas e prevenir danos irreparáveis que costumam se seguir a elas, mormente porque neste caso os prejuízos extrapolariam o conturbado cenário político brasileiro, pois os peticionários estão hoje incumbidos da campanha de reeleição do Presidente Danilo Medina, da República Dominicana”.
Os advogados também afirmaram que a Lava Jato “foge completamente ao perfil de investigados que não são nem nunca foram funcionários públicos; não são nem nunca foram empresários com contratos com o poder público; não são nem nunca foram operadores de propina ou lobistas.” Segundo o advogado, Santana e a mulher são “jornalistas e publicitários de formação” de renome internacional no marketing político. “Cada centavo que receberam na vida sendo fruto exclusivo de seu trabalho absolutamente lícito.”
Portal no Ar

domingo, 3 de maio de 2015

Polícia Federal abre investigação sobre João Santana marqueteiro do PT

Principal estrela do marketing político brasileiro, o jornalista João Santana virou alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura a suspeita de que duas empresas dele trouxeram de Angola para o Brasil US$ 16 milhões em 2012 numa operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o Partido dos Trabalhadores.

O valor equivale a cerca de R$ 33 milhões, de acordo com o câmbio da época. Naquele ano, Santana, 62, trabalhou em duas campanhas vitoriosas, a do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e a do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.
Uma das suspeitas dos policiais é que os recursos de Angola tenham sido pagos ao marqueteiro por empreiteiras brasileiras que atuam no país africano. Segundo essa hipótese, seria uma forma indireta de o PT quitar débitos que tinha com o marqueteiro.
Santana ganhou R$ 36 milhões pela campanha de Haddad, em valores corrigidos pela inflação, mas ele só recebeu a maior parte do dinheiro depois da eleição. A campanha acabou com uma dívida de R$ 20 milhões com a empresa de Santana. O débito foi transferido para a direção nacional do PT, que negociou um parcelamento da dívida com o marqueteiro: o valor foi pago em 20 parcelas mensais de R$ 1 milhão.
Santana nega que tenha praticado irregularidade e diz que a suspeita de operação de lavagem de dinheiro para o PT não tem sentido. “Trata-se de uma operação legal e totalmente transparente”, disse à Folha. Ele elegeu o ex-presidente Lula em 2006 e Dilma Rousseff nas últimas duas disputas presidenciais.
Robson Pires

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Veja quanto foi a bolada que João Santana ganhou na campanha de Dilma


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Se há alguém que deve estar rindo à toa com os números, digamos, espetaculares das finanças da campanha que garantiu a reeleição a Dilma Rousseff, é o marqueteiro João Santana.
Dos 350 milhões de reais em gastos declarados pela presidente em 2014, um recorde para qualquer pleito no país, 70 milhões de reais foram diretamente para a conta da empresa do marqueteiro, a Pólis Propaganda.
Outros 8 milhões de reais foram repassados à empresa por meio do diretório nacional do partido. Não se sabe o quanto disso é, de fato, lucro próprio, mas significa nada menos que 20% dos gastos totais da campanha da presidente.
Em 2010, o marqueteiro havia abocanhado “apenas” 42 milhões de reais. Mas o bolo despendido por Dilma também era menor: 194 milhões de reais. No fim das contas, exceto pelos 8 milhões de reais pagos pelo PT, a proporção da fatia de Santana na conta de Dilma se manteve igual entre um pleito e outro.
Mas o trabalho certamente foi maior. Na eleição mais suja das últimas décadas, o marqueteiro não economizou na artilharia. E venceu a guerra.
Fonte: Veja