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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Em atitude inédita, CBF libera e todas as emissoras poderão exibir jogo da Seleção brasileira

A CBF confirmou o amistoso em prol das famílias das vítimas do acidente com o avião da Chapecoense. Brasil e Colômbia se enfrentam em 25 de janeiro, no Engenhão. A renda da partida será revertida para os parentes dos 71 mortos no voo que seguia para Medellín.
Enquanto isso, a Confederação liberou para todas as emissoras a transmissão do jogo. A RedeTV!, inclusive, que não detém os diretos dos jogos da seleção brasileira, exibirá o evento, com Silvio Luiz, Juarez Soares e Luiz Ceará. Ainda não há informação se outro canal, como Record, Band, SBT, Rede Vida e TV Brasil, que tiveram o jogo oferecido, farão a transmissão da partida.
Na TV Fechada, o SporTV, Esporte Interativo e BandSports, além da ESPN, receberam a oferta da CBF. A confederação brasileira já contratou uma produtora para fazer o amistoso. O jogo também vai ser transmitido pela entidade através do Facebook Live.
tv foco

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Papa Francisco recebe camisa da Chapecoense

Papa Francisco recebe camisa da Chapecoense no Vaticano (Radio Vaticana/Reprodução)

O uniforme tem o número 71, em referência ao total de vítimas do acidente aéreo

papa Francisco recebeu uma camisa da Chapecoense após a missa de Natal, no último dia 15, no Vaticano. O uniforme, entregue pela Rádio Vaticano tinha o número 71, em referência ao total de vítimas do acidente aéreo envolvendo a equipe catarinense, em 29 de novembro, na Colômbia.

Ao receber a camisa, o papa enviou uma bênção especial à população de Chapecó. O pontífice argentino, torcedor do San Lorenzo – justamente a equipe eliminada pela Chapecoense na semifinal da Copa Sul-Americana -, já havia homenageado a Chapecoense na missa do dia 30 de novembro.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Rafael Henzel recebe visita da mãe de Danilo

Dona Ilaídes e Rafael Henzel vestiam camisas da Chapecoense (Reprodução/Facebook)

Pouco depois do encontro com dona Ilaídes, jornalista recebeu alta hospitalar

O jornalista Rafael Henzel recebeu a visita de Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo, uma das 71 vítimas fatais do acidente com o avião da Chapecoense, na noite desta segunda-feira. O encontro ocorreu pouco antes de Henzel ter alta do Hospital Unimed, em Chapecó. Ao lado da mulher e do filho, o radialista deixou o local pouco antes das 22h (de Brasília), de cadeira de rodas e se levantou para entrar em um carro particular.
“Antes de deixar o hospital, uma surpresa. Dona Ilaídes, mãe do eterno Danilo, veio me dar um abraço. Que as narrações que fiz quando de suas defesas heroicas possam ficar de lembrança de nosso ídolo. Mulher de garra. Exemplo”, escreveu o jornalista em suas redes sociais. Ele publicou ainda uma foto com a camisa da Chapecoense ao lado da mãe de Danilo.
Antes da visita especial, Henzel concedeu entrevista coletiva. O jornalista se emocionou e manifestou o desejo de voltar à profissão, inclusive a tempo de trabalhar no primeiro jogo do clube catarinense em 2017.
“Tenho minha data: dia 9 de janeiro, eu quero voltar a trabalhar. E dia 25 de janeiro, eu quero narrar Joinville x Chapecoense. Não sei como eu vou subir naquelas cadeiras lá, se eu estarei com alguma dificuldade para caminhar, por causa das lesões. Mas não quero saber, dia 25 vou estar lá. Eu não vou deixar passar. Tenho um dever muito grande com a comunidade de Chapecó, que acreditou em mim. Se eles acreditam, eu vou fazer”, declarou.
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sábado, 17 de dezembro de 2016

Alan Ruschel lateral da Chapecoense fala emocionado pela primeira vez desde o acidente

Alan Ruschel concedeu entrevista coletiva em Chapecó - 17/12/2016 (Tarla Wolski/Futura Press/Folhapress)

Alan Ruschel se emocionou muito ao lembrar dos companheiros mortos na Colômbia. Ele diz que, na última hora, foi solicitado a mudar de assento no avião

O lateral gaúcho Alan Ruschel, um dos seis sobreviventes ao voo que transportava a equipe da Chapecoense e que caiu nas proximidades do Aeroporto de Medellín, matando 71 pessoas, falou neste sábado aos jornalistas pela primeira vez desde o trágico acidente do último dia 29 de novembro. O jogador de 27 anos recebeu alta da clínica onde estava internado, na cidade de Chapecó, na última sexta-feira. Muito emocionado, Alan garante que seu plano é voltar aos gramados. “Farei de tudo para voltar a jogar. Com muita paciência, farei de tudo para dar muita alegria para esse pessoal aqui”.


No seu retorno à Arena Condá, o jogador da Chape admitiu na entrevista coletiva que foi solicitado a trocar de poltrona por um dos diretores do time antes do voo da LaMia decolar. “Quando a gente chegou em Santa Cruz (de la Sierra, na Bolívia), eu estava sentando mais atrás, e o Cadu (Eduardo Luiz Preuss, gerente de futebol) pediu pra sentar na frente para deixar os jornalistas no fundo. Na hora eu não quis sair. Aí o Follmann insistiu para que eu sentasse com ele. Aí saí de traz e fui sentar com o Follmann. É a parte que eu lembro.”
As memórias do acidente param por aí. Agora, Alan Ruschel quer olhar para a frente. Inclusive o jogador já projeta sua volta aos gramados. “Eu calculei três meses para calcificar a coluna, já passou um. Mais dois meses para fortalecer a musculatura. Estou só na capa da gaita (risos).”
Follmann é transferido – O goleiro da Chapecoense Jackson Follmann, outro sobrevivente da tragédia, foi transferido na manhã deste sábado do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para a Clínica Unimed, na cidade catarinense. Follmann teve uma das pernas amputadas em decorrência das lesões sofridas no acidente e seguirá se recuperando no hospital em Chapecó. Antes de viajar, o jogador postou uma foto em sua conta no Instagram com a seguinte legenda: “Partiu Chapecó”.
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domingo, 11 de dezembro de 2016

‘Sinto ele no abraço’, diz mãe do goleiro Danilo, da Chapecoense - Ilaídes Padilha, 54 anos, mãe do goleiro Danilo, da Chapecoense

Muita gente se confundiu com meu nome. É Ilaídes mesmo, com “i” no começo e “s” no final. Meu pai era analfabeto, e brinco que o escrivão também era. Nem precisava ter o “s”, porque não sou duas, nem três. Sou uma só. Venho de uma família de treze irmãos, na qual sou a caçula. Me casei com 19 anos e esperei quase três para conceber o Danilo, o primeiro de meus dois filhos. Ele tem uma irmã. Quando fiquei grávida, foi uma alegria muito grande porque meu marido gosta muito de criança. Da mesma forma que meu filho abraçava as crianças, como todo mundo viu por aí na televisão, meu marido também. E ele queria muito ter filhos. Quando Danilo nasceu, foi uma festa em casa.

Eu não sou assim de me apegar muito a religião, não. Me apego mais ao espiritual mesmo. Mas tive de pedir a Nossa Senhora que me ajudasse quando soube da tragédia: “Vamos, me dê forças para ficar em pé. Na segunda-feira, depois do enterro, pode até me deixar cair. Hoje, não. Até terminar, não”. Quero ficar em pé porque meu filho foi grande. Foi lutador. Foi herói. Ele vai virar um mito. Nossa Senhora, então, me enviou meus novos filhos. Meus 200 milhões de filhos, que me ajudaram. As pessoas me seguraram. O que me deixou mais forte foi saber da grandeza do meu filho. Eu sabia do seu coração puro, do menino trabalhador que batalhou uma vida inteira. Eu sabia disso. Mas, de sua grandeza, só soube quando pisei na Arena Condá, nos jogos. Lá elas o aplaudiam de pé. Era ovacionado. Gritavam “Danilo! Danilo!” a cada defesa que fazia. Falaram que eu fui grande, que fui forte, que fui guerreira. E Deus não pode me abandonar agora. Ele vai ficar aqui e renovar o contrato que tem comigo. Preciso que ele me dê forças, pois a minha luta nem começou. Ainda não deitei na cama nem parei para lembrar do rosto do meu filho como nas fotos. Não tem uma foto em que ele não esteja sorrindo.
Todo mundo viu na TV o que aprontei num momento de desespero, de angústia (quando ela própria consolou o repórter que a entrevistava na Arena Condá). O repórter apareceu e me pediu uma entrevista. Falei que sim, mas não ouvi que seria ao vivo. Já tinham me perguntado tanto como estava me sentindo, mas eu não sabia a resposta. Estava sem chão, sem nada. Dei a entrevista e aconteceu o abraço que o mundo viu. A tristeza dentro daquela arena era geral. Olhava o rosto dos repórteres e não tinha nenhum sorriso. A torcida perdeu todos os seus ídolos. Também perdemos o pessoal da imprensa. Eu havia perdido só o Danilo. Pensei: “Não posso pensar só na minha dor, posso?”.
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Neto não sabe de tragédia e pergunta sobre jogo contra Atlético

Carlos Mendonça, um dos médicos da Chapecoense, afirmou que por enquanto Neto não saberá a verdade devido ao seu delicado estado de saúde

O zagueiro Neto não se lembra do acidente aéreo que vitimou a maior parte da delegação da Chapecoense, no dia 29 de novembro, nos arredores da cidade colombiana de Medellín. Segundo informações da TV Globo, o jogador perguntou aos médicos como foi a partida contra o Atlético Nacional e por que estava tão ferido.
Carlos Mendonça, um dos médicos da Chapecoense, afirmou que por enquanto Neto não saberá a verdade devido ao seu delicado estado de saúde. “Há uma recomendação da psicóloga para não dizermos de modo evitar um choque emocional ao paciente. Isso seria seria prejudicial para a sua recuperação clínica, disse Mendonça.
O zagueiro é o sobrevivente que mais necessita de cuidados médicos. Também estão em recuperação os jogadores Alan Ruschel e Jackson Follmann, o jornalista Rafael Henzel e os tripulantes Erwin Tumiri e Ximena Suárez.
Neto saiu do coma induzido e já respira sem a ajuda de aparelhos. Ele ficou com a ventilação mecânica por nove dias devido a uma infecção pulmonar.
“As próximas 48 horas serão importantes. Ele está há nove dias dependendo do ventilador. O pulmão precisa aprender a respirar sozinho, pois está desarmado. Ele evoluiu bem”, afirmou Mendonça.
Setenta e uma pessoas morreram no acidente, entre elas 19 jogadores e 24 membros da delegação catarinense.
Com Gazeta Press

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Chapecoense é declarada campeã sul-americana e vai receber premiação pelo título

O Atlético Nacional, por sua vez, vai receber o prêmio de reconhecimento especial "Conmebol Centennial Fair Play"


Por Redação

A Confederação de Futebol Sul-americano (Conmebol) declarou, nesta segunda-feira (5), a Associação Chapecoense de Futebol como campeã da Copa Sul-Americana 2016. O time viajava para a final contra o Atlético Nacional, na Colômbia, quando foi dizimado em um acidente aéreo que deixou 71 mortos e apenas seis sobreviventes.
Poucas horas após o acidente, nas proximidades de Medellín, ocorrido na noite de terça-feira, 29 de novembro, o Atlético Nacional pediu que a Conmebol concedesse o título ao time de Chapecó, cidade do interior de Santa Catarina.
O Atlético Nacional, por sua vez, vai receber o prêmio de reconhecimento especial “Conmebol Centennial Fair Play”.
Veja nota da Conmebol.
1. Na quarta-feira 30 de novembro, a Confederação de Futebol Sul-americano recebeu uma carta do National Athletic Club, dirigida ao Sr. Alejandro Dominguez, presidente da CONMEBOL convidativo “para dar o título da Copa Sul-Americana para a Associação Chapecoense de Futebol como louro honorífico à sua grande perda e homenagem póstuma às vítimas do acidente fatal que lamenta o nosso esporte “.
2. Em seguida, o Conselho tomou a decisão de nomear a Associação Chapecoense de Futebol como campeão da Copa Sul-Americana 2016, com todos os privilégios desportivos e econômicos que acarreta.
3. Para a CONMEBOL, não há maior sinal do “espírito de paz, compreensão e fair play” O objetivo da nossa instituição afirmou que a solidariedade, consideração e respeito demonstrado pela National Athletic Club da Colômbia para com os seus irmãos da Associação Chapecoense de Futebol Brasil.
4. Tendo em conta o pedido apresentado pela National Athletic Club, que com a sua atitude tem promovido o futebol na América do Sul, num espírito de paz, compreensão e justiça, ao considerar que os valores desportivos sempre prevaleçam sobre os interesses comerciais, o Conselho decidiu conceder um título ao National Athletic Club de “Centenario Conmebol Fair Play” que consiste na soma de USD 1.000.000 (um milhão de dólares) prêmio.
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sábado, 3 de dezembro de 2016

Mãe do goleiro Danilo é ovacionada na Arena Condá


Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo, chega à Arena Condá onde ocorrerá o velório das vítimas da tragédia com o avião que levava a delegação da Chapecoense à Medellin (Luiz Castro/VEJA.com)

Dona Ilaídes deu uma volta pelo gramado para agradecer à torcida que gritava o nome de seu filho


As famílias das 50 vítimas que foram veladas neste sábado na Arena Condá, em Chapecó, se posicionaram  no lugar reservado a elas. Ao deixar o toldo onde se protegia da chuva, dona Ilaídes se surpreendeu ao ouvir o nome de seu filho, o goleiro Danilo, cantado por todo o estádio.

Ilaídes deu uma volta pelo gramado e agradeceu a cada um dos torcedores, debaixo de muita chuva. Um dia antes, a mãe do ídolo, um dos 71 mortos no acidente, consolou jornalistas que também perderam colegas na tragédia – ela emocionou os brasileiros ao confortar repórter do SporTV no ar. O corpo das vítimas chegou a  Arena Condá no início da tarde.
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‘Anjo’ do desastre da Chapecoense conta como ajudou nas buscas


Trabalho de resgate das vítimas do voo que levava a delegação da Chapecoense, em região montanhosa na cidade de La Union (Aerocivil Colômbia/Divulgação)

Garoto de 15 anos orientou bombeiros e foi fundamental para encontrar goleiro Jackson Follmann

Na noite de terça-feira, em Medellín, na Colômbia, o adolescente Johan Alexis Ramíres e seu pai, Miguel, ouviram um barulho alto perto de casa, no município de La Union, e resolveram agir. Foram eles que ajudaram os bombeiros a encontrar o melhor caminho na mata onde terminou o trágico voo da Chapecoense. “Estavam abrindo caminho pelo morro. Mas assim demoraria e dissemos que havia um jeito mais fácil e mais rápido”, contou ao jornal El Colombiano o adolescente de 15 anos, que chegou a participar ativamente da localização do goleiro Jackson Follmann, um dos seis sobreviventes.

O menino-anjo, como ficou conhecido entre as equipes de resgate, por pouco não foi impedido de ajudar nos trabalhos por um policial, que ao ver Ramíres e seu pai, Miguel, aproximando-se da aeronave tentou pará-los, acusando-os de tentarem roubar objetos dos passageiros. “Mas um bombeiro discutiu com ele e afirmou que estávamos colaborando”, explicou o garoto.
O herói adolescente do voo da Chapecoense chegou a ser chamado pela imprensa colombiana de menino-fantasma. Ele foi encontrado e ganhou nome próprio graças ao jornal El Colombiano, encerrando o mistério que pairava entre os bombeiros, que não sabiam explicar quem era aquele rapaz que tanto ajudou no resgate dos sobreviventes do voo da Lamia. 
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O dia em que até o céu chorou pela Chapecoense

A torcida de Chapecó recebe, em silêncio e com lágrimas nos olhos, seus heróis (Ivan Pacheco/VEJA.com)

Velório coletivo das vítimas do acidente em Medellín, realizado sob uma chuva incessante, emocionou a Arena Condá, em Chapecó - e todo o Brasil

A torcida da Chapecoense se despediu de seus ídolos neste sábado, sob os gritos de “É campeão”, seguidos por um doloroso silêncio. A Arena Condá não chegou a lotar na cerimônia em homenagem às vítimas do acidente aéreo de Medellín, mas todas as milhares de pessoas presentes se emocionaram, debaixo de um temporal, em Chapecó.
O velório coletivo contou com a presença de familiares das vítimas, personalidades do futebol, como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o treinador da seleção brasileira Tite, e do presidente Michel Temer – que nada falou. Além das bênçãos às 50 vítimas veladas, houve muitos agradecimentos à Colômbia, especialmente à equipe do Atlético Nacional.
Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo, durante despedida das vítimas da tragédia com o avião que levava a delegação da Chapecoense à Medellin, na Arena Condá (Ricardo Moraes/VEJA.com)
O primeiro avião Hércules da Força Aérea Brasileira pousou com os corpos pouco antes das 9h30, no aeroporto Serafin Enoss Bertaso, em Chapecó. O outro avião com os caixões chegou cerca de quinze minutos depois. O presidente Michel Temer, que não planejava vir à Arena Condá, mudou de idéia e acompanhou o cortejo que chegou à Arena Condá às 12h39. Por lá aguardavam a maioria dos familiares das vítimas.
Uma delas se destacou: dona Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo, agradeceu a cada um dos torcedores nas arquibancadas, que gritavam o nome de seu filho. O público, emocionado com o que via no telão, cantou “o campeão voltou” e “é campeão”, até que o primeiro caixão, de Thiaguinho, entrasse no estádio. A partir daí, o silêncio tomou conta.
O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, discursa com a camisa do Atlético Nacional
O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, discursa com a camisa do Atlético Nacional, da Colômbia (Reprodução)
A colocação dos 50 caixões foi acompanhada por muitas lágrimas dos familiares. Apesar da chuva cada vez mais forte, a torcida não arredou pé e acompanhou cada um dos discursos oficiais. O prefeito da cidade, Luciano Buligon, vestindo uma camisa do Atlético Nacional, fez agradecimentos especiais ao povo colombiano. Anunciado logo após o presidente Michel Temer – que não foi vaiado ou exultado – o embaixador da Colômbia, Alejandro Borda, foi efusivamente aplaudido.
Houve ainda orações, e discursos do apresentador Cid Moreira e do presidente da Fifa, Gianni Infantino. A cerimônia terminou com mensagens de jogadores, como Neymar, no telão e com uma volta dos familiares pelo gramado, com imagens dos heróis que se foram. Pela primeira vez, a torcida se agitou, ao ritmo do hino do clube, como se iniciasse, depois do luto, o renascimento da Chapecoense.
O locutor do estádio anunciou, como fazia a cada fim de semana, a “escalação” dos ídolos da Chapecoense. Danilo, Ananias, Bruno Rangel, o técnico Caio Júnior e o presidente Sandro Pallaoro foram os mais celebrados. Os jornalistas e outras vítimas do acidente aéreo também tiveram seus nomes anunciados e aplaudidos.
Logo após o fim do cerimonial, parou de chover e o sol voltou a iluminar as ruas de Chapecó.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Enquanto país chorava, Congresso desfigurava pacote anticorrupção

O plenário da Câmara, à sorrelfa, preocupadíssimo com a corrupção: comportamento indigno (Luis Macedo/VEJA)


Os deputados promoveram suas votações antipacote enquanto o país estava abalado com a tragédia que matou um time de futebol inteiro

O chamado pacote anticorrupção nasceu há um ano e meio. Os procuradores do Ministério Público listaram dez medidas que entendiam essenciais para apertar o cerco contra a corrupção e pediram apoio à população. Recolheram 2,4 milhões de assinaturas. O projeto chegou ao Congresso há oito meses. Passou por uma comissão da Câmara dos Deputados, onde foi depurado, com a exclusão de algumas medidas e, na madrugada de quarta-feira, precisou de poucas horas horas para ser desfigurado pelo voto dos parlamentares. Em vez de pacote anticorrupção, integrantes da base do governo e da oposição transformaram-no em uma maçaroca disforme que protege suspeitos de corrupção e amarra as mãos de quem quer pegá-los.
Pior do que o pacote aprovado, foi o momento escolhido para aprová-lo. Os deputados promoveram suas votações antipacote enquanto o país estava abalado com a tragédia que matou um time de futebol inteiro, a simpática, pequena e fulgurante Chapeconse, que voava para sua primeira glória internacional. Soou a milhares, talvez milhões de brasileiros, como uma provocação: esconderam-se atrás do biombo de uma tragédia para assaltar, mais uma vez, essa longa, dolorosa e antiga aspiração brasileira por uma vida pública correta e limpa. Reportagem de capa de VEJA desta semana detalha como se deu essa ação.
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Para evitar protestos, Temer não deve comparecer ao velório da Chapecoense


Presidente da República deve participar apenas de uma cerimônia reservada de recepção dos corpos das vítimas

Com receio de protestos contra o governo federal, o presidente Michel Temer não deve participar neste sábado (3) do velório coletivo das vítimas do desastre aéreo que matou jogadores e dirigentes da Chapecoense. Pela programação montada pela Presidência da República, o peemedebista deve participar apenas de uma cerimônia reservada de recepção dos corpos das vítimas, marcada para a manhã do sábado (3) no aeroporto municipal.
A expectativa é que o presidente esteja acompanhado da primeira-dama, Marcela Temer, e entregue medalhas em homenagem aos jogadores mortos. Segundo a Folha apurou, o Palácio do Planalto identificou uma mobilização de grupos de esquerda para promover neste sábado (3) um protesto contra o governo federal em Chapecó.
Por conta da ameaça, o presidente chegou a até mesmo ser recomendado por assessores e auxiliares a não viajar para a cidade, para evitar que uma manifestação pudesse prejudicar a cerimônia fúnebre. Por enquanto, contudo, a viagem está mantida. Nas palavras de um assessor presidencial, é importante que o peemedebista demonstre solidariedade diante de uma tragédia nacional e ignore “aqueles que querem promover disputa política em momento de dor”.
No dia do acidente aéreo, o presidente lamentou e disse que trata-se de um acontecimento “infausto” e “tristíssimo”. Ele lembrou que o governo federal disponibilizou aeronave para transportar familiares das vítimas para a Colômbia e que o Ministério das Relações Exteriores foi acionado para providenciar o deslocamento ao Brasil dos corpos.
“Eu quero mais uma vez lamentar o infausto acontecimento que gerou o falecimento de uma equipe de futebol e vários que a acompanhavam. Para nós, é um fato tristíssimo e a única coisa que podíamos fazer era tomar providências para de dar apoio às famílias que se enlutaram neste momento”, disse.
Agora RN

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Maradona: ‘A partir de hoje, sou torcedor da Chapecoense’ - Lionel Messi envia condolências

Diego Armando Maradona e vários outros astros do futebol se manifestaram sobre a tragédia (veja.com/AFP)

Ex-jogador e também Lionel Messi prestaram homenagens ao clube catarinense depois da tragédia na Colômbia

O trágico acidente aéreo que vitimou quase toda a equipe da Chapecoense, além de jornalistas e outros tripulantes, nesta terça-feira, comoveu os dois principais ídolos do futebol argentino: Lionel Messi e Diego Armando Maradona. O ex-jogador chegou a dizer que a partir de hoje, é “torcedor da Chapecoense”.

“Meu pêsame para os familiares da equipe Chapecoense, do Brasil, e de todas as pessoas que morreram no trágico acidente de avião, na Colômbia. Lamentavelmente estes meninos, que vinham abrindo caminho a força no futebol, tomaram o avião errado. A partir de hoje, sou torcedor da Chapecoense”, escreveu Maradona em suas redes sociais.

Lionel Messi também escreveu uma mensagem de luto em suas redes sociais. “Meu mais sentido pêsame para todas as famílias, amigos e torcedores da Chapecoense. #FuerzaChape”, escreveu o craque do Barcelona. A equipe catalã realizou um minuto de silêncio antes de seu treinamento nesta manhã e vários atletas, incluindo Neymar, também enviaram mensagens. 
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Grandes de SP querem ceder jogadores para ajudar Chapecoense

Corinthians, Palmeiras e São Paulo também sugerem solicitação à CBF para proibir rebaixamento da Chapecoense pelos próximos três anos

Os três grandes times da capital paulista se pronunciaram nesta terça-feira, lamentando o acidente aéreo que matou quase toda a delegação da Chapecoense, na madrugada desta terça-feira, na Colômbia. Além das mensagens de apoio, Corinthians, Palmeiras e São Paulo se mobilizaram para ajudar o time catarinense a se recuperar de forma mais rápida após a tragédia, que deixou 75 mortos e seis sobreviventes, dentre eles três jogadores do elenco.
Os clubes, em notas divulgadas nos sites oficiais, propuseram duas medidas: ceder gratuitamente jogadores por empréstimo até o final da próxima temporada e também uma solicitação à CBF para que a Chapecoense não seja rebaixada pelos próximos três anos a fim de se manter na elite do Campeonato Brasileiro e não ser prejudicada.
A delegação da Chapecoense partiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos nesta segunda-feira, em um voo comercial, com destino a Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e de lá embarcou rumo a Medellín.  O avião caiu na madrugada desta terça-feira, deixando 75 mortos e seis resgatados com vida:os jogadores Hélio Hermito Zampier Neto, Alan Ruschel e Jackson Follmann, o jornalista Rafael Henzel, a aeromoça Ximena Suárez e o técnico da aeronave Erwin Tumiri. O time disputaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional nesta quarta-feira.
Confira na íntegra a nota divulgada pelos clubes:
Neste momento de perda e de profunda tristeza, nós, presidentes dos clubes brasileiros que publicam esta nota, gostaríamos de manifestar nossos mais sinceros sentimentos de pesar e solidariedade à Associação Chapecoense de Futebol e seus torcedores, e em especial às famílias e amigos dos atletas, comissão técnica e dirigentes envolvidos na tragédia ocorrida na madrugada desta terça-feira (29). Mesmo cientes dos prejuízos irreparáveis provocados por este terrível acontecimento, os clubes entendem que o momento é de união, apoio e auxílio à Chapecoense. Neste sentido, os clubes anunciam Medidas Solidárias à Chapecoense, que consistirão, dentre outras, em:
(i) Empréstimo gratuito de atletas para a temporada de 2017; e
(ii) Solicitação formal à Confederação Brasileira de Futebol para que a Chapecoense não fique sujeita ao rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro pelas próximas 3 (três) temporadas. Caso a Chapecoense termine o campeonato entre os quatro últimos, o 16º colocado seria rebaixado.

Trata-se de gesto mínimo de solidariedade que se encontra ao nosso alcance neste momento, mas dotado do mais sincero objetivo de reconstrução desta instituição e de parte do futebol brasileiro que fora perdida hoje.
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Avião da Chapecoense cai na Colômbia. Há pelo menos 75 mortos

Corpos são retirados após acidente de avião com a delegação da Chapecoense na Colômbia (Raul Arboleda/AFP)

O lateral Alan Ruschel foi um dos sobreviventes confirmados. Ele chegou lúcido ao hospital, com lesões na cabeça. Voo tinha 72 passageiros e 9 tripulantes

A prefeitura de Medellín informa que ao menos 75 pessoas morreram na queda do avião que levava a equipe da Chapecoense. Outras cinco pessoas foram resgatadas com vida, segundo o prefeito Federico Gutierrez. Havia 81 pessoas na aeronave, das quais 72 eram passageiros e as outras nove, tripulantes. A confirmação da informação foi feita pelo general José Acevedo Ossa, comandante da Polícia Metropolitana de Valle de Aburrá.
As primeiras informações indicam que a aeronave não está completamente destruída. A Chapecoense viajava a Medellín, onde disputaria a final da Copa Sul-Americana amanhã contra o Atlético Nacional. O avião se chocou com o solo em uma região montanhosa na cidade de La Union.
A delegação da equipe catarinense tinha 48 integrantes, além de dois convidados e 21 jornalistas.
O lateral Alan Ruschel foi um dos primeiros sobreviventes confirmados. Ele chegou lúcido ao hospital, com lesões na cabeça. O goleiro Danilo conseguiu fazer contato com sua família através do telefone celular. O goleiro reserva Jackson também foi resgatado com vida. A comissária de bordo Jimena Suarez também foi resgatada.
As autoridades locais disseram que o avião caiu numa região de difícil acesso e, em virtude das condições climáticas ruins, praticamente só veículos 4×4 conseguem chegar próximo.
Diretor da equipe de resgate, Carlos Ivan Márquez disse que pelo menos 150 pessoas estão trabalhando para tentar socorrer os passageiros do voo. O grupo embarcou em Guarulhos e fez escala em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Lá, seguiu num voo fretado da empresa Lamia. Por volta das 22h15 (hora local), o avião sumiu dos radares. A causa do acidente ainda não foi esclarecida.
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