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sábado, 3 de dezembro de 2016

O dia em que até o céu chorou pela Chapecoense

A torcida de Chapecó recebe, em silêncio e com lágrimas nos olhos, seus heróis (Ivan Pacheco/VEJA.com)

Velório coletivo das vítimas do acidente em Medellín, realizado sob uma chuva incessante, emocionou a Arena Condá, em Chapecó - e todo o Brasil

A torcida da Chapecoense se despediu de seus ídolos neste sábado, sob os gritos de “É campeão”, seguidos por um doloroso silêncio. A Arena Condá não chegou a lotar na cerimônia em homenagem às vítimas do acidente aéreo de Medellín, mas todas as milhares de pessoas presentes se emocionaram, debaixo de um temporal, em Chapecó.
O velório coletivo contou com a presença de familiares das vítimas, personalidades do futebol, como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o treinador da seleção brasileira Tite, e do presidente Michel Temer – que nada falou. Além das bênçãos às 50 vítimas veladas, houve muitos agradecimentos à Colômbia, especialmente à equipe do Atlético Nacional.
Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo, durante despedida das vítimas da tragédia com o avião que levava a delegação da Chapecoense à Medellin, na Arena Condá (Ricardo Moraes/VEJA.com)
O primeiro avião Hércules da Força Aérea Brasileira pousou com os corpos pouco antes das 9h30, no aeroporto Serafin Enoss Bertaso, em Chapecó. O outro avião com os caixões chegou cerca de quinze minutos depois. O presidente Michel Temer, que não planejava vir à Arena Condá, mudou de idéia e acompanhou o cortejo que chegou à Arena Condá às 12h39. Por lá aguardavam a maioria dos familiares das vítimas.
Uma delas se destacou: dona Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo, agradeceu a cada um dos torcedores nas arquibancadas, que gritavam o nome de seu filho. O público, emocionado com o que via no telão, cantou “o campeão voltou” e “é campeão”, até que o primeiro caixão, de Thiaguinho, entrasse no estádio. A partir daí, o silêncio tomou conta.
O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, discursa com a camisa do Atlético Nacional
O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, discursa com a camisa do Atlético Nacional, da Colômbia (Reprodução)
A colocação dos 50 caixões foi acompanhada por muitas lágrimas dos familiares. Apesar da chuva cada vez mais forte, a torcida não arredou pé e acompanhou cada um dos discursos oficiais. O prefeito da cidade, Luciano Buligon, vestindo uma camisa do Atlético Nacional, fez agradecimentos especiais ao povo colombiano. Anunciado logo após o presidente Michel Temer – que não foi vaiado ou exultado – o embaixador da Colômbia, Alejandro Borda, foi efusivamente aplaudido.
Houve ainda orações, e discursos do apresentador Cid Moreira e do presidente da Fifa, Gianni Infantino. A cerimônia terminou com mensagens de jogadores, como Neymar, no telão e com uma volta dos familiares pelo gramado, com imagens dos heróis que se foram. Pela primeira vez, a torcida se agitou, ao ritmo do hino do clube, como se iniciasse, depois do luto, o renascimento da Chapecoense.
O locutor do estádio anunciou, como fazia a cada fim de semana, a “escalação” dos ídolos da Chapecoense. Danilo, Ananias, Bruno Rangel, o técnico Caio Júnior e o presidente Sandro Pallaoro foram os mais celebrados. Os jornalistas e outras vítimas do acidente aéreo também tiveram seus nomes anunciados e aplaudidos.
Logo após o fim do cerimonial, parou de chover e o sol voltou a iluminar as ruas de Chapecó.
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domingo, 1 de dezembro de 2013

Traficante contratou Roberto Carlos para fazer show, diz irmão

Roberto Carlos
Pablo Escobar
 
 
Sem limites para extravagâncias, Pablo Escobar enviou o seu avião particular ao Rio apenas para buscar mulheres e, segundo o irmão, contratou Roberto Carlos para cantar em Medellín.
"Roberto Carlos veio a Medellín para um show trazido por nós, mas em uma discoteca", disse Roberto Escobar, irmão mais velho do traficante, à reportagem da Folha.
Foi numa rápida conversa durante o tour em sua casa --em troca de uma entrevista exclusiva, seu guia de turismo havia pedido US$ 5.000.
Fanático por Roberto Carlos, Escobar tinha em sua fazenda uma jukebox apenas com canções do brasileiro, conforme relatado no livro "Killing Pablo" (matando Pablo), de Mark Bowden.
O Rei fez dois shows em Medellín em fevereiro de 1988. O primeiro ocorreu no luxuoso hotel Intercontinental, alvo de um carro-bomba dois anos depois.
Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa de Roberto informou que ele "está em turnê pelo Nordeste e, por esse motivo, não será possível fazer esta consulta".
A reportagem também perguntou a Roberto Escobar sobre uma passagem do seu livro, "Mi Hermano, el Patrón Escobar". Ali, descreve uma festa com "cinco hermosas garotas", escolhidas "por meio de um amigo no Brasil".
"É um famoso cirurgião plástico brasileiro", disse.
A fascinação com as brasileiras começou em 1982, quando Escobar e outros dez integrantes da cúpula do Cartel de Medellín passaram o Carnaval no Rio.
Segundo o livro "La Parábola de Pablo", de Alonso Salazar, o grupo gastou US$ 500 mil durante a estadia.
De volta, Escobar ordenou que o seu piloto fosse ao Rio buscar "garotas". A ordem foi cumprida em 15 horas.
Mas surgiu um problema: a mulher de Escobar, Victoria, estava chegando de helicóptero à fazenda.
"Quando a sua mulher chegou, tudo estava em ordem. E quando finalmente partiu, Pablo ordenou que o avião, que havia dado voltas por três horas sobre os céus da [fazenda] Nápoles com as cabareteiras, aterrissasse de novo".

folha