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sábado, 6 de maio de 2017

Cientistas eliminam HIV do organismo de animais vivos pela primeira vez

A ideia agora é fazer os testes em primatas
Trata-se de uma inédita demonstração de que o tipo HIV-1 pode ser removido de células infectadas usando uma técnica de edição de DNA

Um estudo feito pelos cientistas da Lewis Katz School of Medicine, em parceria com a Universidade de Pittsburgh, conseguiu eliminar o vírus do HIV — causador da AIDS — em camundongos que haviam sido infectados com células humanas.
Trata-se da primeira demonstração de que o tipo HIV-1 pode ser completamente removido de células infectadas usando uma poderosa técnica de edição de DNA conhecida como CRISPR/Cas9.
A técnica, desenvolvida pela bioquímica americana Jennifer Doudna e a microbiologista francesa Emmanuelle Charpentier consiste em uma espécie de ctrl+c/ctrl+v.
A colaboração entre as duas começou quando Charpentier se apresentou para Doudna em um congresso e contou que estava pesquisando uma técnica chamada Crispr (sequências repetitivas no DNA de bactérias), que parecia auxiliar bactérias carnívoras a combater vírus que tentavam atacá-las.
A intenção da francesa era descobrir como o sistema de defesa dessas bactérias funcionava para destruí-lo e, consequentemente, curar as pessoas infectadas por elas. Mas, à medida que a pesquisa evoluiu, ficou claro que uma proteína específica, a Cas9, era a verdadeira estrela do processo: ela era capaz de recortar uma parte específica do DNA do vírus e juntar as duas pontas — algo similar ao ctrl+x, que você faz todo dia no computador. Elas, então, conseguiram adaptar o processo para outros organismos que não as bactérias. E revolucionaram a engenharia genética.
Em 2016, os cientistas que pesquisam HIV aproveitam a descoberta para publicar um estudo prévio que serviu como base para a nova descoberta.
“Nosso novo estudo é mais abrangente. Confirmamos os dados de nosso trabalho anterior e melhoramos a eficiência de nossa estratégia de edição de genes. Nós também mostramos que a estratégia é eficaz em modelos com outros dois tipos de roedores, um representando infecção aguda em células de rato e o outro representando infecção crônica ou latente em células humanas”, disse o co-coordenador da pesquisa Wenhui Hu, professor associado no Centro de Pesquisa de Doenças Metabólicas e do Departamento de Patologia da LKSOM.
A ideia agora é fazer os testes em primatas. “Nosso objetivo final é um ensaio clínico em pacientes humanos”, acrescentou Kamel Khalili, também co-coordenador da pesquisa.
Fonte: Galileu

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Brasil incorpora nova droga no tratamento de pacientes com HIV

Doultegravir inicialmente será ofertado para pacientes que estão iniciando o tratamento contra o vírus e para aqueles que já apresentam resistência a outras drogas


Por Lígia Formenti
 

O Brasil incorporou na rede pública o medicamento Doultegravir para o tratamento de pacientes com o vírus HIV. A droga inicialmente será ofertada para pacientes que estão iniciando o tratamento contra o vírus e para aqueles que já apresentam resistência a outras drogas.
Produzido pela GSK, o Doultegravir é um inibidor de integrase. De acordo com o ministério, o remédio traz menos efeitos adversos que a terapia usual e facilita a adesão ao tratamento, porque ele é feito apenas com um comprimido diário.
Ele passará a ser usado em associação com tenofovir e lamivudina Atualmente, essas duas drogas são usadas em associação com Efavirenz.
A droga passará a ser distribuída a partir de janeiro. A expectativa é de que 100 mil pacientes passem a usar o novo esquema de tratamento. O Brasil registra 798.366 casos notificados de aids. A média brasileira é de 40,6 mil casos novos da infecção por ano.
De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o preço obtido pelo medicamento é o menor registrado no mundo. O desconto obtido nas negociações, informou, foi de 70%. Cada comprimido vai custar US$ 1,5. Serão adquiridos 40 milhões de unidades.
“Nossa tarefa é ousar”, disse Barros, num discurso que reforça a sua estratégia de imprimir à sua imagem a ideia de eficiência. “Fazer mais por menos”, disse. “Nossa linha de atuação é gestão com qualidade.”
A mensagem é uma tentativa de amortizar as críticas de que, com eventual aprovação da PEC que limita os gastos públicos, o orçamento destinado à Saúde será menor do que o necessário.
O PLOA 2017 enviado ao Congresso prevê para a pasta um valor inferior à variação da inflação deste ano.
Portal no Ar

terça-feira, 5 de julho de 2016

Indústria nacional desenvolve genérico de medicamento para prevenção do HIV

O Brasil pode ter o primeiro genérico do medicamento norte-americano Truvada, que previne contaminação pelo vírus HIV, causador da aids, e que atualmente é importado pelos brasileiros a um custo elevado.
O Ministério da Saúde também importa componentes do Truvada para distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com a assessoria de imprensa do órgão.
O genérico foi desenvolvido pela empresa brasileira Blanver, integrante do grupo de indústrias farmacêuticas que firmaram Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) com o Ministério da Saúde.
Robson Pires

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Cientistas chineses anunciam criação de embriões humanos imunes ao HIV


Uma equipe de cientistas da Universidade de Medicina de Cantão, no Sul da China, anunciou que conseguiu criar embriões humanos resistentes ao vírus HIV, por meio de modificação genética. Segundo o coordenador da equipe, Fan Yong, os testes feitos em 26 embriões “defeituosos e inaptos a tratamentos de fertilidade” permitiram criar quatro embriões imunes ao HIV, enquanto os restantes mostraram mutações “não planejadas”, informou hoje (13) um jornal oficial.
O trabalho foi publicado no último número do Journal on Assisted Reproduction and Genetics e detalha que todos os embriões foram destruídos no espaço de três dias. É a segunda vez que um grupo de médicos chineses causa controvérsias com experiências sobre a modificação genética de embriões. No ano passado, uma equipe da Universidade Zhongshan, também em Cantão, disse ter conseguido alterar pela primeira vez na história o genoma humano em embriões.

Robson Pires

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Remédio contra alcoolismo poderia eliminar vírus da aids, aponta estudo


aidsUm medicamento usado para tratar o alcoolismo em combinação com outras substâncias poderão contribuir para a erradicação do vírus da aids nas pessoas soropositivas em tratamento, aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (17).
O medicamento, chamado disulfiram, acorda o vírus adormecido no organismo infectado, permitindo assim destruir tanto o vírus quanto as células que o abrigam, e isso sem efeitos colaterais, notam os autores da pesquisa, publicada na revista especializada “The Lancet HIV”.
Atualmente um tratamento antirretroviral (ART), um coquetel de medicamentos padrão chamado terapia tripla, permite manter o vírus (hiv) em controle nos pacientes soropositivos, mas sem deixá-los completamente livres.
O vírus permanece à espreita no organismo das pessoas tratadas, de forma latente (inativo). Este reservatório, difícil de alcançar, é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento de um tratamento para proporcionar alguma cura.
Robson Pires

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Tuberculose rivaliza com Aids em número de mortes, alerta OMS


tuberculosePela primeira vez, as infecções de tuberculose rivalizam com as de HIV/Aids como a principal causa de mortes por doenças infecciosas, anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um relatório divulgado nesta quarta-feira (28).
A organização apontou que 1,1 milhão de pessoas morreram de tuberculose em 2014, enquanto que no mesmo período, o HIV/Aids matou 1,2 milhão em todo mundo, incluindo 400 mil pessoas que foram infectadas com as duas doenças.
O diretor do programa de tuberculose da OMS, Mario Raviglione, afirmou que o relatório reflete os grandes ganhos em acesso ao tratamento contra o HIV na década passada, o que ajudou muitas pessoas infectadas a sobreviver. No entanto, o documento também reflete disparidades no financiamento relacionado às duas doenças globais.
Robson Pires

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Jovem com HIV tem vírus sob controle sem remédios há 12 anos, diz médico

O caso da adolescente francesa é a remissão mais longa de que se tem conhecimento em uma criança

Uma jovem francesa de 18 anos, infectada pelo HIV durante a gravidez de sua mãe, está em remissão 12 anos após parar de se receber o tratamento antirretroviral, um caso inédito no mundo – segundo estudo publicado nesta segunda-feira. As informações são da AFP.

O caso mostra “que uma remissão prolongada após um tratamento precoce pode ser obtido numa criança infectada pelo HIV desde o nascimento”, de acordo com a pesquisa francesa apresentada pelo médico Asier Saez-Cirion, do Instituto Pasteur de Paris, durante a 8ª Conferência sobre a Patogênese do HIV, em Vancouver, no Canadá.
A garota, que foi tratada até os 6 anos de idade, faz parte de um pequeno grupo que conseguiu remissão do vírus, pelo menos por algum tempo, depois de um tratamento com antirretrovirais. O caso da adolescente francesa é a remissão mais longa de que se tem conhecimento em uma criança, segundo informações da Reuters.
Casos anteriores – Em 2013, houve um caso de um bebê do estado americano do Mississippi que, depois de um tratamento agressivo contra o HIV, controlou a infecção por um período de 27 meses sem tratamento, antes de ela voltar.
A remissão duradoura também foi constatada em um grupo de 14 pacientes franceses conhecidos como o “estudo Visconti”. Eles começaram o tratamento 10 semanas depois da infecção e permaneceram tomando as drogas por uma média de três anos.
Depois de interromper o tratamento, a maioria tinha um nível tão baixo do vírus em seu corpo que permaneceu indetectável por mais de sete anos.
Tratamento precoce – No caso da garota francesa, ela foi tratada inicialmente com uma droga destinada a prevenir que a infecção se instalasse.
Quando a droga foi retirada, seis semanas depois, a criança foi detectada com níveis altos do vírus. Ela, então, recebeu um coquetel de quatro drogas anti-HIV e permaneceu com esse tratamento por seis anos. Os médicos decidiram então não retomar o tratamento, e passaram a monitorá-la.
O médico Sáez-Cirión diz que ela não tem características genéticas associadas com indivíduos que naturalmente conseguem controlar o HIV. Ele atribui a remissão ao fato de ela ter recebido uma combinação de antirretrovirais logo depois da infecção. Para o especialista, o estudo demonstra os benefícios do tratamento precoce tanto para adultos quanto para crianças. 
(Fonte: G1)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ney Matogrosso escapou da Aids: “não tem explicação”


ney
Cantor Ney Matogrosso, 73 anos, que se relacionou com pessoas portadoras do vírus HIV, diz que pediu aos médicos uma explicação científica para ele não ter contraído a doença, mas nunca teve a resposta.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Remédio para HIV promete reduzir metástase em câncer de próstata


Pesquisa pré-clínica mostrou que droga já em uso para tratamento do HIV poderia prevenir metástase nos ossos

Receptores estão ligados à metástase no câncer de próstata. Remédio para HIV pode impedir que a doença se espalhe. Foto: Divulgação
Uma droga destinada ao tratamento de HIV se mostrou promissora para evitar ou reduzir metástase nos casos de câncer de próstata. É o que revela um estudo publicado nesta semana no periódico Cancer Reasearch. Os pesquisadores mostraram que o receptor CCR5, que é conhecido na terapia do HIV, também pode ser um dos responsáveis por espalhar o câncer de próstata para os ossos.

Um dos autores do estudo, Richard Pestell, diretor do Centro de Câncer Sidney Kimmel, da Universidade Thomas Jefferson, explica que o trabalho mostra que é possível reduzir dramaticamente a metástase em estudos pré-clínicos. Além disso, o pesquisador cita que a droga já é aprovada para tratamento do HIV, portanto os estudos para outros fins poderão ser realizados mais rapidamente.

O estudo teve como base uma pesquisa anterior do laboratório de Pestell, que, em 2012, demostrou que o receptor CCR5 também está ligado à metástase de formas agressivas de câncer de mama para os pulmões. Esse estudo demonstrou que as células do câncer de mama que carregavam esse receptor na superfície eram levadas aos pulmões. A partir do dado que as células do câncer de próstata são particularmente atraídas pelos ossos e cérebro, o grupo liderado por Pestell investigou se o receptor poderia ser importante para a metástase desse tipo de câncer também.

Feito em ratos, o estudo teve alguns momentos complicados, pois os pesquisadores tiveram dificuldades em encontrar um rato com sistema imune comprometido, câncer de próstata e metástase nos ossos e cérebro.

Para driblar o problema, os pesquisadores desenvolveram uma linha de células cancerosas da próstata, conduzida por um gene que regularmente causa metástase nos ossos de ratos com sistema imune adequado. Pelo fato de o sistema imune ser muito importante nos casos de câncer de próstata, desenvolver um modelo que reflita a doença seria fundamental.

Os pesquisadores analisaram genes de metástases de tumores nos ossos e cérebro e descobriram que os genes que estavam levando a metástase também estavam envolvidos com o receptor CCR5. Em uma posterior investigação, os cientistas administraram uma droga que bloqueia o receptor CCR5 no novo modelo de rato com câncer de próstata. Em comparação aos outros animais do grupo de controle, a droga reduziu dramaticamente a mestástase em 60%, nos ossos, cérebro e outros órgãos.

Os receptores são uma proteína que faz parte da membrana plasmática da célula, na sua superfície. Em outras palavras, é como se fosse uma porta de entrada para a célula.

Por fim, os cientistas mapearam geneticamente pessoas com câncer de próstata e descobriram que o receptor CCR5 tinha muito mais expressão no câncer de próstata, e muito mais presente ainda em metástase.

O co-autor Xuanmao Jiao, instrutor do departamento de Biologia e Câncer na Universidade Thomas Jefferson explicou que eles notaram que os pacientes que tiveram uma expressão menor do gene CCR5 tiveram estavam relacionados a uma taxa maior de sobrevivência, enquanto os outros pacientes com uma expressão maior do gene estavam associados a uma baixa sobrevivência.

Fonte: IG

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Reação do corpo abre perspectiva para a cura da Aids

 


A aparente cura de dois homens portadores de HIV graças a um fenômeno natural abre perspectivas interessantes nas buscas pela cura da Aids, revelou nesta terça-feira (4) um estudo científico publicado na revista especializada “Clinical Microbiology and Infection”. Este fenômeno natural permite ao organismo infectado integrar o vírus no DNA, neutralizando-o.
Os dois pacientes em questão estavam infectados com o HIV sem nunca terem estado doentes, nem terem uma quantidade detectável de vírus no sangue, segundo a investigação. Nenhum deles foi submetido a tratamentos. “Esta observação é muito interessante e pode representar um caminho para a cura” da Aids, explicou Didier Raoult, professor da Faculdade de Medicina de Marselha (França), coautor da pesquisa com outra equipe francesa, liderada pelo professor Yves Levy.
A análise realizada graças a tecnologias modernas permitiu reconstituir o vírus encontrado no genoma dos pacientes. Os pesquisadores conseguiram provar que o vírus foi inativado por um sistema de interrupção da informação fornecida pelos genes do vírus. O sistema, denominado “codon-stop” marca o fim da tradução de um gene em proteína. O vírus torna-se incapaz de se multiplicar, mas permanece presente no DNA dos pacientes. Estas interrupções se devem a uma enzima conhecida, o Apobec, que faz parte do arsenal disponível nos seres humanos para combater o vírus, mas que normalmente é desativada por uma proteína do vírus.
Robson Pires

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Missionário admite ter estuprado crianças de 4 a 10 anos de idade

    

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
O missionário americano de 19 anos, morador de Oklahoma, admitiu ter abusado sexualmente de até 10 crianças órfãs no abrigo onde estava vivendo em Nairobi, no Quênia.
Matthew Lane Durham foi preso na casa de seus pais, nos EUA, depois de fugir do país africano quando foi confrontado por suas possíveis ações sexuais.
A fundadora da instituição, Eunice Menja, disse que Matthew admitiu ter agredido de 4 a 10 órfãos com idades entre 4 e 10 anos, inclusive uma criança que tem vírus HIV.
Ele teria escrito uma confissão para a diretora, detalhando os abusos que ocorreram com meninos e meninas. De acordo com sua confissão por escrito, ele teria abusado pelo menos 3 crianças e fez as outras assistirem. Essa foi a alegação oficial no tribunal.
Ele escreveu, em uma das frases mais polêmicas de sua confissão: “Toda vez que eu tento ler a Bíblia ou orar, essa imagem me vem à cabeça”.
Seu advogado Stephen Jones, declarou: “Os eventos que ocorreram no Quênia nos últimos cinco dias, talvez seis dias, em que Matt esteve lá, francamente, revela algum tipo de vodu psicológico pseudo-tribal praticado, inclusive confiscaram o passaporte e o mantiveram em cárcere privado, mantendo-o sem alimentação por um dia”.
Essa foi a terceira viagem missionária de Matthew para orfanatos nos últimos anos. Ele ainda ajudou a levantar dinheiro em sua cidade para doá-lo às crianças.
Um dos zeladores da instituição disse que começou a perceber que os internos estavam se comportando de modo estranho e começaram a revelar, aos poucos, os abusos cometidos.
Ele está sendo acusado, oficialmente, de viajar apenas com a intenção de manter uma conduta sexual ilícita, abuso sexual agravado com crianças e tentativa de conspiração.
As autoridades locais no Quênia também estão investigando o caso, mas podem arquivar as acusações contra ele.
Fonte: R7

quarta-feira, 16 de julho de 2014

19 milhões de pessoas não sabem que estão infectadas pelo HIV, alerta Unaids

O órgão alertou que, para dar fim à epidemia até 2030, é preciso ampliar esforços para acabar com a lacuna de pessoas sem diagnóstico

Por Paula Laboissière/Agência Brasil
Dos 35 milhões de pessoas que vivem com HIV no mundo, 19 milhões não sabem que estão infectados. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (16) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids). O órgão alertou que, para dar fim à epidemia até 2030, é preciso ampliar esforços para acabar com a lacuna de pessoas sem diagnóstico e, consequentemente, sem acesso ao tratamento.
Segundo dados da Unaids, 19 milhões de pessoas não sabem que estão infectadas (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Segundo dados da Unaids, 19 milhões de pessoas não sabem que estão infectadas (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
O relatório destaca que, na África Subsaariana, quase 90% das pessoas que testaram positivo para HIV buscaram acesso à terapia antirretroviral. Dessas, 76% alcançaram a supressão da carga viral, reduzindo significativamente o risco de transmissão para seus parceiros. Estudos recentes indicam que, para cada 10% de ampliação na cobertura antirretroviral, os casos de novas infecções caem 1%.
De acordo com o Unaids, os esforços globais para aumentar o acesso aos medicamentos antirretrovirais estão funcionando. Em 2013, 2,3 milhões de pessoas passaram a fazer uso da terapia, totalizando 13 milhões de soropositivos em tratamento no mundo. A estimativa é que, atualmente, cerca de 13,9 milhões de pessoas façam uso de antirretrovirais.
“Se acelerarmos os esforços até 2020, estaremos no caminho certo para acabar com a epidemia em 2030”, disse o diretor-executivo do Unaids, Michel Sidibé. “Se não conseguirmos, corremos o risco de aumentar significativamente o tempo que seria necessário para isso – adicionando uma década, se não mais”, completou.
Ainda segundo o relatório, atingir a meta de encerrar a epidemia de aids até 2030 significaria evitar 18 milhões de novas infecções por HIV e 11,2 milhões de mortes relacionadas à doença entre 2013 e 2030.
Atualmente, 15 países contabilizam mais de 75% dos 2,1 milhões de casos de novas infecções registrados em 2013. Na África Subsaariana, apenas três países – Nigéria, África do Sul e Uganda – somam 48% dos casos de novas infecções no mundo.
O Unaids alerta que países como República Democrática do Congo, Indonésia e Sudão do Sul estão “abandonados” em relação ao combate ao HIV, com baixas taxas de cobertura antirretroviral e quedas mínimas ou nulas nos índices de infecção.
Dados do órgão mostram também que o risco de infecção é 28 vezes maior entre usuários de drogas; 12 vezes maior entre profissionais do sexo; e até 49 vezes maior entre mulheres transgênero (homens que se identificam como mulheres). Na África Subsaariana, meninas adolescentes e jovens mulheres representam um de cada quatro novos casos de infecção.
“Não haverá o fim da aids sem que as pessoas sejam colocadas em primeiro lugar, sem assegurar que as pessoas que vivem a epidemia sejam parte de uma nova estratégia”, disse o diretor-executivo do Unaids. “Sem uma abordagem centrada nas pessoas, não conseguiremos avançar na era pós-2015”, concluiu.
(Foto: Unaids)
(Foto: Unaids)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ministério da Saúde estende tratamento para todos com HIV

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou na manhã deste domingo (01), no Rio de Janeiro, que todos os adultos com testes positivos de HIV, mesmo que não apresentem comprometimento do sistema imunológico, terão acesso aos medicamentos antirretrovirais contra a aids pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida integra o novo Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids e é uma dasações do Ministério da Saúde que marca o Mundial de Luta contra a Aids, celebrado hoje. A portaria será publicada nesta segunda-feira (2) no Diário oficial da União. Atualmente, além do Brasil, apenas França e Estados Unidos ofertam medicamento antirretroviral aos pacientes soropositivos, independente do estágio da doença.
A oferta com antirretrovirais é uma medida inovadora, com impacto na saúde individual porque garante a melhoria da qualidade de vida das pessoas infectadas pelo HIV e reduz a transmissão do vírus. Isso porque a pessoa em tratamento com antirretrovirais, ao diminuir a carga viral, reduz a propagação do HIV.
 
Marcos Dantas

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Brasil tem 370 mil usuários regulares de crack nas capitais, revela pesquisa

Segundo dados da Fiocruz, número é 35% do total de consumidores de drogas ilícitas, com exceção da maconha. 
Os usuários regulares de crack e de formas similares de cocaína fumada (pasta-base, merla e oxi) chegam 370 mil pessoas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. Considerada uma população oculta e de difícil acesso, ela representa 35% do total de consumidores de drogas ilícitas, com exceção da maconha, nesses municípios, estimado em 1 milhão de brasileiros.
A constatação está no estudo Estimativa do Número de Usuários de Crack e/ou Similares nas Capitais do País, divulgado nesta quinta-feira (19) pelos ministérios da Justiça e da Saúde. A pesquisa foi encomendada pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Para o secretário Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça, Vitore Maximiano, o número de usuários regulares desse tipo de droga é “expressivo”, embora corresponda a 0,8% da população das capitais (45 milhões). “Não é pouco, em absoluto, termos 370 mil pessoas com uso regular de crack. O número é expressivo e mostra que devemos ter total preocupação com o tema.”
O secretário classificou de surpreendente o fato de, em números absolutos, a Região Nordeste concentrar a maior parte dos usuários, contrariando o senso comum, segundo o qual o consumo é maior no Sudeste. Como a prática ocorre em locais públicos e durante o dia, ela costuma ser mais visível, devido à formação das chamadas cracolândias. De acordo com o estudo, no Nordeste há aproximadamente 150 mil usuários de crack, cerca de 40% do total de pessoas que fazem uso regular da droga em todas as capitais do País.
“Esse é um achado que surpreende: a presença de um forte consumo no Nordeste e também, proporcionalmente, no Sul [onde há 37 mil usuários de crack]. No Nordeste, acreditamos que seja em razão do próprio IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] mais baixo, quando equiparado nacionalmente”, disse. “Já em relação ao Sul, verificamos um componente histórico, uma vez que tradicionalmente há na região um maior uso de drogas injetáveis, cujo índice no país é muito baixo, mas sempre com maior predominância por lá”, acrescentou.
A proporção do consumo do crack em relação ao uso total de drogas ilícitas (com exceção da maconha) também apresenta variações entre as regiões. Enquanto nas capitais do Norte, o crack e/ou similares representam 20% do conjunto de substâncias ilícitas consumidas, no Sul e no Centro-Oeste o produto corresponde a 52% e 47%, respectivamente.
O levantamento mostra ainda que, entre os 370 mil usuários de crack e/ou similares, 14% são menores de idade. Isso indica que aproximadamente 50 mil crianças e adolescentes usam regularmente essa substância nas capitais do país. A maior parte deles (56%) também estão concentrados nas capitais do Nordeste, onde foram identificados 28 mil menores nesta situação.
Em relação aos locais de consumo da droga, o estudo identificou que oito em cada dez usuários usam crackem espaços públicos, de interação e circulação de pessoas. A diretora de Projetos Estratégicos da Senad, Cejana Passos, ressaltou que, em razão dessa característica, não adianta fazer uma pesquisa com metodologias tradicionais, por exemplo, com perguntas diretas ao entrevistado se ele usa ou não a droga, com o objetivo de estimar o número de usuários. Segundo ela, o método adotado, que investiga as redes sociais do entrevistado, com questionamento sobre as pessoas que ele conhece que usam a substância, foi possível chegar a um número mais preciso.
“Essas pessoas podem não estar na residência. Por isso, era preciso investigar o todo e cruzar as redes sociais”, disse. “Pela primeira vez, a secretaria considera ter um dado muito confiável em relação ao número de usuários de crack nas capitais”, acrescentou.
Para fazer o estudo, foram ouvidas, em casa, entre março e dezembro de 2012, 25 mil pessoas, que responderam a questões sobre as características das pessoas que integram suas redes de relacionamento. Entre as perguntas, havia algumas focadas especificamente no uso do crack e outras que serviram como controle de confiabilidade dos dados, cujas respostas podiam ser comparadas aos cadastros de órgãos públicos, por exemplo, número de conhecidos que são beneficiários do Bolsa Família.

HIV
A contaminação pelo vírus HIV entre os usuários de crack no Brasil é oito vezes maior do que na população em geral. Enquanto no grupo das pessoas que consomem regularmente esse tipo de droga ilícita a prevalência é 5%, no conjunto da população brasileira é 0,6%.
Os dados também revelam um aspecto que pode estar associado a esse panorama de maior contaminação: mais de um terço dos usuários (39,5%) informaram não ter usado preservativo em nenhuma das relações sexuais vaginais no mês anterior à entrevista. Nas relações sexuais orais o percentual é ainda maior: 50% dos usuários não usaram preservativo. E nas relações sexuais anais a mesma situação foi relatada por praticamente 30% dos entrevistados.
Alem disso, apesar da evidente exposição ao risco, mais da metade dos entrevistados (53,9%) relatou nunca ter feito teste para HIV. Nos municípios que não as capitais, a proporção é ainda maior, chegando a 65,9% de pessoas que jamais fizeram o teste para detectar o vírus HIV.
Outra situação de risco revelada pelo levantamento está relacionada ao compartilhamento de objetos para consumo da droga. A prática é relatada por mais de sete em cada dez pessoas que usam regularmente o crack e similares e desperta preocupação dos especialistas, já que favorece a transmissão de infecções, especialmente as hepatites virais. De acordo com o levantamento, 74,9% dos entrevistados usam a droga em cachimbos; 51,8% em latas de cerveja ou refrigerante e 28,3% usam a droga em copo plástico (com tampa de alumínio). Os pesquisadores ressaltam que o uso de latas e de cachimbos são especialmente perigosos pela possibilidade de contaminação por metais pesados, além do risco de queimaduras e lesões nos lábios.
O estudo aponta, ainda, que diferentemente dos dados internacionais, os usuários brasileiros não são, em sua ampla maioria, ex-usuários de drogas injetáveis, mais fortemente associados à transmissão do vírus da hepatite C e do HIV. O uso desse tipo de entorpecente foi relatado por apenas 9,2% das pessoas.
Além disso, casos de intoxicação aguda – overdose – ocorridos nos 30 dias anteriores à pesquisa foram citados por 7,8% dos usuários. Entre eles, 44,7% disseram que o problema foi em decorrência do uso excessivo docrack, o dobro dos relatos de ocorrência por abuso de álcool (22,4%). Os pesquisadores destacam, no texto, que “a questão é grave, com imenso impacto potencial para a atenção de urgência e emergência no âmbito do SUS [Sistema Único de Saúde], em termos de diagnóstico diferencial das diversas emergências e seu manejo adequado”.


* Com informações da Agência Brasil

sábado, 12 de maio de 2012

Nos Estados Unidos foi criada droga que previne Aids

De acordo com estudos, a nova droga pode reduzir o risco de infecção pelo HIV de 44% a 7

Washington. Uma equipe de especialistas de saúde dos Estados Unidos defende o uso de uma droga denominada Truvada, primeiro medicamento desenvolvido para prevenir que indivíduos saudáveis contraiam o vírus HIV.

No entanto, a medida divide opiniões no meio médico e só será aplicada no país após a definição do órgão oficial que é responsável pelo tema.

O Comitê Consultivo sobre Drogas Antivirais, agência reguladora norte-americana de medicamentos e alimentos (cuja sigla em inglês é FDA) recomendou o uso da droga no tratamento dos pacientes. O FDA tem até o dia 15 de junho para decidir sobre o assunto.

Para os especialistas, a aprovação da droga representa um marco histórico na luta contra a aids. A recomendação é que o Truvada seja associado a outras drogas retrovirais.

De acordo com estudos feitos em 2010, a nova droga pode reduzir o risco de infecção pelo HIV de 44% a 73%.

Experimentalmente, desde 2004, o Truvada tem sido usado como um tratamento para pessoas infectadas com o HIV nos Estados Unidos. Em votação, durante um painel com representantes de especialistas e da comunidade, a aprovação do novo medicados obteve 19 votos favoráveis e 3 contrários.

Ficou acertado que a droga será receitada para o grupo considerado de maior risco, homens não infectados que tem relações sexuais com múltiplos parceiros também homens.

Também foi aprovado, por maioria dos votos, a prescrição do Truvada para pessoas não infectadas que tem parceiros portadores do HIV e para outros grupos considerados em risco de contrair o vírus através de atividade sexual. Porém, houve oposição de alguns especialistas e integrantes de grupos que defendem os direitos da comunidade HIV. Segundo os contrários à droga, o receio é que os usuários podem ganhar uma falsa sensação de segurança e assim diminuir a prevenção e os tratamentos paralelos.

Também há medo que o alto custo do Truvada impeça o financiamento para os demais tratamento de combate à doença.

A votação no comitê ocorreu depois de uma reunião de 11 horas em Silver Spring, Maryland, e uma longa sessão de comentários.

Associado

O uso do medicamento Truvada já foi aprovado pela FDA para pessoas que já tem o vírus HIV e é tomado junto com outros medicamentos. A FDA não é obrigada a seguir o aconselhamento do comitê, mas geralmente segue.

Fonte> Diário do Nordeste