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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Zika vírus vai se proliferar por toda América, alerta OMS


A organização foi duramente afetada pela demora em lidar com o surto do Ebola, a partir de 2014

Por Estadão Conteúdo
 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o zika vírus vai se proliferar por todos os países das Américas e cobra governos de todo o mundo para que sejam “transparentes” em relação ao número de casos. Para a entidade, a “explosiva proliferação” é “preocupante”. Na manhã desta segunda-feira, 25, a diretora-geral da entidade, Margaret Chan, se pronunciou pela primeira vez sobre os casos nas Américas e fez questão de exigir que governos notifiquem a OMS de todos os casos registrados.
A organização foi duramente afetada pela demora em lidar com o surto do Ebola, a partir de 2014. A OMS foi obrigada a passar por uma reforma e adotou uma postura de maior controle sobre surtos pelo mundo, justamente para evitar que possam se proliferar sem controle.
“Ebola mostrou que um surto num lugar pode chegar rapidamente ao outro lado do mundo”, disse Chan. “Estamos mais alertas. Não existem mais surtos locais”, insistiu. Investigações internas na entidade apontaram que governos e mesmo entidades internacionais abafaram por meses os casos de Ebola, na esperança de que o surto desaparecesse sozinho, sem afetar as economias locais. A OMS também admitiu sua culpa ao fazer um alerta sobre o caso apenas quatro meses depois dos primeiros registros.
Falando sobre o caso do zika vírus, a diretora apelou a todos os governos que sigam o regulamento internacional de saúde e que notifiquem cada um dos casos para a OMS. “Pedimos transparência a todos os países”, alertou. “A proliferação explosiva do vírus a novas áreas geográficas, com populações com pouca imunidade, é outra causa de preocupação”, disse.
O principal temor ocorre diante da possível ligação entre a infecção e a microcefalia, disse Chan. “Essa relação não tem sido estabelecida. Mas os indícios são preocupantes”, apontou, alertando ainda que sintomas neurológicos também tem sido registrados.
Proliferação
Num comunicado emitido, a entidade regional da OMS – a Organização Panamericana de Saúde – constatou que a proliferação do zika vírus vai continuar e que governos e sociedades precisam estar prontos para lidar com os casos. Num total, 21 países das Américas já registram casos. Mas a previsão é de que todos os locais com a presença do mosquito Aedes “provavelmente” terão a doença.
O mosquito está presente em todos os países do Hemisfério Ocidental, salvo no Chile e Canadá. “A Opas antecipa que o Zika vírus vai continuar a se espalhar e provavelmente vai atingir todos os países e territórios onde os mosquitos sejam encontrados”, disse.
Na quinta-feira, em Genebra, a OMS fará uma reunião especial sobre o tema, com todos os países implicados.
Transmissão
A OMS também confirmou que detectou um caso em que há uma “possível transmissão” do vírus por uma relação sexual. Mas novas evidências serão necessárias para determinar se esse caso é apenas isolado.
No que se refere às grávidas, a entidade em Genebra pede que as mulheres sejam “cuidadosas” e que visitem seus médicos antes de viajar para regiões afetadas.
Mas não faz qualquer tipo de recomendação sobre adiar gravidezes nos países afetados. Jamaica, Colômbia, Equador e El Salvador anunciaram na semana passada que estavam sugerindo às mulheres que adiassem planos de ter filhos.
Para a Opas, porém, “qualquer decisão de adiar uma gravidez é individual, entre a mulher, seu parceiro e seu médico”.
A melhor forma de proteção continua sendo a de combater os focos do mosquito e usar repelente, além de camas com redes e roupas de manga larga.
Portal no Ar

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Primeira grande epidemia de Zika no mundo acontece no Brasil, diz infectologista

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Um dos mais respeitados infectologistas do país, o professor e ex-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde de São Paulo, Marcos Boulos, acredita que o país vive atualmente a maior epidemia já registrada no mundo por vírus Zika.
O especialista defendeu o combate sistemático ao mosquito Aedes aegypti, transmissor não apenas do vírus Zika, mas também da dengue e da febre chikungunya. Para ele, as prefeituras brasileiras erraram ao não manterem um grupo técnico permanente de controle do vetor.
Boulos lembrou que a infecção por Zika, até então, era considerada uma doença mais branda que a própria dengue, já que causa febre baixa, manchas pelo corpo que desaparecem em dois ou três dias e quadros clínicos menos graves, que dificilmente levam à morte. Foi a correlação da doença com casos de microcefalia em bebês que levantou a bandeira vermelha.
Robson Pires

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Tríplice epidemia faz do ‘Aedes Aegypti’ alvo nº1


Mosquitos transgênicos, estéreis e infectados com bactérias são algumas das "armas biológicas" que a ciência está desenvolvendo para incrementar o arsenal de guerra dos seres humanos contra o inseto -



Por Estadão Conteúdo
 

A luz verde dada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao Instituto Butantã para prosseguir com os testes clínicos de uma vacina contra a dengue reacendeu as esperanças de um dia acabar com as sucessivas epidemias da doença. Mas isso agora é só uma parte do problema. O surgimento de dois outros vírus (zika e chikungunya) reforçou a necessidade de se encontrar uma solução para a origem comum de todas essas ameaças: o mosquito Aedes aegypti.
Mosquitos transgênicos, estéreis e infectados com bactérias são algumas das “armas biológicas” que a ciência está desenvolvendo para incrementar o arsenal de guerra dos seres humanos contra o inseto – historicamente limitado a aplicações de fumacê e campanhas de conscientização pública para eliminação de criadouros, que ajudam a atenuar, mas passam longe de resolver o problema.
Por mais engajadas que as pessoas sejam, dizem os especialistas, é impossível eliminar todos os focos de reprodução do mosquito em um ambiente urbano. “Precisamos de uma estratégia de controle integrado, com base na soma de várias ações”, diz a bioquímica Margareth Capurro, da Universidade de São Paulo (USP), que trabalha no desenvolvimento de mosquitos geneticamente modificados.
Uma das tecnologias mais avançadas nesse campo é o Aedes aegypti transgênico da empresa britânica Oxitec, introduzido no País em parceria com a brasileira Moscamed. Os mosquitos são modificados com um gene que torna a prole inviável, causando uma redução gradativa da população, à medida que eles copulam com os mosquitos selvagens.
O produto foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em 2014 e aguarda registro na Anvisa para poder ser comercializado. Em testes realizados na Bahia, as populações de Aedes aegypti foram reduzidas em até 95%. Um novo experimento está sendo feito desde abril em um bairro de Piracicaba, no interior paulista, com a soltura de 800 mil mosquitos transgênicos por semana. Resultados preliminares indicam uma redução de 50% da população local do inseto, segundo o diretor da Oxitec no Brasil, Glen Slade.
Uma das dificuldades, diz ele, é que as áreas tratadas são constantemente repovoadas por mosquitos selvagens do entorno, exigindo a liberação de mais transgênicos e reduzindo os benefícios locais da técnica.
Bactérias
Já a Fiocruz está testando no Rio uma tecnologia desenvolvida originalmente na Austrália, que usa uma bactéria chamada Wolbachia para tornar o Aedes resistente à infecção pelo vírus da dengue. Nos mosquitos que têm a bactéria, o vírus não consegue se desenvolver, de modo que a doença não é transmitida de uma pessoa picada para outra.
“Você não vai acabar com a população de mosquitos, mas vai substituí-la por outra, menos suscetível à transmissão de doenças”, explica Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz de Minas, que coordena o projeto no Brasil. Estudos recentes indicam que, além da dengue, os mosquitos com Wolbachia são também resistentes aos vírus zika e chikungunya.
A estratégia consiste em liberar machos e fêmeas de Aedes aegypti com Wolbachia no ambiente, para que eles copulem com os mosquitos selvagens e espalhem a bactéria pela população. Moreira ressalta que a Wolbachia é uma bactéria inofensiva para seres humanos e outros animais, presente naturalmente em muitos mosquitos, e não é transmitida na picada.
Testes preliminares estão sendo feitos em dois bairros: Tubiacanga, no Rio, e em Jurujuba, em Niterói, com apoio das comunidades e aprovação da Anvisa e órgãos ambientais. Os resultados preliminares indicam que mais da metade da população de mosquitos nessas duas localidades já está infectada com a bactéria. Ainda não está sendo avaliado, porém, qual é impacto disso na transmissão de doenças.
“São estratégias interessantes, mas não vejo isso sendo aplicável a uma cidade do tamanho de São Paulo ou do Rio”, avalia o infectologista Artur Timerman, referindo-se aos Aedes transgênicos e com Wolbachia.
Manutenção
Enquanto essas e outras estratégias não são aprimoradas, é essencial manter os esforços convencionais de eliminação de criadouros – única maneira testada e confirmada de reduzir a população de mosquitos, segundo o especialista Gonzalo Vecina, da Faculdade de Saúde Pública da USP e do Hospital Sírio-Libanês. “O que podemos fazer parece pouco, mas não é inócuo. Se não fizéssemos, a situação seria muito pior, com certeza.”
Portal no Ar

quarta-feira, 16 de julho de 2014

19 milhões de pessoas não sabem que estão infectadas pelo HIV, alerta Unaids

O órgão alertou que, para dar fim à epidemia até 2030, é preciso ampliar esforços para acabar com a lacuna de pessoas sem diagnóstico

Por Paula Laboissière/Agência Brasil
Dos 35 milhões de pessoas que vivem com HIV no mundo, 19 milhões não sabem que estão infectados. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (16) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids). O órgão alertou que, para dar fim à epidemia até 2030, é preciso ampliar esforços para acabar com a lacuna de pessoas sem diagnóstico e, consequentemente, sem acesso ao tratamento.
Segundo dados da Unaids, 19 milhões de pessoas não sabem que estão infectadas (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Segundo dados da Unaids, 19 milhões de pessoas não sabem que estão infectadas (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
O relatório destaca que, na África Subsaariana, quase 90% das pessoas que testaram positivo para HIV buscaram acesso à terapia antirretroviral. Dessas, 76% alcançaram a supressão da carga viral, reduzindo significativamente o risco de transmissão para seus parceiros. Estudos recentes indicam que, para cada 10% de ampliação na cobertura antirretroviral, os casos de novas infecções caem 1%.
De acordo com o Unaids, os esforços globais para aumentar o acesso aos medicamentos antirretrovirais estão funcionando. Em 2013, 2,3 milhões de pessoas passaram a fazer uso da terapia, totalizando 13 milhões de soropositivos em tratamento no mundo. A estimativa é que, atualmente, cerca de 13,9 milhões de pessoas façam uso de antirretrovirais.
“Se acelerarmos os esforços até 2020, estaremos no caminho certo para acabar com a epidemia em 2030”, disse o diretor-executivo do Unaids, Michel Sidibé. “Se não conseguirmos, corremos o risco de aumentar significativamente o tempo que seria necessário para isso – adicionando uma década, se não mais”, completou.
Ainda segundo o relatório, atingir a meta de encerrar a epidemia de aids até 2030 significaria evitar 18 milhões de novas infecções por HIV e 11,2 milhões de mortes relacionadas à doença entre 2013 e 2030.
Atualmente, 15 países contabilizam mais de 75% dos 2,1 milhões de casos de novas infecções registrados em 2013. Na África Subsaariana, apenas três países – Nigéria, África do Sul e Uganda – somam 48% dos casos de novas infecções no mundo.
O Unaids alerta que países como República Democrática do Congo, Indonésia e Sudão do Sul estão “abandonados” em relação ao combate ao HIV, com baixas taxas de cobertura antirretroviral e quedas mínimas ou nulas nos índices de infecção.
Dados do órgão mostram também que o risco de infecção é 28 vezes maior entre usuários de drogas; 12 vezes maior entre profissionais do sexo; e até 49 vezes maior entre mulheres transgênero (homens que se identificam como mulheres). Na África Subsaariana, meninas adolescentes e jovens mulheres representam um de cada quatro novos casos de infecção.
“Não haverá o fim da aids sem que as pessoas sejam colocadas em primeiro lugar, sem assegurar que as pessoas que vivem a epidemia sejam parte de uma nova estratégia”, disse o diretor-executivo do Unaids. “Sem uma abordagem centrada nas pessoas, não conseguiremos avançar na era pós-2015”, concluiu.
(Foto: Unaids)
(Foto: Unaids)