Mostrando postagens com marcador racismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador racismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de junho de 2017

Governador italiano é criticado por postar foto com jogador negro

O governador do Vêneto, na Itália, Luca Zaia, recebeu uma enxurrada de críticas após ter postado em sua página no Facebook uma foto com Isaac Donkor, jogador negro e ítalo-ganense que atua pelo Cesena.
A região que ele governa fica no nordeste da Itália e é um dos bastiões do partido de extrema direita, eurocético e ultranacionalista Liga Norte, do qual Zaia é um dos expoentes. A imagem foi feita durante um comício na cidade de Santa Lucia di Piave, que terá eleições municipais na semana que vem.
“Chegará o dia em que, ao invés de governar, você terá de mendigar pelos votos deles”, disse um usuário, em referência aos imigrantes. “Parece ter desembarcado de um bote”, escreveu outro. Alguns também publicaram emojis de vômito.
O governador afirmou que repetiria a foto outras “mil vezes”. Donkor, de 21 anos, reside em Santa Lucia di Piave e pertence à Inter de Milão, mas foi emprestado para o Cesena. Ele está na Itália desde 2003.
“Será que as críticas não dependem do fato de ele não estar usando a camisa da Inter? Se tivesse, eles não teriam aberto a boca. As pessoas que escrevem essas coisas são as mesmas que não sabem usar o italiano”, disse Zaia.
Neste sábado 3, Zaia republicou a imagem e pediu para os internautas provarem que o Vêneto “não é racista”. “Quando uma pessoa se comporta bem, é honesta, respeita as regras e nossos valores, trabalha, não admitimos nenhuma distinção com base na cor da pele. A distinção é entre pessoas de bem e delinquentes”, escreveu.
O partido do governador, a Liga Norte, defende o fechamento das fronteiras italianas e a expulsão em massa de imigrantes clandestinos. Atualmente, é a terceira legenda mais popular do país.
Agora RN

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Michelle Obama é chamada de “macaca de salto alto” na internet

A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, durante o primeiro dia da Convenção nacional do Partido Democrata americano, realizada em Filadélfia (EUA) - 25/07/2016 (Nicholas Kamm/Reuters)

A primeira-dama foi vítima de um comentário racista que gerou polêmica no condado de Clay, na Virgínia Ocidental

Uma postagem racista sobre a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, gerou controvérsias em uma pequena cidade da Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. Após a eleição de Donald Trump, Pamela Taylor, representante de uma instituição sem fins lucrativos no condado de Clay, publicou em seu perfil no Facebook: “Será revigorante ter uma primeira-dama elegante, bonita e digna na Casa Branca. Estou cansada de ver uma macaca de salto alto”.

A postagem infeliz ainda recebeu um comentário de Beverly Whaling, prefeita da cidade de Clay. “Apenas fez meu dia, Pam”, escreveu. Com 491 habitantes, a cidade não tem moradores negros, de acordo com censo de 2010. Em todo o condado de Clay, que conta com 9.000 habitantes, mais de 98% são brancos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, Titi é vítima de racismo: “Parece uma macaquinha”

Os comentários racistas e maldosos na web não estão reservados apenas aos adultos. A filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, de apenas 2 anos, foi alvo de um comentário preconceituoso nesta terça (8).
No espaço de comentários de uma selfie postada por Giovanna, o racismo foi direcionado à filha da atriz com Bruno Gagliasso, Titi. “Você e seu marido até que combina mas a criança que vcs adotado não combinou muito pq ela é pretinha e lugar de preto é na África”, escreveu, com erros de português, o usuário.
No mesmo post, essa pessoa seguiu: “Vcs tinham que adotar uma menina de olhos azuis isso sim iria combinar e não aquela pretinha parece uma macaquinha #lugardepretoénaafrica!!!”.
Não é a primeira vez que o mesmo perfil ataca. Nessa semana, ele também criticou a cantora  Gaby Amarantos, na qual postou a capa de uma revista que fez uma reportagem com ela. O mesmo perfil postou a hashtag “#Forapretos!”, também dizendo que a cantora paraense, por ser negra, devia estar na África.
tv foco

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Lázaro Ramos se recusa a receber homenagem no Senado

O ator Lázaro Ramos se recusou a receber uma condecoração no Senado Federal. Ele iria ser agraciado com a Comenda Abdias Nascimento, uma das maiores honrarias que a casa pode oferecer. Ela foi criada em 2013 com a intenção de “homenagear os que contribuem para a proteção e promoção da cultura afro-brasileira”.
O artista da Globo avisou ao senador Paulo Paim (PT-RS), presidente do conselho responsável pela definição dos agraciados com a comenda, sobre sua decisão de não recebê-la. Ele ainda enviou um texto se justificando formalmente.
“Abdias do Nascimento foi um homem que estava na trincheira da luta pelos direitos da população negra e menos assistida do país. Tem uma história de luta que é referência para todos nós que queremos um país mais igualitário”, escreveu.
“Neste momento não me sinto confortável e nem desejoso de nenhuma homenagem pois acho que o momento do país é de conscientização, de organização para compreender em que momento histórico estamos e quais passos precisamos dar para fazer com que a tão sonhada igualdade aconteça um dia de verdade”, continuou.
“Então, por esse motivo, recuso essa homenagem na esperança de que tenhamos consciência de que o importante não é o aplauso pelo que foi feito e sim o próximo passo a ser dado”, completou.
Vale lembrar que, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Ramos teceu duras críticas ao então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e ao cenário político nacional como um todo.
RD1

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Polícia apreende adolescentes suspeitos de ataques racistas à Preta Gil

A Polícia Civil de Sorocaba (SP) apreendeu nesta terça-feira (1) dois adolescentes suspeitos de terem postado na internet ofensas racistas contra a cantora Preta Gil em julho deste ano.
Foram apreendidos um menino de 15 anos e uma menina de 14. A mãe da garota também foi detida. Todos foram encaminhados à Delegacia de Investigações Gerais para prestar esclarecimentos sobre o fato, mas foram liberados a seguir.
Na época, a cantora fez um desabafo na internet e narrou o episódio: “Ontem fui atacada com diversas mensagens de ódio em minha pagina no Facebook; uns atacaram minha cor, meu trabalho,meu corpo, outros tentando fazer piadas de péssimo gosto apenas para tentar me denegrir ou magoar, eles assinaram todos os posts com uma # agiram em bando, são organizados e cruéis. SAIBAM esse tipo de ataque só me fortalece, eu conheço o meu VALOR !!!”

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Juiz declara inconstitucional lei de cotas para negros em concursos públicos


martelo juizA aplicação da lei de cotas raciais em concursos públicos (Lei 12.990), que reserva 20% das vagas a candidatos que se autodefinem pretos ou pardos, foi declarada inconstitucional pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da Paraíba, no julgamento de um caso de nomeação postergada pelo Banco do Brasil. De acordo com a sentença do juiz Adriano Mesquita Dantas, a legislação viola três artigos da Constituição Federal (3º, IV; 5º, caput; e 37, caput e II), além de contrariar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Segundo o advogado da causa, essa é a primeira vez que um juiz declara a inconstitucionalidade da legislação, em vigor desde 2014.
De acordo com a sentença, proferida nesta segunda-feira (18/1), a cota no serviço público envolve valores e aspectos que não foram debatidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quando tratou da constitucionalidade da reserva de vagas nas universidades públicas. Segundo Dantas, naquele caso estava em jogo o direito humano e fundamental à educação, o que não existe com relação ao emprego público.
Robson Pires

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

“Todo e qualquer negro sofre preconceito neste país”, desabafa Tais Araújo

Conforme o TV Foco informou recentemente, Taís Araújo foi também uma vítima de ataques racistas no Facebook. Por conta disso, a esposa de Lazaro Ramos voltou a falar no assunto.
Taís fez um desabafo ao falar sobre o assunto em entrevista à revista ‘Estilo’. Ela é capa do mês de dezembro do folhetim, que chega às bancas na quinta-feira (3).
“As pessoas ficam impressionadas quando a gente fala que o Brasil é preconceituoso. Todo e qualquer negro sofre preconceito neste país. Mesmo depois de famoso e da ascensão social. Quando era mais nova, era carente de ícones”, disse.
E prosseguiu: “Você só via aquelas bonecas louras e de olhos azuis no mercado e esse era um padrão de beleza impossível de alcançar. Isso é cruel. Sinto-me orgulhosa em ser uma referência”, contou.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Dia da Consciência Negra pode virar feriado nacional


negra_intHoje (20) é Dia da Consciência Negra, mas o feriado só é comemorado em algumas idades brasileiras. O projeto que torna a data feriado nacional teve parecer pela aprovação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
A mesa da Câmara pediu ontem que o projeto do deputado Valmir Assunção (PT/BA) passe por uma nova Comissão – a de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços – antes de ser votada no plenário.

Robson Pires

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Aplicativo vai monitorar mensagens de ódio e racismo nas redes sociais

racismo internet
Um aplicativo na internet vai monitorar postagens nas redes sociais que reproduzam mensagens de ódio, racismo, intolerância e que promovam a violência. Criado pelo Laboratório de Estudos em Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o instrumento será lançado este mês e permitirá que usuários sejam identificados e denunciados.
De acordo com o professor responsável pelo projeto, Fábio Malini, os direitos humanos são vistos de maneira pejorativa na internet e discursos de ódio tem ganhado fôlego. “É preciso desmantelar esse processo”, defende. Por meio da disponibilização dos dados, ele acredita que é possível criar políticas públicas “que amparem e empoderem as vítimas”.
Encomendado pelo Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, o Monitor de Direitos Humanos, como foi batizado o aplicativo, buscará palavras-chaves em conversas que estimulem violência sexual contra mulheres, racismo e discriminação contra negros, índios, imigrantes, gays, lésbicas, travestis e transexuais. Os dados ficarão disponíveis online.
Robson Pires

domingo, 1 de novembro de 2015

Taís Araújo é vítima de racismo na internet - Polícia Federal diz que vai investigar


A atriz Taís Araujo foi alvo de comentários racistas em rede social(Reprodução/Facebook)
A atriz Taís Araújo tem sido alvo de comentários racistas no Facebook desde a noite de ontem. Ao lado de uma foto publicada em sua rede social no mês passado foram postadas frases como: "Empresta o seu cabelo para eu lavar louça" e "Te pago com banana".
A artista usou o próprio Facebook para publicar um desabafo.
"É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Na última noite, recebi uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. Eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça.
Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu! Por ironia do destino ou não, isso ocorreu no momento em que eu estava no palco do teatro Faap com o "Topo da Montanha", um texto sobre ninguém menos que Martin Luther King e que fala justamente sobre afeto, tolerância e igualdade. Aproveito pra convidar você, pequeno covarde, a ver e ouvir o que temos a dizer. Acho que você está precisando ouvir algumas coisinhas sobre amor.
Agradeço aos milhares que vieram dar apoio, denunciaram comigo esses perfis e mostraram ao mundo que qualquer forma de preconceito é cafona e criminosa. E quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado.A minha única resposta pra isso é o amor!"
A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) anunciou que vai investigar a denúncia de crime de racismo contra a atriz. De acordo com o delegado Ronaldo de Oliveira, a DRCI vai rastrear os reais autores das ofensas, que costumam se esconder atrás de perfis falsos. Muitos comentários foram deletados pelos autores, mas as imagens das ofensas já circulam na internet.
O crime de injúria está previsto no artigo 140 do Código Penal e sua pena pode chegar a três anos de reclusão. O crime de racismo não prescreve e também não tem direito à fiança.
(Da Redação)

sábado, 4 de julho de 2015

MP instaura inquérito para apurar ataques racistas contra jornalista


O Ministério Público do Estado (MPE) informou nesta sexta-feira, 3, que instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar os comentários racistas direcionados à jornalista Maria Júlia Coutinho, do “Jornal Nacional”, da TV Globo.
“As pessoas acham que estão navegando em um oceano de impunidade, mas já presidi várias investigações (sobre crimes de racismo na internet) e tive sucesso”, afirma o promotor de Justiça Criminal Christiano Jorge Santos, que também é professor de Direito Penal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Santos diz que o órgão teve acesso ao caso por meio do controle interno que é feito no MPE e que a investigação logo foi aberta. Ele diz que o fato de a jornalista ser uma figura pública não interferiu no processo. “Para nós, não faz diferença se é conhecida ou não”.
Robson Pires

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ronaldinho Gaúcho é xingado de macaco no México

ronaldinho mexico
Ronaldinho Gaúcho foi apresentado pelo Querétaro, seu novo clube no México, no meio da última semana. Dias depois, foi alvo de racismo. Ele foi chamado de macaco por um político local no Facebook. “Sou tolerante, mas detesto futebol, e o fenômeno idiota que produz. Detesto mais ainda porque as pessoas inundam as ruas e nos atrasam para chegar em casa. E isso tudo para ver um macaco. Brasileiro mas macaco sim. É um circo ridículo”, escreveu Carlos Treviño, político em Querétaro.

Durante a apresentação do meia brasileiro na última sexta-feira, o tráfego na cidade de Querétaro aumentou consideravelmente, levando Treviño a publicar tal frase em sua rede social. A informação foi publicada no jornal Récord, do México, neste domingo – a postagem ocorreu no último sábado. Nem o clube nem o jogador se manifestaram sobre a situação até o momento.
Robson Pires

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA-Mais de 300 anos após a morte de Zumbi, negro ainda sofre com discriminação

 
Comemorado hoje (20), data da morte de Zumbi dos Palmares, o Dia da Consciência Negra deve servir para que os brasileiros reflitam sobre a desigualdade, a intolerância e o preconceito ainda existentes na sociedade. É o que revela nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ao mostrar, por exemplo, que, em Alagoas, os homicídios reduziram a expectativa de vida de homens negros em quatro anos.
A nota Vidas Perdidas e Racismo no Brasil aponta que, além de Alagoas, estados como o Espírito Santo e a Paraíba concentram o maior número de negros vítimas de homicídio. “Enquanto a simples contagem da taxa de mortos por ações violentas não leva em conta o momento em que se deu a vitimização, a perda de expectativa de vida é tanto maior quanto mais jovem for a vítima”, revela o estudo.
Os autores Daniel Cerqueira e Rodrigo Leandro de Moura, ambos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), analisaram até que ponto as diferenças nos índices de mortes violentas de negros e não negros estão relacionadas com questões como as diferenças econômicas, ao racismo e de ordem demográfica. “O componente de racismo não pode ser rejeitado para explicar o diferencial de vitimização por homicídios entre homens negros e não negros no país”, concluíram os pesquisadores da FGV.

Considerando o universo dos indivíduos vítimas de morte violenta no país entre 1996 e 2010, o estudo mostra que, para além das características socioeconômicas – escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, aumenta a probabilidade do mesmo ter sofrido homicídio em cerca de oito pontos percentuais.

“O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, dizem os técnicos. No estudo, eles concluem que essas discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros quando comparada aos índices do restante da população.

Coincidentemente, Alagoas, líder de mortes violentas, especialmente o homicídio, contra negros e pardos também simboliza a luta dos africanos escravizados trazidos da África, no século 19, para trabalhar nos canais. A personificação desta luta que, pelos índices apresentados no estudo do Ipea, ainda perdura é Zumbi dos Palmares. Alagoano de nascença e natural de União dos Palmares, Zumbi – duende na língua do povo Banto, de Angola – liderou o maior quilombo do país.

Aos 7 anos, em 1670, ele foi capturado por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, responsável por sua formação. Com o passar do tempo, Zumbi, batizado na igreja Católica com o nome de Francisco, fugiu para o Quilombo dos Palmares onde impressiona os demais escravos fugidos de fazendas de engenho pela sua habilidade em lutas. Aos 20 anos, ele já tinha se tornado o maior estrategista militar e guerreiro, responsável pela derrota imposta pelos quilombolas na luta contra soldados fiéis ao império português.

Com informações da Agência Brasil.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Racismo pode virar crime hediondo na lei brasileira

O racismo e o tratamento de trabalhadores como escravos podem entrar para a lista dos crimes chamados hediondos. É o que decidiu a comissão de juristas responsável por elaborar o novo Código Penal brasileiro em reunião realizada nessa segunda-feira.

A comissão também inseriu na lista de crimes hediondos - que hoje tem o homicídio e estupro, por exemplo - o financiamento do tráfico e os crimes contra a humanidade. Todas as sugestões aprovadas pela comissão serão compiladas em um anteprojeto que ficará pronto no dia 25 de junho. O texto será usado como base para votação do novo Código Penal, no Congresso.

Se por um lado os juristas tornaram mais rigorosas as punições para crimes violentos ou para os motivadores de outros delitos – como a receptação de roubo, cuja pena máxima passou de quatro para cinco anos - a comissão também deu tratamento mais leve para crimes de menor ofensividade. “Diversas figuras de descarcerização foram pensadas, o que se chama hoje de justiça restaurativa. Se a pessoa reparou o dano integralmente, ela obterá a extinção da punibilidade”, explica o relator da comissão, o procurador da República Luiz Carlos Gonçalves.

Um dos exemplos dessa "relativização" é o caso de roubo, crime que atualmente prevê pena de quatro a dez anos de prisão e multa, com possibilidade de agravantes. Segundo o texto aprovado pela comissão, a pena para o “encontrão” - quando o ladrão esbarra na vítima e pega sua carteira – pode ser mais leve. Por outro lado, a invasão de residência passa a ser um crime mais grave, assim como já é o roubo com uso de arma e com a participação de mais de uma pessoa.

A comissão também endureceu o tratamento dos maus-tratos contra pessoas. “Já havíamos feito isso em relação aos animais. O ser humano é animal também, não faria o menor sentido que a pena dos maus-tratos dos humanos fosse inferior, e não será mais”, disse Gonçalves. De acordo com o anteprojeto, o crime de maus tratos pode dar pena até cinco anos, com possibilidade de agravantes.

Esse foi o último encontro oficial da comissão, mas os juristas ainda se reunirão durante a semana para tratar de assuntos residuais, como o crime de rixa. O grupo também decidirá se a delação premiada beneficiará apenas os sequestradores, que podem ficar livres se colaborarem com as autoridades. Segundo Gonçalves, a ideia é que o benefício seja aplicado aos crimes em geral, como já é previsto na legislação atual.

A comissão responsável pelo anteprojeto do novo Código Penal foi formada no Senado em outubro do ano passado e, desde então, os juristas vêm se encontrando periodicamente para rediscutir o texto atual, que é de 1940. A ideia era que os trabalhos terminassem em maio, mas foi necessário mais um mês para a conclusão dos debates. O anteprojeto tramitará no Legislativo como um projeto de lei comum, que poderá ser alterado pelos parlamentares e pela Presidência da República.

Do Estado de Minas