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terça-feira, 4 de abril de 2017

Historiador acredita ter encontrado primeiro e único retrato de Jesus

O historiador bíblico Ralph Ellis estuda o assunto há muitos anos

O principal argumento é que Jesus foi o único dos condenados a ser crucificado com uma coroa de espinhos

Um estudioso da Bíblia afirma ter encontrado o primeiro retrato de Jesus Cristo. A figura, que seria a única do tipo no mundo, mostra alguém diferente das imagens comumente pintadas nas Igreja.
O desenho, gravado numa pequena moeda de bronze, que representa o Rei Manu, governador do reino de Edesa, na Mesopotâmia, na verdade seria uma representação de Jesus.
O historiador bíblico Ralph Ellis estuda o assunto há muitos anos, procura encontrar uma relação entre fatos históricos e personagens bíblicos. Como a efígie da moeda mostra um homem de barba e com uma coroa de espinhos, seria uma forma disfarçada de mostrar a face de Cristo.
O especialista aponta “semelhanças surpreendentes” entre Jesus e Manu, que viveu no Século I. Tanto ele quanto Jesus são descritos como judeus nazarenos e vistos como uma ameaça aos romanos, que dominavam a região.
Ellis analisa essa moeda de 24 milímetros de diâmetro e outras peças há 30 anos e acredita que se trata de “uma das descobertas mais importantes da história moderna”. Ele insiste que o rei “Izas Manu” era a forma mesopotâmica de se dizer “rei Jesus Emanuel”. O principal argumento é que Jesus foi o único dos condenados a ser crucificado com uma coroa de espinhos, como está representado na moeda em questão.
Como a Bíblia não traz nenhuma discrição da aparência física de Cristo, as diferentes representações que conhecemos são originárias do século VI, quando começou a se tornar um hábito pintar imagens do Salvador nas igrejas cristãs.
 Fonte:  Com informações The Sun

quinta-feira, 23 de março de 2017

Arqueólogos encontram estátua da avó de Tutancâmon

Estátua da avó de Tutancâmon foi encontrada em bom estado de conservação (Egypt's Ministry of Antiquities/Divulgação)

Essa é a primeira vez que uma estátua de alabastro da rainha Tiye é identificada no templo funerário de seu marido


Arqueólogos descobriram uma estátua da rainha Tiye, esposa do faraó Amenhotep III e avó de Tutancâmon, em Luxor, no Sul do Egito. A obra foi achada em um templo funerário de Amenhotep III na região de Kom al Hitan, situada na margem Oeste do rio Nilo. Segundo Khaled Al Anani, ministro de Antiguidades egípcio, esta é a primeira vez que se descobre uma estátua de alabastro – feita de calcite (um carbonato de cálcio)  da rainha Tiye no interior do templo, já que as demais reproduções encontradas são de rocha. O ministro a qualificou como “grande, formosa e única”, segundo comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira.

Uma missão arqueológica composta por europeus e egípcios encontrou a estátua na parte inferior da perna direita de uma grande estátua de seu marido, Amenhotep III. O faraó foi o nono governante da XVIII dinastia, cujo reinado aconteceu entre 1389 a.C. e 1351 a.C. A arqueóloga armênia Hourig Sourouzian, chefe da missão, explicou que a descoberta da escultura ocorreu de maneira “fortuita”, quando se levantava a parte inferior da estátua de Amenhotep III.
Múmia da rainha Tiye, avó do faraó Tutancâmon (Shawn Baldwin/Discovery Channel/Getty Images)
Hourig destacou o bom estado de conservação da obra e ressaltou que ainda conserva as antigas cores com as quais foi pintada. Neste sentido, indicou que a escultura necessitará de um delicado trabalho de consolidação e de restauração.
Na mesma missão também já haviam sido encontradas 109 estátuas da deusa Sekhmet, pedaços de duas estátuas de esfinges e partes de uma estátua de alabastro e uma estátua de quartzo do faraó Amenhotep III, que foi recentemente restaurada no templo e será removida para o Museu de Luxor.
(Com EFE)

domingo, 27 de novembro de 2016

Ciência: estatueta ‘Pensador’ de quase 4 mil anos é encontrado em Israel

Peça de 3.800 anos exibida no laboratório da Autoridade Israelense de Antiguidades, em Jerusalém. (Menahem Kahana/AFP)

Arqueólogos encontraram peça de 18 centímetros perto de Tel Aviv. Segundo especialistas, imagem é semelhante à figura feita pelo francês Rodin, no século XX

Arqueólogos de Israel anunciaram nesta semana a descoberta de uma estatueta de 18 centímetros, feita há 3.800 anos, que exibe um homem pensativo. O pequeno boneco foi encontrado durante as escavações de um terreno da cidade de Yahud, próxima de Tel Aviv. De acordo com a Autoridade Israelense sobre Antiguidades (IAA, na sigla em inglês), a escultura chama a atenção pela qualidade e por ser muito semelhante à obra ‘O Pensador’, feita pelo artista francês Auguste Rodin, no século XX.
“O nível de precisão e atenção aos detalhes nesta peça criada há quase 4.000 anos é realmente impressionante”, disse Gilad Itach, diretor de escavações da IAA.
Segundo os arqueólogos, a peça, em excelente estado de conservação, foi encontrada em outubro, durante obras em um terreno onde serão construídas casas populares. Em pouco mais de um mês, os pesquisadores limparam o boneco e remontaram seus pedaços soltos.
O pequeno ‘Pensador’ faz parte da mais extensa coleção de objetos funerários já encontrada em Israel. Junto com a escultura, os cientistas também acharam pontas de flechas, vasos funerários, partes de um machado, pequenas peças de metal e ossos de ovelhas e macacos. Segundo os arqueólogos, a reunião das peças leva a crer que o local pode ter sido o mausoléu de algum nobre da comunidade que habitava a região há cerca de 4.000 anos.
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terça-feira, 17 de maio de 2016

Tesouro de 1.600 anos é encontrado no fundo do mar

Entre os artefatos encontrados estão âncoras de ferro, restos de ancoras de madeira e materiais que foram empregados na construção e navegação da embarcação que naufragou (Baz Ratner/Reuters)


Milhares de moedas com a imagem do imperador romano Constantino, o Grande (que viveu entre 274 e 337 d.C.) foram encontradas

Arqueólogos mergulhadores resgataram estátuas de bronze, milhares de moedas de 1.600 anos atrás e outros objetos romanos em um navio naufragado perto do antigo porto de Cesárea, em Israel. De acordo com informaçõesdesta segunda-feira (16) do departamento de Antiguidades do país, o tesouro foi encontrado pelos mergulhadores amadores Ran Feinstein e Ofer Raanan em abril. “Há 30 anos não encontramos em Israel uma carga marítima como essa. As descobertas de estátuas de metal são raras porque na Antiguidade elas costumavam ser derretidas”, afirmou em comunicado Jacob Sharvit, diretor da unidade marítima do departamento de Antiguidades, em conjunto Dror Planer, auxiliar da unidade.
Constantino, o Grande – A grande surpresa foi a descoberta de dois sacos de 20 quilos lotados de milhares de moedas. Elas têm a imagem do imperador romano Constantino, o Grande (que viveu entre 274 e 337 d.C.), e de seu sucessor e rival Licinio, que governou a parte leste do império entre 308 e 324 d.C.. A recuperação dos objetos foi realizada nas últimas semanas por mergulhadores especializados e voluntários. A equipe utilizou equipamentos avançados para desenterrar os artefatos.
Entre outros achados romanos estão âncoras de ferro, restos de ancoras de madeira, materiais que foram empregados na construção e navegação da embarcação que naufragou, uma lâmpada de bronze com a imagem do deus Sol, uma estátua da deusa Lua, uma lâmpada com a efígie de um escravo africano e peças com o formato de animais. De acordo com as autoridades, os artefatos se encontram em extraordinário estado de conservação. Também foram localizados fragmentos de grandes jarras que eram usadas para levar água potável para a tripulação do navio.
De acordo com o comunicado, a localização e a distribuição dos artefatos no fundo do mar apontam que eles estavam em um grande navio mercante. De acordo com Sharvit, o navio aparentemente foi surpreendido por uma tempestade na entrada do porto e ficou à deriva até bater contra as rochas e o dique. Na tentativa de usar as âncoras, elas teriam se rompido pela força das ondas e do vento.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Substância contra câncer é liberada pela Justiça – mesmo sem comprovação científica

A fosfoetanolamina é uma substância produzida pelo Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo) em São Carlos que, supostamente, trata vários tipos de câncer(VEJA.com/Reprodução)

Após a liberação, pacientes com câncer e familiares fazem fila para receber cápsulas de fosfoetanolamina. O composto, produzido pelo Instituto de Química da USP, não foi testado em humanos.

Pacientes com câncer e familiares formam enormes filas no Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos, para receber cápsulas de uma susbtância que, supostamente, trata vários tipos de câncer. A mobilização ocorreu após a decisão do desembargador José Renato Nalini, presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. Na última sexta-feira, ele reconsiderou e liberou a distribuição do composto aos doentes. A determinação foi baseada em uma liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) que autorizou a entrega das cápsulas a um paciente do Rio de Janeiro.
Não há, contudo, comprovação científica dos benefícios da fosfoetanolamina para a eliminação de tumores. Até agora, a substância só passou por estudos iniciais em células e em animais. Nunca foi testada em humanos. Para ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seria necessário passar por, pelo menos, três fases de estudos clínicos que visam avaliar a eficácia e segurança do composto.
A grande procura - que levou à distribuição de senhas e o temor de que aumente ainda mais o número de interessados - fez com que a USP divulgasse um comunicado. A instituição alega que não é indústria química ou farmacêutica e não tem condições de atender demanda em larga escala.
No mesmo comunicado a reitoria da USP informa que a substância não é remédio e sugere que a propaganda da droga é obra de "exploradores oportunistas". A reitoria disse ainda que as decisões judiciais serão cumpridas, mas que a universidade vai brigar para revertê-las.
"A USP não desenvolveu estudos sobre a ação do produto nos seres vivos, muito menos estudos clínicos controlados em humanos. Não há registro e autorização de uso dessa substância pela Anvisa e, portanto, ela não pode ser classificada como medicamento, tanto que não tem bula.", afirma o comunicado
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Sociedade Brasileira de Oncolgia Clínica, Evanius Wiermann, disse que o caso pode ser resumido como uma loucura. "Os pacientes estão sendo feitos de cobaia sem garantia nenhuma de segurança ou de eficácia", afirmou ao jornal.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Duas mil moedas de ouro do século X são encontradas em Israel


Moedas foram encontradas na Costa Mediterrânea de Israel (Jack Guez/AFP)

Grupo de mergulhadores descobriu o tesouro por acaso


Duas mil moedas de ouro de mil anos foram encontradas no antigo porto de Cesareia, em Israel. O tesouro está em ótimo estado de conservação e é o maior já encontrado no país, anunciou na terça-feira a autoridade nacional de antiguidades. 
A descoberta foi feita por acaso por membros de um clube de mergulho depois da passagem de uma tempestade na região. "No início, o grupo acreditou que se tratava de uma ficha de jogo", explicou a autoridade. Os mergulhadores do governo de Israel encontraram, ao todo, 2 000 moedas de dinares, meio dinar e um quarto de dinar. Dinar é a moeda mais antiga cunhada em Palermo, na Itália, na segunda metade do século IX.
Grande parte das moedas remontam a dois califas fatímidas que reinaram do fim do século X ao começo do século XI um território que abrange grande parte da região norte da África, Sicília e parte do Oriente Médio. Além disso, algumas têm marcas de mordidas, que mostram que seus donos comprovaram sua qualidade com os dentes.
As autoridades explicaram que as peças podem ser provenientes do naufrágio de um barco que transportava a arrecadação de impostos rumo ao governo central, que se localizava no Egito. Acredita-se que o dinheiro estava destinado a pagar os salários da equipe de segurança do governo ou que pertencia a um rico mercador que negociava com portos do mediterrâneo.
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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Fazendeiro tropeça e encontra pepita de ouro gigante que vale R$ 700 mil

A China é o maior produtor mundial de ouro


Um fazendeiro sortudo encontrou uma pepita de ouro gigante em sua fazenda. O metal é avaliado em R$ 688 mil.
Morador de uma região remota na China, o homem encontrou o nódulo de 17 quilos ao tropeçar na pedra que estava encravada no chão.
O item mede cerca de 23 centímetros de comprimento e 18 centímetros de largura.
A descoberta foi feita na região do extremo oeste de Xinjiang, Berek Sawut. O homem alegou que achou a pepita “praticamente deitado no chão”.
Fonte: Gadoo 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

EGITO - Arqueólogos identificam tumba de faraó

 

Sarcófago do Faraó Sobekhotep I em Abydos, no Egito
Imagem divulgada pelo Conselho Supremo de Antiguidades do Egito mostra a câmara onde foi localizado o sarcófago do Faraó Sobekhotep I, em Abydos, no Egito (AFP/SCA)
 
 
Arqueólogos americanos identificaram o sarcófago do faraó Sobekhotep I, que se acredita ter sido o fundador da 13ª dinastia do Antigo Egito, há 3.800 anos. A tumba pesando cerca de 60 toneladas foi descoberta no sítio arqueológico de Abydos, no Egito, há aproximadamente um ano, mas a equipe de pesquisadores ainda não tinha conseguido identificá-la.

Na última semana, os cientistas encontraram uma inscrição com o nome do faraó, representando-o sentado no trono. "O faraó governou o Egito durante quatro anos e meio, o reinado mais longo da época", afirma Ayman El-Damarani, autoridade do ministério egípcio das antiguidades, que anunciou a descoberta.
 
Apesar de sua importância, os especialistas têm poucas informações a respeito do faraó. A descoberta ajudará a revelar mais detalhes sobre a vida e os hábitos do governante. No local, considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos do Alto Egito, os arqueólogos também encontraram urnas funerárias usadas para preservar vísceras e objetos de ouro pertencentes a Sobekhotep I.

Com AFP

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fragmento de texto cristão indica que Jesus foi casado

A descoberta de uma pesquisadora da Universidade de Harvard (EUA) pode ajudar a esclarecer um dos aspectos mais controversos da vida de Jesus Cristo. Karen King, especialista em religião, encontrou um papiro do século 4 da nossa era cujo texto indica que Jesus Cristo foi casado.

O texto foi apelidado de "Evangelho da esposa de Jesus". A parte do texto que chamou a atenção dos pesquisadores é a seguinte: "Então, Jesus disse a eles: eis a minha esposa", de acordo com a tradução feita do copta (antigo idioma egípcio). "A tradição cristã sempre sustentou que Jesus não era casado, embora não exista evidência histórica para respaldar essa tese", disse Karen durante uma palestra em Roma, nesta terça-feira.

Segundo a pesquisadora de Harvard, "este novo evangelho não prova que Jesus era casado, mas nos diz que toda questão surgiu apenas como parte dos intensos debates sobre sexualidade e casamento. Desde o início, cristãos discordavam se era melhor não casar, mas foi apenas mais de século depois da morte de Jesus que começaram a recorrer à condição matrimonial dele para apoiar suas posições." De acordo com Karen, mostrar Jesus solteiro era uma maneira de fortalecer as posições católicas sobre temas como o celibato.

O fragmento tem oito linhas de texto de um lado e está muito danificado no verso, com apenas três palavras e algumas letras visíveis. O dono do documento procurou Karen em 2010, e na época ela duvidava da veracidade do fragmento do papiro. A tese sobre Jesus ter sido casado ganhou fama com o livro "O Código Da Vinci", de Dan Brown.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Encontrada tumba com referência direta à ressurreição de Jesus

Tumba encontrada (foto)

A mais antiga referência ao cristianismo foi descoberta em uma tumba do século 1, encontrada em um moderno condomínio do Bairro East Talpiot, em Jerusalém. Segundo o polêmico pesquisador bíblico James Tabor, que na década de 1980 anunciou ter achado o túmulo da família de Cristo, as imagens e inscrições gravadas em ossários da tumba fazem alusão não apenas a Jesus, mas à sua suposta ressurreição. Iconografias cristãs antigas são comuns, mas até hoje nenhuma era tida como sendo da mesma época em que ele nasceu, o que, para muitos, colocava em dúvida a sua existência.

Tabor e sua equipe, formada por arqueólogos e historiadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, examinaram sete ossários de pedra fechados e intactos, por meio de um braço robótico equipado com uma câmera. O equipamento fez fotos do material, que, analisado por especialistas, mostrou ser de antes do ano 70 d.C.. Embora as câmaras mortuárias não tenham sido submetidas ao teste de carbono 14, é possível estimar a data porque essa era a estética funerária dos anos 20 a 70. Depois desse período, com a destruição da cidade sagrada pelos romanos, os judeus deixaram de usar caixas de pedra nos funerais.

A caverna onde os ossários foram encontrados foi descoberta em 1981, quando as fundações do condomínio estavam sendo construídas. Ela fica a 20 metros de profundidade e, desde então, foi pouco estudada. Diversos arqueólogos já entraram na tumba, mas conseguiram fazer apenas algumas poucas fotos e retirar algumas peças, incluindo o ossário de uma criança, que compõe a coleção do Estado de Israel. A dificuldade é que ortodoxos condenam a escavação de túmulos judaicos, o que fez com que as autoridades políticas selassem a tumba.

Documentário
Entre 2009 e 2010, James Tabor e Rami Arav, professor de arqueologia na Universidade de Nebraska, conseguiram uma licença da Autoridade de Antiguidades de Israel para estudar novamente a tumba. A ameaça dos grupos ortodoxos e a dificuldade de acesso exigiram o uso de um equipamento especial, patrocinado pelo canal de televisão Discovery Channel, que vai exibir um documentário sobre as descobertas ainda neste ano. Assim, a equipe inseriu no pátio de um dos edifícios do condomínio o braço robótico, que, equipado com uma câmera, conseguiu fotografar o conteúdo do sítio arqueológico subterrâneo.

Se as inscrições descobertas nos ossários são de fato cristãs, como acreditam os pesquisadores envolvidos no estudo, essas gravuras tornam-se o mais antigo registro arqueológico do cristianismo já encontrado. Segundo Tabor, provavelmente foram feitas por seguidores de Jesus algumas décadas após sua morte. Elas teriam sido produzidas, inclusive, antes da redação dos evangelhos, livros que, embora atribuídos simbolicamente a João, Marcos, Mateus e Lucas, foram escritos por anônimos depois do século 1.

Em um dos ossários, há uma inscrição em grego antigo composta por quatro linhas, que diz "Divino Jeová, me levante, me levante" ou "Divino Jeová, me levante até o Lugar Sagrado". "Essa inscrição tem algo a ver com a ressurreição dos mortos ou é uma expressão da fé na ressurreição de Jesus", disse Tabor, em um estudo publicado on-line no site de arqueologia bíblica Bibleinterp.com. "Se alguém tivesse dito que encontrou uma declaração sobre a ressurreição em uma tumba judaica desse período, eu diria que era impossível", continuou. "Nossa equipe estava descrente, mas, com essa evidência saltando aos nossos olhos, tivemos que rever nossas premissas anteriores."

Ao lado dessa urna, havia outro ossário que também faz referência à ressurreição. A imagem de um peixe com um homem saindo de sua boca – iconografia incomum na religião judaica – está ligada ao mito de Jonas. De acordo com a antiga lenda, descrita no Antigo testamento, Jonas foi um pescador engolido por uma baleia, mas que, depois de diversas intempéries, sobreviveu. A história é usada pelos cristãos para fazer um paralelo com a ressurreição de Jesus.

Nas catacumbas romanas, onde os primeiros cristãos se encontravam para, secretamente, realizar seus rituais, a figura do peixe é um dos motivos mais comuns. A história do pescador, contudo, jamais havia sido retratada em uma peça arqueológica do século 1. Tabor explicou que não poderia se tratar de arte judaica, pois a religião proibia a reprodução de imagens de pessoas ou animais.

Golpe de marketing
O estudioso diz estar preparado para uma enxurrada de críticas que devem surgir, pois a maioria dos especialistas são céticos quanto a evidências cristãs antes do século 2. Para Jim West, professor adjunto de estudos bíblicos da Faculdade de Teologia Quartz Hill e autor de diversos livros sobre arqueologia bíblica, o achado de Tabor seria um "golpe de marketing". "Ele não é arqueólogo, em primeiro lugar. Acho prematuro fazer um anúncio desse porte sem a revisão do estudo pelos pares. Na minha opinião, Tabor, que já estrelou muitos documentários na televisão, é um especialista em autopromoção. Temos de ter muita cautela", adverte.

Já Mark Goodacre, professor de religião da Universidade de Duke, prefere não criticar a descoberta sem conhecê-la mais profundamente. "É difícil comentar sem conhecer essas peças. Minha primeira impressão, ao ver as fotos, é de que elas não são muito elucidativas, e quanto à inscrição em grego antigo, é possível que tenha várias interpretações diferentes. O fato é que Tabor tem uma má fama devido a erros anteriores, e, por isso, outros pesquisadores independentes precisam estudar esses achados para confirmar ou não o que ele diz", afirma.

Do Correio Braziliense