O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, está dando sinais de que pode recuar em algumas promessas feitas durante a campanha eleitoral, entre as quais a construção de um muro na fronteira com o México (a ser pago com dinheiro do governo mexicano), a proibição de muçulmanos de entrar em território norte-americano, a expulsão de imigrantes sem documentos e a revogação do Obamacare, uma lei aprovada pelo pelo presidente Barack Obama em março de 2010 que reduz os custos do seguro saúde de milhões de americanos.
Trump foi escolhido o novo presidente dos Estados Unidos em eleições realizadas na terça-feira (8). Mas agora, tanto Donald Trump quanto seus principais assessores estão passando a mensagem de que algumas medidas vão ter de esperar, porque serão revistas, e que outras só serão cumpridas parcialmente.
Donald Trump, que havia repetidamente prometido durante a campanha que iria revogar o Obamacare, disse em uma entrevista ao The Wall Street Journal que pensa em manter partes importantes da lei. Ele mudou de opinião depois de ouvir ponderações do presidente Barack Obama, em um encontro que eles tiveram na Casa Branca um dia depois do anúncio da vitória de Trump nas eleições para presidente dos Estados Unidos.
Meta de erguer 6.000 novas unidades foi uma das promessas eleitorais de Dilma em 2010. Obras de quadras em escola também estão atrasadas
MUITA PROMESSA – A presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de assinatura de termos de compromisso para construção de creches do Programa Proinfância, do PAC 2, em 2012 (Roberto Stuckert Filho/PR)
Uma das propostas mais marcantes de Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2010 foi a de construir 6.000 creches pelo Brasil até o fim do seu mandato, em 2014. Mas o compromisso, reforçado após a vitória nas urnas, dificilmente será cumprido. Quando iniciou seu quarto ano de mandato, em janeiro, Dilma havia inaugurado apenas 223 creches – 3,7% do total prometido. O total de obras listadas, mesmo as que ainda não saíram do papel, também estava abaixo do previsto: 5.257.
Os dados integram o amplo levantamento feito pelo site de VEJA e pela ONG Contas Abertas nos balanços oficiais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 disponibilizados pelo governo federal.
Levando em conta o prazo de conclusão das obras (pelo menos um ano a partir do início da licitação), é certo que a construção das 6.000 creches serão mais uma meta não cumprida pela presidente.
A construção das unidades é feita em parceria com as prefeituras: o governo federal repassa os recursos mas é o gestor municipal quem fica responsável por escolher o local da obra e realizar o empreendimento. A demanda por creches é real no país. Mas, por causa da burocracia ou por falta de interesse, os prefeitos parecem não ter ficado impressionados com o plano de Dilma.
Em 2013, já ciente de que a procura era menor do que a prevista, o governo flexibilizou as regras para a adesão ao programa e passou a oferecer um projeto-padrão de engenharia, para agilizar os trabalhos.
Na ocasião, Dilma fingiu que os trabalhos estavam prosseguindo no ritmo ideal: "O nosso compromisso era 6.000, mas é muito possível que seja um número maior que nós vamos entregar de creches", disse ela.
O Ministério da Educação afirma que parte dos atrasos se devem às prefeituras, e diz que o governo trabalha para contratar 6.000 obras de creches até o fim do ano. Aquelas que não estiverem prontas estarão em fase avançada de construção. Mesmo sendo verdadeiras a alegações, a justificativa não é suficiente para eximir o governo de cumprir a promessa feita na campanha. Em 2010, Dilma não se preocupou em explicar ao eleitor que, na verdade, os prazos não dependiam apenas da União.
A comissão especial que analisou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da responsabilidade eleitoral aprovou o substitutivo do relator, deputado João Paulo Lima (PT-PE). Pelo texto, os executivos federal, estaduais e municipais, assim como do Distrito Federal, serão obrigados a elaborar e cumprir um plano de metas construído com base nas promessas da campanha.
Em relação à proposta apresentada, João Paulo Lima promoveu apenas uma modificação. Retirou da PEC os indicadores de desempenho que os chefes do Executivo deveriam utilizar na elaboração de seus planos de governo. De acordo com o parlamentar, a mudança foi parte de um acordo para garantir a aprovação do texto.