Mostrando postagens com marcador facções criminosas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador facções criminosas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de março de 2017

Homem é assassinado e tem o corpo jogado no rio na comunidade do Japão

Polícia acredita que o crime tem relação com a guerra entre facções

Um homem ainda não identificado, de aproximadamete 25 anos, foi morto a tiros e teve o corpo jogado no rio, no final da manhã desta segunda-feira (27), na travessa Santa Helena, na comunidade do Japão, zona Oeste de Natal. A polícia acredita que o crime tem relação com a guerra entre facções.
De acordo com relatos de testemunhas a vítima estava com um grupo de pessoas quando tiros foram efetuados em direção ao rapaz que tombou logo em seguida. Suspeitos do mesmo grupo se aproximaram do homem ja morto e jogaram o corpo no rio das Quintas. Policiais do 9°Batalhão confirmaram a informação.
Horas antes o corpo de outro homem foi encontrado em um terreno de mata na rua Araraí, no bairro Nordeste, também na zona Oeste de Natal. A guerra entre facções é a principal suspeita para os homicídios.
Portal BO

domingo, 22 de janeiro de 2017

Mulheres fazem vigília em frente ao presídio de Alcaçuz

A guerra entre as facções afeta o cotidiano das famílias, que aguardam solução em frente ao presídio

Mulheres e crianças lidam com condições insalubres no exterior do presídio, mas não tiram os pés da areia no local

A guerra entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Sindicato do Crime RN, na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, no Rio Grande do Norte, extrapolou os muros e afetou os que estão do lado de fora da unidade à espera do fim do conflito que já dura oito dias. As famílias dos detentos se dividem na porta da unidade, trocam acusações e até agressões. Mulheres e crianças lidam com condições insalubres no exterior do presídio, mas não tiram os pés da areia no local.
Na entrada da penitenciária, ripas de madeira e telhados se equilibram junto com pedaços de alvenaria sem reboco, no local onde as mulheres de detentos que fazem parte do sindicato se reúnem noite e dia, desde o massacre que deixou 26 mortos no Alcaçuz. A estrutura é usada normalmente em dias de visita. Uma pia serve de cozinha para o grupo, e um menino de pouca idade dorme, nu, em cima do balcão.
Ao lado dessa proteção, que é praticamente a única, em um colchão, colocado à sombra de uma árvore rasteira, uma das mulheres descansa, enquanto aguarda novidades. No bar, ao lado do presídio, outros colchonetes se espalham pelo chão, cortesia da dona, que permite o descanso das famílias até fechar o estabelecimento. Quando o bar é fechado, as mulheres se transferem para a calçada e dormem ali mesmo.
Uma casa em frente também é usada como apoio para o grupo. “Não queremos sair daqui, temos medo que aconteça alguma coisa com eles. Deixei meus filhos menores com minha mãe e estou aqui desde domingo. Sou manicure, mas nem isso estou fazendo”, conta Maria* – nome fictício a pedido para presevar a identidade das mulheres.
Já nos fundos do presídio, uma estrutura parecida – com um pouco mais de espaço e partes de alvenaria – abriga mulheres de detentos do PCC. Mais desconfiadas, las não aceitam gravar entrevistas ou tirar fotos, mesmo de costas. A superexposição que tiveram na mídia deixaram medo e consequências. “Meus patrões disseram que não querem mais ver a minha cara. Você faria o quê, se a sua empregada aparecesse na televisão falando que o marido é do PCC?”, afirma a mulher de um dos detentos.
O medo também é de retaliações. As famílias, dos dois lados, trocam acusações de agressão. Do lado do PCC, as mulheres reclamam que as outras foram até o local com uma enxada e ameaçaram um espancamento. “Até a voz eu não quero gravar porque podem reconhecer. Depois que foram até a casa de uma de nós, para matar , a gente está com muito medo”, destacou Carla*. Já as esposas de membros do sindicato as acusam de receber provocações constantes e admitem ter estapeado e roubado a “feira” de uma das moças do grupo rival.
As famílias defendem as facções. Entre os familiares e os presos, a comunicação é constante, por celular. Cada grupo defende que o outro deu início à confusão que se transformou em um conflito sangrento e prolongado. Não enxergam saída para a guerra nem do lado de fora. “Meu marido está baleado aí dentro e se recusou a ir para o hospital, porque lá tem muitos do sindicato”, diz Sheila*. Os dois lados criticam o que seria a falta de um código de honra do rival.
“No PCC tem só estupradores. O sindicato não aceita isso, não aceita roubar ônibus, escola. Vai roubar o povo que não tem nada? É só tráfico”, disse Maria*, mulher de um detento do sindicato.
“O sindicato não tem respeito pelas mulheres, pelos filhos, e não separam as coisas. Querem matar todo mundo”, afirmou Teresa*, esposa de um preso do PCC. Na percepção de mulheres de detentos do sindicato, o PCC recebe tratamento privilegiado. Ontem (20), as que pertencem ao grupo do sindicato não conseguiram entregar alimentos para os detentos. Já as mulheres dos detentos do PCC confirmaram que conseguiram repassar arroz, feijão e cuscuz.
Em resposta ao questionamento do favorecimento do PCC na entrada de alimentos na unidade, a assessoria de comunicação da Secretaria de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte afirmou que os presos estão sendo alimentados com três refeições diárias e que as feiras de familiares estão suspensas em ambos os lados.
A realidade precária, a falta de alimentos e condições de higiene – não há banheiros disponíveis –, é comum a todas as famílias. O sofrimento também. Enquanto as esposas do PCC se queixam da falta de segurança e de alimentos, uma menina brinca, de calcinha, nas areias da frente do presídio de Alcaçuz, com brinquedos de praia. A mãe a levou porque não tinha com quem deixar. A criança parecia alheia às conversas sobre os acontecimentos e a briga entre famílias. Mas, segundo a mãe, é só aparência. “Ela pergunta pra mim: ‘isso é guerra, mãe? Por que ficam batendo, matando? Eu quero meu pai’”.
Agora RN

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Presos de facções rivais voltam a se rebelar na Penitenciária Estadual de Alcaçuz


Presos estão em confronto em Alcaçuz

Detentos voltaram a ocupar os telhados e ameaçam confronto; agentes tentam controlar a situação; Helicóptero Potiguar 1 utiliza bombas de efeito moral

Os detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz voltaram a subir nos telhados dos pavilhões da unidade prisional pelo quinto dia consecutivo. Homens da Polícia Militar estão na área externa do presídio para evitar fugas.
Foi necessário que os agentes penitenciários de plantão atirarem balas de efeito moral e gás lacrimogêneo para conter os detentos. O cenário em Alcaçuz nesta manhã é de muita fumaça na área interna, além de muito barulho decorrente do quebra-quebra no local.
Por volta das 10h o helicóptero Potiguar I chegou a unidade prisional para dar apoio a contenção dos presos. Eles estão jogando bombas de efeito moral na tentativa de inibir as ações dos presidiários. O clima é de tensão total na Penitenciária.

Presos estão se enfrentando em Alcaçuz. (Foto: Reprodução / TV Globo)
Os detentos membros do Sindicato do Crime que estavam nos pavilhões foram até a área externa e iniciaram o confronto com presos que estão no pavilhão 5. Eles estão jogando pedras e pedaços de madeiras uns contra os outros, além de terem derrubado uma barricada montada pelo PCC.
Crise na segurança
Esse é o sexto dia de crise enfrentada pela Segurança do Estado do Rio Grande do Norte, após rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Os ataques começaram na tarde desta quinta-feira (18), com incêndios a ônibus, após o Governo do Estado realizar transferências de detentos entre unidades prisionais do estado.
Agora RN

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Styvenson retorna às ruas: “Vou trabalhar para proteger Natal dessa praga chamada bandido”

Anúncio da nova função foi publicada no Boletim Interno. Governador Robinson em conversa com Styvenson

Diante da atual crise no sistema prisional do Estado, trazer o capitão Styvenson ao policiamento ostensivo foi, sem dúvida, uma decisão sensata do Comando Geral da PM

Felicíssimo! Pelo menos é assim que afirma estar o capitão PM Styvenson Valentim, após ser anunciado nesta terça-feira, no Boletim Interno da corporação, como o novo comandante da 1ª Companhia do 9°BPM, na zona Oeste de Natal. Na nova função, ele promete  jogar mais duro do que nunca contra a criminalidade nas ruas. O oficial ficou conhecido como o ‘Xerife da Lei Seca’, por ser implacável e incorruptível no cumprimento do dever.
Para ele, a oportunidade de comandar novamente uma equipe está sendo encarada como grande desafio que trará resultados positivos à sociedade. “A Companhia é composta por um efetivo tático-operacional muito bom. Juntos, iremos desempenhar um trabalho permanente de saturação no enfrentamento ao tráfico de drogas, desmanche de veículos, assaltos, arrombamentos e vários outros crimes. Sem dúvida, levaremos mais paz e segurança aos moradores e comerciantes da Cidade da Esperança, Planalto, Felipe Camarão, Guarapes, entre outras localidades da região”, observou.
Diante da crise no sistema prisional do Estado, Styvenson lamentou o atual cenário de guerra e destruição causado pelas facções rivais que atuam dentro e fora dos presídios. Ele garante trabalhar, incansavelmente, no policiamento ostensivo, de forma a inibir e coibir a bandidagem nas ruas. “Fui treinado mesmo na operacionalidade. O que mais sei fazer na polícia é combater o crime e preservar a ordem pública. É a melhor forma que vejo em ajudar cidadãos de bem. Agiremos dentro da legalidade, respeitando sempre os direitos do cidadão. Vou, portanto, fazer o que sei e gosto na PM”.
Desde o final de maio passado, o capitão foi afastado das fiscalizações da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), após críticas dirigidas a policiais civis. Tal ‘animosidade’ causou-lhe uma espécie de ‘punição’: sair das ruas e trabalhar no Quartel do Comando Geral da PM, onde ficou exercendo durante todos esses meses, o cargo de chefe do Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Polícia Militar.  “Esse tempo que passei no administrativo foi essencial para refletir os erros e acertos. Hoje, creio estar mais ponderado nas minhas colocações e vou honrar o compromisso de comandar essa Companhia”.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Cúpula do PCC transfere R$ 200 mil para homens do Amazonas lutarem na ‘guerra’ da Região Norte

Briga entre facções já gerou duas chacinas em presídios neste ano na região Norte do país
Determinação do Primeiro Comando da Capital é mais uma ação para o enfrentamento de facções criminosas rivais da região Norte; Família do Norte (FDN) é a principal

A inteligência da polícia de São Paulo detectou uma mensagem da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) determinando o repasse de R$ 200 mil da organização para seus homens no Amazonas, a fim de o grupo comprar armas e munições para combater os bandidos da Família do Norte (FDN), facção responsável pelo massacre de 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus.
O envio de dinheiro ao Norte é mais uma das ações da cúpula do PCC para enfrentar seus rivais da FDN e do Comando Vermelho (CV) Na semana passada, a polícia detectara o envio de fuzis para criminosos da Amigo dos Amigos (ADA), facção carioca que se aliou ao PCC na luta contra o CV e a FDN.
“O que está por trás de tudo isso é a rota do Solimões do tráfico”, diz o secretário da Administração Penitenciária de São Paulo, Lourival Gomes. Desde o massacre no Compaj, em 2 de janeiro, Lourival transferiu 14 presos do CV de prisões dominadas pelo PCC para uma no oeste paulista – o lugar é mantido em sigilo pelo secretário.
Eles se juntaram a outros 60 que haviam sido removidos em 19 de outubro, pouco depois do início da guerra entre as facções. Além deles, também foram isolados no mesmo presídio um detento ligado à facção paraibana Okaida (uma referência à organização terrorista Al-Qaeda) e dois detentos que são do Primeiro Grupo Catarinense (PGC), ambos são rivais do PCC em seus Estados.
Além dos grupos de outros Estados, o PCC, com seus dez mil integrantes, enfrenta em São Paulo a oposição de duas pequenas facções: o Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC) – que contaria com cerca de 50 a 100 integrantes – e do Terceiro Comando da Capital (TCC). Para a SAP, outras três facções, Cerol Fino (liderada por Marco Paulo da Silva, o Lúcifer), Seita Satânica e Comando Democrático da Liberdade (CDL), estão desarticuladas.
Agora RN

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Narcotráfico - Rota da cocaína peruana atrai facções à Amazônia e gera um lucro bilionário

Militares trabalhando contra o tráfico de drogas no Peru

Informações constam de relatório do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do AM, com base em dados fornecidos por secretarias de outros Estados
A atuação das facções criminosas na Amazônia está ligada ao controle do fornecimento da cocaína peruana para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, um negócio com lucro anual estimado em US$ 4,5 bilhões.
Essas informações constam de relatório do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, com base em dados fornecidos por secretarias de outros Estados e colhidas pela Polícia Federal nos últimos anos nas fronteiras do Brasil com o Peru e a Colômbia.
O documento foi elaborado em resposta à disputa entre as facções criminosas Família do Norte (FDN), aliada do Comando Vermelho (CV), e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que deixaram ao menos 64 mortos em presídios de Manaus desde o Ano Novo, muitos deles decapitados.
Para a elaboração, o Amazonas enviou um questionário padrão a todos os Estados das três regiões abastecidas pelas rotas amazônicas, sobretudo a do rio Solimões (com cocaína peruana).
Dos dez Estados que responderam à consulta, sete têm presença do PCC (AC, AL, CE, MA, RO, RR e SE), seis detectaram núcleos do CV (AC, AL, CE, MA, RO e RR) e dois registram a atividade da Família do Norte (AC e RR).
Em diversos Estados, há também facções locais, como o Bonde dos 13 no Acre, os Anjos da Morte no Maranhão e o Comando Classe A no Pará. Dois Estados, Goiás e Rio Grande do Norte, informaram que não há facções criminosas em seus territórios.
O Estado do Amazonas, com seus 3.209 km de fronteira com o Peru e a Colômbia, tem a presença das três facções, sendo a FDN, criada em Manaus, a que mais mobiliza drogas e recursos nessa ampla região. Por outro lado, o PCC controla principalmente a rota que usa o território paraguaio para abastecer o Centro-Sul com cocaína peruana e boliviana.
Em ambos os casos, o destino principal é o mercado brasileiro, segundo o relatório. O Brasil aparece em segundo lugar no ranking entre os países consumidores de cocaína, atrás apenas dos EUA, de acordo com estudo da ONU publicado em 2015.
O dinheiro envolvido está na casa dos bilhões. Apenas na fronteira com o Peru, onde a PF estima que haja 10 mil hectares de coca plantados, o lucro da atividade estaria em US$ 4,5 bilhões. O cálculo não inclui os lucros gerados com a cocaína colombiana, que entra em menor escala, por falta de informações disponíveis sobre área plantada e produtividade.
“Os resultados obtidos indicam que o Amazonas se configura como o principal corredor do ingresso de cocaína no Brasil, proveniente dos cultivos de coca nas fronteiras Brasil-Peru e Brasil-Colômbia”, diz o relatório.
O documento diz que o número atual de policiais militares e civis no Amazonas é insuficiente para enfrentar a intensa atividade do narcotráfico no Amazonas. “Para se manterem em funcionamento, em todo o território estadual, esses órgãos necessitam de, pelo menos, 15 mil policiais militares e 2.670 policiais civis, sendo que, atualmente, existem 8.900 (-40%) policiais militares e 1.905 (-29%) policiais civis)”, afirma a nota.
“Se não houver uma guinada, estaremos no caminho do México”, disse o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes. Delegado da PF de formação, Fontes afirma que a prioridade é melhorar a proteção das fronteiras. “Tem de ter acompanhamento perene. Fiscalização esporádica não funciona.”
PCC e CV
Estão presentes na maioria dos Estados abastecidos pela rota amazônica

Facções locais
Têm origem no próprio Estado e disputam espaço apenas nessas regiões

Goiás
Há presos que se denominam do PCC, mas não foi apurada ligação com a facção

Rio Grande do Norte
Não cita facções e diz que o percentual de mortes ligadas ao tráfico é de 61%

Pará
PCC e CV ainda não estão definitivamente instalados, segundo o Estado

Agora RN

sábado, 30 de julho de 2016

36 eventos que resumem o terror que se abateu sobre o RN nessa sexta


Em meio ao caos, trabalhadores tentavam voltar para casa; pessoas se trancavam em suas casas e, nas ruas, veículos eram incendiados em atentados que incluíram ainda disparos contra prédios públicos.


Por Dinarte Assunção
Foram quase 16 horas de pânico no Rio Grande do Norte desde que um ônibus foi incendiado em Macaíba. O terror, que se alastrou pela capital e o interior do Estado, ainda não foi completamente mensurado pelas forças da segurança pública.
Em meio ao caos, trabalhadores tentavam voltar para casa; pessoas se trancavam em suas casas e, nas ruas, veículos eram incendiados em atentados que incluíram ainda disparos contra prédios públicos.
Listamos 36 eventos que resumem as últimas horas de horror a que o Estado assistiu:
1) Por volta das 14h, dois homens em uma moto armados param alternativo de Macaíba e, na BR 101, ateiam fogo e incendeiam completamente o transporte.
2) Seturn vê ato como algo isolado e descarta recolher frota de Natal às garagens.
3) Depois das 15h, dois suspeitos, a pé e armados, dominam ônibuu da linha 22, da Viação Conceição, no Bom Pastor, ao lado do cemitério e ateiam fogo.
4) Pouco tempo depois, cinco suspeitos atentam contra a linha 20, da Viação Guanabara e também atieam fogo no terminal rodoviário, na Cidade da Esperança, ao lado do Detran. Os próprios suspeitos filma e compartilham a ação.
5) Com três atentados, Guanabara, Conceição, Via Sul e Santa Luzia recolhem ônibus com medo de mais prejuízos com ataques da facção criminosa.
6) Por volta das 16h30, bandidos invadem casa do cabo Luiz Bezerra, oficial da reserva da Polícia Militar. Ele é executado no meio da rua.
7) Bandido invadem ônibus no terminal do Soledade na ZN e ateiam fogo em dois veículos.
8) Cúpula de segurana pública convoca imprensa e diz que não vai recuar das medidas de monitoramento nos presídios que levaram bandidos à retaliação.
9) Paradas de ônibus em Natal se apinham de gente na volta para casa. STTU e DER autorizam fretamento em táxis.
10) No início da noite, dois suspeitos percebem chegada de agentes na Delegacia de Polícia de Parnamirim e abrem fogo contra os policiais. Ninguém se feriu.
11) Às 19h, bandidos ateiam fogo no posto de saúde de Cidade Nova e pacientes entram em pânico.
12)Atentados se alastram e atingem cidades do interior.
13) Micro-ônibus é incendiado na comunidade de Taborda, em São José de Mipibu.
14) Em Currais Novos, uma Kombi é alvo de vandalismo. Veículo queima em praça pública.
15) Carro é incendiado em Caicó.
16) Ônibus escolar é incendiado em Florania.
17) Já passam das 20h. Nas ruas da capital, BP Choque dobra efetivo. No Golandim, posto policial é alvo de tiros.
18) Atentado contra ônibus é registrado na rodoviária de Sao José do Mipibu.

19) Às 20h21, PM registra mais um ônibus queimado, dessa vez em Parnamirim.
20) Às 21h, bandidos disparam contra guaritas de vigilância de Alcaçuz.
21) Governador Robinson Faria distribui comunicado em que autoriza Polícia Militar a agir com total liberdade contra bandidos em favor da população.
22) Às 21h45, Igapó registra tiroteio.
23) Fogo é registrado em base policial no conjunto Santa Catarina, na zona Norte de Natal.
24) Às 22h50, PM registra arrastão em Parnamirim. Quatro suspeitos, em duas motos, abordaram e pararam veículos em região central da cidade, levando tudo das vítimas.
26) Na segunda maior cidade do Estado, um ataque é registrado. Às 23h, ônibus é registrado em chamas no Centro Administrativo da Prefeitura de Mossoró.
27) De Caiçara do Norte, chega o registro que mais um ônibus foi incendiado.
28) Três suspeitos encapuzados tentaram atirar fogo no ônibus da empresa Cabral sem sucesso. Mais adiante conseguiram atirar fogo no ônibus da empresa Tequali, que estava em frente ao ônibus escolar, em São Bento do Norte.
29) Carro particular arde em chamas ao lado do Hospital Giselda Trigueiro, em Natal.
30) Fogo é registrado em base policial nas Rocas. Se aproxima da meia noite.
31) Pouco depois da uma da manhã, policiais de Macaíba prendem 4 suspeitos de participarem dos atentados.

32) Terror completa 12 horas de duração.
33) Às 2h30, ataque a setor de obras, em Jardim de Piranhas, termina com 3 ônibus, 2 tratores, uma retoescavadeira e uma caçamba totalmente destruidos!

34) Às 4h, bandidos disparam contra a base policial no conjunto Santo Antônio, em Mossoró.
35) Amanhece em Natal. Nas garagens, tumulto na empresa Reunidas. Motoristas só saem se forem escoltados por viaturas da PM.

36) – O Governo do Estado do RN está desenvolvendo operações para garantir a segurança do cidadão.
Portal no Ar

sábado, 23 de julho de 2016

Briga de facções criminosas termina em tiroteio na Redinha; veja vídeo - Um dos tiroteios registrados nesta semana foi gravado em um celular pelos próprios envolvidos

Rivalidade seria entre o PCC e o Sindicato do RN que disputam espaço naquela localidade
Por: Redação
A briga entre facções criminosas tem provocado conflitos e assustado moradores da comunidade da África, na Redinha, em Natal. Um dos tiroteios registrados nesta semana foi gravado em um celular pelos próprios envolvidos, que se intitulam nas imagens membros do Primeiro Comando da Capital.
A rivalidade seria entre o PCC e o Sindicato do RN que disputam espaço naquela localidade. Moradores, que preferem não se identificar, confirmam que os tiroteios são frequentes e, inclusive, existe toque de recolher.
Ainda de acordo com o que foi apurado pelo Portal BO, o caso registrado em um vídeo de celular e divulgado nas redes sociais aconteceu em um ponto conhecido como “Beco do Embaço”.
A polícia, apesar de não confirmar oficialmente que o tiroteio gravado aconteceu na Redinha, afirma que está investigando o caso e tentando identificar os envolvidos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Operação combate atuação do “Sindicato do Crime” em presídios no RN

Operação foi deflagrada nesta quinta-feira e cumpriu 39 mandados de prisão e 20 mandados de busca


Por Redação
Unidades foram depredadas durante rebeliões (Foto: Alberto Leandro)
Facção Sindicato do RN é responsável por desestabilizar os sistema prisional do Estado (Foto: Alberto Leandro)
Fruto de dez meses de investigações, foi deflagrada nesta quinta-feira (4) a operação para combater a facção criminosa denominada “Sindicato do RN”, que atua dentro e fora dos presídios potiguares.
Foram expedidos 39 mandados de prisão e 20 mandados de busca e apreensão pelos Juízes de Direito das Varas Criminais das Comarcas de Apodi, Caicó e São Gonçalo do Amarante.
Dos trinta e nove mandados de prisão, 27 dizem respeito a investigados já presos e que de dentro dos presídios atuam emitindo ordens para a prática dos mais diversos ilícitos em várias Comarcas do Estado. Líderes e braços operacionais dessa facção foram identificados e são investigados por crimes de organização criminosa, homicídios, roubos, tráfico ilícito de entorpecentes, dentre outros.
A investigação tem origem a partir de informes coletados nas Operações Alcatraz e Citronela, deflagradas respectivamente em dezembro de 2014 e setembro de 2015, observando-se que as atividades do “Sindicato do RN” avançaram ao longo do ano de 2015, mesmo com isolamento de alguns de seus líderes no sistema penitenciário federal, ocorrendo uma sucessão de lideranças.
Dentre outros, tiveram prisões decretadas as seguintes lideranças: Francisco das Chagas Rosa da Silva, conhecido como “Chaguinha”, um dos fundadores e membro da Linha Final; Jamerson César da Silva, conhecido como “Passarinho” ou “Voador”, membro da Linha Final; Gilmar da Cruz Silva, conhecido como “Curau”, membro do Conselho; Evan Ferreira Machado, conhecido como “Gordo Evan”, atacadista do tráfico de drogas; Wiliam Ferreira da Cunha, conhecido como “Oião” ou “Brahma”, membro do Conselho; Bruno Pierre Araujo Falcão da Silva, conhecido como “Pierre” ou “Wolverine”, membro do Conselho; Tarcísio Oliveira da Silva, conhecido como “Macaco” ou “Gorila”, membro do Conselho; João Maria Silva de Oliveira, conhecido como “Seba” ou “Cego” ou ainda “Pirata“, membro do Conselho; Estevam Sales da Silva, conhecido como “My Friend”, membro do Conselho; Gabriel Matheus Costa Torres, conhecido como “Lacoste” ou “Jacaré”, membro do Conselho; Gabriel Morais, conhecido como “Pesadão”, liderança em Caicó/RN; Orlando Vasco dos Santos, membro do Conselho; Neemias de Lima Figueiredo, conhecido como “Miau”, membro do Conselho; e Severino dos Ramos Feliciano Simão, conhecido como “Tirinete”, membro do Conselho.
Nesta quinta-feira, cinco pessoas foram presas em flagrantes por crimes de tráfico ilícito de entorpecentes e porte ilegal de arma de fogo. A Justiça determinou ainda o bloqueio de 79 contas bancárias usadas pela facção, pertencentes a titulares que estão sendo investigados quanto à colaboração com a organização criminosa.
Fundação e domínio territorial
A relação com a Operação Citronela observa-se em razão de histórico de sangrenta disputa pelo monopólio do comércio do tráfico de drogas na região da Ponte de Igapó, tendo ocorrido violenta competição entre o grupo do traficante Joel Rodrigues da Silva, que detinha o domínio da comunidade do “Mosquito” com traficantes que atuavam na comunidade “Beira Rio”, zona norte de Natal e na “Baixa da Coruja”, no Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante, motivo por que se observou a necessidade de investigar também esses outros traficantes.
A partir do momento em que Joel Rodrigues da Silva conseguiu avançar e se impor na comunidade “Beira Rio” houve uma reação dos primos Diego da Silva Alves, conhecido como “Diego Branco” e Francisco das Chagas Rosa da Silva, conhecido como “Chaguinha”, que detinham e ainda detém o monopólio do tráfico na “Baixa da Coruja”, em defesa desse território e de outros em São Gonçalo do Amarante, sendo ambos fundadores do “Sindicato do RN”.
Nesta quinta-feira foi preso em São Gonçalo do Amarante o investigado William Carlos Souza de Oliveira, conhecido como “Lobo”, o qual, segundo as investigações, é apontado como autor de diversos homicídios a serviço da facção, dentre essas mortes está a de Anxo Anton Valiño Gonzalez, assassinado no dia 06 de agosto de 2015, por ter se estabelecido no Jardim Lola, em razão da mera suspeita de que o mesmo estaria articulando traficar na localidade.
Desestabilização dos presídios e acordo das facções
Trecho do código disciplinar do Sindicato do RN (Foto: Cedida)
Trecho do código disciplinar do Sindicato do RN (Foto: Cedida)
Foi constatado ainda que os membros do “Sindicato do RN” buscaram incessantemente desestabilizar o interior das grandes unidades prisionais para conseguir o fim das denominadas “trancas”, ou seja, da prisão propriamente dita em unidade celular separada no interior dos pavilhões.
Paulatinamente, os membros da organização aproveitaram-se do vácuo causado pela ação ineficiente do Estado, foram ocupando espaços e promovendo o domínio das ações do portão do pavilhão para dentro, consumando o fim das “trancas” com reiteradas depredações das unidades, sobretudo entre os meses de março a agosto de 2015, arrancando as grades e impedindo o acesso regular dos agentes penitenciários.
Como os agentes não entravam rotineiramente nos pavilhões e há muito tempo já se valiam de “presos de confiança” para exercer a função de “chaveiros”, estes foram recrutados e passaram a seguir ordens das facções. O passo seguinte foi arrancar as grades de cada cela, o que terminou pelo domínio de toda a área dos pavilhões pelos próprios presos, cujo ingresso passou a depender de intervenções táticas do GOE ou do BPCHOQUE.
Esse comando do interior das unidades impede o cumprimento da Lei de Execuções Penais sobretudo no que se refere a regras básicas de disciplina e à separação dos detentos, facilita a escavação de túneis, o uso de celulares e o recrutamento de novos integrantes para a facção, a partir dos presos que não inicialmente não queiram integrar qualquer dos grupos e procuram posição de neutralidade (denominados de “massa”).
Em julho e em agosto de 2015 o “Sindicato do RN” atingiu quase toda a meta de derrubar as “trancas”, quando destruíram as grades dos Presídios de Nova Cruz e Caicó, perdendo o Estado o domínio do interior desses estabelecimentos.
Observou-se ainda que entre março e junho de 2015 houve um acordo entre as facções, que se uniram em torno de uma pauta pública que foi o afastamento da então Diretora do Presídio de Alcaçuz, mas cuja pauta real era avançar para destruir mais “trancas” e não se submeter a qualquer ordem ou disciplina, ampliando-se o controle das unidades.
Esse acordo além de viabilizar o avanço da destruição das “trancas”, resultou nos ataques a ônibus na região metropolitana de Natal no dia 16 de março de 2015, o que serviu como demonstração de força e buscava inibir a ação do Estado nas penitenciárias, aliada à estratégia de oferecer representações a órgãos competentes por supostas de violação de direitos por qualquer ação disciplinar mais firme por parte dos agentes penitenciários.
O controle das áreas internas se consolidou progressivamente, porém a frágil paz entre as facções durou até o mês de junho do mesmo ano, quando foi assassinado o detento Alexandre Teodósio, conhecido como “Pelelê”, que era ligado ao PCC, gerando-se uma sequência de atos de violência, com várias outras mortes, dentro e fora das unidades. Algumas dessas mortes foram decididas coletivamente pelo denominado “Conselho” da facção.
Outro órgão da organização é a chamada “Linha Final”, que são presos fundadores ou com poder de mando, os quais procuram agir de forma extremamente discreta, sendo até mesmo desconhecidos da condição de líderes muitas vezes pelos próprios agentes penitenciários, instrumentalizando outros presos para transmitir ordens.
Percebeu-se também que o grupo mantém contatos com membros de facções com divergências com o PCC, como a “Al Qaeda” (Paraíba) e o Comando Vermelho (Rio de Janeiro).
Portal no Ar

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Facções criminosas comandam crimes no falido sistema penitenciário do RN

Juiz diz que gravações onde presos encomendam crimes mostra necessidade urgente de novos presídios


Gravações que mostra um preso da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Grande Natal – a maior unidade prisional do Estado – em conversas com traficantes, trouxe grande preocupação para o sistema de segurança do Estado. Para o juiz Henrique Baltazar, titular da Vara de Execuções Penais, o Rio Grande do Norte precisa urgentemente de novos presídios.
“Claro que o sistema prisional potiguar precisa de muitas melhorias. Mas precisamos de novos presídios. Atualmente, as unidades estão superlotadas. Essa população carcerária muito alta dificulta o trabalho de controle dessas facções que agem dentro dos presídios do RN”. Nos áudios, que foram divulgados pela Inter Tv Cabugi, os detentos conversam sobre diversos assuntos com traficantes que estão fora da unidade prisional. Eles planejam como entrar com drogas e aparelhos telefônicos. “Depois que ele dá o baculejo, aí a mulher vai com dois telefones escondidos na mão, coloca na sacola e entra. Entendeu?”, diz um dos áudios.  Em outra conversa, um preso se oferece para matar alguém que esteja devendo para o traficante. “Quando um cara enrolar você e você vê que se prejudica naquele canto, você dá a ideia e nóis pega, tá ligado? Agora tem que ser um bagulho que tenha motivo. Não é por toda dívida que ninguém pode tá matando o povo”.
As interceptações telefônicas foram feitas durante as investigações da Operação Alcatraz, que foi desencadeada em dezembro do ano passado e cumpriu 223 mandados de prisão em 15 cidades potiguares e também nos estados da Paraíba, Paraná e São Paulo. Destes, 154 foram contra pessoas que já estão encarceradas.  De acordo com as investigações, duas organizações criminosas atuam no sistema penitenciário estadual, ditando diretrizes e princípios a serem observados pelos seus integrantes e articulando crimes fora dos presídios, tendo uma delas forte relação com outros Estados da federação.
“Essa situação realmente precisa ser investigada. Temos feito um trabalho de inteligência muito grande em todas as vertentes do sistema de segurança do Rio Grande do Norte, para conseguirmos identificar quem são essas pessoas que fazem esses trabalhos aqui fora para os detentos. Essas negociações que acontecem dentro dos presídios têm influência direta com crimes que ocorrem em todo o Estado”, declarou Kalina Leite, secretária de segurança do RN. Já o governador Robinson Faria destacou que a equipe de segurança tem feito estudos e até o final do mês trará um diagnóstico geral da atual situação do Estado. “Confio muito na minha equipe, que está trabalhando incansavelmente para melhorar a situação da segurança do Rio Grande do Norte. Pedimos um diagnóstico para o Ministério da Justiça sobre a mancha criminal do nosso Estado e iremos trabalhar em cima disso”.
Na semana passada o tenente da Polícia Militar, Leonardo Freire, foi nomeado como o novo titular da Coordenadoria de Administração Penitenciária (Coape). Ele disse que uma maneira de conseguir inibir as facções dos presídios é investir em tecnologia. “Nós precisamos usar tecnologia para combater essas facções. Precisamos de novos equipamentos para realizar as revistas e também queremos, da forma mais rápido possível, colocar antenas para bloquear o sinal dos celulares. É uma maneira mais urgente de conseguir evitar o contato desses detentos com pessoas de fora do presídio”, disse Leonardo.
O diretor da Coape ainda lembrou dos recursos perdidos pelo Governo passado. “Nos últimos anos, o Estado perdeu recursos que estavam disponíveis, pois não apresentou nenhum projeto. Temos algumas situações em andamento, como a ampliação de vagas nos CDPs (Cadeias Públicas) de Apodi e Parelhas, com 100 vagas cada”. Já Henrique Baltazar frisou que a falta de projetos não foi o único problema. “Para receber essa verba do Governo Federal, o Estado precisa conceder uma pequena contrapartida. Só que o Estado não tinha dinheiro para isso. O sistema prisional do Estado ficou os últimos quatro anos sem receber nenhum investimento por parte do Governo”.
Combater os assaltos aos bancos
Apenas nos primeiros 27 dias do ano, sete assaltos a bancos e caixas eletrônicos foram registrados no Rio Grande do Norte. Os últimos casos aconteceram durante o último domingo (25), em Messias Targino, no interior do Estado e na fábrica da Sams, que fica na cidade de Macaíba.
Em conversa com o Jornal de Hoje, a secretária de segurança, Kalina Leite, mostrou preocupação com o número de casos que aconteceram este ano. “Percebemos que existe um número muito grande desses crimes no interior do Estado. Por isso estamos analisando a necessidade de reforçar o policiamento nessas regiões. Sabemos que esse dinheiro é utilizado pelos criminosos para comprar armamento e fortalecer o tráfico de drogas. É algo que tem que ser tradado de forma urgente”.
Mesmo destacando a necessidade da secretaria de segurança (Sesed) investigar esses crimes e prender os responsáveis, Kalina afirmou que os bancos também precisam investir em segurança. “Esses crimes não serão resolvidos apenas com a atuação da polícia. É preciso que essas instituições financeiras, que trabalham diretamente com dinheiro e com atendimento ao público, façam investimento em segurança nas agências e terminais bancários. Isso facilitaria até a própria atuação da polícia”.
Por fim, a secretária de segurança pediu tempo para conseguir diminuir os índices de homicídios no Estado. “Os homicídios crescentes trazem preocupação sim. Temos feito investigações. Sabemos que a maioria dos crimes que têm acontecido estão ligados com o tráfico de drogas. É uma situação que precisamos de tempo para conseguir reverter”.
JH

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Copa aumenta preocupação com terrorismo e ataques de facções criminosas

Especialista em segurança alerta para riscos de ações de grupos como o PCC e articulação de atentados planejados no exterior     

Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola é um dos líderes do PCC. Foto:Divulgação
Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola é um dos líderes do PCC. Foto:Divulgação
As forças policiais brasileiras estão com suas ações preventivas voltadas contra um eventual ataque do terrorismo internacional durante a Copa do Mundo, mas o inimigo pode estar dormindo ao lado, mais precisamente nas cadeias.
“Os órgãos de segurança têm indicativos de que bandidos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) teriam participado das manifestações do ano passado. É provável que integrantes dessa organização tentem agir antes do início ou durante a Copa do Mundo para coagir as autoridades”, alerta André Luís Woloszyn, especialista em sistemas estratégicos, tenente-coronel reformado da Brigada Militar gaúcha e ex-analista da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso.
“Esse grupo já fez isso em 2006 e em 2012 em São Paulo. É o chamado terrorismo criminal. Eles têm uma pendência com o Estado”, afirma.
Autor do livro “Guerra na Sombra – bastidores dos serviços secretos internacionais”, em que analisa o terrorismo e o papel das agências de espionagem e contraespionagem e chefe de segurança do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, Woloszyn afirma que o Brasil não é alvo do terrorismo internacional, mas a neutralidade em conflitos, a diversidade cultural, espírito hospitaleiro e dimensões territoriais – também contribuíram para tornar o país abrigo de imigrantes suspeitos.
“O Brasil é esconderijo de pessoas ligadas a células terroristas, procuradas em outros países. Na hipótese de se planejar um atentando, como é o estilo dessas organizações, essas pessoas eventualmente podem ser usadas”, disse o especialista. Ele ressalva, no entanto, que embora seja necessário reforçar a prevenção, não há motivos para paranoias, já que esses grupos são monitorados pelos órgãos de segurança, inclusive na região de Foz do Iguaçu, ponto da tríplice fronteira Brasil-Paraguai-Argentina.
Woloszyn lembra que há poucos anos o Brasil era visto pela comunidade internacional como paraíso de mafiosos, criminosos de guerra e assaltantes famosos. Entre os mais célebres estão o ladrão de bancos Ronald Biggs, o nazista Josef Mengele e o mafioso arrependidoTomaso Buschetta. “O que pode ocorrer aqui é a execução de um atentado planejado no exterior”, diz.
Analista de sistemas estratégicos, Woloszyn ressalta que os riscos maiores para grandes eventos estão em eventuais ações orquestradas pelo crime organizado. A musculatura adquirida pelo PCC ao longo de 20 anos de preparação e de omissão dos governos, segundo ele, demonstra a fragilidade do sistema de segurança pública. A organização, que hoje controla 90% da massa carcerária paulista e, nas ruas, o tráfico de drogas, roubos e contrabando de armas, tem entre seus objetivos bélicos o enfrentamento ao Estado.
“Um evento como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas viram prato cheio para o terrorismo. Não que o Brasil seja alvo, mas porque para cá virão delegações de países que são alvos de grupos do Oriente Médio ou da Ásia”, afirma o especialista. “Esse é sempre um momento muito delicado porque o terrorismo age procurando produzir um efeito psicológico se aproveitando da mídia”, diz.
Woloszyn afirma que no campo cibernético, o Brasil é vulnerável por não possuir domínio tecnológico para ações preventivas, como ficou demonstrado na denúncia de Edward Snowden ao revelar os tentáculos da Agência de Segurança Nacional (NSA). Por essa razão, segundo ele, o Brasil tornou-se dependente dos únicos países que detêm os 12 provedores existentes no mundo (10 deles nos Estados Unidos, um na China e outro na Russia). “Um apagão cibernético que provoque um colapso e produza o caos está hoje mais ao alcance do terrorismo do que um atentado a bomba”, diz.
Segundo ele, os grupos especiais das forças de segurança têm treinamento de primeiro mundo, mas baixa articulação internacional e nenhum domínio tecnológico.
“Quem não tem isso está fora do processo internacional. Se as forças especiais tiverem de entrar em ação para neutralizar um criminoso é porque a inteligência preventiva falhou”, observa o especialista.
Woloszyn ressalva, no entanto, que para se prevenir, as forças de segurança reforçaram a cooperação internacional com os serviços secretos de países mais experientes no combate ao terrorismo, como Inglaterra, Espanha, Alemanha, Israel e Estados Unidos.
O problema dessas agências, diz o especialista, é um fenômeno típico da espionagem e contra espionagem: a compartimentação da informação, ou seja, cada um procura controlar o que sabe e isso facilitando atentados.
“Descobriu-se, depois do 11 de Setembro de 2001, que várias agências investigavam o mesmo grupo, mas não conversavam entre si”, lembra.
O especialista diz que é necessário fazer uma distinção clara entre terrorismo e crime organizado tanto nas ações institucionais de prevenção ou de repressão quanto na legislação. Woloszyn alerta que, tomado pelo clima emocional gerado com a morte do cinegrafista Sergio Andrade, da rede Bandeirantes, o Congresso pode aprovar uma lei esdrúxula e inadequada, em que o direito de se manifestar posse ser confundido com atentado terrorista.
“O Congresso analisa 12 propostas que há dez anos não saem do papel. Algumas são claramente inconstitucionais porque confundem vandalismo, lesões corporais ou o emprego de violência em conflito ou distúrbios com terrorismo”, observar Woloszyn. Segundo ele, o debate gerado pela morte do cinegrafista ganhou contornos de irracionalidade e entrou no jogo político, uma receita perfeita, segundo ele, para manter o país na contramão da história quando o assunto é segurança e combate a impunidade.

Fonte:IG