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sábado, 2 de julho de 2016

Papa diz discriminação na Igreja é “coisa feia”

O papa Francisco criticou neste sábado (11), no Vaticano, durante o Jubileu dos Enfermos e Portadores de Necessidades Especiais, os sacerdotes que não abrigam todos em suas igrejas, sugerindo-lhes que é melhor fechar as portas do que rejeitar pessoas.
Ao discursar na grande sala Paulo 6º, Jorge Bergoglio reagiu com emoção à pergunta de uma menina italiana, Serena, que lhe dizia que não se sentia acolhida em sua paróquia e não entendia por que não podia comungar.
“Serena, você me cria um problema, se eu te dissesse o que eu penso! Você citou uma das coisas mais feias que existem para nós, a discriminação (…) Penso em um sacerdote que não abriga todos. Feche suas portas, por favor. Porque ou é todo mundo, ou não é ninguém”, desabafou Francisco.
Robson Pires

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é celebrado hoje (21/01/2015).Líderes de crenças africanas alertam sobre a discriminação

Principais vítimas são oriundas das religiões de matriz africana

m outubro de 1999, o jornal Folha Universal estampou em sua capa uma foto da iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, em publicação com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A casa da Mãe Gilda foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente e seu terreiro, depredado por integrantes de outro segmento religioso. Mãe Gilda morreu em 21 de janeiro de 2000, vítima de um infarto. Para combater atitudes descriminatórias e prestar homenagem a Mãe Gilda, foi instituído, em 27 de dezembro de 2007, pela Lei 11.635, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado hoje (21).
Casos como o de Mãe Gilda não são isolados. Em 2014, o Disque 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa no país. Mais de um quarto (26,17%) ocorreu no estado do Rio de Janeiro e 19,46%, em São Paulo. O número total caiu em relação a 2013, quando foram registradas 228 denúncias, mas, mesmo assim, mostra que a questão não foi superada no país. As principais vítimas são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.
“No ano passado, tivemos diferentes ações contra a intolerância religiosa, como manifestações, publicação de vídeos. Não acho que diminuiu imediatamente, mas os grupos têm reagido. Não quer dizer que tivemos menos invasões de casas e agressão pela não permissão do uso de idumentárias em espaços públicos”, analisa a coordenadora da organização não governamental (ONG) Criola, Lúcia Xavier.
Para ela, a discriminação das religiões de matriz africana está ligada ao racismo. De acordo com os dados do Disque 100, no ano passado, 35,39% das vítimas eram negros. Os brancos correspoderam a 21,35% e os indígenas, a 0,56%. Os demais não informaram. “Tem a ver também com a ideia de que as religiões de matriz africana são primitivas, usam sacrifícios de animais, têm ritos diferenciados”, diz Lúcia.
“Acho que, embora tenham ocorrido alguns avanços nos último anos, um desafio muito grande é o de esclarecimento. A religião é demonizada, acham que cometemos barbáries. Não é nada disso. As pessoas precisam de mais informação, de saber mais a respeito”, diz a ialorixá Dora Barreto, do terreiro Ilê Axé T’Ojú Labá, no Distrito Federal.
Segundo o professor de filosofia da religião da Universidade de Brasília Agnaldo Cuoco Portugal, muitas vezes, a intolerância extrapola a religião e relaciona-se com questões socioeconômicas e políticas. “O Brasil é um país relativamente pacífico em termos de violência religiosa”, compara. Entre casos extremos de intolerância, ele cita o recente ataque à redação do semanário francês Charlie Hebdo e os ataques consequentes a mesquitas.
No Brasil, ele defende que para combater a intolerância é necessária uma imprensa ativa, canais de participação e acesso a denúncias pela sociedade e a própria educação religiosa. “A ideia de educação religiosa na escola pública no Brasil é interessante. Só acho uma pena que ela seja entregue às igrejas. A minha visão é de que seja assunto de estudo científico, como qualquer outro, deveria ser o estudo das religiões para saber o que pensam os grupos, de forma científica e não catequética”, defende Portugal.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dilma defende fim da discriminação salarial para mulheres e negros

Presidente defendeu que a promoção do trabalho decente não deve ser levantada apenas durante o Mundial (Foto:José Cruz/Agência Brasil)


Por Paulo Victor Chagas/Agência Brasil
Ao participar de ato que celebrou o compromisso com empregadores e centrais sindicais para a melhoria das condições de trabalho durante a Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff defendeu que a promoção do trabalho decente não deve ser levantada apenas durante o Mundial.
Para a presidente, a Copa é um momento especial para que sejam exibidos os avanços da sociedade brasileira sobre o tema. “Em épocas passadas, não tínhamos de fato trabalho decente aqui no Brasil, qualquer emprego bastava, qualquer ocupação servia. Muitas vezes, as pessoas viviam no trabalho informal”, declarou a presidente durante a cerimônia.
Segundo Dilma, os principais desafios para o trabalho decente no Brasil passam pela maior qualificação e condições igualitárias de emprego e renda. “No caso das mulheres, nós sempre devemos lembrar da necessidade de lutar por salário igual para trabalho igual. Para nossa população negra, é muito importante que tenhamos foco nessa questão, [e também em] um combate sem tréguas ao trabalho escravo e ao racismo”, completou.
 
 
O evento desta quinta-feira (15) marcou a assinatura de empresas e trabalhadores a dois compromissos que visam ao desenvolvimento de iniciativas de aperfeiçoamento das condições de trabalho, de combate ao trabalho infantil e contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. Eles terão até 31 de agosto para promoverem medidas que assegurem a qualidade dos empregos, a economia solidária e a segurança e a saúde no trabalho.
Segundo o assessor especial José Lopez Feijóo, da Secretaria-Geral da Presidência da República, cerca de 1,5 mil entidades já aderiram ao compromisso, e há a expectativa que, ao todo, 6 mil instituições o façam.
No próximo dia 3, a secretaria-geral promoverá um seminário entre os membros dos comitês que acompanharão o andamento das obras. Para Dilma, esse método de diálogo com setores trabalhistas e representantes dos funcionários, como a Central Única dos Trabalhadores, mostra que o governo não evita os problemas, mas busca o caminho da solução.
 
Ao defender mais uma vez que o Mundial será a “Copa das Copas”, a presidente disse que a competição deixará aos brasileiros um legado que não poderá ser levado por nenhum turista de volta a seus países. “O que eles podem levar na mala? É a garantia e a certeza de que este é um país alegre e hospitaleiro. Pode levar isso na mala. Agora, os aeroportos ficam para nós, as obras de mobilidade ficam para nós, os estádios ficam pra nós”, declarou Dilma, que disse ser essa a questão central do Mundial.