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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Terreiro de umbanda é invadido e tem objetos roubados em Felipe Camarão - Segundo integrantes da comunidade, o grupo costuma ser vítima de intolerância de alguns moradores que dizem não gostar da religião

Suspeitos invadiram o templo pelo teto (Foto: Cedida)
Suspeitos invadiram o templo pelo teto (Foto: Cedida)
Um templo de religião afro brasileira, localizado na Rua Mirassol, no bairro de Felipe Camarão, zona Oeste de Natal, foi invadido e teve objetos roubados na madrugada desta quarta-feira (25). Ainda não há informações sobre os suspeitos do crime.
De acordo com pai Silvio, líder do templo, a invasão foi percebida logo no início da manhã, quando integrantes da comunidade foram abrir o templo. Segundo ele, parte do teto tinha sido destelhada indicando os suspeitos tinham entrado por ali.
Maciel conta que vários objetos utilizados pelas entidades foram levados, como punhais e perfumes de marca. Ele conta que foi até a delegacia para prestar queixa, mas que até o momento não há pistas de quem possa ter cometido o crime.
Para Macilei Maciel, presidente da Federação de Umbanda Juremace Candonble do RN, Macilei Maciel, a suspeita é de que o crime tenha sido motivado por intolerância religiosa.
Maciel conta que o templo existe no local há mais de 20 anos e que a comunidade costuma ser vítima da intolerância de alguns moradores que dizem não gostar da religião.
“Existem algumas pessoas aqui na comunidade que não respeitam a nossa crença”, afirmou ele. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Portal no Ar

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

2 de fevereiro, dia de Iemanjá: enquanto festejos acontecem pelo Brasil, vândalos maculam estátua em Natal/RN

Nesta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, comemora-se o Dia de Iemanjá, orixá considerada pela umbanda a divindade do mar. Em Natal, a estátua fica na praia do Meio, Zona Leste da cidade. E, mais uma vez, ela foi alvo de vandalismo. A imagem foi danificada no pescoço e parte do busto. A polícia, no entanto, ainda não sabe se o monumento foi apedrejado ou alvo de tiros.
Feita de concreto e ferro, a estátua tem 15 anos e é mantida pela Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte. Ao longo deste período, o monumento  já foi alvo de vandalismo várias vezes. Em março do ano passado, a estátua teve parte do braço esquerdo destruído. Já em janeiro de 2012, na véspera do Dia de Iemanjá, a imagem teve as duas mãos arrancadas."A gente vê a questão do preconceito como uma fobia", desabafa Cláudio Macário, representante da Comissão dos Terreiros de Umbanda e Candomblé de Natal.
G1
CONHEÇA MAIS SOBRE ESTE ORIXÁ AFRICANO

O Dia de Iemanjá é comemorado em 2 de Fevereiro. 

Iemanjá, também conhecida como "Rainha do Mar" é um orixá africano, e faz parte da religião do candomblé e de outras religiões afro-brasileiras. O Dia de Iemanjá é a maior festa de Iemanjá, onde milhares de pessoas se vestem de branco e vão à praia depositar oferendas, como espelhos, jóias, comidas, perfumes e outras objetos.

Origem do Dia de Iemanjá

Inicialmente, o Dia de Iemanjá era comemorado em conjunto com a Igreja Católica, porque dia 2 de fevereiro também é dia de Nossa Senhora da Conceição. Porém, nos anos 60, houve uma reação da Igreja, que começou a considerar a celebração um culto pagão, e atualmente a data conta com devotos do candomblé e da umbanda, em sua maioria.
Existe ainda uma ligação com o catolicismo, no entanto. O dia de Iemanjá é também oDia de Nossa Senhora dos Navegantes, uma santa católica. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina ainda existe esse sincretismo entre Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes. No Rio de Janeiro Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Glória.

História de Iemanjá

Iemanjá é também conhecida por YemanjáIyemanjáYemayaYemoja ou Iemoja. O nome Iemanjá é derivado da expressão Iorubá, que quer dizer "mãe cujos filhos são peixes".
Iemanjá era a orixá de uma nação iorubá, os Egba, que viviam inicialmente em um local no sudoeste da Nigéria, entre Ifé e Ibadan, onde há um rio chamado Yemanjá. No século XIX, por causa das guerras entre povos iorubás, os Egba foram obrigados a se afastar do rio Iemanjá e passaram a viver em Abeokuta. No entanto, continuaram cultuando a divindade, que segundo a tradição, passou a viver em um novo rio, o Ògùn.

Dia de Iemanjá na Umbanda

No Brasil o Dia de Iemanjá pode ser comemorado em dias diferentes dependo do estado. Embora o principal seja o dia 2 de fevereiro, em São Paulo a comemoração é no dia 8 de dezembro, e no Rio de Janeiro é muito celebrada no Réveillon, no dia de Ano Novo, com vários rituais de Passagem de Ano.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é celebrado hoje (21/01/2015).Líderes de crenças africanas alertam sobre a discriminação

Principais vítimas são oriundas das religiões de matriz africana

m outubro de 1999, o jornal Folha Universal estampou em sua capa uma foto da iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, em publicação com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A casa da Mãe Gilda foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente e seu terreiro, depredado por integrantes de outro segmento religioso. Mãe Gilda morreu em 21 de janeiro de 2000, vítima de um infarto. Para combater atitudes descriminatórias e prestar homenagem a Mãe Gilda, foi instituído, em 27 de dezembro de 2007, pela Lei 11.635, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado hoje (21).
Casos como o de Mãe Gilda não são isolados. Em 2014, o Disque 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa no país. Mais de um quarto (26,17%) ocorreu no estado do Rio de Janeiro e 19,46%, em São Paulo. O número total caiu em relação a 2013, quando foram registradas 228 denúncias, mas, mesmo assim, mostra que a questão não foi superada no país. As principais vítimas são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.
“No ano passado, tivemos diferentes ações contra a intolerância religiosa, como manifestações, publicação de vídeos. Não acho que diminuiu imediatamente, mas os grupos têm reagido. Não quer dizer que tivemos menos invasões de casas e agressão pela não permissão do uso de idumentárias em espaços públicos”, analisa a coordenadora da organização não governamental (ONG) Criola, Lúcia Xavier.
Para ela, a discriminação das religiões de matriz africana está ligada ao racismo. De acordo com os dados do Disque 100, no ano passado, 35,39% das vítimas eram negros. Os brancos correspoderam a 21,35% e os indígenas, a 0,56%. Os demais não informaram. “Tem a ver também com a ideia de que as religiões de matriz africana são primitivas, usam sacrifícios de animais, têm ritos diferenciados”, diz Lúcia.
“Acho que, embora tenham ocorrido alguns avanços nos último anos, um desafio muito grande é o de esclarecimento. A religião é demonizada, acham que cometemos barbáries. Não é nada disso. As pessoas precisam de mais informação, de saber mais a respeito”, diz a ialorixá Dora Barreto, do terreiro Ilê Axé T’Ojú Labá, no Distrito Federal.
Segundo o professor de filosofia da religião da Universidade de Brasília Agnaldo Cuoco Portugal, muitas vezes, a intolerância extrapola a religião e relaciona-se com questões socioeconômicas e políticas. “O Brasil é um país relativamente pacífico em termos de violência religiosa”, compara. Entre casos extremos de intolerância, ele cita o recente ataque à redação do semanário francês Charlie Hebdo e os ataques consequentes a mesquitas.
No Brasil, ele defende que para combater a intolerância é necessária uma imprensa ativa, canais de participação e acesso a denúncias pela sociedade e a própria educação religiosa. “A ideia de educação religiosa na escola pública no Brasil é interessante. Só acho uma pena que ela seja entregue às igrejas. A minha visão é de que seja assunto de estudo científico, como qualquer outro, deveria ser o estudo das religiões para saber o que pensam os grupos, de forma científica e não catequética”, defende Portugal.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Estátua de Iemanjá vai virar o ano quebrada e com marcas de tiro

Partes da estátua de Iemanjá estão deterioradas e até com marcas de tiros


As mãos dela estão irreconhecíveis. Em vários pontos do corpo há marcas de tiros. Mesmo assim, ela ainda tem alguma atenção. As oferendas em torno da imagem provam que nem a destruição abala a fé em Iemanjá. A estátua está depredada desde o início deste ano e vai passar para o próximo na mesma situação.
De acordo com o presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte, Macilei Maciel, o dia 31 de dezembro não é data oficial de adoração. Apesar disso, muitas pessoas enviam suas oferendas para o mar. “As pessoas fazem isso para agradecer o ciclo do ano que está indo e o início de um novo. Mas para nós, o dia de Iemanjá deve ser todos os dias”, disse.
Oficialmente, o dia voltado para Iemajá é oito de dezembro. No candomblé, dois de fevereiro. Mas o culto das oferendas no dia 31 de dezembro já é uma tradição que se deve mais a mistura das religiões (sincretismo) no Brasil do que um ritual específico de alguma religião africana.
O professor de educação física Fábio Azevedo promove treino funcional nas proximidades da imagem. Para ele, a situação causa vergonha. “É lamentável deixar uma situação dessas ocorrer. É  ruim tanto para o turista, quanto para a gente que mora aqui”, classificou. O jovem não pertence a nenhuma das duas religiões.
A preocupação com a imagem que o turista leva da cidade mostra que a imagem também tem valor turístico e cultural. Esse foi um dos motivos pelos quais a Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte conseguiu a aprovação de um projeto de recuperação da imagem em um edital da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte).
O edital público foi voltado para o financiamento de festejos de expressões religiosas tradicionais. Conforme Macilei Maciel, o projeto da Federação contempla tanto a festa de Iemanjá, no dia dois de fevereiro, com cortejo pelo mar e apresentações musicais, quanto a produção de uma nova imagem.
O valor total do projeto é de R$ 110 mil. A atual imagem deverá ser doada para o Museu do Naufrágio, projeto que a Prefeitura de Natal pretende instalar no fundo do mar para mergulhadores. O resultado saiu em 16 de outubro deste ano. Como não houve tempo suficiente para inaugurar a nova imagem em oito de dezembro (dia de Iemanjá para Umbanda), Macilei resolveu prorrogar para fevereiro.
Apesar de se sentir abalado pela depredação proposital, muitas vezes motivada pela intolerância religiosa, o presidente da federação diz que toda a comunidade que adora Iemanjá vai superar esse momento. “Dá sim uma dor no peito, mas essa deterioração nos deu força para correr atrás de uma imagem nova”, disse. Depois da nova imagem de Iemanjá, o objetivo da federação é recuperar a estátua de Oxum, localizada no rio Doce (Redinha), que também foi vítima de vandalismo.