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sábado, 6 de maio de 2017

Três meses após massacre em Alcaçuz, corpos e cabeças ainda aguardam DNA

Corpos em Alcaçuz, em janeiro

Cabeças foram encontradas em buscas sucessivas, depois da rebelião. Antes disso, 11 corpos foram identificados e liberados, sem cabeça, para as famílias

Mais de três meses depois do início da disputa entre facções rivais que resultou em duas semanas de rebelião e 26 mortos, na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, Rio Grande do Norte, as consequências do massacre ainda perduram. Três corpos e 15 cabeças aguardam exame de DNA. A polícia científica do estado não tem laboratório com tecnologia para a análise do código genético. O exame deve ser feito ainda este mês, no laboratório da Polícia Científica da Bahia.
As cabeças foram encontradas em buscas sucessivas, depois da rebelião. Antes disso, 11 corpos foram identificados e liberados, sem cabeça, para as famílias. Com a identificação por meio do DNA, o diretor-geral do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), Marcos Brandão, informou que as cabeças vão ser entregues aos familiares para que decidam o destino dos restos mortais. “Não era certeza que essas cabeças apareceriam, foram aparecendo, por sinal, de forma gradativa, algumas só posteriormente. É igual acidente aéreo, a vítima vai ser enterrada com o que foi encontrado.”
Restam também três famílias que ainda não tiveram uma resposta definitiva sobre o destino dos restos mortais de três detentos depois da rebelião. Elas aguardam que os corpos carbonizados e degolados sejam finalmente identificados por meio do DNA. Desde janeiro, os cadáveres estão no Itep. Uma quarta vítima foi enterrada como indigente em abril. Depois da recontagem, além dos 26 mortos, foram contabilizados mais de 50 fugitivos pelo governo estadual.
Marcos Brandão afirmou que as análises de DNA devem ser feitas em maio. “Como a gente não tem [laboratório de DNA] fica dependendo de nos encaixarmos em outro laboratório”, disse. “Vai ser no laboratório da Polícia Científica da Bahia. A gente tem parceria com eles. Os técnicos são nossos, a gente usa a estrutura física e equipamentos deles.”
Segundo Brandão, a rebelião acabou fazendo avançar um processo antigo de abertura de um laboratório de DNA. Uma estrutura do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte (Idiarn) já havia sido doada ao Itep, mas era preciso readequar o espaço. A obra está orçada em R$ 280 mil. Brandão informou que os recursos estão garantidos, e a licitação deve sair no dia 15 de maio. “Até o final do ano esperamos ter o nosso laboratório de DNA.”
Reformas e superlotação
Aos que sobreviveram ao motim, é preciso lidar com a superlotação. Antes da rebelião eram cerca de 1.150 presos para 620 vagas, levando em conta a Penitenciária de Alcaçuz e a Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, outra unidade que fica no mesmo terreno de Alcaçuz e é chamada de Pavilhão 5. Foi desse último espaço, controlado pelo Primeiro Comando da Capital, que escaparam os presos, no dia 14, para atacar o Pavilhão 4, dominado pelo Sindicato do Crime do RN.
A rebelião deixou um rastro de destruição no local, mas os problemas estruturais são mais antigos. Desde 2015 as celas não tinham grades (por causa de outro motim), o que deixava os detentos livres para circular dentro dos pavilhões. Com a retomada do controle de Alcaçuz, o governo estadual anunciou uma reforma emergencial. A obra, contratada com dispensa de licitação, foi orçada em R$ 1,9 milhão.
Com isso, segundo a Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), cerca de 90% do contingente das duas penitenciárias estão abrigadas provisoriamente no Pavilhão 5, ou Penitenciária Rogério Coutinho Madruga. Ao todo, são 846 presos em Alcaçuz e 473 no Coutinho. O Pavilhão 3 já ficou pronto e, segundo a Sejuc, recebeu vistoria de equipe médica da prefeitura de Nísia Floresta – município onde fica Alcaçuz – e de representantes do governo estadual. Serão transferidos 300 presos que estavam provisoriamente no Pavilhão 5. A data e os detalhes da transferência não foram divulgados pela secretaria “por questões de segurança”
A construção de outras unidades prisionais também foi anunciada à época, como uma saída para a crise. Uma delas é a Cadeia Pública de Ceará-Mirim, que deveria ter sido entregue em 2016. A Sejuc diz que a unidade, com 603 vagas, está com 70% das obras concluídos e deve ser inaugurada no segundo semestre de 2017.
De acordo com a Sejuc, o número de presos a serem transferidos de Alcaçuz para as novas unidades prisionais ainda está sendo decidido pela Coordenação de Administração Penitenciária. Ainda assim, a população carcerária do estado como um todo é maior que o número de vagas a serem criadas. A secretaria informou que existem cerca de 8 mil detentos para 4 mil vagas atualmente.
Fechamento definitivo
Na reforma de Alcaçuz, mudanças foram feitas em relação ao projeto original, que vão desde travas das celas mais modernas a reforço de concreto no chão. Em relação a adaptações que seriam realizadas do lado de fora, como proteção do perímetro do presídio e concretagem junto ao muro para evitar túneis de fuga, a Secretaria de Justiça não detalhou quais ações anunciadas no dia 23 de janeiro já estariam prontas ou foram iniciadas.
Mesmo com o anúncio da reforma, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, manifestou em pelo menos duas ocasiões o desejo de desativar a Penitenciária de Alcaçuz. Para ele, a escolha do local (uma duna próximo a uma área de expansão turística) e a concepção do projeto foram erradas desde o princípio. O Ministério Público do Rio Grande do Norte abriu inquérito civil questionando essas manifestações.
As reformas estão sendo orientadas pela Força Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), grupo criado pelo Ministério da Justiça este ano para ajudar na crise dos sistemas prisionais dos estados. No total, 85 agentes penitenciários, de quatro estados brasileiros, atuam no Rio Grande do Norte, especialmente em Alcaçuz, desde o fim de janeiro.
“[Alcaçuz] é um presídio bom”, disse o coordenador da FTIP no estado, Mauro Albuquerque. “Tem uma estrutura boa, muro, os blocos são bons, estão sendo reformados, então vai funcionar bem”, destacou em entrevista à Agência Brasil.
Já a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Rio Grande do Norte (Sindasp-RN), Vilma Batista, concorda que o local escolhido não foi adequado. “O tamanho da penitenciária também desfavorece. É muito grande, e a gente não tem visão dela toda”. Porém, ela classifica o fechamento definitivo de Alcaçuz de “desperdício de dinheiro público”. “Foi um investimento muito alto na penitenciária. O que deveria ser feito era reaproveitar. Temos outro nível de população carcerária, presídio feminino. E também porque não há tempo hábil para a construção de novas unidades. Mesmo que se construa Ceará-Mirim e mais duas unidades ainda não vai desafogar a superlotação que temos hoje.”
Sobre o desejo do governador de fechar definitivamente Alcaçuz, a Secretaria de Justiça informou que “o fechamento ainda não foi confirmado nem tem data para acontecer”.
Agora RN

domingo, 15 de janeiro de 2017

Imprensa internacional repercute rebelião em Alcaçuz; “homicídios são comuns nas prisões brasileiras”, diz jornal

Motim em penitenciária começou neste sábado (14)

Jornais americanos destacam terceiro massacre no sistema prisional brasileiro em apenas duas semanas, com mais de 100 mortes contabilizadas

A imprensa internacional já começa a repercutir a terceira grande rebelião no sistema prisional brasileiro de 2017. Veículos de grande influência no mundo já começam a noticiar ocupação da polícia.
O jornal americano The New York Times destacou que, pelo menos, 10 presos morreram durante o tumultuo que começou na tarde do sábado. Incluiu falas da secretária de Comunicação do Governo do Estado, Juliska Azevedo, e do secretário de Segurança do RN, Caio Bezerra, que explicaram o ocorrido.
O juiz de execuções penais, Henrique Baltazar, também é citado, ao falar que os presos já tinham o controle da penitenciária e que o Estado “só controlava as paredes”.
Segundo publicado no jornal, “homicídios e decapitações são comuns nas prisões brasileiras, onde as condições são algumas vezes descritas como medievais”.
O também americano The Washington Post destaca no título da matéria a ocupação da Polícia Militar na penitenciária: “polícia entra na última prisão do Brasil para ver os presos massacrados”, disse. O Jornal também cita rebelião que ocorreu em novembro de 2015, quando um túnel foi descoberto na penitenciária.
Também é destaque no El País o tumultuo no presídio potiguar, que cita o temor das autoridades de que bandidos comandem ataques nas ruas.
O Governo do Estado fará uma entrevista coletiva, as 10h deste domingo para detalhar as últimas ações realizadas na unidade.
Agora RN

Michel Temer determina que ministro da Justiça preste auxílio ao RN

Michel Temer, presidente

Ao menos dez presos morreram após uma rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, região metropolitana de Natal

Em mensagem publicada em sua conta no Twitter, o presidente Michel Temer determinou que o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, preste “todo o auxílio necessário” ao governo do Rio Grande do Norte. Ao menos dez presos morreram após uma rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, região metropolitana de Natal (RN).
Temer também afirmou que acompanha a situação no presídio deste ontem.
O presidente, porém, não fez menção à fuga de detentos do Complexo Penitenciário de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, que aconteceu neste domingo (15).
Ontem, o ministério da Justiça divulgou nota em que informou que Moraes “está acompanhando a situação”.
“O governo do Rio Grande do Norte ainda não fez pedido de ajuda. Caso haja essa necessidade, o auxílio será analisado e prestado imediatamente, da mesma forma como ocorreu na semana passada com os sete estados que solicitaram ajuda”, diz o comunicado.

Rapidez

Desde os três dias de demora para se pronunciar sobre a matança em presídios de Manaus, Temer tem procurado se pronunciar mais rapidamente sobre novos fatos envolvendo a crise no sistema penitenciário.
No caso das mortes na Penitenciária Agrícola Monte Cristo, em Boa Vista, o presidente manifestou-se horas depois do ocorrido.
Agora RN

sábado, 14 de janeiro de 2017

Terror - Em rebelião, cabeças são jogadas para o lado de fora do pátio de Alcaçuz - Presos estão se rebelando na maior penitenciária do Estado desde às 16h30; segundo a administração, há confrontos entre facções rivais

Imagem mostra três cabeças jogadas no pátio de Alcaçuz


O clima está tenso na Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Os detentos iniciaram uma rebelião na tarde deste sábado (14) e já mataram ao menos três presos, segundo informações publicadas pelo Portal Mossoró Hoje no final desta tarde.
A rebelião em si foi confirmada pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado (Sejuc). O coordenador de administração penitenciária da Sejuc, Zemilton Silva, informou à imprensa que o tumultuo é de “grandes proporções” na unidade prisional da grande Natal.
A assessoria da Polícia Militar informou que o motim começou por volta das 16h30, quando presos do pavilhão 1 invadiram o pavilhão 5 da penitenciária. Os pavilhões da penitenciária são controlados por facções criminosas.
Confira outra foto da rebelião: