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domingo, 28 de junho de 2015

Feliciano chama homossexualidade de 'modismo' ao falar com 'ex-gays'

Audiência pública com pessoas que dizem terem deixado de ser homossexuais  foi realizada nesta quarta-feira, dia 24 de junho de 2015
(Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados)

Para o deputado do PSC, 'pais não sabem mais o que fazer' sobre o tema.
Audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara ficou lotada.

Alvo de protestos por conta de declarações polêmicas envolvendo homossexuais, o ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Marco Feliciano (PSC-SP) classificou nesta quarta-feira (24) a homossexualidade de "modismo" durante uma audiência pública com pessoas que se consideram "ex-gays". O encontro, proposto pelo próprio Feliciano, reuniu no Legislativo, além de parlamentares, ativistas da causa LGBT e pessoas ligadas à bancada evangélica.
Em meio à sessão, o deputado do PSC defendeu o debate com os "ex-gays" como uma maneira de reduzir o preconceito tanto entre grupos héteros quanto na comunidade LGBT. Composta majoritariamente por deputados com postura mais conservadora, a audiência pública foi boicotada por parte dos parlamentares historicamente ligados às bandeiras dos movimentos sociais.
“Essa audiência traz fôlego aos pais que não sabem mais o que fazer, quando a homossexualidade se tornou um modismo”, ressaltou Feliciano, acrescentando que, se uma pessoa pode ser gay, também “existe o caminho inverso”.
O plenário da Comissão de Direitos Humanos ficou lotado durante a audiência pública. Cinco pessoas convidadas pelos integrantes do colegiado relataram como começaram a se relacionar com pessoas do mesmo sexo. Todos contaram ter sofrido abusos na infância ou problemas de relacionamento com os pais na adolescência, e defenderam que ninguém “nasce gay”, mas que o comportamento é determinado pela sociedade.
Em 2013, ano em que presidia a Comissão de Direitos Humanos, o deputado do PSC colocou em discussão um projeto, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), que pretendia autorizar o tratamento, por psicólogos, da homossexualidade. Depois de o texto ser criticado inclusive nas manifestações de junho de 2013, os deputados decidiram arquivar a proposta.Marco Feliciano negou, diante dos colegas da comissão, que sua proposta de ouvir pessoas que se autodenominam "ex-gays" seja uma tentativa de reacender o debate sobre a chamada “cura gay”. “Não existe cura, porque não é doença”, enfatizou.
Convidado a participar da audiência pública desta quarta-feira, o vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Rogério de Oliveira Silva, defendeu a resolução da entidade, de 1999, que disciplina a atuação dos profissionais da categoria e proíbe que psicólogos empreguem “tratamento e cura" da homossexualidade.
Os 'ex-gays'
Entre as pessoas convidadas a palestrar na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos havia quatro pastores e uma estudante de psicologia que se autodeclaram "ex-gays". Uma missionária, mulher de um dos pastores, também deu seu relato aos deputados.
Durante o encontro, o pastor Joide Pinto Miranda contou que foi travesti por muitos anos, inclusive no exterior, mas, segundo ele, sempre viveu em conflito. “Coloquei quatro litros e meio de silicone nos glúteos e cheguei a ser o terceiro travesti mais belo na minha cidade”, relatou Miranda, exibindo um cartaz com uma fotografia da época em que era travesti.
“Decidi mudar e fui ajudado por uma psicóloga, sim. Na verdade, eu nunca fui gay, eu nasci hétero, mas a vida me levou a ser gay. Hoje, sou casado há 17 anos e tenho um filho de 5 anos”, destacou o pastor.
A estudante de psicologia Raquel Beraldo também relatou ser ex-gay. Ela disse, entretanto, que atualmente está casada com um homem.
“Fui abusada dos 8 aos 15 anos por um homem. [...] Hoje, eu vejo que comecei a tomar uma repulsa do sexo masculino. [...] Deixei essa opção sexual e entendo que eu nunca fui homossexual. Isso foi algo devido a situações que me levaram a isso.”
Outro convidado da audiência, o pastor Robson dos Santos Alves afirmou que, após sofrer abuso sexual de um homem, se tornou "viciado na prática homossexual”. “Eu não nasci homossexual”, afirmou Alves.
Ele relatou ter procurado ajuda psicológica, no entanto, disse que não encontrou apoio na sua decisão de deixar de ser gay.
“É uma fábrica de homossexuais, você não tem apoio, te incentivam a sair do armário”. Emocionado e com a voz embargada, Alves disse que conseguiu “vencer tudo isso e deixar a prática homossexual com a ajuda da "força de vontade" e pela "fé”. Alves foi à audiência acompanhado da mulher, a missionária Ana Paula Alves, que também deu seu depoimento.
Ao final da audiência, o vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia alertou para o que ele chamou de “estratégia” para reacender o debate no Congresso sobre a “cura gay” e derrubar a resolução do conselho. “O que está colocado aqui é uma estratégia de um grupo de deputados que querem reacender esse debate para derrubar essa resolução que trata da forma como nós, da psicologia, entendemos que o exercício deva ser colocado”, disse.
Ele ponderou que a psicologia “acolhe toda forma de sofrimento” e acusou grupos mais conservadores de quererem “moldar o mundo a sua convicção religiosa ou ideológica”.  “A psicologia não pode coadunar com isso”, afirmou.
Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília

terça-feira, 2 de julho de 2013

Câmara dos Deputados decide arquivar projeto da "cura gay"




A Câmara dos Deputados decidiu na noite dessa terça-feira (2) pelo arquivamento do Projeto de Decreto Legislativo 234/11, que ficou conhecido popularmente como "cura gay". O pedido de arquivamento foi feito pelo próprio autor do projeto, deputado João Campos (PSDB-GO). Todos os partidos encaminharam favoravelmente à aprovação do requerimento, a exceção foi o PSOL que encaminhou contrário à proposta. O partido queria que fosse votado o mérito da proposição para que ela fosse rejeitada e não pudesse ser reapresentada nesta legislatura, que acaba no inicio de 2015. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, nenhuma proposta nesse sentido poderá ser reapresentada neste ano.

O autor do projeto argumenta que o projeto estava sendo usado para desviar a atenção dos protestos recentes que vêm ocorrendo pelo Brasil. "Não vou permitir que esta Casa e o governo usem esse projeto para desviar o foco quanto as prioridades do povo, manifestadas nas ruas", afirmou o deputado.

O projeto pretendia derrubar a aplicação de dispositivos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, em vigor desde 1999, que proíbe os profissionais de participar de terapias para alterar a orientação sexual e de tratar a homossexualidade como doença. Segundo o autor do projeto, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) exorbitou de sua competência ao editar a resolução, "que limita o livre exercício da atividade profissional do psicólogo e subtrai a liberdade da pessoa". "Há, pois, grave violação dos diretos humanos de psicólogos e homossexuais", afirmou. Apesar do arquivamento, Campos disse que continua defendendo a proposta e que é competência do Congresso legislar sobre o tema.

Com informações da Agência Brasil e da Agência Câmara

sábado, 29 de junho de 2013

Marcha vira ato de desagravo a Feliciano e público vaia Dilma - A PM estima que, por volta das 15h, o público era de cerca de 400 mil pessoas.

Participantes da Marcha para Jesus durante caminhada


O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) compareceu na 21ª edição da Marcha para Jesus, megaevento evangélico que tomou as ruas de São Paulo neste sábado (29). Ao subir ao palco e anunciar que falava em nome da presidente Dilma Rousseff, o público soltou uma vaia.

Carvalho também recebeu aplausos no meio da fala, e, antes de se retirar, comentou sobre a vaia. "Eu acho a coisa mais normal do mundo. É próprio da democracia as pessoas se manifestarem em apoio ou em vaia."

Indagado sobre a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (29), que mostra que a popularidade da presidente Dilma Rousseff desmoronou 27 pontos em três semanas, o ministro afirmou que não iria se manifestar, pois ainda não havia lido sobre a pesquisa.

A marcha também virou um ato de desagravo ao pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Deputado federal, ele preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e entrou na mira de manifestações em todo o país em razão de o colegiado ter aprovado projeto que permite a chamada "cura gay", tratamento psicológico à homossexualidade. 

FELICIANO

Feliciano disse que pretendia dar uma resposta aos seus críticos. Ele acrescentou à camiseta oficial do evento os dizeres "eu represento vocês".

Do alto do trio elétrico principal da passeata, Feliciano afirmou: "Eu represento um segmento conservador da sociedade, um segmento família da sociedade. Esses aqui eu represento".

O congressista afirmou que ele está sendo injustamente responsabilizado pela projeto da chamada "cura gay".

Ele afirma que apoia a proposta, mas não é o autor dela e tinha a obrigação de colocá-la em discussão como presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Ele fez uma oração para o público durante o evento na qual procurou enaltecer "os valores da família".

No meio da marcha podiam ser vistas faixas alusivas às recentes manifestações ocorridas no país. Entre os dizeres havia "Justiça! Queremos os mensaleiros na cadeia", "Manifestação pacífica tem limite", "Fora baderna e vandalismo" e "Procurando Lula".

Havia também mensagens sobre o tema da "cura gay": "Os ativistas gays querem ser donos dos homossexuais. Direitos Humanos Já!". Essas faixas eram exibidas por pessoas que se identificaram como integrantes da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro.

Folha

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Feliciano pauta projeto sobre 'cura gay' na Comissão de Direitos Humanos


Com maioria dos votos, parlamentares que apoiam o deputado do PSC devem aprovar proposta que permite tratamento para reverter homossexualidade

Marco Feliciano durante reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
Marco Feliciano durante reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados - Alan Marques/Folhapress
Há dois meses enfrentando protestos para conduzir os trabalhos da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) resolveu colocar em votação três projetos que mobilizam militantes ligados ao movimento LGBT (lésbicas, gays, bisexuais e transsexuais). A próxima reunião do colegiado está agendada para o dia 8 de maio. 
O projeto que deverá causar novo atrito com o movimento LGBT, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), pretende derrubar uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede, desde 1999, psicólogos de tratarem homossexualidade como doença - e também proíbe que profissionais da área ofereçam a "cura" para gays.
Outra proposta que entrará em discussão penaliza a discriminação contra heterossexuais, e uma terceira tipifica a homofobia como crime. Dos três projetos, os dois primeiros deverão ser aprovados pela comissão. Dos 21 integrantes do colegiado, dez são da bancada evangélica - que, com o reforço de Jair Bolsonaro (PP-RJ), consegue derrotar parlamentares que se opõem a Feliciano.
As propostas em pauta, se aprovadas pela Comissão de Direitos Humanos, ainda precisam seguir um longo caminho - que passa pelos plenários da Câmara e do Senado - antes de entrar em vigor. De qualquer forma, a pauta da próxima quarta deverá novamente mobilizar manifestantes nos corredores da Câmara. Devido aos tumultos, as sessões da comissão têm ocorrido a portas fechadas.
Homofobia
Feliciano é acusado por militantes LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) de ter dado declarações homofóbicas. Em julho de 2012, ele apresentou um projeto para tentar derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite a união entre pessoas do mesmo sexo. Em março, poucos dias antes de assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos, ele disse ao site de VEJA que “a união homossexual não é normal” e que “o reto não foi feito para ser penetrado”.
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