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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

PF indicia Lula por corrupção em contratos do sobrinho em Angola

PF também indiciou o empreiteiro Marcelo Odebrecht e Taiguara Rodrigues, sobrinho de Lula, estes dois por corrupção e lavagem de dinheiro.


Por Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho
 

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção. A PF também indiciou o empreiteiro Marcelo Odebrecht e Taiguara Rodrigues, sobrinho de Lula, estes dois por corrupção e lavagem de dinheiro.
O ex-presidente teria beneficiado o sobrinho por meio da Odebrecht em contratos em Angola. Foi na obra de ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe, no país africano, contudo, que o empresário firmou um contrato milionário com a Odebrecht, em 2012 – que está agora na mira dos investigadores.
Sua empresa Exergia fechou um contrato de prestação de serviços para a empreiteira naquele ano no valor de R$ 3,5 milhões. Taiguara é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, o Lambari, amigo de Lula na juventude e irmão da primeira mulher do ex-presidente, já falecida.
Morador de Santos, no litoral paulista, ele atuava no ramo de fechamento de varandas e viajou para Angola para começar seus negócios naquele país em 2007.
Alvo de mandado de condução coercitiva da Operação Janus, da Polícia Federal, em 20 de maio deste ano, o empresário Taiguara Rodrigues dos Santos ostenta em seu currículo atuação em obras de empreiteiras financiadas pelo BNDES no exterior na esteira da política de aproximação com países africanos durante os dois mandatos de Lula (2003/2010).
O acerto entre a Odebrecht e a Exergia foi formalizado no mesmo ano em que a empreiteira conseguiu no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um financiamento para realizar esse projeto na África. O episódio levou o Ministério Público a abrir inquérito para investigar a suspeita de tráfico de influência de Lula em benefício da empreiteira.
Lula já prestou depoimento sobre o caso. Segundo as investigações da Polícia Federal, a obra recebeu um aporte de US$ 464 milhões do banco público.
Em depoimento à CPI do BNDES no ano passado, o empresário admitiu os contratos com a empreiteira. Na ocasião, ele falou por quatro horas à comissão, e disse que o valor é referente a serviços de sondagem, avaliação da topografia e gerenciamento de obras prestados pela empresa. Segundo Taiguara, todos os contratos foram obtidos por meio de licitações dentro da empreiteira.
Portal no Ar

domingo, 26 de junho de 2016

Documento da PF reforça suspeita de tráfico de influência no governo Lula

Na análise de e-mails do pecuarista José Carlos Bumlai, Lava Jato encontrou indícios de que um grupo de 'amigos' do ex-presidente atuavam como intermediários de negócios

Um relatório da Polícia Federal anexado em inquérito da Operação Lava Jato, em Curitiba, reúne cópias de e-mails do pecuarista José Carlos Bumlai que reforçam as suspeitas dos investigadores de tráfico de influência no governo Luiz Inácio Lula da Silva. São conversas de Bumlai com um lobista, empresários e amigos do ex-presidente que tratam da agenda do ex-presidente, de ministros e de assunto no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Bumlai é investigado por tráfico de influência, suspeito de intermediar interesses privados no Planalto na gestão do petista. Preso em novembro de 2015 – alvo da fase Passe Livre – ele é réu em uma ação penal, em Curitiba, e alvo de outros inquéritos.
Nas mensagens trocadas no período em que Lula era presidente, os interlocutores tratam com Bumlai e outros amigos do ex-presidente de negócios em Gana, no Catar, de uma parceria com o BNDES, com pedido de agendamento de reunião com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, do Programa Fome Zero e de assuntos de interesse de um servidor da Infraero.
“Parte da influência exercida por Bumlai pode ser verificada em e-mail enviado por seu filho, Fernando, no qual ele pergunta se pode interceder por Roberto da Infraero de Campo Grande, que esta sendo transferido para Guarulhos”, registra o Relatório de Informação 64/2016, da PF de Curitiba, anexado em um desses inquéritos. Ele trata do conteúdo das mensagens de duas contas de e-mail do pecuarista.
A matéria completa pode ser conferida no site do jornal O Estado de São Paulo.
Agora RN

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Protesto pediu reabertura de cartório em São Gonçalo do Amarante

Trabalhadores e empresários do ramo imobiliário pedem a reabertura do 1º Cartório de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal

Um protesto reuniu  funcionários e empresários do setor imobiliário de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. De acordo com representantes da manifestação, o ato reivindica a reabertura do 1º Cartório do município, fechado desde o início das investigações que culminaram com a prisão da tabeliã substituta da cidade, durante a operação Hermes 2000.

O protesto acontece em frente a sede do Poder Judiciário do no município. Com o cartório fechado há 49 dias, os manifestantes reclamam que não conseguindo realizar atividades ligadas ao setor imobiliário, como a transferência, compra e venda de imóveis, bem como sua regularização.

Ainda de acordo com os representantes do setor, há mais 5 mil imóveis esperando pela reabertura do cartório para serem entregues. Cerca de 800 trabalhadores teriam perdido os empregos durante o período devido ao problema.

Segundo Maxsom Soares, correspondente da Caixa Econômica Federal (CEF), sem a registro em cartórios de documentos, a instituição não tem como liberar recursos para o pagamento das construtoras responsáveis pelas obras no município.

Segundo Maxsom, a comissão formado pelos empresários já procurou a Corregedoria da Justiça Estadual e a juíza responsável pela nomeação, mas ainda não receberam um encaminhamento de solução.

Suspeitas de crimes
Suicídio misterioso, tráfico de influência e fraude na previdência. Essas são outras situações que têm o 1º Oficio de Notas de São Gonçalo do Amarante como cenário.  “Nos parece que o 1º Ofício de Notas era um canteiro fértil de falsificações. Temos recebido várias denúncias de fraudes operadas lá”, disse Raimundo Rolim, delegado da cidade.

As investigações sobre o cartório começam ainda na gestão anterior. O tabelião que a antecedeu a interina presa ontem foi destituído por acúmulo de cargos públicos e paira sobre ele a suspeita de tráfico de influência. “Ele era tabelião e tinha outro cargo público em Natal”, contou Rolim. O tráfico de influência teria ocorrido em meio a uma disputa de um terreno com vários lotes em São Gonçalo do Amarante. “Há indícios de falsificação de documentos de escritura pública”, acrescentou o delegado.

O suicídio de um ex-funcionário do cartório também é alvo de investigação da Polícia Civil. O delegado da cidade desconfia se realmente foi um suicídio. O cartório também está envolvido na Operação Prata da Morte. A investigação revelou um esquema de fraudes na previdência do Rio Grande do Norte que utilizava documentos falsificados por cartórios da Grande Natal. Um deles era o 1º Ofício de São Gonçalo. O documento falso possibilitou um rombo de R$ 600 mil da previdência estadual.
TN

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Condenação do filho abala projetos de Wilma para 2014

Enfraquecimento de Wilma favorece candidatura de Fátima ao Senado     
Considerada uma das três maiores lideranças políticas da atualidade no Rio Grande do Norte, duas vezes governadora do Estado, três vezes prefeita de Natal, hoje vice-prefeita da capital, e pré-candidata a governadora e a senadora da República, Wilma de Faria é fortemente atingida em sua imagem pública, pela notícia de condenação do filho dela, o advogado Lauro Maia, a mais de 16 anos de prisão, por formação de quadrilha, corrupção passiva e tráfico de influência, dentro do processo chamado Operação Hígia.
Como não poderia deixar de ser, Wilma sentirá os efeitos dessa condenação, não apenas por ser o próprio filho o condenado, mas, sobretudo, porque a corrupção, ora confirmada pela Justiça Federal, aconteceu no seu governo, com indícios fortíssimos de que contava com a sua anuência ou aquiescência, haja vista a proximidade com o filho, que se valia dessa condição para operar com facilidade. Além do baque na opinião pública, o fato traz implicações políticas para o Rio Grande do Norte. A começar pela formação do cenário sucessório em que a própria Wilma vinha reinando devido ao esquecimento de problemas do seu governo, jogados para debaixo do tapete momentaneamente pelo desastre da gestão atual.
Com o desgaste de Rosalba Ciarlini, Wilma vinha se fixando como principal opositora ao atual governo, e auferindo para si os louros da reprovação popular à administração do DEM. Neste sentido, as pesquisas revelaram posição privilegiada da ex-governadora, que chegou a declarar, por diversas oportunidades, que a população do estado é que queria que ela voltasse ao poder. Um quadro muito diferente de quando ela deixou o governo, em março de 2010, com diversos escândalos administrativos no armário, que um dia inevitavelmente viriam à tona (além de Higia, Foliaduto, superfaturamento da ponte Newton Navarro, Operação Ouro Negro, dentre outras irregularidades apontadas pelo Ministério Público durante os setes anos e três meses em que esteve à frente do governo do Estado).
A derrocada política de Wilma iniciou em 2010, quando ela perdeu a eleição para o Senado para Garibaldi Filho (PMDB) e José Agripino (DEM), as duas outras lideranças que dividem com a pessebista o estandarte de maiores do Estado. Mas ela sobreviveu. E numa jogada de suprema sabedoria política, em 2012, Wilma aceitou ser candidata a vice-prefeita de Carlos Eduardo, numa jogada que poucos entenderam a princípio, mas que, ao final, se revelou de extrema utilidade para ela.
Sendo vice, movimentando-se bastante no interior do Estado, Wilma fixou-se como principal opositora de Rosalba e vinha se reerguendo desde então. Ao ponto de, até esta quarta-feira, antes da publicação da condenação do seu filho por corrupção, ela ser considerada uma das peças políticas mais importantes no jogo sucessório de 2014, confrontando interesses como o da governadora Rosalba Ciarlini, do senador José Agripino, de um ministro de Estado (Garibaldi Filho-PMDB) e do próprio presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB).
Até a possibilidade de assumir a prefeitura de Natal, com eventual renúncia do prefeito para disputar o governo (algo plausível), Wilma tem. Ou seja, o ano de 2014 pode reservar para ela voltar ao poder, seja governador, senadora, deputada federal ou prefeita. E, para o bem da verdade, nada está descartado ainda. Política é como as nuvens, e, do jeito que muda agora, poderá mudar amanhã novamente.
 
DANDO AS CARTAS
Mesmo com os fantasmas do seu governo prestes a saírem do armário, Wilma estava realmente dando as cartas nas conversas da sucessão 2014. Primeira colocada nas pesquisas, que davam a ela um empate técnico em primeiro lugar com o ministro Garibaldi, com pouco mais de 30% das intenções de voto para o governo do Estado, a presidente do PSB conversava com os partidos de oposição, os antigos, PSD, PT e PC do B, e os mais recentes oposicionistas, PMDB, PV, PROS e PR, com vistas a uma possível candidatura dela ao governo ou ao Senado.
Informações de bastidores dão conta de que ela já havia aceitado ser candidata ao Senado, apoiando um candidato do PMDB para o governo, mas decidiu divulgar a definição apenas em março de 2014. A se confirmar o desgaste na opinião pública em razão da condenação do filho, Wilma tenderá a ver enfraquecida sua força política e perderá prestígio nas negociações eleitorais. Inclusive, voltaria a ser cotada como candidata a deputada federal, numa composição com PMDB, PT e outros partidos.
 
 
ENFRAQUECIMENTO DE WILMA FAVORECE CANDIDATURA DE FÁTIMA AO SENADO
Única postulante declarada ao Senado, a deputada federal Fátima Bezerra (PT) tem sua candidatura ao Senado fortalecida com o enfraquecimento político de Wilma de Faria. Devido sua força eleitoral, Wilma vinha mantendo conversas com lideranças graúdas do PMDB potiguar, inclusive teria participado de um encontro reservado com um deles, na residência de um industrial, onde teria aceitado ser candidata ao Senado, apoiando um nome do PMDB para o governo. No entanto, pelo acordado, ela só anunciaria essa posição em março.
Não se sabe se esse acordo será mantido, vai depender dos próprios aliados de Wilma, mas, sobretudo, do comportamento da opinião pública em relação à ex-governadora. O fato é que, com o enfraquecimento da pessebista, a possibilidade de aliança do PMDB com o PT fica bastante fortalecida. Há três meses, lideranças do PMDB e do PT se reuniram e teriam acenado a possibilidade de aliança entre as legendas no Estado.
A aliança do PMDB com o PT resultaria na chapa Henrique ou o ex-senador Fernando Bezerra (PMDB) para o governo, a deputada Fátima Bezerra para o Senado. O projeto, de grande interesse da deputada Fátima, entretanto, foi duramente atingido pela disputa interna no PT pelo comando da legenda, recentemente definida em favor do grupo do deputado estadual Fernando Mineiro (PT), sob a condição de o PT recompor-se e apoiar Fátima para o Senado, se houver a aliança com o PMDB.
O projeto de aliança PMDB e PT tende ainda a se fortalecer mais ainda porque esta é a intenção do governo federal, que só em última instância aceitaria compor nos estados com o PSB, por causa da candidatura de Eduardo Campos (PSB) a presidente da República. Apenas se o PT não se unisse em torno de Fátima, era o que estava acontecendo, e se Wilma fosse essencial para uma vitória do PMDB, que a legenda de Henrique e Garibaldi abriria mão de Fátima para o Senado. Com o enfraquecimento de Wilma, isso fica mais fácil.
 
JH