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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Richardson dividia com Gilson Moura e Lauro Maia a grana da corrupção no IPEM

 

Ex-diretor usa delação premiada para revelar como funcionava esquema que envolvia filho da então gestora     

Deputado Estadual Gilson Moura é apontado pela Justiça como beneficiário do dinheiro sujo do IPEM. Foto: Divulgação
Deputado Estadual Gilson Moura é apontado pela Justiça como beneficiário do dinheiro sujo do IPEM. Foto: Divulgação
Alex Viana
Repórter de Política
 
O juiz federal Walter Nunes da Silva Júnior, titular da 2ª Vara Federal no Rio Grande do Norte, condenou os envolvidos na operação “Pecado Capital”, que investigou fraudes e desvios no Instituto de Pesos e Medidas do Estado (IMPE-RN), a prisão, serviços comunitários e multas. O pivô do escândalo, Rychardson Macedo, foi condenado a 44 anos de prisão, mas teve a pena reduzida em 39 anos após entregar o deputado estadual Gilson Moura e o filho da ex-governadora Wilma de Faria, Lauro Maia, como chefes do esquema e beneficiários dos recursos desviados via corrupção no órgão. Estima-se que tenham sido desviados pelo esquema cerca de R$ 4,4 milhões dos cofres do estado – estimativa com base nas multas aplicada pela Justiça Federal.
Segundo a decisão do juiz Walter Nunes da Silva Júnior, publicada nesta quarta-feira 12, “o resultado financeiro de boa parte dos recursos financeiros desviados do IPEM/RN era dividido, em quatro partes iguais”, sendo elas apontadas na delação premiada por Rychardson. “O depoimento de Rychardson de Macedo, no que é corroborado, em alguns pontos, pelos que foram prestados pelos demais colaboradores, revela que o esquema ilícito foi engendrado por quatro pessoas, que, segundo ele, formavam o topo da pirâmide: Ele, Rychardson de Macedo, o deputado estadual Gilson Moura, o advogado Fernando Caldas, e o também advogado e ex-candidato a deputado estadual Lauro Maia, filho da governadora do Estado à época, Wilma de Faria. Agregou que o resultado financeiro de boa parte dos recursos financeiros desviados do IPEM/RN era dividido, em quatro partes iguais, ou seja, entre as pessoas em referência”, diz o juiz Walter Nunes da Silva Júnior, em sua decisão.
Na distribuição de espaços do governo Wilma de Faria (2003 a 2006 e de 2007 a 2010) à base aliada, coube a Gilson Moura o IPEM no chamado sistema de “porteira fechada”, no qual o beneficiário, ou seja, o deputado Gilson Moura, a indicação de todos os cargos, desde o diretor-presidente, para o qual indicou seu então homem de confiança, Rychardson Macedo, bem como os demais cargos de relevância do órgão, cuja missão institucional deveria ser “proteger o consumidor e garantir a competitividade entre as empresas, nos campos da Metrologia Legal da Qualidade, no estado do Rio Grande do Norte”.
O MP acusou Rychardson de Macedo, seu irmão, Rhandson de Macedo, os pais deles, José Bernardo e Maria das Graças – ambos receberam o perdão judicial, que constatou que foram usados pelos filhos – além de Adriano Nogueira, Daniel Vale Bezerra, Aécio Aluízio Fernandes de Faria, Acácio Fortes e Jeferson Witame Gomes por crimes de formação de quadrilha e de lavagem de dinheiro, crimes contra a administração pública, peculato e corrupção passiva, dentre outros. Jeferson Witame Gomes foi absolvido das acusações.
 
DELAÇÃO
Rychardson foi condenado a 44 anos de cadeia, mas, devido à delação premiada, na qual entregou os líderes da quadrilha, o juiz Walter Nunes aplicou pena definitiva de 5 anos, 10 meses e 6 dias de reclusão a ser cumprida, inicialmente, no regime semiaberto, em “estabelecimento penitenciário localizado fora deste Estado”, como parte do acordo da colaboração premiada.
A delação de Rychardson foi tão significativa no processo que resultou na diminuição da pena de prisão em mais de 39 anos, assim como também reduziu a pena de multa em quase R$ 400 mil. Além de Richardson, todos os demais – à exceção de Acácio – também optaram pelo benefício da delação premiada, tendo suas penas reduzidas pela Justiça. Sem a delação, a maior parte das penas ultrapassaria a casa dos 10 anos ou mais de prisão. Com a delação, elas caíram para 8 anos, 5 anos, 3 anos, ou mesmo meses.
O irmão de Rychardson, Rhandson, pegou 3 anos e 2 meses de reclusão, a ser cumprida, inicialmente, no regime semiaberto, em estabelecimento prisional a ser definido pelo juiz da execução. Entre os demais condenados, Adriano Nogueira foi condenado a 3 anos, 10 meses e 28 dias de reclusão; Aécio Faria ficou em 5 anos, 10 meses e 17 dias; Daniel Vale 6 meses e 2 dias de reclusão; Acácio Fortes 8 anos, 7 meses e 10 dias. Aos pais de Rychardson e Rhandson, José Bernardo e Maria das Graças, o juiz concedeu o perdão.
Além das condenações à prisão, merece destaque as multas aplicadas pela Justiça. Rychardson foi multado em R$ 1.161.525,00, porém, com a redução de 2/3 da delação premiada, o juiz arbitrou o valor da pena de multa em R$ 774.350,00. Rhandson foi multado em R$ 591.600,00, contudo, diante da redução de 2/3 da delação premiada, fixou-se o valor em R$ 394.400,00. Adriano R$ 183.600,00, com redução, passou-se para R$ 111.600,00. Aécio R$ 682.387,50; com a diminuição passou-se para R$ 122.400,00. Acácio não teve redução, tendo que arcar com multa de R$ 1.874.250,00.
Wilma trocou cargo no IPEM por apoio de Gilson ao seu governo
A delação premiada permitiu, na visão do juiz Walter Nunes, desnudar o “viés eleitoreiro” do esquema de corrupção no IPEM. Para o magistrado, restou comprovado que o cargo de diretor-geral do IPEM foi oferecido ao deputado Gilson Moura como “recompensa” pela sua adesão à base parlamentar da gestão Wilma de Faria.
“O viés eleitoreiro do esquema é desnudado em todos os depoimentos colhidos, restando claro que o cargo de diretor-geral foi oferecido ao deputado estadual Gilson Moura, como recompensa pela sua adesão à base parlamentar da gestão da então governadora Wilma de Faria. O deputado estadual Gilson Moura indicou para o cargo Rychardson de Macedo, seu colaborador já de algum tempo, com a missão de operar um esquema que serviria para captar recursos para o financiamento de campanha política”, afirma o magistrado na sentença.
As revelações de Rychardson, segundo Walter Nunes, “são contundentes”, quanto à participação do deputado estadual Gilson Moura no que o magistrado denomina de “plano criminoso”. Na sua sentença, Nunes afirma que o depoimento do pivô do esquema revelou que os serviços e valores do IPEM “foram utilizados para fins eleitorais, prestando-se os recursos desviados para irrigar campanha política, mediante a constituição do que se convencionou chamar, em nosso meio, de caixa 2 (dois)”.
Jeferson Witame é único absolvido no processo da “Pecado Capital”
O empresário Jeferson Witame Gomes, proprietário dos restaurantes Piazzale, foi absolvido pelo juiz Walter Nunes da Silva Júnior, da 2ª Vara Federal, da acusação de lavagem de dinheiro, proferida pelo Ministério Público Estadual, dentro das investigações da Operação Pecado Capital. Dentre todos os indiciados no processo, Witame foi o único sobre quem não recaiu nenhuma condenação. O magistrado classificou de “ilações” os elementos apontados pelo MP contra o empresário, destacando que não foram apresentadas provas da suposta participação de Witame nas irregularidades investigadas. Prevaleceu, assim, a tese da defesa de Jeferson Witame Gomes, representada pelos advogados Rossana Fonseca e Mateus Pereira.
De acordo com os advogados, o juiz Walter Nunes Júnior considerou que não ficou comprovada a intenção do empresário de cometer nenhum ato delituoso ao se associar ao advogado Rychardson de Macedo Bernardo na abertura de uma unidade do restaurante no shopping Midway Mall. Os advogados Rossana Fonseca e Mateus Pereira destacam que seu cliente não tinha conhecimento da origem dos recursos apresentados por Rychardson Macedo para formalizar a sociedade no estabelecimento.
Esta linha de defesa foi entendida como procedente pelo juiz. “A circunstância de um dos sócios ter se valido do empreendimento para promover a lavagem de capitais, por si só, não tem o condão de conduzir, por inferência, à conclusão de que o outro integrante do grupo societário agiu, igualmente, com dolo. É indispensável, para fins de incriminação de todos os sócios, que seja revelado, com prova concreta, que todos tinham conhecimento da origem ilícita dos recursos e atuaram com o propósito de providenciar a lavagem”, observa Walter Nunes Júnior, em sua sentença.
Após analisar todos os documentos e depoimentos tomados durante a fase de instrução do processo, o juiz interpretou que o “objetivo primordial” de Jeferson Witame era “explorar a atividade comercial de modo lícito e regular e não entrar e fazer parte do esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro comandado pelo denunciado Rychardson de Macedo Bernardo”.
“Gilson, você é um pilantra e picareta; nunca mais dirija a palavra a mim”
Interceptações telefônicas feitas com autorização judicial mostram a deterioração da relação entre Gilson Moura e Rychardson, chegando ao ponto de quase chegarem às vias de fato em frente à TV Ponta Negra, onde o deputado participa de um programa, e mesmo ameaça de morte, por meio de um “tiro” de arma de fogo. Diz o magistrado em um dos trechos da sentença: “Como se observa dos áudios referentes às interceptações das conversas telefônicas acima, Rychardson é pessoa de temperamento agressivo, chegando até mesmo a revelar o seu propósito de agredir fisicamente o deputado estadual Gilson Moura, que, segundo ele, em relação ao episódio, estava querendo ‘ser santo’, tendo chegado, até mesmo, a ameaçá-lo de ‘abrir o jogo’ e de dar-lhe um ‘tiro’”, relata o magistrado.
Num dos diálogos interceptados prela Justiça, Rychardson conversa com Iberg Paiva de Moura. Nele, Rychardson relata que quase agredia Gilson em frente à TV Ponta Negra. “Estou engolindo o pão que o diabo amassou com ele (Gilson). Essa semana me desentendi com ele, botei ele dentro do carro e fui lá em Acácio. (…) Foi a confusão maior do mundo. (…) Eu disse: ‘você está, você é um pilantra, covarde, mau caráter. Não dirija mais a palavra a mim, você, seu picareta’. Ele colocou a mão no meu ombro, eu dei uma ‘munhecada’ na mão dele que quase tora. Eu disse: ‘nunca mais dirija a palavra a mim, você é um picareta. Isso não é para o resto da vida não seu imbecil”, revela a sentença.
Noutro trecho do diálogo, Rychardson conta como se deu a despedida da conversa com Gilson. Segundo Rychardson, ele disse a Gilson: “Eu lhe conheço, sua picaretagem todinha, que você me usava também para fazer isso, agora eu não fazia porque tenho postura. Ele disse: ‘Não tudo bem!’. Eu disse ‘é, tudo bem mesmo. Desça do meu carro’. Aí ele bateu a porta. Quando ele bateu porta de frente a TV Ponta Negra, eu disse: ‘seja homem de novo de fazer isso no meu carro!’. Aí eu desci e fui para cima dele. Ai ele disse: ‘espera aí, tenha calma’. Ele se assustou, entendeu? Aí entrou dentro do carro e disse: ‘rapaz, você ia brigar comigo?’. Eu disse: ‘não ia brigar o que? Não admito ninguém fazer isso no meu carro. O que você quer? Bata de novo na porta do meu carro para ver se a gente sai no murro aqui eu e você’”.
Rychardson acrescenta, ainda conforme o diálogo, que chamou o deputado de “pilantra” e dono do mundo. “Só porque tem uma porra de um mandato que pode tratar as pessoas assim? É bom que todo mundo se una e lhe derrote, que eu não voto em você, eu to lhe dizendo que a partir de hoje eu não quero conversa com você’”.
Segundo o magistrado, “como se vê, os diálogos acima transcritos são demonstrações da insatisfação do acusado Rychardson com o então deputado estadual Gilson Moura e o denunciado Acácio Forte, que agia na representação dos interesses do mencionado deputado. Como se depreende, o acusado Rychardson falou dessa discussão e briga com os seus anteriores aliados, o deputado estadual Gilson Moura e Acácio, por que estava descontente e desgostoso da forma como estava sendo tratado pelos seus anteriores parceiros. Por isso, falou abertamente da relação de ligação e de associação com as pessoas em referência”.
“Diante deste contexto”, conclui o magistrado, “infere-se que o acusado Rychardson de Macedo teve sim relações próximas e de negócios com o então deputado estadual Gilson Moura e que o denunciado Acácio Forte representava os interesses daquele nas parcerias e nos acordos negociais firmados com o primeiro acusado”, diz o juiz.

JN

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Condenação do filho abala projetos de Wilma para 2014

Enfraquecimento de Wilma favorece candidatura de Fátima ao Senado     
Considerada uma das três maiores lideranças políticas da atualidade no Rio Grande do Norte, duas vezes governadora do Estado, três vezes prefeita de Natal, hoje vice-prefeita da capital, e pré-candidata a governadora e a senadora da República, Wilma de Faria é fortemente atingida em sua imagem pública, pela notícia de condenação do filho dela, o advogado Lauro Maia, a mais de 16 anos de prisão, por formação de quadrilha, corrupção passiva e tráfico de influência, dentro do processo chamado Operação Hígia.
Como não poderia deixar de ser, Wilma sentirá os efeitos dessa condenação, não apenas por ser o próprio filho o condenado, mas, sobretudo, porque a corrupção, ora confirmada pela Justiça Federal, aconteceu no seu governo, com indícios fortíssimos de que contava com a sua anuência ou aquiescência, haja vista a proximidade com o filho, que se valia dessa condição para operar com facilidade. Além do baque na opinião pública, o fato traz implicações políticas para o Rio Grande do Norte. A começar pela formação do cenário sucessório em que a própria Wilma vinha reinando devido ao esquecimento de problemas do seu governo, jogados para debaixo do tapete momentaneamente pelo desastre da gestão atual.
Com o desgaste de Rosalba Ciarlini, Wilma vinha se fixando como principal opositora ao atual governo, e auferindo para si os louros da reprovação popular à administração do DEM. Neste sentido, as pesquisas revelaram posição privilegiada da ex-governadora, que chegou a declarar, por diversas oportunidades, que a população do estado é que queria que ela voltasse ao poder. Um quadro muito diferente de quando ela deixou o governo, em março de 2010, com diversos escândalos administrativos no armário, que um dia inevitavelmente viriam à tona (além de Higia, Foliaduto, superfaturamento da ponte Newton Navarro, Operação Ouro Negro, dentre outras irregularidades apontadas pelo Ministério Público durante os setes anos e três meses em que esteve à frente do governo do Estado).
A derrocada política de Wilma iniciou em 2010, quando ela perdeu a eleição para o Senado para Garibaldi Filho (PMDB) e José Agripino (DEM), as duas outras lideranças que dividem com a pessebista o estandarte de maiores do Estado. Mas ela sobreviveu. E numa jogada de suprema sabedoria política, em 2012, Wilma aceitou ser candidata a vice-prefeita de Carlos Eduardo, numa jogada que poucos entenderam a princípio, mas que, ao final, se revelou de extrema utilidade para ela.
Sendo vice, movimentando-se bastante no interior do Estado, Wilma fixou-se como principal opositora de Rosalba e vinha se reerguendo desde então. Ao ponto de, até esta quarta-feira, antes da publicação da condenação do seu filho por corrupção, ela ser considerada uma das peças políticas mais importantes no jogo sucessório de 2014, confrontando interesses como o da governadora Rosalba Ciarlini, do senador José Agripino, de um ministro de Estado (Garibaldi Filho-PMDB) e do próprio presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB).
Até a possibilidade de assumir a prefeitura de Natal, com eventual renúncia do prefeito para disputar o governo (algo plausível), Wilma tem. Ou seja, o ano de 2014 pode reservar para ela voltar ao poder, seja governador, senadora, deputada federal ou prefeita. E, para o bem da verdade, nada está descartado ainda. Política é como as nuvens, e, do jeito que muda agora, poderá mudar amanhã novamente.
 
DANDO AS CARTAS
Mesmo com os fantasmas do seu governo prestes a saírem do armário, Wilma estava realmente dando as cartas nas conversas da sucessão 2014. Primeira colocada nas pesquisas, que davam a ela um empate técnico em primeiro lugar com o ministro Garibaldi, com pouco mais de 30% das intenções de voto para o governo do Estado, a presidente do PSB conversava com os partidos de oposição, os antigos, PSD, PT e PC do B, e os mais recentes oposicionistas, PMDB, PV, PROS e PR, com vistas a uma possível candidatura dela ao governo ou ao Senado.
Informações de bastidores dão conta de que ela já havia aceitado ser candidata ao Senado, apoiando um candidato do PMDB para o governo, mas decidiu divulgar a definição apenas em março de 2014. A se confirmar o desgaste na opinião pública em razão da condenação do filho, Wilma tenderá a ver enfraquecida sua força política e perderá prestígio nas negociações eleitorais. Inclusive, voltaria a ser cotada como candidata a deputada federal, numa composição com PMDB, PT e outros partidos.
 
 
ENFRAQUECIMENTO DE WILMA FAVORECE CANDIDATURA DE FÁTIMA AO SENADO
Única postulante declarada ao Senado, a deputada federal Fátima Bezerra (PT) tem sua candidatura ao Senado fortalecida com o enfraquecimento político de Wilma de Faria. Devido sua força eleitoral, Wilma vinha mantendo conversas com lideranças graúdas do PMDB potiguar, inclusive teria participado de um encontro reservado com um deles, na residência de um industrial, onde teria aceitado ser candidata ao Senado, apoiando um nome do PMDB para o governo. No entanto, pelo acordado, ela só anunciaria essa posição em março.
Não se sabe se esse acordo será mantido, vai depender dos próprios aliados de Wilma, mas, sobretudo, do comportamento da opinião pública em relação à ex-governadora. O fato é que, com o enfraquecimento da pessebista, a possibilidade de aliança do PMDB com o PT fica bastante fortalecida. Há três meses, lideranças do PMDB e do PT se reuniram e teriam acenado a possibilidade de aliança entre as legendas no Estado.
A aliança do PMDB com o PT resultaria na chapa Henrique ou o ex-senador Fernando Bezerra (PMDB) para o governo, a deputada Fátima Bezerra para o Senado. O projeto, de grande interesse da deputada Fátima, entretanto, foi duramente atingido pela disputa interna no PT pelo comando da legenda, recentemente definida em favor do grupo do deputado estadual Fernando Mineiro (PT), sob a condição de o PT recompor-se e apoiar Fátima para o Senado, se houver a aliança com o PMDB.
O projeto de aliança PMDB e PT tende ainda a se fortalecer mais ainda porque esta é a intenção do governo federal, que só em última instância aceitaria compor nos estados com o PSB, por causa da candidatura de Eduardo Campos (PSB) a presidente da República. Apenas se o PT não se unisse em torno de Fátima, era o que estava acontecendo, e se Wilma fosse essencial para uma vitória do PMDB, que a legenda de Henrique e Garibaldi abriria mão de Fátima para o Senado. Com o enfraquecimento de Wilma, isso fica mais fácil.
 
JH

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Lauro Maia filho de Wilma de Faria está entre as 11 pessoas condenadas pela Justiça Federal na Operação Higia

Lauro Maia é filho da ex-governadora Wilma de Faria
 
O ex-assessor parlamentar, Lauro Maia, e mais dez pessoas envolvidas na Operação Higia foram condenadas pela Justiça Federal. Outras três pessoas foram completamente absolvidas do processo. A sentença do juiz federal Mário Azevedo Jambo tem 287 páginas e foi publicada nesta quarta-feira (18). Os mandados de prisão só serão expedidos após o processo ser transitado em julgado no Superior Tribunal Federal (STF).

Dos 11 condenados, três terão as penas substituídas por restrição de direitos. Além disso, todos terão que pagar multas. A Operação Higia  denunciou um esquema de corrupção na Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, recaindo sobre fraudes em processos licitatórios, crimes de corrupção e tráfico de influência.
Marcelo BarrosoLauro Maia foi condenado a mais de 16 anos de prisãoLauro Maia foi condenado a mais de 16 anos de prisão

"A corrupção é um delito devastador em relação à credibilidade da Administração Pública. Além do dano moral, causa gigantesco prejuízo aos cofres públicos e é executado de forma dissimulada e silenciosa.  No entanto, em verdade, representa um delito de extrema violência, da violência indireta, porque faz o sangue respingar longe, geralmente nas filas dos hospitais públicos, abarrotados e sem estrutura, ou na supressão das possibilidades e esperanças de futuro para aqueles que buscam uma escola pública de qualidade", destacou o Juiz Federal Mário Jambo, na sentença.

O caso

A Operação Higia foi deflagrada no dia 13 de junho de 2008 com a participação de 190 policiais federais. De acordo com as investigações, que foram iniciadas em 2005, as fraudes nos processos licitatórios do Governo do Estado começavam com os funcionários da Secretaria Estadual de Saúde, aliciados pelo esquema liderado por Lauro Maia e outros. Esse funcionários solicitavam os serviços e o processo legal da licitação era instruído pela Procuradoria do Estado.

Na época das prisões, o delegado federal Caio Bezerra explicou que as fraudes da quadrilha eram cometidas em contratos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência  (Samu) Metropolitano e a Farmácia Popular.

Confira as sentenças:

Absolvidos:

Genarte Medeiros de Brito Júnior
Marco Antônio França de Oliveira
Maria Eleonora Lopes D'Albuquerque Castim

Condenados:

Edmilson Pereira de Assis - 12 anos e 4 meses, a ser cumprido inicialmente em regime fechado
Francinilso Rodrigues de Castro - 3 anos e 1 mês, substituída por pena restritiva de direito
Francisco Alves de Sousa Filho - 12 anos e 4 meses, a ser cumprido inicialmente em regime fechado
Herberth Florentino Gabriel - 14 anos a ser cumprido inicialmente em regime fechado
Jane Alves de Oliveira Miguel da Silva - 2 anos, 4 meses e 20 dias, convertida em restritiva de direito.
João Henrique Lins Bahia Neto - 12 anos, 5 meses e 26 dias, a ser cumprido inicialmente em regime fechado
Lauro Maia - 16 anos, 3 meses e 18 dias, a ser cumprido inicialmente em regime fechado.
Luciano de Sousa - 5 anos, 7 meses e 10 dias a ser cumprido inicialmente em regime semiaberto
Mauro Bezerra da Silva - 12 anos e 4 meses, a ser cumprido inicialmente em regime fechado
Rosa Maria D'Apresentação Caldas Simonetti - 8 anos, 8 meses e 26 dias, a ser cumprido inicialmente em regime fechado
Ulisses Fernandes de Barros -  2 anos, substituída por restritiva de direito.


Atualizada às 16h34 / Com informações da Justiça Federal do RN
 
Fonte: Tribuna do Norte