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domingo, 16 de abril de 2017

Tristeza - Após gravidez de risco e parto prematuro, bebês quíntuplos morrem em Goiânia

Técnica em enfermagem teve gravidez natural de quíntuplos

Em parto prematuro, um menino e uma menina já tinham morrido logo depois de a mãe dar à luz em Goiânia; outros três morreram na madrugada de hoje

Os três outros bebês dos quíntuplos que nasceram em Goiânia morreram na madrugada deste domingo 16. Um menino e uma menina já tinham morrido logo depois do parto. Segundo o avô das crianças, Carlos Antônio Oliveira, as cinco crianças já foram enterradas em Nerópolis.
“Os médicos disseram que eles morreram porque nasceram muito prematuros, antes de completar seis meses. Eles já estavam formadinhos, mas ainda fracos. Preferimos fazer o enterro sem velório porque já é uma situação muito chata essa, muito triste”, contou.
A mãe dos bebês, a técnica de enfermagem Carla Divina Faria de Oliveira, de 24 anos, engravidou naturalmente de quíntuplos. Ela estava internada desde a última segunda-feira 10, quando começou a sentir dores. Ela estava na 23ª semana de gestação e o objetivo era que ela conseguisse esperar mais algumas semanas até o nascimento dos bebês.
Ela deu à luz na manhã de sábado a quatro meninas e um menino. Carla está internada na Maternidade Amparo, se recuperando do parto. Segundo os familiares, ela ainda está abalada com a morte dos quíntuplos.
GESTAÇÃO NATURAL
Carla e o marido, o encanador industrial Luciano Gomes, de 39 anos, moram em Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia. A gestação de quíntuplos ocorreu de forma natural pouco mais de um ano após perder filhos gêmeos logo após o parto.

De acordo com uma das teorias mais tradicionais para se calcular a probabilidade de nascimentos múltiplos, conhecida como “Lei de Hellin”, a chance de nascerem quíntuplos a partir de gestações naturais é de 1 a cada 65.610.000 de nascimentos.
Especialista em gravidez de alto risco, o obstetra Francisco Lobo, que acompanhou Carla, afirma que o caso era “raríssimo”. “Não conheço nenhuma gestação semelhante que tenha ocorrido assim, de forma natural. Normalmente até pode ocorrer em situações em que houve tratamento ou foi feita a inseminação artificial. Mas assim, naturalmente, nunca tinha ouvido falar antes”, disse.
Agora RN

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Mulher dá à luz quíntuplos nos EUA com ajuda de 24 profissionais

Norte-americana dá à luz cinco bebês, com ajuda de 24 profissionais (Facebook/Reprodução)

O menino Luke e as meninas Ava, Camille, Clara e Isabelle nasceram no início do mês, com cerca de 1,5 kg cada

A americana Margaret Baudinet teve o Natal que sonhou durante seis meses, após dar à luz cinco bebês no último dia 6 de dezembro. Apesar de terem nascido prematuros, ocorrência normal em caso de gravidez múltipla, as quatro meninas e um menino chegaram saudáveis ao mundo, com a ajuda de uma equipe médica com 24 pessoas.
Margaret e seu marido, Michael, moravam no Estado de Virgínia, mas se mudaram temporariamente para o Arizona, onde poderiam ficar próximos do médico John Elliott, especialista em casos com o da família Baudinet. Em entrevista à emissora NBC, na semana passada, Margaret comentou que os bebês seguem internados no hospital Dignity Health St. Joseph’s, mas devem ser liberados no mês que vem.
A complexa cesariana para retirar os cinco bebês, todos com menos de 1,5 kg, durou 17 minutos. O time médico incluiu dois anestesistas, três cirurgiões e diversos funcionários de uma equipe de tratamento intensivo. “Precisa de muitas pessoas para fazer o trabalho correto”, comentou Margaret.
O médico William Chavira, que auxiliou o parto, disse à NBC que tudo correu tranquilamente porque a equipe estava preparada para o processo. “Foi praticamente uma cesariana de rotina, exceto que ao invés de um bebê, parecia um carro de palhaços”, brincou Chavira. “Eles não paravam de vir”.
Quando seus filhos estiverem preparados para irem para casa, o desafio de Margaret e Michael será lidar com a nova rotina com os bebês. O casal também criou uma campanha em um site de financiamento, para ajudar a cobrir os gastos de levar os quíntuplos para Virgínia. “Imagino que com cinco recém-nascidos, eu terei muitos sentimentos nos próximos anos”, disse a mãe. “Mas estou bem com isso, era o que queríamos”.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Janot defende a liberação do aborto para os casos de gestantes com zika

Documento propõe a realização de audiência pública para debater o tema e solicita ao governo federal uma proposta de reformulação do plano de combate ao vírus no País.


Por Estadão Conteúdo
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável à possibilidade de aborto em casos de grávidas contaminadas pelo vírus da zika. Além de liberar a interrupção da gravidez nessa situação, o documento propõe a realização de audiência pública para debater o tema e solicita ao governo federal uma proposta de reformulação do plano de combate ao vírus no País.
A argumentação foi apresentada no âmbito da ação movida pela Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep), que pede esse direito para mulheres infectadas pela doença. A posição da PGR diverge da Advocacia-Geral da União. Para a AGU, a interrupção da gestação “seria frontalmente violadora ao direito à vida.
No caso proposto, a PGR aponta que a manutenção da gravidez é um risco para a saúde psíquica da mulher. “Tem razão a requerente quanto à inconstitucionalidade da criminalização do aborto em caso de infecção pelo vírus zika. A continuidade forçada de gestação em que há certeza de infecção representa risco certo à saúde psíquica da mulher. Ocorre violação do direito fundamental à saúde mental e à garantia constitucional de vida livre de tortura e agravos severos”, diz Janot.
Ele ainda diz que “deve ser reconhecida a existência de causa de justificação genérica de estado de necessidade, cabendo às redes pública e privada realizar o procedimento (o aborto), nessas situações”.
Para Janot, “a falta de serviços obstetrícios emergenciais ou a negação da realização de aborto levam, frequentemente, à mortalidade e à morbidade maternas, o que, por sua vez, constitui violação do direito à vida ou à segurança e, em certas circunstâncias, pode equivaler a tortura ou a tratamento desumano, cruel ou degradante”. Ainda no entendimento do procurador-geral, trata-se de epidemia em que as consequências mais trágicas até aqui conhecidas envolvem a reprodução humana e são as mulheres os indivíduos primeiramente atingidos. “Elas é que sofrem, antes mesmo que exista uma criança com deficiência à espera de cuidado.”
Janot lembrou o julgamento do STF em 2012 sobre o aborto em casos de anencefalia (anomalia congênita que afeta o cérebro). “Embora o julgamento se tenha restringido ao caso de interrupção da gravidez ante diagnóstico de anencefalia, o Supremo reconheceu que a imposição da gravidez pode ser forma de tortura das mulheres, em alguns casos.”
Além da possibilidade do aborto, a Anadep solicita que o STF obrigue o poder público a garantir acesso a informação e formas de prevenção sobre zika e a planejamento familiar, incluindo métodos contraceptivos. Cobra-se ainda acesso a serviços de saúde para atendimento integral de todas as crianças com deficiência associada ao zika.
Casos
Segundo o boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde, considerando os casos até 8 de julho de 2016, foram registrados 174.003 relatos prováveis de infecção pelo zika no País – 78.421 confirmados. Em relação à microcefalia, os dados são mais recentes: até 20 de agosto, 9.091 casos foram notificados – desses, 2.968 (32,6%) permanecem em investigação e 6.123 foram investigados e classificados, sendo 1.845 confirmados para microcefalia e/ou alteração do Sistema Nervoso Central (SNC), sugestivos de infecção congênita por zika.
Atualmente, por lei, a interrupção da gravidez no Brasil é permitida só em casos em que a gestante corre risco, em gestação decorrente de estupro e em situações comprovadas de anencefalia. A discussão tem contornos internacionais, uma vez que na Europa grávidas já abortaram por infecção pelo vírus – na Eslovênia e na Espanha, por exemplo. Em fevereiro, após a determinação de emergência internacional pela Organização Mundial da Saúde, o alto-comissário de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou que países com surto do vírus deviam autorizar o direito ao aborto em casos de infecção em gestantes.
Ainda não há data prevista para o julgamento do caso no Supremo. Além disso, tanto a procuradoria quanto a Advocacia-Geral afirmam que a Anadep não tem legitimidade para propor uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Por causa dessa questão técnica, talvez a discussão de fundo sobre a interrupção da gravidez não seja analisada. O jornal O Estado de S. Paulo não conseguiu contato na quarta-feira, 7, com a Anadep.
AGU é contrária e invoca ‘direito à vida do feto’
Ainda como subsídio para os ministros do Supremo, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou parecer contrário à possibilidade de aborto em casos envolvendo o vírus zika. A AGU afirma não se tratar de situação similar à de anencefalia, uma vez que existe possibilidade de sobrevivência do feto. “No presente caso, diversamente dos precedentes ora invocados, não se verifica a inviabilidade do embrião ou do feto cuja mãe tenha sido infectada pelo zika, mas a possibilidade de danos neurológicos e impedimentos corporais, conforme reconhece a própria autora”, diz o despacho assinado pelo advogado-geral da União, Fábio Medina Osório.
No entendimento da AGU, nos casos de infecção por zika, a interrupção da gestação “seria frontalmente violadora ao direito à vida” previsto na Constituição Federal.
Política pública
Além de solicitar a liberação para o aborto nesses casos, a associação defende a ampliação de políticas públicas de acesso a detecção do vírus e benefícios para as famílias afetadas. Para a AGU, esses pleitos também não devem ser atendidos.
“Não há como prosperar o entendimento de que haveria omissão estatal no combate à epidemia causada pelo vírus, pois têm sido empreendidos os esforços possíveis para enfrentar essa grave doença e suas consequências. Todavia, conforme demonstrado, por mais eficiente que seja a atuação estatal, trata-se de uma situação cuja reversão demanda tempo, considerando a notória dificuldade para se erradicar o mosquito Aedes aegypti.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Portal no Ar

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Crianças com notificação de microcefalia têm direito a benefício do INSS

Veja abaixo, onde ficam os centros confirmadores credenciados pelo Ministério da Saúde e Sesap para a emissão dos laudos em Natal, Macaíba, Santa Cruz, Pau dos Ferros e Mossoró


Por Redação
A Secretaria de Estado da Saúde Pública, através da Coordenadoria de Promoção a Saúde (CPS) e Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, informa às famílias das crianças notificadas com microcefalia para procurarem os centros de referência, em todo o Rio Grande do Norte, para obtenção do chamado Laudo Médico Circunstanciado – que confirma ou descarta o diagnóstico de microcefalia. Somente com este documento, e confirmação da doença, é possível dar entrada junto ao INSS no programa de Benefício de Prestação Continuada (BPC), para os casos elegíveis.
Para obter o Laudo Médico Circunstanciado é necessário realizar um agendamento e levar os exames de imagem (Tomografia Computadorizada e/ou Ultrassonografia Transfontanela) e demais exames (teste do olhinho, teste da orelhinha e demais exames laboratoriais) realizados na criança, quando da notificação.
Os centros confirmadores credenciados pelo Ministério da Saúde e Sesap para a emissão dos laudos são:

1- NATAL: CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO E HABILITAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE (antigo CRI);
Contato: 3232-6651 ou 3232-6652

2- NATAL: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE LOPES;
Contato: 3342-5000

3- MACAÍBA: CENTRO DE PESQUISA E EDUCAÇÃO EM SAÚDE ANITA GARIBALDI;
Contato: (84) 3271-3311

4- SANTA CRUZ: CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO E HABILITAÇÃO;

5- PAU DOS FERROS: CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO;
Contato: (84) 3351-2205

6- MOSSORÓ: CENTRO CLÍNICO PROF. VINGT-UN ROSADO
Contato:  (84) 3315-5070

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

OMS declara microcefalia como emergência internacional

A OMS recomenda a governos de todo o mundo adotar uma política de vigilância máxima


Por Estadão Conteúdo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declara a microcefalia como uma emergência internacional, mas evita por enquanto incluir o zika vírus no mesmo patamar diante da falta de provas de uma relação comprovada entre os dois fenômenos.
A OMS recomenda a governos de todo o mundo adotar uma política de vigilância máxima. Mas optou por evitar incluir o vírus no alerta diante do número elevado de pessoas infectadas, mas sem qualquer impacto. O Brasil insiste que a relação existe. Mas a OMS argumenta que ainda precisa de provas científicas, uma posição que, conforme o jornal “O Estado de S. Paulo” revelou com exclusividade na semana passada, já causou polêmica entre o governo brasileiro e a entidade internacional.
Nesta segunda-feira, 1º, a entidade reuniu os maiores cientistas sobre o tema, entre eles o brasileiro Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas. A constatação é de que a microcefalia e desordens neurológicas, pela explosão de casos no Brasil, já seriam uma “emergência de saúde pública de preocupações internacionais” pelo potencial que tem de também acabar afetando outras regiões.
Até hoje, apenas as doenças H1N1, pólio e ebola receberam tal status. Isso significa que ela vai exigir uma coordenação internacional e que existe um risco de proliferação. A partir de agora, a OMS vai lançar um apelo internacional por recursos para financiar novas pesquisas e tentar determinar a relação entre o vírus e a má-formação. Mas, de forma imediata, a entidade sugere uma série de medidas para tentar conter a proliferação do mosquito.
As medidas não vão incluir a restrição de viagens ao Brasil e de outros países afetados. Mas a OMS sugere que mulheres grávidas tomem medidas extras para se proteger contra mosquitos.
Uma das preocupações da OMS era a de criar um padrão global para dar uma resposta ao problema, evitando que governos adotem medidas extremas, como a de sugerir a seus cidadãos a evitarem os Jogos Olímpicos do Rio ou qualquer cidade brasileira.
Fontes na OMS admitiram que, em poucos meses, o vírus passou de “suave” para “alerta” e o zika vírus já está em Grau 2 de emergência, numa escala de zero a três.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas poderiam ser contaminadas pelo vírus em 2016 nas Américas. Mas a OMS hesita em chancelar a projeção. Ao jornal, o chefe do Departamento de Surtos da entidade, Bruce Aylward, admite que o zika vírus é “um teste de uma nação” para o Brasil e pede “maturidade” a grupos políticos e atores da sociedade brasileira para superar o desafio.
A constatação ainda é de que os casos vão se espalhar para novos países e regiões. A entidade estima que o vírus pode ser registrado em casos locais no sul da Europa a partir da primavera no Hemisfério Norte.
Demora
O vírus foi descoberto em Uganda em 1947 e os primeiros casos em humanos aconteceram na Nigéria em 1954. Em 1977, ele foi registrado no Paquistão e, 20 anos mais tarde, na Micronésia. A Polinésia Francesa foi alvo de um surto em 2011 e, agora, a OMS estima que todo o continente americano será afetado.
Apesar da decisão de hoje, no Journal of the American Medical Association, cientistas criticaram a OMS por não terem aprendido as lições do ebola. O temor dos cientistas é de que, mesmo que uma vacina esteja pronta em dois anos, sua chegada ao mercado pode levar uma década.
Num artigo assinado, Daniel Lucey e Lawrence Gostin apontam que o fracasso da OMS em agir levou a milhares de mortes pelo ebola na África. O mesmo cenário poderia ocorrer se uma ação imediata não for tomada.
“Ainda que o Brasil, Opas e o CDC (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos) tenham agido rapidamente, a sede da OMS até agora não tem sido pró-ativa, dando espaço para potencial ramificações”, concluíram.
Portal no Ar

sábado, 26 de dezembro de 2015

Pesquisadores da Fiocruz definem prioridades para eliminar o ‘Aedes aegypti’

A ideia é acompanhar desde o diagnóstico de zika na grávida aos primeiros anos da criança


Por Estadão Conteúdo
 

A Fundação Oswaldo Cruz criou um gabinete de crise para coordenar os estudos sobre a epidemia de microcefalia e traçar estratégias para o enfrentamento do vírus zika. O grupo, que reúne pesquisadores de diferentes institutos ligados à Fiocruz, definiu como prioridades desenvolver um kit diagnóstico que permita identificar com um só exame se a pessoa foi contaminada pelos vírus da dengue, zika ou chikungunya e desenhar estudo de longo prazo para avaliar os efeitos da microcefalia. A ideia é acompanhar desde o diagnóstico de zika na grávida aos primeiros anos da criança.
“(No Brasil) temos uma posição de protagonismo (nas pesquisas) que não desejaríamos ter. Muitos países estão observando nosso modo de trabalhar para saber o que fazer. A epidemia de microcefalia, além de singular, é das mais graves situações que a gente tem na história da saúde pública”, afirmou Valcler Rangel, vice-presidente da Fiocruz e coordenador adjunto do Gabinete para Enfrentamento da Emergência em Saúde Pública, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.
O que já foi definido pelo gabinete de crise?
A grande prioridade é o desenvolvimento de tecnologia diagnóstica para ficar disponível nos laboratórios centrais brasileiros. Precisamos desenvolver kit diagnóstico que atenda dengue, chikungunya e zika ao mesmo tempo para facilitar o processo diagnóstico. Essa é uma carência que a gente tem hoje. Pesquisadores do Instituto Carlos Chagas, no Paraná, estão à frente desse estudo, que vem sendo feito em articulação com o Ministério da Saúde, com o Comitê da Operação de Emergência em Saúde. É preciso saber o nível de certeza que esse exame dá, se não há cruzamentos de reação, que possam confundir as doenças e dar falso negativo e falso positivo. Precisamos fazer isso porque será usado em larga escala. Também é fundamental que se iniciem estudos que documentem os casos que estão ocorrendo para fazer seu acompanhamento prospectivo.
Como será esse estudo?
Vamos acompanhar desde o momento de diagnóstico para avaliar as características que a microcefalia está apresentando. A ideia é acompanhar as gestantes desde o diagnóstico de zika, porque existem gestantes que os bebês não têm microcefalia. As mães passarão por investigação, responderão a perguntas, será feita coleta de exames. Não posso te afirmar o prazo de acompanhamento geral. A gente não sabe outras consequências que podem aparecer. A microcefalia certamente é das mais graves que poderiam ocorrer exceto o próprio óbito. Que outras má-formações ou que outras consequências podem estar ocorrendo? Esses estudos serão fundamentais para revelar isso também. É possível que elas tenham de ser acompanhadas por alguns anos.
O Brasil está construindo a literatura médica sobre zika. O País já teve protagonismo no estudo de uma doença como agora? É possível fazer um paralelo com a Doença de Chagas?
Eu diria que é mais ou menos parecido com Chagas. É claro que são épocas muito diferentes e a comparação é complexa. Carlos Chagas descreve todo o ciclo do Tripanossoma cruzi, o adoecimento, a sintomatologia, o ciclo do vetor. Não é à toa que Carlos Chagas foi cogitado para o Prêmio Nobel, em função de uma caracterização inédita para a ciência, de um país ter feito isso com um grupo de pesquisa. Certamente se assemelha à doença de Chagas nessa questão do protagonismo. Em outros aspectos, não: é uma doença aguda; é um vírus; tem capacidade de transmissão muito alta; casos que acontecem de uma hora para outra no território nacional, com condições de espraiamento regional e até para outros continentes. Certamente temos uma situação de protagonismo que não desejaríamos ter. As medidaps de proteção são conhecidas, mas até o momento não são eficazes, que é o controle do vetor. O vetor está presente em mais de 100 países e portanto, não é característica brasileira. Tem muitos elementos de dificuldade. Mas eu acho que, com muita mobilização social, a gente tem condição de vencer esse desafio.
Esse ponto foi discutido pelo gabinete de crise?
É a única certeza hoje: temos de eliminar o Aedes. Seja no desenvolvimento de larvicidas ou na possibilidade de usar técnicas novas e mobilizar a população. Defendemos que sejam criados comitês populares para o controle do mosquito, que mobilizem o setor público a fazer ações de combate que tenham permanência. Não teremos resultado nessa situação se não houver maneiras de a sociedade se organizar em torno do controle do vetor.
Portal no Ar

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal lidera ranking de microcefalia no RN com 33,8% dos casos


Outros municípios que registraram números altos são Mossoró e Parnamirim ( Foto: Gazeta News)
Outros municípios que registraram números altos são Mossoró e Parnamirim ( Foto: Gazeta News)

No total, são 52 notificações, representando 33,8% dos casos registrados no estado

Natal é a cidade do RN com maior número de casos notificados de microcefalia. No total, são 52 notificações, representando 33,8% dos casos registrados no estado.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (23) pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) com base no monitoramento semanal feito pelo Ministério da Saúde.
Os casos notificados estão distribuídos em 44 municípios do estado. Além de Natal, os municípios que apresentam o maior número de casos são: Mossoró com 14 casos (9,1%) e Parnamirim com 12 (7,8%). Os demais municípios juntos representam 50,6%, com 78 notificações. Entre os casos notificados 10 (6,5%) foram óbito.
De acordo com a coordenadora de Promoção a Saúde, Cláudia Frederico, até o último dia 19 de dezembro foram notificados 158 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao Zika Vírus em recém-nascidos (97,4%), sendo que quatro (2,5%) foram registrados ainda na gestação.
Um dado importante apontado por Cláudia Frederico é que o número de casos suspeitos de microcefalia contraídos pelo Zika Vírus diminuiu nestes primeiros 20 dias de dezembro.
Segundo ela, nesses primeiros 20 dias do mês foram registrados 10 casos ao todo, contra 67 em novembro, mês que atingiu o maior pico de casos suspeitos.
Portal no Ar

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sete mortes de bebês com microcefalia são notificadas no RN e no Brasil casos somam 1.761

Mortes no Rio Grande do Norte ainda estão sob investigação para confirmar a associação da diminuição do cérebro à infecção pelo zika vírus


Por Estadão Conteudo
 

Casos suspeitos de microcefalia no Brasil já somam 1.761, em 422 municípios espalhados por 13 Estados e pelo Distrito Federal. O novo boletim epidemiológico foi divulgado na manhã desta terça-feira, 8, no Ministério da Saúde. Já foram notificados 19 mortes de bebês – sete só no Rio Grande do Norte -, ainda sob investigação para confirmar a associação da diminuição do cérebro à infecção pelo zika vírus.
Criança com microcefalia, segundo pediatras, pode ter problemas linguísticos, cognitivos e motores (Foto Astaffolani Wikimedia Common-Arquivo)
Criança com microcefalia, segundo pediatras, pode ter problemas linguísticos, cognitivos e motores (Foto Astaffolani Wikimedia Common-Arquivo)
Pernambuco segue liderando o número de casos, com 804. Em seguida, vêm Paraíba (316), Bahia (180), Rio Grande do Norte (106), Sergipe (96), Alagoas (81), Ceará (40), Maranhão (37), Piauí (36), Tocantins (29), Rio de Janeiro (23), Mato Grosso do Sul (9), Goiás (3) e Distrito Federal, com apenas um registro.
Na segunda-feira, 7, o ministério resolveu, para “incluir um número maior de bebês na investigação”, diminuir de 33 cm para 32 cm a medida padrão do perímetro cefálico dos bebês. Todos os recém-nascidos que apresentarem crânio menor que isso serão considerados suspeitos de microcefalia.
“Se forem descartadas outras causas, como toxoplasmose, sífilis ou problemas genéticos, o caso se enquadra como infecção por zika”, informou o diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde, Cláudio Maierovitch. “Pelo critério anterior, talvez tenhamos dado à situação uma dimensão maior do que realmente tem, mas preferimos não subestimar.”
Vigilância
Foi lançado, também, um protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo zika. O documento estabelece diretrizes aos profissionais de saúde e áreas técnicas para lidar com casos suspeitos e pacientes confirmados, não sem frisar que ainda existem “várias lacunas” no conhecimento da doença.
Não se sabe, por exemplo, se uma mulher infectada pelo zika vírus terá problemas em gestações futuras. O mesmo sobre a amamentação. “É empírico, mas médicos recomendam a interrupção da amamentação enquanto o vírus ainda não foi eliminado do organismo, o que pode levar de cinco a 10 dias”, disse o diretor.
Quem planeja engravidar em breve deve ter “uma preocupação adicional com este novo vírus que está circulando”, afirmou Maierovitch, “mas não nos cabe influenciar na decisão da mulher.”
O secretário de Vigilância em Saúde, Antônio Carlos Nardi, disse que a guerra contra o Aedes aegypti, transmissor do vírus, deve continuar, e que isso depende não só dos agentes públicos, mas também de “um esforço da população”.
A partir desta terça-feira, de acordo com o novo protocolo, as vigilâncias de Estados e municípios deverão detectar casos não apenas em recém-nascidos, mas também monitorar gestantes com possível infecção por zika, fetos com alterações no sistema nervoso, abortos espontâneos e nascidos mortos suspeitos de contrair o vírus.
Maierovitch afirmou que existem pesquisadores interessados em buscar recursos, junto ao governo federal, para desenvolver uma vacina contra o zika. “O processo é demorado, já que exige uma série de estudos clínicos que pode levar mais de uma década. Além disso, é preciso um pouco de sorte. Não vamos vender falsas expectativas.”
Histórico
O zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, foi isolado pela primeira vez em 1947, em uma floresta africana. Em 2015, apareceu na Região Nordeste do Brasil. Depois das análises feitas pelo Instituto Evandro Chagas, do Pará, o Ministério da Saúde confirmou que o vírus está associado a um aumento de casos de microcefalia.
O zika invade a placenta da mulher grávida, entra na corrente sanguínea do bebê e provoca uma inflamação dos neurônios, comprometendo a formação do cérebro, que fica diminuído. A criança com microcefalia, segundo pediatras, pode ter problemas linguísticos, cognitivos e motores, retardando o desenvolvimento de habilidades básicas como falar, sentar, engatinhar e andar.
Portal no Ar

domingo, 22 de novembro de 2015

No Brasil, 340 mil bebês nascem prematuros todo ano


prematuroUm estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) quer avaliar a eficácia de um novo tratamento para prevenir o parto prematuro. Os pesquisadores da instituição avaliam se a associação entre o tratamento com hormônios e um anel de silicone reduz as chances de parto prematuro entre as mulheres que tenham encurtamento do colo do útero.
A prematuridade é quando o bebê nasce antes de ter completado 37 semanas de gestação. No Brasil, 340 mil bebês nascem prematuros todo ano. Mais de 12% dos nascimentos no país ocorrem antes da gestação completar 37 semanas. Um prematuro precisa de cuidados especiais, geralmente em Unidades de Terapia Intensiva, o que aumenta em três vezes o risco de morte e sequelas futuras para sua vida adulta.

Robson Pires