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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Cerca de 4 milhões de brasileiros sofrem de Epilepsia, alerta especialista

RTW

Dr. Wen destaca a importância do acompanhamento adequado para o sucesso no tratamento


Aproximadamente 10% da população teve ou vai ter, em algum momento da vida, pelo menos uma crise de Epilepsia. Desses, de 1% a 2% é, de fato epilético, o que representa 3,6 milhões de pessoas com a doença no Brasil. É o que destaca o Dr. Wen Hung Tzu, especialista do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo. E alerta “em quase 30% dos casos a causa é desconhecida”.
O início da crise pode apresentar sintomas pouco comuns, como: sensação de já ter conhecido o ambiente (de já vu); palpitação no coração; cheiro desagradável; mãos com movimentos automáticos (sem controle); tremor das pálpebras e até sensação de distorção da imagem do próprio corpo. “Isso acontece porque os sintomas dependem da região do cérebro que é acometida. Cada região pode originar um sintoma diferente”, explica o neurocirurgião.
O tratamento depende principalmente da causa da doença. O uso de medicamentos antiepiléticos é a forma mais comumente utilizada e geralmente também é a primeira forma escolhida. “Entre 60% e 70% das pessoas que sofrem de Epilepsia têm suas crises controladas com o uso de medicamento antiepilético adequado”, completa o especialista. Porém, essa opção deve ser considerada de acordo com o tipo de Epilepsia que a pessoa apresenta. “A medicação não serve para todos os casos. Em casos extremos, quando a crise não é controlada por meio de medicamentos, são necessárias outras formas de tratamento como cirurgia, dieta cetogênica e implante de estimulador do nervo vago”.
 Entre as consequências da doença, quando não devidamente acompanhada por um atendimento especializado, estão:
  • Risco de se machucar com quedas ou queimaduras;
  • Limitações e, consequentemente, o comprometimento da qualidade de vida, tais como não poder andar sozinho na rua, dirigir, nadar sozinho, beber uma pequena quantidade de álcool ou até trancar a porta do banheiro, limitando sua liberdade;
  • Distúrbios de atenção, aprendizagem e memória;
  • Consequências sociais (estigma, isolamento ou limitações no emprego) e,
  • Efeitos colaterais com o uso de medicamentos antiepiléticos (quando não indicados por um especialista).
 Para finalizar, Dr. Wen destaca a importância do acompanhamento adequado para o sucesso no tratamento. “Quando bem assistido, por um atendimento especializado, o paciente pode seguir com sua vida normalmente, em todas as rotinas. A crise não é sinônimo de Epilepsia. A crise é apenas um sintoma da doença”.
 Entre as principais causas conhecidas da Epilepsia estão: trauma de crânio, tumores cerebrais, malformações cerebrais e vasculares, sequelas de isquemia cerebral ocorrida em período intrauterino, perinatal ou neonatal, Síndrome de Rasmussen, Síndrome de Sturge weber, esclerose tuberosa, derrame cerebral, causas externas (uso de álcool, drogas, intoxicação) e lesões cerebrais ocorridas durante o período intrauterino.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Epilepsia: mitos, desconhecimento e verdades


Setembro é o mês nacional e latino-americano de combate à epilepsia


Se uma pessoa caísse diante de você, debatendo-se com um crise de epilepsia, qual seria sua primeira atitude para ajudá-la? Apesar da boa vontade, tem muita gente que não sabe o que fazer, e muito disso deve-se à aura de mitos, preconceitos e desinformação que cerca a doença. Para reverter essa situação, foi criado o Dia Nacional e Latino-Americano de Combate à Epilepsia, celebrado no último dia 9, mas com ações que se estendem por todo o mês de setembro. 
O objetivo é divulgar, esclarecer mitos e tabus, passar informação à população e melhorar a aceitação do problema bem como esclarecer sobre formas de tratamento e acesso a serviços, visando melhorar a qualidade de vida dos portadores e seus familiares. 

Estima-se que até 2% da população mundial sofra de epilepsia. No Brasil, cerca de 3 milhões de pessoas seriam epilépticas. 


A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do cérebro, que provoca uma série de descargas elétricas e convulsões. Durante a crise são emitidos sinais cerebrais incorretos, o que faz a pessoa permanecer desacordada e debatendo-se, geralmente expelindo uma saliva espessa.

As crises duram, no máximo, cinco minutos e acabam sozinhas. Depois disso, muitas vezes, a pessoa adormece. É preciso ter calma e livrar-se de preconceitos para ajudar quem está passando por uma crise.

As causas podem ser muitas e variadas — desconhecidas ou com origens em sequelas de partos mal-sucedidos. Abuso com álcool e outras drogas, tumores cancerígenos e outros distúrbios neurológicos também podem gerar a doença. 

Cirurgia é novidade 
Os medicamentos administrados no tratamento contra a epilepsia agem bloqueando a atividade anormal do cérebro, evitando as crises e trazendo melhor qualidade de vida aos portadores da doença. O uso tem que ser seguido à risca por um longo período ou até que os espasmos cessem. Por muito tempo, até mesmo profissionais da área da saúde acreditaram só haver essa forma de amenizar os efeitos convulsivos. Mas existem novidades, inclusive cirúrgicas.

Cerca de 1/3 das pessoas com epilepsia apresentam comportamento refratário ao tratamento clínico. Neles, os medicamentos não fazem efeito. Por mais que usem, troquem, mudem a dose, as crises continuam.

Para essas pessoas, a cirurgia de epilepsia pode ser a solução. Após o especialista investigar e confirmar a origem das crises, o paciente é encaminhado para o procedimento, onde é retirado um pequeno pedaço do cérebro, justamente a parte doente.

Preconceito e antiguidade

Há registros dos primeiros casos de epilepsia ainda em 2.000 a.C., na antiga Babilônia. À doença era atribuído uma aura de magia e misticismo, acreditando-se que as pessoas estavam possuídas pelo demônio durante as crises. Já durante a Idade Média, foi considerada distúrbio mental e tida como contagiante — algo que muita gente ainda acredita hoje em dia.