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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Conheça os grupos terroristas que mais matam no mundo - O Estado Islâmico, que realizou os atentados em Paris há duas semanas, não encabeça a lista


Estado Islâmico

O Estado Islâmico age principalmente na Síria e Iraque e tem como característica a brutalidade - decapitações, crucificações e execuções coletivas. Em 2014, foram 1.071 ataques protagonizados pelo grupo terrorista, nos quais 6.073 pessoas morreram e outras 5.799 ficaram feridas. Os sunitas do EI, que surgiram de uma dissidência do braço da Al Qaeda no Iraque, aspiram conquistar a região do Levante, que inclui Israel, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria. O grupo opõe-se ao regime do ditador Bashar Assad na Síria e ao governo xiita no Iraque. Afirma estar travando uma guerra sagrada contra os muçulmanos xiitas, os cristãos e os yazidis, um grupo étnico-religioso no Iraque e na Síria.


Boko Haram (Jerome Delay/AP)
Após os atentados de 13 de novembro em Paris, no qual 130 pessoas morreram, a atenção do mundo se voltou para o grupo terrorista Estado Islâmico, que reivindicou a autoria dos ataques. Apesar das atrocidades cometidas pelo EI, como decapitações e crucificações, o grupo não é o que causou mais mortes em 2014 no mundo, segundo um estudo publicado pelo Instituto para Economia e Paz, baseado em Sidney, na Austrália. O Índice Global de Terrorismo 2015 coloca o nigeriano Boko Haram no topo da lista dos grupos terroristas mais letais do mundo. Os jihadistas que agem principalmente na Nigéria, Camarões e Chade mataram 6.644 pessoas em 2014. Já os jihadistas do Estado Islâmico causaram 6.073 mortes no mesmo ano.
O índice se baseou nos dados de ataques de grupos extremistas reunidos pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, desde 1970. Em nível global, existem 530 grupos classificados por distintos governos como organizações terroristas. Só em 2014, 33 novas organizações radicais foram criadas.
Os civis constituem 77% de suas vítimas. Recentemente, o grupo tem aumentado o uso de bombas e explosivos em seus ataques. A maior parte dos atentados atingem mercados ou lugares públicos, como um ataque realizado em janeiro deste ano, quando um bomba presa a uma garota de 10 anos matou, além da criança, pelo menos 20 pessoas que estavam em um mercado de Maiduguri, na Nigéria.
Os jihadistas africanos têm interagido constantemente com a Al Qaeda e com a Al Qaida no Magreb Islâmico, grupo de origem argelina que mantém laços com a Al Qaeda desde 2002. Mais recentemente, eles passaram a se relacionar com o Estado Islâmico, compartilhando treinamentos militares e canais de mídias sociais. Em março de 2015, o Boko Haram firmou oficialmente aliança com o EI e reconheceu seu líder, al-Baghdadi, como Califa dos Muçulmanos.
Segundo o índice, em 2014, os jihadistas protagonizaram 453 ataques. Devido à violência deste grupo, a Nigéria é hoje, atrás do Iraque, o país com o mais alto número de mortes causadas por terrorismo, segundo o Índice.
Os dois ataques mais letais realizados pelo grupo em 2014 ocorreram em junho, quando os terroristas invadiram uma prisão em Badush, no Iraque, e mataram 670 prisioneiros xiitas, e em agosto, quando 500 pessoas da etnia Yazidi foram mortas em Sinjar, também no Iraque.
Al Qaeda - Por outro lado, a rede jihadista Al Qaeda, que orquestrou os ataques do 11 de setembro sob a chefia de Osama Bin Laden, tem perdido sua influência e encontra dificuldade para financiar seus planos. As derrotas sofridas para os rivais do Estado Islâmico no Oriente Médio esvaziaram os cofres do grupo jihadista e provocaram uma debandada de recrutas. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian em junho, dois dos principais chefes da Al Qaeda declararam que o atual número um da organização, o egípcio Ayman al-Zawahiri, não possui mais influência para chefiar os comandantes do grupo e só o mantém em atividade devido aos pedidos por lealdade que faz reiteradas vezes.
A tática utilizada pelo EI para orquestrar seus ataques no Ocidente também tem se destacado do método da Al Qaeda. Os jihadistas usam os novos combatentes cooptados no exterior para executar seus ataques em outros países. O estudo do Instituto para Economia e Paz chama essa estratégia de "tática dos lobos solitários", já que a maioria dos atentados executados por seguidores do grupo em países ocidentais são realizados por um único terrorista ou grupos pequenos e independentes.
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terça-feira, 12 de agosto de 2014

TERRORISMO NO ORIENTE MÉDIO: Em foto chocante, criança segura cabeça decapitada de sírio

 

Menino segura cabeça de soldado sírio decapitado
Menino segura cabeça de soldado sírio decapitado           
 
Menino é filho de terrorista australiano que passou a integrar as fileiras do EIIL. Premiê da Austrália diz que imagens são prova de 'atrocidades terríveis'
 
Na foto, o garoto aparece segurando a cabeça de um soldado sírio decapitado.
 
Na legenda, a frase: “Este é o meu garoto”. A imagem assustadora foi publicada no perfil de Khaled Sharrouf no Twitter. Em outras fotos, o terrorista aparece com os três filhos, todos segurando armas, à frente de uma bandeira do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o grupo que está desintegrando o território iraquiano e espalhando a barbárie.
O primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, disse que as imagens são outro exemplo das “atrocidades horríveis” de que os terroristas são capazes. “Vemos cada vez mais evidências do quão bárbara é essa entidade em particular”, disse à imprensa australiana.
Sharrouf foi condenado na Austrália e alegou ser culpado das acusações de terrorismo. Ele fugiu do país no ano passado para se juntar aos jihadistas na Síria e no Iraque. “O Estado Islâmico – como eles estão chamando a si mesmos agora – não é apenas um grupo terrorista, é um exército terroristas que não está em busca apenas de um enclave terrorista, mas de um estado terrorista, de uma nação terrorista”, disse o premiê a uma rádio australiana.
 
O grupo jihadista está impondo uma selvageria cotidiana em um vasto território entre a Síria e o Iraque, decapitando, crucificando e executando sumariamente os considerados 'infiéis'. A minoria yazidi é um dos principais alvos do EIIL no norte do Iraque – neste domingo, ao menos 500 pessoas foram mortas e muitas foram enterradas vivas, incluindo mulheres e crianças. Em Raqqa, na Síria, o grupo expôs cabeças de várias vítimas em postes no final de julho – quando também teria sido tirada a foto do filho de Sharrouf, segundo o jornal Sydney Morning Herald.  
 
Armas aos curdos – Os Estados Unidos iniciaram na última sexta-feira uma série de ataques aéreos contra os terroristas, e começaram a fornecer armas diretamente às forças curdas para o enfrentamento, segundo a agência Associated Press, que citou fontes da administração Barack Obama.
Um representante do Departamento de Estado limitou-se a dizer que os curdos estão sendo armados “por várias fontes”, sem negar o envolvimento do governo americano. “Há várias discussões ocorrendo entre vários países. Eles estão recebendo algo rapidamente”, disse.
Os Estados Unidos vinham afirmando que o envio de armas era feito somente para o governo iraquiano em Bagdá, mas a situação mudou depois dos ganhos conseguidos pelos jihadistas nas últimas semanas. As forças americanas estão ajudando a enviar armas dos iraquianos aos curdos, fornecendo assistência logística e transporte para o norte.
 
Combates – No domingo (10/08/2014), as forças curdas retomaram duas cidades controladas pelo EIIL, ajudadas pelos ataques aéreos realizados pelos EUA na região. As cidades retomadas foram Gwer e Mahmour, ambas localizadas a poucos quilômetros de Arbil. No entanto, na manhã desta segunda-feira, os terroristas tomaram a cidade de Jalawla, 115 quilômetros a nordeste da capital Bagdá. No domingo, um ataque suicida havia matado dez combatentes curdos no local.
 
Iraquianos que fugiram da violência na província de Nínive, chegar à província de Sulaimaniya
Iraquianos que fugiram da violência na província de Nínive, chegar à província de Sulaimaniya - Reuters

Mapa Estado Islâmico do Iraque e do Levante  
Cristãos iraquianos buscam abrigo na igreja de São José, em Arbil, no norte do Iraque depois de fugirem de suas aldeias invadidas por terroristas
O número de cristãos no Iraque caiu de aproximadamente 1,5 milhão em 2003 para algo entre 350.000 e 450.000 atualmente, estimativa que corresponde a menos de 1% dos habitantes do país. A maioria vive na província de Nínive, no norte do país. Além de Qaraqosh – a maior cidade cristã do país, tomada pelos jihadistas em 7 de julho –, outros locais como Bartella, Al Hamdaniya e Tel Kef também abrigam cristãos.
Os cristãos no país são de diversas etnias e denominações, mas a maioria é de católicos assírios ou caldeus – uma das várias igrejas iraquianas com nomes que remontam às origens do cristianismo –, descendentes de povos da Mesopotâmia que falam aramaico.
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sábado, 9 de agosto de 2014

Oriente Médio - Decapitações, crucificações, execuções sumárias: o horror imposto pelos jihadistas no Iraque e na Síria

Imagem divulgada pelo site jihadista Welayat Salahuddin mostra militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ao lado de dezenas de iraquianos membros das forças de segurança antes de serem executados em um local desconhecido - EFE/Welayat Salahuddin/EFE
Nem mesmo crianças são poupadas da fúria selvagem dos jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). O avanço do grupo terrorista obrigou os Estados Unidos a atacarem o território iraquiano pela primeira vez desde a retirada das tropas, em 2011. Execuções sumárias, decapitações, amputações e crucificações compõem um modus operandi de brutalidade incomensurável, que faz empalidecer até mesmo a violência da Al Qaeda. 
 
 
Ao ordenar a ação, o presidente Barack Obama mencionou a necessidade de ajudar a minoria yazidi, que foi encurralada pelos terroristas em regiões montanhosas de Sinjar, onde estão morrendo de fome e sede. Essa minoria segue uma religião pré-islâmica que o EIIL vê como ‘demoníaca’. “Crianças estão morrendo de sede, enquanto isso, o EIIL pede a destruição sistemática de toda a população yazidi, o que constituiria genocídio”, disse Obama.
Em Raqqa, na Síria, o grupo expôs as cabeças de várias vítimas em postes. Em uma das gravações da selvageria postadas no YouTube, um cristão é forçado a se ajoelhar, cercado de homens mascarados que o forçam a se ‘converter’ ao Islã. A vítima é decapitada. Em outro vídeo, um narrador afirma que os corpos expostos são de soldados sírios.
 
 
Depois de proclamarem a criação de um Estado islâmico em um vasto território entre a Síria e o Iraque, extorquindo os que quiserem ‘proteção’, os jihadistas divulgaram uma lista de regras para moradores da província de Nínive, no noroeste iraquiano. O jornal The Washington Post reproduziu algumas delas: “todo muçulmano será bem tratado, a menos que esteja aliado com opressores ou ajude criminosos”; “qualquer pessoa que roube ou saqueie enfrentará amputações”; “rivais políticos ou armados não serão tolerados”; “policiais e militares podem se arrepender, mas quem insistir em apostasia será morto”; “a lei da sharia será implementada”; “sepulturas e santuários serão destruídos”; “as mulheres são informadas de que a estabilidade está no lar e, por isso, não devem sair sem necessidade. Elas devem estar cobertas com vestes islâmicas completas”. E ainda, um ‘conselho’: “seja feliz por viver em uma terra islâmica”.
A força mais incivilizada em ação no Oriente Médio usa a violência chocante também como apelo para recrutar radicais islâmicos ao redor do mundo. No Instagram, um jihadista britânico escreve, abaixo de uma foto em que um homem aparece ao lado de várias cabeças decepadas e um esqueleto falso: “Nosso Irmão Abu B do Isis posa com seus dois troféus depois da operação de ontem. O esqueleto não é real”.
 
A maioria dos recrutados são jovens. E uma nova geração de jihadistas está sendo preparada. A revista Vice divulgou um vídeo em sua página na internet no qual uma criança belga diz ser do Estado Islâmico e afirma que não quer voltar para a Bélgica porque lá há “infiéis que matam muçulmanos”. Ele fala de maneira relutante, ao lado do pai, membro do EIIL. “O que você quer ser, um jihadista ou executar uma operação suicida?”, pergunta o pai. “Jihadista”, responde o menino.

Selvageria do EIIL afastou até mesmo a Al Qaeda. Grupo que está desintegrando o território iraquiano é alvo de ataques aéreos dos EUA.

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