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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Nenhum dos três senadores potiguares foi a todas as sessões em 2016; veja o ranking da assiduidade

Jader Barbalho foi o campeão em faltas não justificadas

Além de Reguffe, o único a ter 100% de presença, outros quatro senadores tiveram apenas uma ausência ao longo do ano

Em seu primeiro mandato, o senador Reguffe (sem partido-DF) foi o único a comparecer a todas as sessões reservadas a votação em 2016. Outros quatro registraram uma única ausência em todo o ano: o candidato à presidência do Senado e líder do PMDB, Eunício Oliveira (PMDB-CE), José Pimentel (PT-CE), Pedro Chaves (PSC-MS) e Waldemir Moka (PMDB-MS). Os dados são de levantamento da Revista Congresso em Foco, que também apontou o senador Fernando Collor (PTC-AL) como o mais ausente do ano, excluído os casos motivados por problemas de saúde. Collor faltou uma a cada três sessões.
Os dois senadores que mais se ausentaram das sessões de 2016 enfrentaram problemas de saúde ao longo do ano: Jader Barbalho (PMDB-PA), que somou 62 faltas, e Rose de Freitas (PMDB-ES), que faltou 30 vezes. Ambos se valeram de licenças de saúde. Ainda assim, Jader foi o campeão em ausências não justificadas. O senador deixou 18 faltas acumuladas sem justificativa.
Rose chegou sobre uma cadeira de rodas para votar o afastamento de Dilma. Segundo a assessoria da peemedebista, a capixaba sofreu uma ameaça de acidente vascular cerebral (AVC) no início do ano. Mesmo assim, 12 faltas dela ficaram sem justificativa. Entre os dois peemedebistas, apenas Davi Alcolumbre (DEM-AP) deixou mais faltas injustificadas (17, ao todo).
“A ausência, lamentavelmente, deixou de ser justificada pela chefia de gabinete à época. Em outras ocasiões, a senadora estava presente na Casa, mas, envolvida em negociações políticas à frente da presidência da Comissão Mista de Orçamento ou da liderança do governo no Congresso, e, por isso, não registrou presença”, disse o gabinete da parlamentar capixaba.
Das 91 reuniões de que deveria participar até o início de dezembro, Collor faltou a 30. Dessas, 25 foram justificadas por ele, todas para realizar alguma atividade parlamentar. Esse tipo de explicação é a mais comum entre as usadas pelos senadores para escapar do desconto no salário, previsto para quem faltar sem justificar.
Na prática, a atividade parlamentar pode ser qualquer coisa que o congressista fizer em Brasília, no seu estado ou no exterior. Depois de Collor, o senador que mais apresentou esse tipo de justificativa foi Zezé Perrella (PTB-MG). O petebista faltou a 25 sessões (23%) das 91 realizadas entre o início de fevereiro e 8 de dezembro, data em que o levantamento foi concluído. Ele atribuiu 23 dessas ausências ao exercício de atividades parlamentares.
A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) também faltou a 25 sessões, empatando com Perrella. Mas apresentou justificativas detalhadas. Lídice tirou três licenças por motivo de saúde e se ausentou 11 vezes para desempenhar atividades parlamentares fora do Senado. A senadora viajou aos Estados Unidos, ao Uruguai, a Portugal e a Marrocos em missão oficial.
“Todas as ausências em sessões deliberativas foram justificadas, conforme determina o regimento do Senado, e estão oficialmente registradas no Diário Oficial da Casa. Essas ausências se deram por participação como membro de colegiados internacionais. Também integrei delegações oficiais brasileiras representando o Senado”, disse a senadora à Revista Congresso em Foco.
O levantamento considerou as 91 sessões deliberativas realizadas entre o início de fevereiro e 8 de dezembro. Depois dessa data, o Senado realizou outras duas reuniões reservadas a votação, mas os dados não estavam disponíveis até o fechamento da reportagem. Ao todo, nas 91 sessões contabilizadas, os senadores acumularam 883 faltas, o que representa um índice de 14%, percentual equivalente ao contabilizado em 2015. Dessas, 656 foram justificadas – ou seja, de 74%, apenas 2% a menos que no ano anterior. As outras 232 não tiveram qualquer tipo de explicação dos parlamentares.
Fonte: Congresso em Foco

domingo, 30 de outubro de 2016

Ausência de Lula e Dilma no segundo turno das eleições simboliza declínio do PT, diz professor

Para o professor, é prematuro projetar uma nova liderança à esquerda com base apenas nos resultados das eleições a prefeituras deste ano

As abstenções dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nas eleições deste domingo (30) têm valor simbólico, ao comporem um retrato da perda de protagonismo na política brasileira de um PT que vive a pior crise de sua história, avalia o professor do Insper Carlos Melo.
“É uma constatação de que o PT passou, de que não é mais protagonista e de que seus principais personagens não têm mais o que dizer”, afirma o cientista político sobre a decisão dos dois últimos presidentes da República de não comparecer às urnas no segundo turno das eleições municipais.
Lula vota em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, mas, com 71 anos de idade, seu voto é facultativo e ele preferiu não comparecer à urna, numa atitude que seria um ato de protesto contra o quadro político atual. Dilma, por sua vez, está visitando a mãe em Belo Horizonte (MG) e não votou em Porto Alegre (RS). Nos domicílios eleitorais onde votam os ex-presidentes não há representantes petistas na disputa do segundo turno.
“É um protesto ou uma rendição? A história é que vai responder”, afirma Melo. Lembrando da luta pela democracia tanto de Lula, durante as Diretas Já, quanto de Dilma, no período de governos militares, o cientista político diz que não votar é um direito que vale a qualquer cidadão, mas o fato de serem ex-presidentes é simbólico. “É até irônico que eles fiquem, de certo modo, escondidos hoje em suas casas.”
Após lembrar que os dois líderes petistas correriam o risco de serem hostilizados caso comparecessem a seus colégios eleitorais, Melo considerou que o PT vive um momento melancólico. Para ele, é prematuro projetar uma nova liderança à esquerda do espectro político com base apenas nos resultados das eleições a prefeituras deste ano.

Fonte: Exame