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sábado, 26 de novembro de 2016

Mulheres são principal alvo da pornografia de vingança

São mulheres a maior parte das vítimas de exposição de fotos ou vídeos íntimos (nudes) que circulam pela internet. Segundo a Defensoria Pública do Distrito Federal, a maior parte das imagens íntimas é vazada por ex-companheiros, geralmente inconformados com a separação. Não há uma lei específica que tipifique a chamada “pornografia de vingança”. Contudo, a legislação brasileira prevê outras punições para essas ações enquadradas como crimes contra a honra.
“O relacionamento era mantido na base da confiança. Mas em uma cultura profundamente machista, os homens pensam que as mulheres são sua propriedade e não aceitam o fim do relacionamento. É uma objetificação do corpo da mulher”, explica a defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria, Dulcielly Nóbrega.
Robson Pires

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Como o excesso de pornografia pode afetar sua vida - O uso abusivo já foi relacionado à depressão, ansiedade, estresse, assim como alterações na satisfação sexual, amorosa e pior qualidade de vida

O consumo exagerado de pornografia têm preocupado usuários, cientistas, psicólogos e terapeutas sexuais. Reportagem de VEJA desta semana mostra que pesquisadores já falam na possibilidade de um vício em material pornográfico, que funcionaria à semelhança de drogas como a cocaína.
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Mas a questão está longe de um consenso na comunidade científica. Estudos internacionais estimam que entre 50% e 99% dos homens gostam de acessar material adulto na internet. No caso das mulheres, a taxa varia de 30% a 86%. Os dados são semelhantes no Brasil. É fato que o uso da pornografia pode colaborar para uma vida sexual mais saudável. Os vídeos podem ajudar, por exemplo, a fazer com que uma pessoa conheça melhor o próprio corpo, o que dá prazer.
É crescente, contudo, o número daqueles que enfrentam o lado negativo da pornografia. Calcula-se que um em cada dez consumidores de material pornográfico não consegue interromper o hábito de forma alguma. Protegidos pelo anonimato, eles relatam nas redes sociais e em fóruns da internet que a prática se tornou compulsiva, o que causa grandes prejuízos tanto na vida pessoal quanto na sexual. “A pornografia me deixava depressivo preguiçoso. Era uma verdadeira batalha para levantar e encarar o dia. Chegava a ponto de evitar muitas situações sociais, a não ser que estivesse bêbado. Agora, longe totalmente dos vídeos, passei a toneladas de energia. Inclusive para transar.”, contou um usuário.
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Na tentativa de se livrar da dependência, os viciados, por assim dizer, provocaram um fenômeno nas redes sociais — o de pessoas que defendem a privação absoluta de sexo virtual. Longe de questões morais e religiosas, o que se quer é voltar a sentir prazer com corpos reais. O movimento, chamado de “porn-reboot” ou reinicialização ao pornô, em livre tradução, já tem milhares de seguidores no mundo todo, incluindo o Brasil. Os adeptos descrevem os benefícios sociais, físicos e mentais da abstinência. Um dos maiores entusiastas do assunto, o biólogo americano Gary Wilson, da Universidade Soutern Oregon, defende a abstinência como forma de tratamento. “De dois a seis meses longe da pornografia impactam positivamente na vida social, afetiva e, sobretudo, sexual.” O conselho de Wilson está longe de ser um consenso entre os cientistas.
O uso abusivo já foi relacionado à depressão, ansiedade, estresse, assim como alterações na satisfação sexual, amorosa e pior qualidade de vida. Homens que se masturbam com frequência podem enfrentar outra lista de problemas. Muitos relatam não atingir o orgasmo durante uma relação sexual com facilidade, possuem ereções instáveis e também têm dificuldade de se excitar com parceiras reais. Ou seja, quando estão entre quatro paredes, fica difícil reproduzir a perfeição alcançada pela combinação de estímulos visuais da pornografia e dos movimentos mecânicos da masturbação, no ritmo e intensidade ideais.

As mulheres

Elas também estão suscetíveis ao vício, mas ainda em menor número. Homens e mulheres costumam se relacionar com a pornografia de formas completamente diferentes. Eles são mais atraídos por vídeos que mostram atos sexuais fora de contextos. Preferem ver órgãos sexuais e posições específicas em close-up. Elas costumam ter prazer com histórias mais completas, que evoluem para o sexo. Há quem justifique essa diferença a partir de mecanismos evolucionistas.
A verdade é que só muito recentemente as mulheres entraram no radar da indústria pornô. Algumas produtoras criam conteúdos específicos para agradar o desejo feminino. O mundo virtual derrubou as barreiras para elas. Antes, poucas estavam dispostas a se submeter ao julgamento da sociedade para comprar uma revista em uma banca de jornal ou alugar um filme pornô em uma locadora. Com a internet, é possível acessar conteúdo explicito de forma discreta. Há ainda que se levar em conta, evidentemente, a liberalização dos costumes. Hoje, no Brasil, 33% dos acessos a grandes canais de pornografia são feitos por mulheres. No mundo, a média é um pouco menor, de 25%. A maioria delas é formada por garotas de 18 e 24 anos. A nova geração de meninas tem mais liberdade para explorar a própria sexualidade.
veja

domingo, 12 de junho de 2016

Sites pornográficos brasileiros exibem imagens roubadas de menores

Sites brasileiros lucram exibindo imagens pornográficas de menores(Márcia Zoet/Divulgação)

"Legal, legal não é, né? Mas não dá problema, não", disse o dono do site Só Novinhas. "Conheço muita gente que vive disso. Com o site, dá para tirar 5.000 reais por mês".


Imagens de nudez de garotas e mulheres têm aparecido sem que elas saibam em sites amadores de pornografia brasileiros. Fotos e vídeos chamados de "nudes", feitos por amigos ou ex-namorados, divulgados sem consentimento, resultam em lucro na internet. São jovens com idade entre 14 e 25 anos, de todas as classes sociais, com sua intimidade exposta. No país, entre os 30 maiores sites identificados pelo Estado que não checam a procedência do conteúdo publicado, a audiência mensal chega a até 3,5 milhões de visualizações e pode render 95.000 reais por ano para cada administrador.
As fotos das vítimas se espalham na web, em um movimento conhecido como "viralização", e as levam ao constrangimento e à humilhação, disseram as mulheres à reportagem. Nas publicações, deixam de ser meninas e viram "novinhas" ou "ninfetas", termo que remete a adolescentes ou mulheres infantilizadas. Quando uma novinha tem sua foto viralizada, diz-se que ela "caiu na net". Uma universitária do interior de São Paulo, de 19 anos, foi vítima de um rapaz que conheceu pelas redes sociais quando tinha 15. "A gente começou a conversar e ele sempre dava em cima de mim, mas nunca dei trela. Só que uma vez terminei com meu namorado e acabei cedendo ao pedido dele para aparecer na webcam. Pedi para não gravar, mas ele gravou", disse.
Três anos depois, ela soube por um amigo que o vídeo estava em sites de pornografia. "Na hora, gelei. Peguei todas as provas de que era ele quem tinha divulgado e minha mãe levou para a Polícia Federal. Não sei o que aconteceu, porque não quis mais saber do assunto". Sem produzir conteúdo próprio, os sites divulgam fotos e vídeos como os da jovem paulista. Além de replicar imagens já divulgadas, põem à disposição de qualquer internauta formulários nos quais podem ser enviadas fotos. O usuário deve informar o nome da vítima e enviar ao menos um nude.
Os proprietários reconhecem não fazer nenhum filtro das imagens. "Em muitos casos, em 90%, é impossível identificar se realmente as fotos ou os vídeos são de quem envia", disse, por e-mail, o site Brasil Tudo Liberado, um dos maiores e mais conhecidos, com 2,3 milhões de acessos ao mês. A reportagem, sem se identificar, questionou sobre como proceder para fazer um anúncio e sobre a legalidade das divulgações. "Legal, legal não é, né? Mas não dá problema, não", disse o dono do site Só Novinhas, por e-mail. Ele cobra 120 reais por um banner de 300x250 pixels. "Conheço muita gente que vive disso. Com o site, dá para tirar 5.000 reais por mês".
Legalidade - O dono do site Junior Paganinix, que divulga na página inicial fotos de nudez de uma adolescente, reconheceu o risco de cometer crimes "sem saber". "Todo o conteúdo que publicamos passa por uma análise prévia. Entretanto, é extremamente difícil julgar a idade de uma garota pela sua aparência física". A posse e divulgação de imagens eróticas de menores é crime previsto pela legislação brasileira.
O jornal Estadão mapeou os sites com base na ferramenta digital Similar Web por duas semanas. O programa registra o acesso às páginas iniciais, sem considerar a navegação interna. O número é subnotificado e pode ser até quatro vezes maior. A reportagem identificou quem registrou cada domínio - endereço virtual -, com base no site who.is, mesmo instrumento usado pelo Ministério Público Federal (MPF) em investigações. Eles estão em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Goiás, Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso e Alagoas.
O dono do Cantinho dos Nudes, além de oferecer banner por 130 reais, explicou à reportagem como produzir um site (o que custaria cerca de 150 reais). Duas ferramentas são usadas para ganhar dinheiro: os sites Ero Advertising e HilltopAds, que pagam em euro e dólar por clique recebido nas páginas, sem interferir no conteúdo. O proprietário da publicação afirmou que recebeu 1.600 reais no mês passado. "Eles pagam uma quantia por visualizações nos banners deles (que saltam assim que o site é acessado) e uma quantia por cliques recebidos neles", explicou. Donos de três sites pornográficos ainda informaram nome, CPF e conta corrente para depósito do valor caso houvesse interesse em anunciar. O Estadãolevou as informações ao MPF.
(Com Estadão Conteúdo)