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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Após regulação, Walfredo Gurgel tem “quadro crítico” de atendimentos gerais

Sensação, de acordo com os presentes, é de colapso total na rede hospitalar

Muito embora essa seleção rigorosa tenha diminuído a demanda diária do Walfredo para 14,4%, o 'desafogamento' acontece em prejuízo da saúde de outros pacientes

A regulação que prometia aliviar a demanda no Hospital Walfredo Gurgel vem apresentando sérios efeitos colaterais. Os pacientes que não estão sendo atendidos no Walfredo, são mandados diretamente ao Hospital Municipal de Natal. Em virtude do tratamento aplicado, e que não teria a mesma qualidade do encontrado no Walfredo, alguns pacientes, inclusive, voltam em estado ainda mais grave ao hospital administrado pelo estado.
De acordo com relato de algumas testemunhas que têm convivido diariamente com uma situação precária no atendimento do Walfredo Gurgel, alguns pacientes que vão ao hospital tratar de traumas precisam esperar por mais de quatro dias em uma sala para poderem ser operados. Os gemidos de dor no Walfredo têm se tornado um som de rotina para profissionais e pacientes que trafegam pelos corredores. Os pacientes que estiverem em fila esperando uma vaga na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) também terão que se submeter a uma situação de risco – eles só serão atendidos quando uma dos leitos da UTI vagar, isto é, quando alguém sair de lá – vivo ou morto. A sensação, de acordo com os presentes, é de colapso total na rede hospitalar.
Alguns dos principais motivos elencados por quem está lidando com essa realidade são: uma decisão administrativa que resultou no fechamento de dez leitos da UTI (a UTI do pronto-socorro estaria fechada há mais de um mês). A administração do hospital havia justificado que esta era uma ordem da Coordenadoria de Vigilância Sanitária (Covisa), mas, segundo relatos, tratou-se apenas de um estratagema interno arquitetado pelos operadores do Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar para pressionar o secretário de Saúde, Luiz Roberto Fonseca a mandar mais enfermeiros para o Walfredo, muito embora isto criticamente colocasse em risco a vida dos pacientes, que não poderia ser tratados adequadamente.
O segundo motivo surge em decorrência da regulação do Walfredo Gurgel que não permite o atendimento a pacientes com enfermidades consideradas menos graves. O hospital tem recebido apenas pacientes politraumatizados ou vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Consequentemente, os pacientes que não se adequam às novas normas precisam dar meia-volta, mas acabam retornando ao Walfredo, uma vez que o não atendimento acaba resultado em uma piora no quadro clínico deles e, consequentemente, aumentando a demanda por vagas na UTI. A situação, segundo testemunhas, tem piorado nos últimos cinco dias. Muito embora essa seleção rigorosa tenha diminuído a demanda diária do Walfredo para 14,4%, o “desafogamento” acontece em prejuízo da saúde de outros pacientes.
Agora RN

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Nova terapia contra câncer é bem mais eficaz que a quimioterapia

Resultado de imagem para nova terapia contra o cancer
Além de aumentar o tempo de vida dos pacientes, o Nivolumab também melhorou a qualidade de vida deles
Cientistas desenvolveram um novo tratamento que promete aumentar o tempo de vida de pacientes com tipos agressivos de câncer. O estudo revelou que os voluntários que receberam a droga imunoterápica Nivolumab viveram, em média, dois meses a mais do que aqueles que receberam quimioterapia tradicional.
A pesquisa, que foi publicada no New England Journal of Medicine, teve a participação de 361 pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Todos eles já haviam passado pelo tratamento quimioterápico e não mostraram melhora. De acordo com o estudo, 600 mil casos da doença são diagnosticados todo ano no mundo, sendo que os pacientes nessa condição vivem cerca de seis meses.
Dos 361 voluntários, 240 foram tratados com Nivolumab e 121 receberam tratamentos com um de três tipos diferentes de quimioterapia durante quase dois meses. De todos os participantes que receberam a droga imunoterápica ao longo de um ano, 133 morreram (55,4%), enquanto 85 pessoas (70,2%) das que fizeram quimioterapia faleceram.
A pesquisa também revelou que, em média, a taxa de sobrevivência dos pacientes que tomaram o Nivolumab foi de 7,5 meses, enquanto a mesma taxa das pessoas que fizeram o tratamento quimioterápico foi de 5,1 meses.
Agora RN

sexta-feira, 20 de maio de 2016

STF suspende lei que autorizava o uso de fosfoetanolamina a pacientes com câncer

Maioria da Corte teve entendimento de que ausência de estudos científicos sobre a substâncias pode trazer riscos a pacientes


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira, 19, por 6 votos a 4, suspender provisoriamente a lei federal que liberou porte, uso, distribuição e fabricação da fosfoetanolamina sintética, a chamada “pílula do câncer”. A decisão não suspende a autorização para uso do medicamento concedida por meio de liminares em instâncias inferiores, uma vez que falta a análise do mérito pelo plenário da Corte. No entanto, novas liminares estão vetadas e o acesso às cápsulas hoje foi dificultado.
No mês passado, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, havia determinado que a Universidade de São Paulo (USP), que entre os anos 1990 e 2014 sintetizou e distribuiu gratuitamente a substância no câmpus de São Carlos, apenas cumprisse ordens de envio das cápsulas até o fim dos estoques. Mais de 15 mil ações, em dois anos, cobraram a produção da fosfoetanolamina pela USP. Hoje, não há mais nenhuma dose da substância nos depósitos.
O Estado apurou que o novo alvo de liminares é o laboratório PDT, em Cravinhos, que sintetiza o produto para testes clínicos do governo paulista. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em Valinhos estuda entrar com ação para obrigar o governo estadual a prosseguir com os estudos, mesmo se o STF decidir definitivamente pela inconstitucionalidade da lei. “Se o STF mandar cessar a entrega para consumo, que pelo menos o Estado seja compelido judicialmente a prosseguir com a pesquisa”, disse o promotor de Justiça Vanderley Trindade.
A lei foi sancionada pela presidente da República afastada, Dilma Rousseff, às vésperas da suspensão de seu mandato pelo Senado. O pedido de medida cautelar na ação direta de inconstitucionalidade foi apresentado no Supremo pela Associação Médica Brasileira (AMB). A entidade questionou a permissão dada a pacientes diagnosticados com câncer de usar, por escolha livre, um medicamento que ainda não tem eficácia comprovada.
Agora RN

domingo, 31 de março de 2013

40 anos do HWG: O pulso ainda pulsa! Publicação: 31 de Março de 2013 às 00:00


O jovem senhor completa hoje 40 anos de atividades. Pelo tempo de serviço, já estaria aposentado. Não fossem os pulsos que mantém seus batimentos cardíacos numa nem sempre compassada sintonia, o Hospital Walfredo Gurgel, que é o maior complexo hospitalar do estado, já teria ido a óbito diante de tantas crises enfrentadas ao longo de quatro décadas de (sobre)vida. As mesmas histórias de 1973, ano do início das suas atividades, se repetiram nas décadas seguintes e são tão comuns atualmente, que o Hospital Walfredo Gurgel não é reconhecido pelas milhares de vidas que ali se salvaram ao longo de tanto tempo.

E sim, pelas recorrentes crises de abastecimento, falta de profissionais, corredores que se assemelham às enfermarias coletivas dos campos de guerra e pacientes à espera de atendimento. Muitos não lembram, porém, que é dali que saem vidas salvas, mesmo diante de tantos desafios. 

De 1973 a 2013, o fluxo de pacientes aumentou numa proporção inversa a dos investimentos em ampliação. Somente uma grande obra, a construção do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho, concluída no início de 2001, foi realizada até hoje. O que serviria como uma “ponte de safena” para a obstruída artéria aorta da rede pública estadual de Saúde, quatro meses após sua fundação já apresentava os mesmos problemas de superlotação do seu vizinho adulto.

Tais dificuldades, diferente de uma enfermidade, nem sempre são curadas com um antibiótico. Os curativos feitos na infraestrutura e operacionalização do Walfredo Gurgel ao longo dos anos, parece ser a única solução para a “chaga” da saúde pública no Rio Grande do Norte, cujo estado de calamidade foi reconhecido por 180 dias em 2011 pela governadora Rosalba Ciarlini. “O hospital tem tantas dificuldades que eu me sinto uma sobrevivente. São as pessoas, são os funcionários que fazem a diferença aqui dentro”, afirma a diretora técnica da unidade, Hélida Bezerra. 


Mesmo assim, ela admite que, diariamente, “muitas vidas são salvas” e é este o combustível ao qual a equipe médica e administrativa do hospital recorre para não esmorecer em meio aos percalços. Ela cita que, desde 2001, ano no qual ingressou na unidade hospitalar, assistiu aos avanços nos serviços oferecidos à população com a inclusão de especialidades médicas como pediatria, cirurgia vascular, fonoaudiologia e terapia ocupacional. 

Ao custo mensal de R$ 1,3 milhão, utilizados para o custeio da manutenção geral, compra de material de expediente e medicamentos, além dos consertos dos equipamentos médico-cirúrgicos, o Hospital Walfredo Gurgel dispõe de equipamentos para exames médicos de alta complexidade que nem mesmo os grandes hospitais particulares tem. O tomógrafo de 16 canais e imagens em três dimensões é um deles. No aparelho, são processados até 1.700 exames mensalmente, entre tomografias e angio-tomografias. Há um outro equipamento com as mesmas características disponível no Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim. 

 Além disso, o complexo hospitalar é referência em tratamento de queimados em todo o Rio Grande do Norte. E dispõe, ainda, de equipes médicas especializadas no atendimento a casos de urgência e emergência, cuja maior demanda, atualmente, são vítimas de acidentes de trânsito, com destaque para aqueles envolvendo motociclistas.

 No tratamento das doenças crônicas, o hospital se destaca no tratamento do pé do diabético, com médicos especialistas na área. Recentemente, o Walfredo Gurgel adquiriu uma máquina de endoscopia de última geração, que é a mais moderna disponível nos hospitais públicos do estado.

 No limiar de um novo tempo que neste domingo começa, ao comemorar mais um aniversário, o maior complexo hospitalar do estado vislumbra dias melhores e segue, salvando vidas, em meio ao caos histórico. 
TN