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sábado, 4 de maio de 2013

Fiéis fazem manifestação em prol de padre excomungado de Bauru, SP

Fiéis desceram o Calçadão no centro de Bauru

Fiéis católicos fizeram uma manifestação no centro de Bauru (SP) na manhã deste sábado (4), a favor do Padre Beto, excomungado pela Diocese da cidade na última segunda-feira (29). O motivo da punição teria sido por causa de vídeos e comentários sobre temas polêmicos, como o homossexualismo, publicados por ele nas redes sociais em que, segundo a Diocese, o padre foi de encontro às doutrinas da Igreja Católica.

Cerca de 300 pessoas se reuniram com faixas e lenços brancos em frente à Catedral, na Praça Rui Barbosa. Em seguida, desceram em passeata pelo Calçadão da Batista de Carvalho pedindo mais liberdade de expressão dentro da igreja católica
Concentração de fiéis foi na Catedral, na Praça Rui Barbosa (Foto: Alan Schneider / G1)
Concentração de fiéis foi na Catedral, na Praça
Rui Barbosa 
Entenda o caso
Após declarações polêmicas sobre temas como a homossexualidade, fidelidade e a necessidade de mudanças na estrutura da Igreja Católica, todas publicadas nas redes sociais, causaram um pedido de retratação por parte da Diocese de Bauru (SP). Roberto Francisco Daniel, conhecido como padre Beto, anunciou no dia 27 de abril que deixaria de exercer suas funções como pároco a partir da última segunda-feira (29).

Essa era a data limite para “confissão humilde de que errou quanto a sua intepretação e exposição da doutrina, da moral e dos bons costumes ensinados pela igreja", como exigia a nota assinada pelo Bispo Dom Caetano Ferrari no dia 23 de abril, na qual pedia a retratação e retirada do conteúdo, contrário aos dogmas da Igreja, publicados na internet.
Durante entrevista coletiva, o então sacerdote afirmou aos jornalistas que sua decisão foi tomada após várias reflexões, entre elas, a de não aceitar que seja possível seguir um modelo que não respeita a liberdade de reflexão e expressão por parte dos fiéis e membros do clero.
No entanto, na segunda-feira, antes de entregar sua carta de renúncia, padre Beto foi surpreendido pela cúpula da Diocese de Bauru ao excomungá-lo. De acordo com a nota publicada pela igreja, um padre perito em Direito Penal Canônico foi acionado para avaliar a situação e constatou, conforme esclarece a nota, que o “padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos”.
G1

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Para diocese, padre excomungado fez 'escândalo' e cometeu 'heresia'


Mais de mil pessoas lotaram igreja em Bauru no domingo de manhã para de despedir das missas celebradas pelo Padre Beto

Um dia após fiéis terem lotado as missas de despedida do padre Beto, a Diocese de Bauru (SP) disse ontem, em um comunicado, que todas as iniciativas de diálogo com o religioso foram esgotadas.


O texto diz que, "em nome da liberdade de expressão", o padre "traiu o compromisso de fidelidade à igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal".
Ele afirma também que "estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial".
De acordo com a diocese, com as declarações divulgadas em vídeo na internet, o padre cometeu um "gravíssimo delito de heresia" cuja pena prescrita é a excomunhão.
Quem é excomungado não pode participar de nenhuma cerimônia do culto católico, celebrar ou receber sacramentos. Não pode batizar ou ser batizado, casar-se ou realizar um casamento, confessar-se ou ouvir confissões.


Como membro desligado da Igreja Católica, também não recebe mais os benefícios, como pensão, por cargos que tenha exercido.
Para tocar o processo de excomunhão, um padre especialista em direito penal canônico foi nomeado juiz instrutor pelo bispo de Bauru, Caetano Ferrari, 70.
A assessoria de imprensa da diocese informou que após a decisão nenhum pronunciamento será feito.
Ainda ontem, ao lado de uma advogada, o padre Beto procurou um cartório para registrar seu pedido de afastamento logo após ser informado sobre a excomunhão.
A diocese avalia que a excomunhão "coloca um ponto final nessa dolorosa história" e pede que o padre "tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a igreja". 

folha online