sábado, 15 de junho de 2013

Protestos: o silêncio ensurdecedor de Dilma

Quando foi eleita, Rousseff declarou em todos os telejornais (inclusive os da Globo) que defenderia o direito a liberdade de expressão no Brasil.

EXTRA! EXTRA! A PRESIDENTE DO BRASIL FICOU… MUDA!?

E os protestos da “Revolta da Salada”, como está sendo carinhosamente apelidado o Movimento Passe Livre, continuam e já ganharam novos membros em várias cidades do Brasil e do mundo. Conforme escrevi no artigo anterior, os partidos PCO, PSTU e PSOL conseguiram finalmente se unir e representar uma ameaça real ao PT, que já deixou de ser esquerda há muito tempo. Entretanto, um nome, que no passado construiu carreira política por estar ligado a movimentos do tipo, está sendo “esquecido”: Dilma Rousseff. Até a publicação deste texto, após uma semana de intensa instabilidade no país, a presidente ainda não se manifestou sobre o assunto.

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“Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”. Alguém lembra da célebre frase? Após ser eleita a primeira presidente mulher do Brasil, logo após assinar o termo de posse, Rousseff falou com muita emoção de seu passado de luta contra a ditadura e de prisão. Na época, sem nenhum pudor, ela falou da época em que enfrentou os militares, quando foi presa a torturada – assunto que foi mencionado durante a campanha para as eleições presidenciais, em 2010. Hoje, parece que as coisas são bem diferentes. Rousseff trocou o “silencio das ditaduras” pelo silêncio do Palácio da Alvorada.
Repito: o PT deixou de ser um partido de esquerda. Sim, deixou. E para exemplificar isso, reproduzo uma declaração do saudoso e sempre afiado José Saramago, em entrevista ao jornal La República em 2007:

“A direita nunca deixou de ser direita, mas a esquerda deixou de ser esquerda. A explicação pode parecer simplista, mas é a única que contempla todos os aspectos da questão. Para serem participantes mais ou menos tolerados nos jogos do poder, os partidos de esquerda correram todos para o centro, onde, infalivelmente, se encontraram com uma direita política e econômica já instalada que não tinha necessidade de se camuflar de centro. Entrou-se, então, na farsa carnavalesca de denominações caricaturais com as de centro-esquerda ou centro-direita.”

As expulsões dos parlamentares radicais, entre eles Heloísa Helena, já davam indícios do destino do PT. O Partido dos Trabalhadores, ironicamente, virou as costas para os interesses da classe trabalhadora em diversos episódios ao longo dos últimos 10 anos (os professores que o digam…). Esperava-se que a sigla lutasse contra os interesses das oligarquias e o que se viu foi justamente o contrário: o PT preferiu aliar-se a elas. O próprio Lula (que não é mais presidente, mas merece ser citado) já posou diversas vezes em fotos ao lado dos controversos José Sarney e Paulo Maluf… Depois, para a decepção de todos, ainda vieram os escândalos do Mensalão e os desdobramentos que todos conhecem.
É óbvio que o silêncio de Dilma diante do protestos tem um motivo bastante definido: evitar (inutilmente, diga-se) que a história ganhe proporções ainda maiores durante a Copa das Confederações – isso explica o Haddad ter resolvido chamar os manifestantes para negociar nesta sexta (14). Certamente, os partidos de direita devem usar os protestos em capitais para bater na tecla de que Rousseff começa a ser alvo de insatisfação da população por conta do aumento do custo de vida, e não apenas das passagens.
Se essa for realmente a intenção, o silêncio ensurdecedor de Dilma foi desnecessário: dezenas de manifestações estão sendo organizadas em outros países em apoio aos protestos. Importantes veículos internacionais, como o jornal The New York Times e o canal de notícias CNN estão dando amplo destaque sobre o assunto. A Anistia Internacional, que representa mais de 3 milhões de membros e ativistas que atuam globalmente para proteger os direitos humanos, também pediu uma solução pacífica para os protestos. O assunto já está na boca do povo e a ausência da presidente já começa a incomodar.
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EM TEMPO: Internautas criaram uma petição para pedir a Dilma Rousseff vir a público e defender os manifestantes. No texto, é salientado que a presidente tinha a mesma idade dos revolucionários de hoje quando saia às “ruas para defender o Brasil em que acreditava”. A ideia já arrecadou mais de 25 mil assinaturas.
“Chegou a hora de você falar, já que os protestos são nacionais. Vivemos na democracia que você ajudou a construir e, por isso, viemos aqui coletar assinaturas pedindo para você vir a público, em um discurso na televisão ou com um post nos perfis da Presidência da República nas redes sociais, defendendo o nosso direito democrático de se manifestar”, diz um trecho da carta.
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Por Henrique Brinco - Fonte RDI

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