Uma renúncia papal não acontecia há 600 anos. Em outros tempos, um fato desses causaria comoção mundial e não se falaria de outro assunto, mas o próprio Bento 16, nos seus oito anos de papado, tratou de esvaziar o papel da Igreja Católica, levando-a de volta à sacristia, sem se importar com a diminuição de seu rebanho, inclusive no Brasil.
O cardeal alemão Joseph Ratzinger não era propriamente uma figura carismática, como seu antecessor, João Paulo 2º, o polonês Karol Wojtyla, que deu início à guinada conservadora da Igreja Católica, retrocedendo ao período anterior ao Concílio Vaticano 2º promovido por João 23.
Ao anunciar sua renúncia, Bento 16 atribuiu sua decisão a problemas de saúde e à idade avançada, alegando que não tem mais forças para continuar no cargo. Nos próximos dias e semanas, porém, os vaticanólogos se dedicarão a descobrir outras razões para esse gesto extremo. Desapego ao poder certamente não foi, já que Ratzinger lutou muito dentro do Vaticano para ser eleito em 2005.
Agora, até o momento, apareceu apenas um nome, o do italiano Angelo Scola, 72, arcebispo de Milão para suceder Bento XVI. Seja quem for o escolhido, certamente Bento 16 terá forte influência sobre a eleição do próximo Papa, já que ele montou o colégio de cardeais à sua imagem e semelhança.
blog Balaio do Kotscho
Nenhum comentário:
Postar um comentário