O Padre João Maria (imagem acima) nasceu em Jardim de Piranhas – RN na Fazenda Logradouros a 23 de junho de 1848, onde sua mãe veio a lhe chamar João por causa da sua devoção a São João.
Seus pais foram Amaro Cavalcanti Soares de Brito e Ana de Barros Cavalcanti de Brito.
Entrou no Seminário de Olinda (PE), aos 13 anos. Ordenou-se sacerdote no Seminário de Prainha em Fortaleza (CE) no dia 30 de novembro de 1871. Celebrou a sua primeira Missa em Caicó, sua terra natal.
Assumiu a Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação em Natal (RN) em 07 de agosto de 1881. Passou 24 anos como vigário desta Paróquia.
O zelo sacerdotal e a fidelidade à vocação, fizeram de sua caminhada um exemplo para todos, onde a oração e o serviço ao próximo foram o centro de sua vida. Foi um padre de vida espiritual intensa, conseguindo grande freqüência de fiéis aos atos religiosos. Junto aos poderes públicos obteve um terreno para construir uma nova Igreja. Hoje nesse terreno está erguida a Catedral de Nossa Senhora da Apresentação em Natal (RN).
Durante seu ministério em Natal houve vários períodos de seca e grande epidemia de varíola no estado, causando grande emigração do interior para a capital.
Para esses flagelados, o Pe. João Maria foi o sacerdote, o médico, o enfermeiro e o amigo, levando confortoespiritual (os sacramentos e a catequese) e o apoio material de tudo o que podia dispor, para aliviar o seu sofrimento. Pois, o seu lema era “Tudo para todos”.
Integrou o movimento abolicionista, fundando a Sociedade Libertadora Norte-Riograndense.
Fundou a imprensa católica no RN dirigindo o periódico “O Oito de Setembro”.
Devido ao grande esforço dispendido nessas atividades, adoeceu. Por ordem médica, afastou-se da paróquia e foi para uma casa de amigos situada no Alto do Juruá, em Petrópolis (Natal), onde veio a falecer em 16 de outubro do ano de 1905. Neste mesmo local foi construída a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, de quem Pe. João Maria era devoto. O altar dessa honrosa igreja foi erguido onde era o quarto em que o servo de Deus morreu. Hoje, nessa Igreja está o seu Mausoléu com os seus restos mortais que foram transladados do Mausoléu do Cemitério do Alecrim no dia 17 de julho de 1979 por ordem do Arcebispo Dom Nivaldo Monte, com a presença do Mons. Geraldo Ribeiro de Almeida e Mons. Ermard L’ Eraisfre Monteiro. Além de uma lembrança inesquecível que cada dia mais se arraiza nos corações natalenses, existem três monumentos em sua memória: o busto na Praça Pe. João Maria na Rua João Pessoa, no centro de Natal e a placa comemorativa na casa que foi longos anos sua residência, o Orfanato Pe. João Maria onde se faz a caridade pública e no Heremitério Santo Lenho na estrada do município de Macaíba (RN)
PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO EM ANDAMENTO
O padre morreu em 1905, aos 57 anos, em decorrência de uma varíola.
O processo de beatificação do Padre João Maria teve início efetivo em 2002, com a abertura do processo de beatificação do padre morto em 1905, aos 57 anos, por varíola – doença que combateu com fervor durante a epidemia que grassou o Nordeste brasileiro nas três décadas finais de sua vida. Na primeira escala para transformá-lo em beato, o processo foi encaminhado a Roma, onde permanece engavetado.
“Quando o processo é aberto, ele já se torna Servo de Deus. Agora depende de um milagre feito por ele, para apresentarmos novas evidências do que já é consagrado pelo povo de Natal. O que ele representa no imaginário popular, com uma vida pobre, simples, caridosa, que acolhia os migrantes da seca, dando roupa, remédios, comida, isso tudo já o transforma em um santo”, diz o padre Robério Camilo da Silva, pároco da igreja que um dia serviu de morada para o fundador da imprensa católica no Estado, ao lançar o jornal Oito de Setembro. Política e paciência estão no cerne da expectativa por sua beatificação.
Para tanto, o cônego José Mário, pároco da igreja Bom Jesus das Dores, na Ribeira, e Postulador da Causa dos Santos, está na capital italiana para concluir um curso de três meses, que envolve ensinamentos sobre a burocracia no processo. “Desde 1950 se fala nesse processo. Na época do Papa João Paulo II, houve uma desburocratização, uma abertura maior. Infelizmente, não posso garantir um prazo para isso ser concluído. Como eu disse, estamos aguardando por um novo milagre do padre João Maria”, diz Padre Robério Camilo.
Todo dia 16, data da morte do padre (16 de outubro de 1905), é celebrada uma missa para conclamar pela sua beatificação.
Com as mudanças sociais, econômicas e ideológicas ocorridas ao longo dos últimos 107 anos (tempo em que registra a morte de padre João Maria), a Igreja se viu forçada a reformular a abordagem no contato com fiéis. A medida serviu para agregar novidades, como cultos musicais e envolvimento direto com a política – caso do arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, atuante na abertura pós-Regime Militar. Nesse caminho, oportunistas usam a força da religião para benefício próprio, na contramão do que o filho do Seridó pregava – ele nasceu em uma fazenda que pertencia ao município de Caicó, mas hoje é lotada em Jardim de Piranhas.
“No tempo dele, roupas, comida e remédio bastavam como ajuda material aos devotos. Hoje, as pessoas muitas vezes querem bens que não condizem com a postura católica. A Igreja está antenada com a política, com os direitos da sociedade, conscientizando as pessoas de que o Poder é nosso, do povo, não dessa turma que está aí”, atenta padre Robério. Como seguidor de um ser especial que atraiu a simpatia da então incipiente sociedade potiguar, ele sabe o valor de um símbolo do catolicismo no Estado para manter o diálogo permanente.
Fonte: JH


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