O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta o
deputado federal Paulo Maluf, durante anúncio de apoio do PP à
candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo
(FolhaPress)
É um momento antológico da política brasileira: Luis Inácio Lula da
Silva e Paulo Maluf, antagonistas históricos, e dos mais renhidos, de
mãos dadas para dar à luz o "novo homem" Fernando Haddad, candidato
petista à prefeitura de São Paulo. O encontro aconteceu na tarde desta
segunda-feira (18/06/2012), quando o Partido Progressista (PP) do deputado federal
Paulo Maluf selou apoio à chapa encabeçada pelo PT nas eleições
municipais deste ano. “Foi por amor a São Paulo”, disse o deputado sobre
a aliança. Lula, incomumente, não disse nada desta vez.
O encontro, que começou por volta das 13 horas, aconteceu na ampla
residência de Maluf, no Jardim Europa, bairro nobre da capital paulista.
Maluf serviu uma popular feijoada aos petistas. Estiveram presentes
Fernando Haddad, vereadores e deputados do PT, o presidente nacional do
partido, Rui Falcão, e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz
Marinho. Após ficar afastado de compromissos na semana passada por
recomendação médica, Lula até tinha um salvo-conduto médico para escapar
do mico, mas submeteu-se ao constrangimento de ser fotografado de mãos
dadas com o inimigo histórico. Foi a primeira vez que o ex-presidente
visitou casa de Maluf. Segundo um personagem central da campanha
petista, Lula compareceu "porque quis" e levou, inclusive, seu fotógrafo
pessoal, Ricardo Stuckert. Sua única exigência: não dar entrevistas.
Talvez pela proximidade com Lula, Maluf decidiu usar uma metáfora
futebolística. “Política é como futebol: quem é palmeirense não gosta do
Corinthians; quem é corintiano não gosta do Palmeiras. Alguém pode não
gostar de mim, mas ninguém pode dizer que não conheço os problemas de
são Paulo”. Em seguida, voltou à sua própria frequência de raciocínio
politico: “Não devemos olhar pelo retrovisor, mas pelo para-brisa. Quem
olha para trás não olha para frente”. Irretocável.
No passado, o fato de ser petista, por si só, já era considerado um
defeito incorrigível por Maluf. Foi assim que ele tentou ofender sua
então adversária, na eleição de 2000, Marta Suplicy: "A senhora é uma
petista! E não perdeu o jeito da calúnia e da mentira!". A frase foi
gritada diante das câmeras, durante um debate. Doze anos depois, porém,
Maluf não acha mais os petistas tão ruins assim. E tem até elogios de
almanaque para vários deles. Sobre Lula, afirmou: "O
Brasil deve muito a Lula, foi o presidente que ajudou as empresas,
ajudou a gerar empregos, ajudou os pobres. Está entre os melhores
presidentes da república que o Brasil já teve". E sobre a ex-prefeita
Luiza Erundina (PSB), hoje vice na chapa de Haddad e que torceu o nariz para o apoio de Maluf, contemporizou: “Tenho muito respeito pela ex-prefeita Erundina. Ela foi uma boa prefeita, uma prefeita correta e decente”.
O presidente estadual do PP afirmou que para ele não não
existe mais a divisão entre esquerda e direita. “Se você vai a Paris e
pergunta se é esquerda ou direita, eles vão pensar que você está falando
em sinal de trânsito. O que importa é um governo eficiente”.
O pré-candidato Fernando Haddad, entretanto, discordou da tese
ideológica de Maluf. “Do meu ponto de vista existe sim direita e
esquerda. Estamos fazendo um pacto pela cidade, não há correspondência
entre todas as ideias que eu defendo na vida e o que o PP defende”,
disse o petista. “Existem muitas divergências em vários campos, mas isso
não pode nos impedir de buscar convergências com os partidos da base do
governo federal.” O PP detém no governo Dilma o Ministério das Cidades.
Contorcionismos verbais à parte, as razões por trás do notável encontro desta tarde: o PP, de Maluf, dará à campanha de Haddad 1min35s de tempo na propaganda eleitoral televisiva.
O PT terá agora 7min39s de propaganda gratuita - um minuto a mais que o
tucano José Serra, seu principal adversário. O PP, além da secretaria
dada a Maluf no Ministério das Cidades, ganha a liberdade de compor sua
própria chapa de candidatos a vereador - algo que o PSDB lhe negava, por
causa do acordo com o PSD para formar uma chapa única também nas
eleições proporcionais.

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