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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Mais de 50 mil romeiros comemoram reconciliação histórica do Padre Cícero em Juazeiro do Norte


missa_juazeiro
Com lágrimas no rosto e um forte sentimento de gratidão. Assim a romeira paraibana, Francisca de Lima Pereira, de 82 anos, vivenciou o momento da leitura da carta mensagem do Papa Francisco, tratando da ‘reconciliação histórica’ da Igreja Católica com o Padre Cícero Romão Batista, após 123 anos de o sacerdote ser afastado de ordens. A informação é do Diário do Nordeste. Cerca de 50 mil romeiros, segundo estimativa da Igreja, participaram do momento do anúncio, durante a última missa do ano dedicada ao religioso, que acontece no dia 20 de cada mês.
O bispo dom Fernando Panico, que presidiu a celebração, concelebrada por diversos padres da Diocese e bispos de outros estados, disse que o caminhão pau-de-arara do romeiro poderá trafegar para Juazeiro do Norte, a partir da romaria de Natal, que começa esta semana, quando a cidade recebe milhares de pessoas.
A missa contou com a presença de autoridades como o governador do estado, Camilo Santana, que destacou o momento de conquista para os romeiros, e compartilha da alegria, que considera de grande importância para os fiéis. A missa foi celebrada às 6 horas, no largo do Socorro, de frente à Capela onde estão sepultados os restos mortais do sacerdote. No final, o celebrante depositou rosas sobre o túmulo do religioso. Um quadro com a imagem do ‘padim’ foi afixado de frente ao altar.
Desde que a carta foi anunciada em Crato, no último domingo, durante a abertura do Ano do Jubileu da Misericórdia, na Sé Catedral, igreja que o Padre Cícero foi batizado e celebrou sua primeira missa, as comemorações não param nas cidades no Cariri, principalmente em Juazeiro. Datado de 20 de outubro, o documento foi escrito pelo secretário de Estado do Papa Francisco, Pietro Parolin, e hoje integralmente lido durante a missa.
Robson Pires

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

"Santo popular", Padre Cícero tem direitos sacerdotais devolvidos pela Igreja

Padre Cícero foi excomungado pela Igreja Católica há mais de um século; reconciliação foi confirmada neste domingo

A diocese da cidade do Crato, no interior do Ceará, confirmou neste domingo (13) que o Vaticano devolveu os direitos sacerdotais do Padre Cícero Romão Batista. O ato de reconciliação com a Igreja é o primeiro passo para os processos de beatificação e santificação do Padre Cícero, considerado santo em praticamente todo o Nordeste.
Fiéis comemoram reconciliação da Igreja Católica com o padre Cícero durante missa neste domingo na Catedral Nossa Senhora da Penha, no Crato

Segundo o bispo da diocese do Crato, dom Fernando Panico, o papa Francisco enviou uma carta, através de seu Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, na qual autoriza a reconciliação do Padre Cícero junto à Igreja. O documento, que foi parcialmente ainda no domingo, relata que o religioso viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo.
"É inegável que o padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonoa com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo", diz o trecho do documento divulgado pela diocese.

Em declaração divulgada na sua conta pessoal no Facebook, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT) afirma que recebeu "com muita alegria" a notícia da reconciliação. "Recebi com muita alegria a informação da reconciliação da Igreja Católica com o querido Padre Cícero Romão Batista, nosso Padim. A reconciliação é o primeiro passo para a reabilitação de Padre Cícero na Igreja Católica após as punições impostas há mais de um século", declara ele.

O rompimento de Padre Cícero com a Igreja Católica ocorreu no final do século XIX, no episódio conhecido na crença popular como "o milagre da hóstia". Na ocasião, uma hóstia dada pelo sacerdote durante uma missa na cidade de Juazeiro do Norte à beata Maria de Araújo teria se transformado em sangue, fenômeno esse que teria ocorrido no seguidamente durante dois anos. 


O caso levou o então bispo do Ceará, dom Joaquim José Vieira, a suspender as ordens sacerdotais do Padre Cícero, que ainda tentou recorrer ao próprio Vaticano para continhar padre. O religioso até chegou a ser perdoado, mas a decisão foi revista pela Igreja e ele acabou excomungado.

Mesmo fora da Igreja, Padre Cícero continuou sendo considerado por fiéis de toda região Nordeste como santo. Ele morreu no dia 20 de julho de 1934, aos 90 anos, na cidade de Juazeiro do Norte.

TN