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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sem estrutura, tenente Styvenson questiona: “Agora falta falar com quem? Com Deus?”

“Falei com o governador e a coisa não mudou. Agora falta falar com quem? Com Deus? O que eu tenho folgado aqui é cone, tem muito. Mas quando eu digo que está difícil é porque está mesmo. Continuamos a fazer nosso trabalho apenas por responsabilidade social. Mesmo que eu quebre meus ossos, eu vou fazer por ter assumido compromisso com a população, com famílias que perderam entes queridos no trânsito, como a do ciclista da Rota do Sol”.
O novo desabafo do Tenente Eann Styvenson Valentin Mendes sobre a piora na estrutura da Operação Lei Seca é mais um entre inúmeras aparições na imprensa que ele faz para cobrar “o possível, não o ideal” e chamar a atenção para a negligência do poder público diante de um dos principais causadores de mortes no Brasil. Na última quarta-feira (06), na avenida Engenheiro Roberto Freire, na entrada da própria Rota do Sol, situações inacreditáveis foram revividas.
Sem os quatro agentes de trânsito do Detran, após a mudança na coordenação do setor de Educação e Fiscalização do órgão (saiu Adriano Barbosa e entrou Débora de Faria Gurgel), houve uma queda drástica no número de carros parados, em uma relação de 70% – da média de 500 veículos interceptados, em 2014, anteontem foram apenas 140. “Teve um motorista que abriu a porta e saindo rindo, correndo. Ele voltou no dia seguinte para pegar o carro”.
Com apenas duas viaturas, uma picape, uma van-escritório e quatro policiais militares, sobrou a resignação. Dos quatro bafômetros disponíveis, apenas dois funcionavam, na noite retrasada. “O ideal para darmos segurança à população em grande escala seria termos uns 60 policiais, dez viaturas e, pelo menos, quatro microônibus. Mas sei que isso é inviável. Então, dentro do possível, uns 15 policiais e seis viaturas já melhoraria muito”.
No começo de abril, o Tenente Styvenson se reuniu com o governador Robinson Faria e a cúpula da segurança pública estadual, após informar que abandonaria a Operação Lei Seca. Com a repercussão negativa nas redes sociais, elogios ao trabalho nas blitzes e promessas de novos investimentos foi o saldo da conversa. Mas até agora a situação permanece incomoda. “Foi a primeira e única vez que falei com ele [o governador Robinson Faria]. São coisas fáceis, simples de serem conseguidas. Eu não estou pedindo helicóptero, iate, nada disso”.
O último recurso seria falar com o chefe do Executivo estadual. “Cansei de falar, de pedir estrutura. O pior é que me comprometi com a população, com as famílias de pessoas que morreram no trânsito. Com tudo ou nada, eu vou fazer. A pessoa não pode ser egoísta e pensar só nela. E a população? Eu tenho palavra. Cumpro o que prometi”, diz o também palestrante que, diariamente, orienta crianças, adolescentes e adultos em escolas e universidades.
“Acredito que esse nosso trabalho, que não é só de prender, mas também de educar, vai surtir efeito, com o tempo. As próprias pessoas vão terminar reprovando o familiar que bebe e dirigi. O que não pode é a gente parar. Acho que isso vai transformar as pessoas. Com o tempo e persistência, isso vai acontecer”.
Detran
Sem fornecer os quatro agentes de trânsito que costumam participar das blitzes ao lado da equipe comandada pelo Tenente Styvenson, o Detran trocou de coordenador em seu setor de Educação e Fiscalização de Trânsito. Contatado pela reportagem, a assessoria de comunicação informou que a direção geral se reunirá nesta sexta-feira (08) com a nova coordenadora, Débora de Faria Gurgel, para definir um plano de ação conjunta. Ela assumiu o cargo hoje, o que seria prematuro para qualquer posicionamento sobre a participação do órgão. A assessoria informou ainda que as alterações sobre o que será feito serão divulgadas “o mais rápido possível”.
JH

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tenente Styvenson não faz mais parte da blitz da Lei Seca no RN

A população de Natal já estava acostumada. Quem bebesse e depois fosse dirigir, tinha uma grande chance de ser parado na Blitz da Lei Seca comandante pelo tenente Styvenson Valentim, que ficou nacionalmente conhecido pela “rigidez” durante as operações. Entretanto, depois de pedir, por diversas vezes, mais investimentos e valorização para os profissionais que participavam das abordagens, Styvenson optou por deixar o comando das ações. Agora, ele tem palestrado para jovens no interior do Rio Grande do Norte.
A informação da saída do comando da blitz da Lei Seca foi confirmada pelo próprio Styvenson em entrevista para o Jornal de Hoje na manhã desta segunda-feira (6). “Agora eu me dedico a palestras para educar os jovens, que mais para frente também irão se tornar motoristas. Falo com eles para que eles não virem essas pessoas sem educação que dirigem por aí”.
Robson Pires