sábado, 27 de agosto de 2016

Diversidade sexual e a corrupção política se encontram na literatura

No livro Charlotte Tábua Rasa, Leonardo faz jus ao sobrenome e bate de frente em uma questão tão discutida, mas muito delicada de se lidar


Por Redação
Baseando-se na história de corrupção e na rede de mentiras que trama o Brasil, o autor carioca e ex-repórter do jornal O Globo, Leonardo Valente, lança uma narrativa que quebra todas as identificações de gênero, de pudor, de aceitação e de honestidade na qual a sociedade brasileira foi criada. No livro Charlotte Tábua Rasa, Leonardo faz jus ao sobrenome e bate de frente em uma questão tão discutida, mas muito delicada de se lidar. Politicamente, ou não, falando.
Na obra, o respeitado personagem Raphael Vinil anuncia que vai tirar algumas semanas de folga no exterior, após vencer as eleições para a Presidência da República pelo Partido Nacional Desenvolvimentista (PND) e formar uma equipe ministerial.
Retorna na véspera da posse ao lado da esposa e anuncia em cadeia nacional de rádio e televisão para a população que fez uma cirurgia de mudança de sexo, e que agora utiliza o antigo nome de guerra, Charlotte Tábua Rasa.
“Meu nome oficial, por questões da Justiça Eleitoral, continuará sendo Raphael Vinil pelos próximos cinco anos. Minha mulher, no entanto, sempre me chamou por minha identidade feminina na intimidade. E, para que não haja qualquer chance de gente maliciosa plantar escândalos, revelo para vocês meu nome de guerra na juventude, e que até hoje uso: Charlotte Tábua Rasa.” (p. 08)
A notícia cai como uma bomba na cena política e chacoalha os alicerces morais e sociais da nação. Apesar de toda a revolta contra ela, Charlotte mostra ser uma presidente excelente e focada em tirar o país da corrupção e fazê-lo crescer, mas, para isso, recorre a métodos pouco ortodoxos, mostrando que todo mundo tem dois lados, ninguém é totalmente bom, nem totalmente ruim.
“Achou que tinha apenas uma chance de tentar ganhar o controle da situação. Deixou de lado todo o conteúdo do discurso que preparou e deu um grande grito no microfone, em um tom grave de voz, bem masculino, que já tinha abandonado:
– Tem que ser muito homem para arrancar o caralho e para estar aqui, na frente de vocês!
A frase silenciou a Praça dos Três Poderes com a mesma força que um balde d’água apaga uma chama […]
– Não era minha intenção falar do meu falecido pinto, que Deus o tenha, mas, quando necessário, não tenho medo de fazer isso – gritou ela novamente, desta vez com a voz feminina.” (p. 32)
Repleto de conspirações internas e externas, tramas entre as personagens e discussões sociais e políticas relevantes sobre o Brasil contemporâneo, Charlotte Tábua Rasa quebra paradigmas e clichês. A obra também mistura ficção e realidade para instigar o leitor a uma reflexão sobre os rumos que um país tão importante precisa tomar para que o futuro seja melhor que o presente.
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