Estatística do RN é pior do que registrada em SP. Foto: Divulgação
De janeiro a maio, foram registrados cerca de 630 homicídios em todo o Rio Grande do Norte, conforme dados do Conselho Estadual de Direitos Humanos. O número representa 66,18% do total de mortes violentas ocorridas no ano passado, quando 952 pessoas foram assassinadas no Estado. E os números reais podem ser ainda maiores, já que a estatística é baseada apenas na contagem diária apresentada pelo Instituto Técnico Científico de Polícia (Itep) em sua página na internet.
Para Marcos Dionísio, diretor do Conselho, os números são muito elevados se compararmos com o estado de São Paulo, por exemplo, que possui uma população estimada em 11,3 milhões de pessoas e que, até o final do mês de abril, tinha registrado 400 homicídios. Neste mesmo período, conforme a contagem feita pel’O Jornal de Hoje, o Rio Grande do Norte, que possui 3,2 milhões de habitantes, registrou cerca de 460 assassinatos.
“A onda de violência que atinge o nosso Estado já é infinitamente superior à violência praticada em São Paulo e é a maior da nossa história. E a tendência é que este número cresça e ultrapasse os mil assassinatos somente este ano, se continuarmos com esse total elevado de mortes violentas até o final de 2013. Hoje, temos uma média de quatro execuções por dia, o que é inaceitável para qualquer estado”, desabafou Marcos Dionísio.
Ele disse ainda que em apenas cinco meses, Natal já ultrapassou a metade do número de homicídios registrados em todo o ano passado, quando foram contabilizadas 444 mortes violentas. Pelas contas do presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, já aconteceram mais de 230 assassinatos na Capital do Rio Grande do Norte.
“Por isso, é tão inadiável que o convênio do programa Brasil Mais Seguro, assinado entre o Governo Federal e o Estadual, seja posto em prática o mais rápido possível. E que traga, além de equipamentos para a prevenção e combate à criminalidade, também meios para monitorar as políticas voltadas para a Segurança Pública. O que estamos vivendo hoje no Rio Grande do Norte é assustador”, afirmou.
Marcos Dionísio chamou a atenção também para os crimes relacionados a assaltos, arrombamentos, invasões a residências e estabelecimentos comerciais e o furto e roubo de veículos. Para ele, o alto índice desses tipos de ocorrências está transformando a rotina das pessoas e modificando a qualidade de vida de todos, já que a população foi obrigada a alterar seu comportamento, para evitar ser vítima dos criminosos.
“Ontem, me reuni com moradores de Ponta Negra e fiquei assustado com o tanto de pessoas que estão deixando de caminhar, de sair para fazer suas obrigações básicas, como ir ao mercado, por medo da violência. O que nos preocupa é o fato das pessoas estarem vivendo trancadas, em constante vigília, por causa da criminalidade”, explicou.
Marcos acredita que, para reverter esse quadro negativo, é preciso investir em Segurança Pública e também estimular uma maior integração entre as polícias Militar, Civil e o Ministério Público e o Judiciário, para que eles possam atuar de forma mais contundente e fortalecida contra a criminalidade.
“É preciso retomar-se um mínimo de governança urgentemente ou nos transformaremos numa Maceió, Salvador ou Vitória antes do ano findar. A elucidação pela Polícia Civil do sequestro de uma mulher desaparecida na Zona Norte e também a prisão, a partir de ação da Delegacia de Homicídios, de um ex-policial militar e seu comparsa que atuavam na Região Metropolitana, evidenciam que a impunidade está criando serial killers no Estado”, desabafou.
JH

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