Seringas usadas antigamente eram de vidro e para
a desinfecção passavam por um processo de fervura
Era comum a aplicação de vitaminas em seringas compartilhadas entre os anos 50 e 70 em atletas jogadores de futebol
A hepatite C é uma doença silenciosa e que hoje contamina quase 180 milhões de pessoas no mundo. E entre os ex-jogadores de futebol que atuaram entre as décadas de 60 e 80 é praticamente uma máxima comum. Isso porque naquela época era normal a utilização de seringas de vidro, o que proliferava a doença. Por na maioria das vezes não apresentar um quadro agudo, muitos ex-atletas podem ter a doença e sequer saber disso. O vírus pode permanecer na pessoa por 20 ou 30 anos sem que ela tenha qualquer sintoma. Mas os efeitos posteriores podem ser sérios.
O fato de tantos ex-atletas estarem com hepatite C se deve à forma de serem tratados na época em que atuavam quando era comum a utilização de seringas de vidro mal esterilizadas na aplicação de medicamentos. Os jogadores de futebol foram vítimas desta prática não só para aplicação de vitamínicos e estimulantes, como também para as famosas infiltrações de corticóide para conter as dores articulares, fruto do desgaste.
O tratamento está disponível, é gratuito, mas muita gente não aparece para fazer os exames ou iniciar o tratamento. É o que afirma o médico Aelson Moacir, integrante da AGAP-RN (Associação de Garantia ao Atleta Profissional do Rio Grande do Norte). “Já diagnosticamos muitos atletas com Hepatite C, mas o caso é que eles sumiram. Grandes nomes do futebol brasileiro estão nessa situação. Não estamos falando apenas de ex-atletas, estamos convidando todas as pessoas que no passado tiveram contato com seringas de vidro e demais métodos de contaminação. Muita gente não sabe que tem Hepatite C. Hoje a hepatite C contamina mais os brasileiros cinco vezes mais que a AIDS. O tratamento é caríssimo, mas conseguimos ele de forma gratuita”, diz o médico.
O doutor Aelson Moacir faz um apelo para que as pessoas compareçam ao Giselda Trigueiro, onde os exames e tratamentos são realizados. “Toda sexta-feira pela manhã, no Giselda Trigueiro, o médico Antônio Araújo está a frente de todos os exames necessários. Se diagnosticado o tratamento será iniciado de forma gratuita. Todo o acompanhamento é gratuito, apesar de ser extremamente caro, mas que o poder público cobrirá”, afirma.
Ex-atleta de futebol profissional, Aelson Moacir faz também um esclarecimento. “Eu participei daquele época. É importante ressaltar que não era uso de drogas. Eram medicamentos. Eram anti-inflamatórios. Era uma cultura normal demais para a época. Não se tinha o conhecimento necessário. Hoje as seringas são descartáveis e isso praticamente não existe mais”, completa.
Um problema grave para quem tem hepatite C é o alcool. Cirrose e até câncer no fígado são os principais problemas trazidos pela doença. “O Alcool amplia os problemas da hepatite C. É uma mistura explosiva. O cara tem uma cirrose e não sabe porque”, finaliza.
JH


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