Padre José Mário Medeiros (foto)
Agora,
os fiéis católicos terão a oportunidade de acompanhar as orações do
único sacerdote exorcista do Rio Grande do Norte, o padre caicoense José
Mário Medeiros, na Igreja de Bom Jesus das Dores, na Ribeira, em Natal.
Esse ritual o padre José Mário, 70 anos, repete há pelo menos dez anos, desde que foi nomeado exorcista da Arquidiocese de Natal, quando era arcebispo dom Heitor de Araújo Sales, (1993/2003).
E segundo ele, a decisão de se levar as orações de exorcismo para a Igreja de Bom Jesus, além de atender a demanda crescente, que é muito grande, dá chance as pessoas que não podem se deslocar até o eremitério, principalmente os mais pobres, de também participar dos rituais exorcistas, para expulsão do demônio do corpo de pessoas possuídas por anjos rebeldes, como o diabo.
Padre José Mário informa que os rituais de exorcismo na Igreja de Bom Jesus vão ocorrer a partir das 19 horas da primeira segunda-feira de cada mês. “É a primeira vez que vamos realizar orações dentro de Natal”, exulta o padre, que já andou por todos os estados do Norte, Nordeste e até Minas Gerais a convite de outras dioceses para fazer ritual de exorcismo.
A última capital nordestina que ainda faltava era Teresina (PI), onde padre José Mário chegou até brincar com o arcebispo local, depois de ter dado um curso para 600 pessoas. Segundo José Mário, o bispo de Teresina o autorizou a fazer um exorcismo e, depois, foi lhe perguntado porque no exorcismo todo “só uma mulher se espritou, como se diz no Seridó”.
José Mário disse que o bispo teresinense, perguntou, em seguida, se em outros lugares mais pessoas apresentam possessão demoníaca e porque lá só foi uma. “Às vezes duas, três ou quatro pessoas, mas uma coisa o demônio é muito inteligente, uma prova é essa, qual foi?, o demônio ao saber que na terra tem um lugar mais quente do que o lugar onde ele vive, disse, lá eu não vou não!” (risos).
Outra piada relacionada à Teresina, mas contada a ele, por outro bispo, foi a respeito de um cara de lá morreu e entrou no inferno: “Assim que entrou, ei moço, me ajude aqui, você não tem um cobertor ai, estou morrendo de frio”.
Brincadeiras à parte, o padre José Mário informou que no Brasil existe só uns dez sacerdotes exorcistas e desconhece que existam outros, além dele, na região Nordeste.
Segundo ele, normalmente um rito de exorcismo leva, em média, 30 minutos, mas já ocorreu de exorcizar uma pessoa por quase uma hora e não consegui que o demônio fosse despossuído. “É um desassossego, vem gente de todas as idades, maioria jovens, fico pensando se em princípio não é malcriação, rebeldia da idade ou se não tem droga nesse meio, porque é fácil botar a culpa no cão e não no filho”.
Ele relata que procura agir “com muita prudência”. Na maioria dos casos, perguntando quanto tempo a pessoa está endemoniada. Se a família responder dez ou 15 anos, ele diz pra ela que é caso de loucura ou esquizofrenia, porque “ninguém passa tantos anos com o diabo no corpo”.
Para ele, ajuda muito quando uma pessoa diz isso inocentemente: “Vejo logo que é outra coisa, de ordem psicológica”, continuou o padre.
José Mário já realizou cerca de 400 rituais
O padre José Mário de Medeiros ordenou-se padre em 1970. Antes, quando ainda estava no seminário, foi ordenado exorcista na Catedral de Tournay, na Bélgica, por ocasião do Concílio Vaticano II, que reconhecia o exorcismo como a terceira dentre as chamadas ordens menores, hoje extintas. Quando se ordenou exorcista, era o único dentre outros padres que receberam outras ordens menores. Porém, padre José Mário disse que só passou a fazer exorcismo com a sua nomeação pelo arcebispo dom Heitor de Araújo Sales. Até agora, ele estima em mais de 400 ritos de exorcização.
E embora a orientação da Igreja Católica é de não abrir espaços para divulgação, inclusive nos meios de comunicação, sobre os rituais de exorcismo, uma faixa pintada em vermelho na frente da Igreja de Bom Jesus das Dores chama a atenção dos fiéis para o inicio das orações de exorcismo na Ribeira.
Segundo o padre, o Vaticano determina que seja evitado o exorcismo coletivo, mas, para ele, isso é fácil na Europa, onde existem dioceses com 1.500 padres. No caso da Arquidiocese de Natal, onde residem dois milhões de pessoas, só tem 173 padres, afora o fato de ele ser o único padre nomeado para esse fim, daí porque não pode fazer orações individuais de exorcismo, mesmo sendo chamado para ir às casas de fiéis católicos.
José Mário contou, ainda, que a adrenalina “é muito forte” em ritos de exorcismo, a ponto, de uma vez, ter se afastado das orações por recomendação médica por uns três meses: “Quando termina uma oração, parece que levei uma surra” Ele explicou, também, que as orações de exorcismo estão contidas no Catecismo da Igreja Católica: “Todas são orações e salmos que estão na Bíblia”.
Para o exorcismo, disse ele, o que a Igreja Católica diz é que a pessoa endemoniada reze, mas também há pessoas que só se conseguem libertar do demônio se orar e fizer jejum. “Nunca vi uma pessoa que frequenta a Igreja e reza em sua própria casa a cada dia, ficar possesso”. Segundo ele, “as pessoas possuídas são, normalmente, aquelas que entraram na Igreja no batizado ou no seu casamento. É gente que não tem prática religiosa, então é como diz o matuto, é uma pessoa de ‘corpo aberto”.
Não raro, acrescentou o padre, aparece uma pessoa endemoniada que cai no chão, gira e rola como uma serpente. Para os incrédulos, ele relata o caso que conheceu quando era seminarista. Foi o caso de um padre que fez um exorcismo num sítio da região Seridó, onde tinha uma mulher analfabeta: “Quando o padre chegou, ela começou a falar em Latim, e dizendo – ‘você está querendo me expulsar e nem rezou o Breviário”.
Padre José Mário disse que “não tinha como se duvidar” de uma pessoa que não sabia ler, ainda acusar o padre de não ter lido o Breviário, como antigamente era chamado o livro de oração da Igreja, que hoje chama-se “Liturgia das Horas”, que na ordenação o padre assume o compromisso e se obriga a rezar nele diariamente.
Fonte: TN

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