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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Ladrão conta detalhes do ‘ofício’ e dá dicas de como prevenir roubos

Zé usava uma mixa para abrir a porta do carro, uma chave universal de cada marca
'Ladrão de carro não gosta de gente. Prefere agir discretamente em ruas mais tranquilas'

Ele fala arrastado, emitindo risadinhas a cada frase, e parece que está o tempo todo debochando do seu interlocutor. Mas não: tem aquele sangue nos olhos dos encardidos, acostumado à dureza da vida com a qual não se abate nunca. Dificilmente deixa de encaixar um palavrão no começo ou fim de cada frase e raramente encara seu interlocutor: tem um olhar desconfiado, esquivo, inquieto.
“Trabalhei cinco anos roubando carro num desmanche. Nunca fui preso”, diz o Zé, como prefere ser identificado. Agora se diz aposentado, depois que casou e teve um filho, hoje com cinco anos, a quem dá o carinhoso apelido de “Mala”.
Zé arrumou um emprego de zelador de condomínio na zona oeste de São Paulo e, com as gorjetas, consegue tirar um pouco mais de R$ 2 mil por mês. Muito menos do que ganhava no desmanche. Quanto? “Não faço ideia, era dinheiro demais. E tudo que entrava, saía rapidinho, eu só ficava na zoação.”
Ele diz se lembrar apenas dos valores praticados no mercado: carros mais velhos, R$ 700; mais novos, R$ 1.000. Picape importada, R$ 4.000. Recebia em dinheiro vivo do desmanche para o qual “trabalhava”. “Mas o cara fazia muito mais que isso, partindo o carro”, afirma. O cara, no caso, é o dono do desmanche. Partir o carro, é vendê-lo em peças “para a máfia” — funileiros, mecânicos e até particulares, segundo o Zé.
“Sempre fiquei no 55, nunca no 57”, apressa-se em contar, mostrando um ar de inocência. Esclarece-se: o artigo 155 do código penal diz respeito ao furto. O 157, é roubo a mão armada. “O pessoal do 57 é outra turma. Para eles só interessa carrão importado.”
Zé usava uma mixa para  abrir a porta do carro, uma chave universal de cada marca. Com o módulo, controla os eventuais alarmes e dá partida do carro. “Módulo é a caixa preta. Todo carro tem. A gente já vai com o módulo certo de cada carro e daí tira fora o que está e usa o nosso. É rapidinho”, afirma, fazendo as contas: a operação toda não leva mais do que cinco minutos. Depois disso, tem duas opções: levar para o desmanche ou “pinar” o carro, usar uma espécie de pino para alterar o número do chassi e do parabrisa.
“Daí a gente usa o documento de outro carro e esquenta a mercadoria”. Dá até pra vender no mercado regular, diz ele, mas tem que saber para quem — compradores que não prestam muita atenção nos detalhes. Ou então simplesmente passar para outras turmas, fazer rolo”, comenta, sem querer entrar em detalhes.
“A gente também fazia NP”, conta Zé, sem conseguir explicar a sigla. Provavelmente algo relacionado a Não Pagamento. “Você compra o carro, paga uma, duas prestações, roda três meses e encosta no desmanche. Joga a placa fora e o carro vira um monte de peças”. Mas compra o carro em nome de quem? De ‘laranja’”, responde.
“Sabe o que é laranja, né?”, repete a pergunta três vezes seguidas. Não, não sei, respondo, para provocar a resposta. “É gente que empresta o nome ou gente que nem existe. ‘Nóis’ pega nome até de morto”, diz, soltando uma risada sonora. Mas logo volta a ficar sério. “Eu agora sou honesto, não faço mais isso. Mas eu conto que fiz e não tenho vergonha. Eu só estava querendo pagar minhas contas”, ressalta, querendo ser convincente.
E essa história de ir para o Paraguai? “Ah, isso é bom. Isso dá dinheiro, com certeza. É preciso ter documentação muito boa, há muita batida policial até chegar à fronteira. E também precisa ter os canais de venda: é gente enrolada, que não presta. Traficante, sequestradores. Eu não gostava de ir não. Prefiro ficar na minha.”
“Também já fiz muita vela”, retoma o assunto. E explica: pega uma vela do motor do carro e quebra ela em pedaços. Põe na boca e cospe no vidro do parabrisa. “Ah, quebra tudinho, num instante.”
A cerâmica da vela, umedecida, tem essa propriedade de estilhaçar completamente o tipo de vidro que é usado nos veículos. O principal objetivo: roubar DVD player e GPS, vendidos no mercado por R$ 50. “Que pobreza, né? É preciso fazer muitas operações como essa para valer a pena.”  Então ele se levanta repentinamente. Aponta o dedo para mim, fuzilando com os olhos: “Ó… fica esperto com seu carrinho. Não tem carro que não dê para ser roubado”.
Conselhos do Zé para prevenir roubos
1- Estacione o carro em ruas de movimento. Ladrão de carro não gosta de gente. Prefere agir discretamente em ruas mais tranquilas. “Só os ‘nóia’ pega qualquer carro, em qualquer lugar.”
2- Não confie em estacionamentos clandestinos. Muitos deles já tem acordos com ladrões de carro. Se é para pagar, prefira os estacionamentos com marcas.
3- Acredite: todo carro pode ser roubado. Não há sistema que impeça totalmente o roubo.
4- Carros com cores mais fortes, ou alguns aspectos diferentes, podem interessar menos aos ladrões. Carros batidos ou muito danificados também.
5- Tranque bem o carro. Apesar de não evitar roubos, não facilita.
Fonte: Autoesporte/Agora RN

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Polícia ‘estoura’ desmanche de veículos e prende dois homens em São Gonçalo do Amarante

Investigação resultou na prisão em flagrante do mecânico Edson de Souza Lima, 30 anos e do dono de uma sucata, Edvaldo de França, 48 anos


Por Redação
Uma investigação realizada pela Delegacia Especializada em Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov), sobre roubos de veículos que eram levados para desmanches clandestinos, resultou na prisão em flagrante do mecânico Edson de Souza Lima, 30 anos e do dono de uma sucata, Edvaldo de França, 48 anos. Os dois foram detidos em um desmanche de veículos localizado na cidade de São Gonçalo do Amarante, na tarde deste domingo (18).
A ação da Delegacia Especializada também conseguiu recuperar um VW/Voyage que havia sido roubado, no sábado (17). No local das prisões, os policiais civis encontraram ferramentas e diversas peças de veículos, como portas, tampas de porta-malas, tanques de combustível, painéis e bancadas de quatro veículos.
“Nossas investigações revelaram que Edson Lima ‘encomendava’ os carros a uma rede de assaltantes e com a ajuda do mecânico Edvaldo de França, realizava a retirada das peças até que sobrasse apenas a carcaça dos veículos. Edson Lima utilizava a sucata de sua propriedade, que fica localizada à Rua Henrique Dias, no bairro de Igapó, em Natal, para revender as peças roubadas no comércio de usados”, detalhou o delegado titular da DEPROV, Licurgo Nunes Neto. O mecânico Edvaldo de França já havia sido preso por receptação de veículos roubados e responde a processos nas comarcas de Natal e São Gonçalo do Amarante.
Os dois detidos no domingo foram autuados pelos crimes de receptação qualificada e associação criminosa na Delegacia de Plantão da Zona Norte. “As investigações continuarão para que sejam identificados outros participantes do esquema, principalmente os elementos que praticam os roubos a veículos e alimentam este mercado clandestino”, enfatizou o delegado Licurgo Nunes.
Portal no Ar

terça-feira, 14 de junho de 2016

Polícia Militar fecha desmanche de veículos em São Gonçalo do Amarante

Policiais chegaram ao local com ajuda de denúncias anônimas.

Policiais do 11º Batalhão de Polícia Militar (11ºBPM) fecharam nesta segunda-feira (13) mais um ponto que funcionava como desmanche de veículos. Desta vez, a ação ocorreu na cidade de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal, com o apoio de denúncias anônimas.
Na casa, localizada na Rua Professor Luiz Soares, no Bairro Golandim, foram encontrados um veículo Hyunday HB20 e outro Volkswagen Jetta, ambos com registro de roubo, além de várias peças e motores de pelo menos 30 outros veículos.
O proprietário do imóvel não foi localizado, mas acredita-se que ele faça parte de uma quadrilha que esteja agindo com roubo e clonagem de veículos na Grande Natal. Há indícios de que outros veículos tenham sido clonados para a prática de diversos crimes. Os veículos e materiais apreendidos foram entregues na Delegacia de Plantão da Zona Norte. A Polícia Civil investigará o caso.
Portal BO

sábado, 19 de outubro de 2013

PM recebe denúncia e descobre residência onde funcionava desmanche


Moradores da rua São Matheus, no loteamento Algimar, no bairro da Redinha, ligaram para o Centro Integrado em Operações de Segurança Pública (Ciosp), neste sábado (19), porque viram peças de um carro no meio da rua. Policiais foram até o local e descobriram que as peças realmente eram de um veículo que estava sendo desmanchado.
Ao entrarem na residência, os policiais encontraram um veículo Gol já com várias peças retiradas. O tenente Alves, oficial do 4º Batalhão da Polícia Militar, disse que foi feita uma busca e encontradas várias peças, porém, não havia ninguém na residência durante a abordagem dos policiais militares.
Um adolescente de 15 anos foi encontrado próximo à casa portando um simulacro, que é uma arma de mentira. O material encontrado na residência foi levado para a Delegacia de Plantão da Zona Norte, tendo em vista que o veículo Gol tem queixa de roubo. O adolescente negou que tivesse qualquer relação com a casa onde foi encontrado o carro, mesmo assim, ele foi levado para averiguação.