Declarações concedidas a rádio do Seridó incluem ainda revelações que suposto plano contra vida de autoridades.
Por Dinarte Assunção
Uma entrevista que um preso concedeu a
partir de Alcaçuz, via telefone celular a uma rádio do Seridó, expôs a
fragilidade do sistema prisional e o deboche com que o Estado é tratado,
conforme a declaração do homem que se apresentou como Antonio Fernandes
de Oliveira e, segundo quem, o Sindicato do RN, organização criminosa
cujos líderes estão confinados em Alcaçuz, é quem manda na
penitenciária.
“Eles dizem que podem fazer o que quiser
que nem governador, nem a diretoria mandam em nada. Quem manda é o
Sindicato do RN”, declarou preso em entrevista na segunda-feira ao
blogueiro Damião Oliveira, de Jucurutu.
Na ligação, de quase oito minutos, o
preso, que diz ser conhecido por “Pai Bola” conta com a naturalidade de
quem anuncia que vai chover que cometeu quatro homicídios dentro de
Alcaçuz. Revela ainda um plano criminoso para atentar contra a vida de
autoridades e empresas.
“Tem plano para explodir os postos e
matar Henrique Baltazar, Dinorá e o diretor de Alcaçuz. O plano é tocar
fogo também em ônibus. Estão na minha cola para me matar porque sei de
muita coisa do pavilhão 2”, diz o detento, informando que foi
transferido do pavilhão por medida de segurança.
“Quem manda é o Estado”
Nem o juiz Henrique Baltazar nem o atual
diretor de Alcaçuz, Ivo Freire, foram localizados para comentar o
assunto. Ivo, a propósito, sofreu investida contra sua vida recentemente
e levou um tiro na perna. Dinorá Simas, ex-diretora de Alcaçuz, reagiu
às declarações.
“Não concordo com essa frase. Quem manda
é o Estado. Isso é uma afronta. É a total falta de respeito”, comentou
ela, que atualmente é diretora do presídio Raimundo Nonato.
A despeito das ameaças, Dinorá informou
que não deu atenção e está mais comprometida em trabalhar corretamente.
“Isso sempre vai existir”, disse ela, que já precisou contar com escolta
policial em face de ameaças de presos.
Portal no Ar

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