quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Postos policiais da zona Norte de Natal são fechados por falta de segurança


Segundo Associação de Cabos e Soldados do RN, falta de efetivo policial foi um dos motivos para o fechamento dos postos.

Postos foram fechados após uma série de atentados no início do ano


O Rio Grande do Norte vive em situação de calamidade na segurança pública. Os presídios estão superlotados, facções criminosas rivais estão em guerra, assassinatos e assaltos acontecem diariamente. Curiosamente, por falta de segurança, os postos policiais comunitários da zona Norte foram fechados.
Segundo o presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACSPM/RN), Roberto Campos, os postos da zona Norte foram fechados após o registro de três atentados contra policiais. E a tendência é de que os postos policiais do restante dos bairros de Natal também sejam fechados.
“No início do ano tivemos três atentados contra policiais somente na zona Norte. Esses policiais estavam nos postos comunitários. Por sorte, nenhum policial foi atingido, mas ficou claro que não havia condições de trabalhar sem o mínimo de segurança nesses locais. Os criminosos não esperam mais um confronto entre a polícia, eles agora vão até a polícia. Com a falta de segurança e de efetivo, as bases policiais comunitárias foram fechadas. A previsão é de que todas as bases sejam fechadas, não é possível trabalhar com apenas um policial em cada posto, que é o que ocorre normalmente”, disse.
Segundo Campos, o fechamento dos postos policiais é um reflexo da atual situação da segurança pública do Rio Grande do Norte. Nem a população, nem a própria polícia estão seguras. Ainda de acordo com o presidente da ACSPM, para os postos serem reabertos é necessário aumentar o efetivo policial. Enquanto isso não acontece, uma possível solução é fazer desses locais um ponto de parada das viaturas que circulam nas ruas.
O comandante interino do 4º Batalhão da Polícia Militar, Major Alexandre, confirmou o fechamento dos postos policiais da zona Norte. De acordo com o Major, a medida aconteceu devido a falta de efetivo policial e não há previsão de reabertura das bases. Apesar do fechamento dos postos, o comandante afirma que a população não será prejudicada.
“Quando um policial fica sozinho em uma base, ele fica vulnerável e não se torna viável a presença dele naquele local. Então o antigo comandante fechou os postos policiais. Apesar de não ter mais o policial fixo nas bases, o patrulhamento e as fiscalizações nas proximidades dos postos continuam”, explicou.
Ainda segundo o Major Alexandre, as pessoas que precisarem dos serviços da Polícia Militar deverão, em primeiro momento, contatar o Ciosp. “A recomendação é sempre ligar para o 190. É por esse número que os casos serão registrados e a polícia poderá dar suporte à comunidade”.
Risco de atentados
Além da falta de segurança nos postos policiais, o risco de atentados aos policiais fora do seu ambiente de trabalho é constante. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Rio Grande do Norte (Sinpol), uma vez que o sistema prisional do Estado está sendo controlado por facções criminosas, os comandantes desses grupos orientam aos presos que ataquem policiais e demais servidores da Segurança Pública.
Márcio foi morto na sexta-feira (Foto: Reprodução)
Márcio, policial militar, foi morto na sexta-feira durante assalto (Foto: Reprodução)
“Diante da fragilidade do sistema prisional, pra eles (os criminosos) a morte de um policial ou servidor da segurança pública é tida como prêmio. Por isso, muitas vezes, os criminosos ao sair da prisão, realizam atentados contra os profissionais da segurança pública”, explicou o presidente do Sinpol, Paulo Macedo.
Dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte (Sesed), apontam que em 2015, dois policiais foram mortos em serviço após sofrerem algum tipo de atentado de criminosos. A última morte aconteceu na última sexta-feira (18), quando o soldado da PM Sérgio Costa foi morto após reagir a um assalto. Apesar de não estar em serviço, Soldado Costa entra nas estatísticas da Sesed, uma vez que ele estava com sua arma na ocasião.
Morte na folga
O número de policiais mortos no RN pode ser muito maior, uma vez que a Sesed computa apenas as mortes daqueles que estavam em serviço. De acordo com ACSPM, 90% dos assassinatos de policiais acontecem no período de folga. O motivo apontado pela associação é a grande vulnerabilidade dos policiais nesses momentos.
De acordo com o presidente do Sinpol, Paulo Macedo, a melhor solução para evitar atentados aos policiais é melhorar urgentemente a qualidade do serviço de segurança pública, além de dar opções de segurança pessoal aos policiais.
“É lamentável que a maioria dos casos ocorram em serviços extras. O Estado precisa dar atenção a essas pessoas. É preciso fornecer equipamentos de proteção de uso individual e melhor a segurança pública como um todo. O governo precisa reconhecer que o policial é policial durante 24 horas. Quando ele é atingido por bandidos, é a população que fica desprotegida”, afirmou.
Portal no Ar

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