Aldair da Rocha afirmou que o Setor de Inteligência trabalha para chegar aos grupos de extermínio
O secretário de Segurança Pública do Estado, Aldair da Rocha, admitiu a existência de grupos de extermínio atuando na Grande Natal e que há a participação de policiais civis e militares nessas organizações criminosas. De acordo com o secretário, o número crescente de homicídios, bem como o "modus operandi" dos assassinos apontam para essa realidade. "Temos informações que asseguram que há a participação de agentes de segurança pública atuando nesses grupos", afirmou.
O assunto é tratado com cautela pelo secretário. Não foram divulgados nomes, nem de que forma os grupos estão atuando na capital do Estado. Aldair da Rocha limitou-se a informar que o setor de investigação e inteligência da secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) está trabalhando no sentido de coibir a ação dos bandidos. "Existe uma organização, mesmo que seja primária, responsável pelo aumento de homicídios. As informações ainda são sigilosas e estamos trabalhando para resolver essa questão", colocou.
A possibilidade da atuação de grupos de extermínio na Região Metropolitana de Natal (RMN) é investigada e denunciada por outras instituições. Porém, essa a primeira vez que o secretário de Segurança fala abertamente sobre o assunto. O Ministério Público Estadual (MPE), por exemplo, investiga a existência de um grupo de extermínio atuando na execução de jovens e adolescentes que tinham cometido atos infracionais. Um grupo de promotores de Investigação Criminal tenta elucidar as ocorrências de homicídios desta espécie na RMN. A Polícia Civil também atua no caso.
O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (COEDHUCI) também acredita na atuação de grupos de extermínio com a participação de policiais militares. Para o presidente do COEDHUCI, Marcos Dionísio, é preciso uma investigação mais aprofundada coordenada pela Polícia Civil para afirmar com mais precisão. "Mas do ponto de vista da experiência acumulada em todo o Brasil, podemos especular que sim. Mesmo que seja envolto nessa guerra civil do tráfico de drogas, tem a presença de maus policias. Seja protegendo o homicida ou fornecendo armas, ou protegendo um grupo em detrimento de outro. Talvez exista essa cortina de fumaça mascarando e escondendo esses crimes", analisou em entrevista publicada recentemente na TRIBUNA DO NORTE.
Divisão de Homicídios
A taxa de homicídios no RN cresceu 175% entre os anos de 2000 e 2010. Apenas na capital, no mesmo período, os índices também são alarmantes. O aumento no número de assassinatos foi de 157%. Droga e a impunidade dos assassinos são fatores que podem explicar o avanço da violência. O Governo promete ações mais enérgicas e a criação da Divisão de Homicídios ainda para esse ano.
Sobre esse assunto, Aldair da Rocha diz que está otimista. Ontem, o secretário participou de uma reunião com a governadora Rosalba Ciarlini. Havia informações de o projeto da delegacia seria apresentado, no entanto, a informação foi negada pelo secretário. "Ainda estamos procurando um prédio para abrigar a delegacia. O que posso dizer é que recebemos sinal verde e queremos entregar a divisão de homicídios no prazo máximo de 150 dias", explicou.
O secretário não informou o quantitativo de investimento necessário para transformar o projeto em realidade. Na leitura da "Mensagem Anual à Assembleia Legislativa", a governadora Rosalba Ciarlini anunciou que o Poder Executivo tem, somente para este ano, R$ 100 milhões para investir em aparato policial. Os recursos são de ordem estadual e federal e servirão para cobrir gastos da chamada "matriz de responsabilidade para a Copa do Mundo 2014", na área da segurança.
A governadora disse ainda que o Centro Integrado de Segurança Pública (Ciosp) será transferido para o Centro de Comando de Controle, a ser instalado na Escola do Governo. Outras promessas foram o aumento da frota de viaturas e a requalificação de policiais civis e militares para realização operações preventivas antiterror e de controle de eventos de grande porte, nos estádios e nas festas que reunirão torcedores.
Para o titular da Sesed, os investimentos darão respostas às necessidades existentes na pasta. À frente da secretaria há mais de três anos, Aldair da Rocha faz um balanço positivo da gestão, mas pontua algumas deficiências. "Conseguimos avançar bastante. Não no ritmo e atingindo todas as metas que imaginávamos, porém, agora, estou com esperanças que conseguiremos avançar mais", disse.
TN

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