O bispo dom Otacílio Luziano da Silva, de Catanduva, no interior
paulista, decidiu, pelo menos por enquanto, perdoar o fotógrafo que
retratou modelos seminus no interior da igreja da Paróquia São Domingos,
uma das principais da cidade.
No entanto, para o perdão, Márcio Costa terá de pedir desculpas públicas e cancelar a exposição que pretende fazer.
As imagens foram registradas sem autorização da igreja católica, que,
apesar do perdão, ameaça processar Costa civil e penalmente, se o caso
tiver novos desdobramentos.
As imagens mostram um homem só de cuecas, com asas, de pé no corredor central da igreja, tendo o altar como fundo.
Nesta quinta-feira, surgiram novas fotos, agora de uma mulher, também
com as asas vermelhas, vestindo uma lingerie vermelha, em pé entre as
duas portas de entrada da igreja.
Outra foto, de um homem nu, com asas nas costas e flores tapando o
órgão sexual, foi feita no cemitério da cidade. As imagens foram
divulgadas no Facebook e retiradas pelo seu autor, após a igreja se
manifestar contrariamente devido às reclamações de fiéis revoltados.
Para o perdão do fotógrafo, o bispo exigiu que ele divulgue uma carta
pública pedindo desculpas à igreja e que cancele a exposição que
pretende fazer com as fotos. Costa, que não quis prolongar sobre o caso,
disse que poderá pedir desculpas, mas que não pretende cancelar a
exposição "Anjos Caídos". As imagens, segundo ele, foram baseadas no
trabalho de um fotógrafo francês, David LaChapelle, que usa temas
religiosos em suas composições fotográficas.
Em entrevista coletiva, o bispo qualificou o trabalho de Costa como
"lixo cultural" e exigiu que ele respeitasse a fé da comunidade. "Nós
exigimos respeito à nossa fé, respeito à nossa cultura. Nosso País tem
cultura.
Então dizer que uma fotografia daquelas é cultura, é jogar a cultura
brasileira no fundo do lixo. Isso, para nós, é lixo, não é cultura",
afirmou o bispo. "Mas não temos desejo nenhum de condenar essa pessoa,
mas sim que se retrate perante a sociedade", completou o bispo.
Apesar disso, dom Otacílio disse que Costa já foi condenado pela
sociedade. "O povo já julgou, acho que melhor que o tribunal é o povo
julgar. E esse rapaz já foi condenado pela sociedade por ter feito
isso", disse o bispo.
A Diocese vai distribuir aos fiéis uma nota de repúdio, assinada pelo
bispo, na qual o fotógrafo e sua equipe são tidos como "corruptos da
moral" e como "pessoas que fazem mal à sociedade".
O advogado da Diocese, Flávio Thomé, disse que, se houver novos
desdobramentos do caso, a igreja poderá entrar com ação judicial. "Uma
representação penal tem seis meses de prazo para prescrever e uma ação
civil, prescreve só em três anos. Por enquanto, vamos aceitar a
retratação e a abstenção das fotos, mas se houver novos desdobramentos
deste triste caso, poderemos nos manifestar judicialmente", disse Thomé.
Fonte Terra

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