Imagem de células cancerígenas (imagem)
A ansiedade pode contribuir para surgimento de câncer invasivo
(Getty Images)
Ansiedade e stress podem estar ligados ao surgimento de tipos de câncer
mais graves, de acordo com uma nova pesquisa feita com animais e
publicada nesta quarta-feira (25/04/2012) no periódico PLoS One. O estudo,
conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados
Unidos, mostrou que, entre os camundongos que foram expostos a raios
ultravioletas, os mais ansiosos foram os únicos a desenvolverem um tipo
mais invasivo da doença.
De acordo com os autores da pesquisa, é importante diferenciar o stress
‘bom’ do ‘ruim’. O primeiro é aquele que motiva o funcionamento do
sistema imunológico, preparando o corpo para enfrentar doenças, e pode
ser exemplificado pela ansiedade antes de uma apresentação importante no
trabalho. Já o stress ‘ruim’ rompe a capacidade de o organismo lutar
contra esses ‘inimigos’ e enfraquece o corpo.
A pesquisa — Para avaliar a ansiedade dos animais, os
cientistas realizaram experimentos em camundongos, colocando-os em
situações em que eles tinham que cumprir uma tarefa ao mesmo tempo em
que precisavam fugir de algum elemento que apresentava perigo. Após
serem classificados como ansiosos ou não, os camundongos, que não tinham
pelos, foram expostos a raios ultravioleta em sessões de dez minutos
cada, três vezes por semana e ao longo de dez semanas. Essa exposição é
semelhante a de seres humanos que passam muito tempo ao sol, de acordo
com a pesquisa, o que permite que o modelo de câncer criado se assemelhe
ao de humanos.
Embora todos os camundongos tenham eventualmente desenvolvido câncer de
pele — o que já era esperado — os animais que foram classificados como
os mais ansiosos tiveram mais tumores e foram os únicos a serem
acometidos por formas invasivas da doença. Além disso, eles mostraram
uma resposta imunológica mais fraca em frente ao câncer do que os
outros.
"O diagnóstico e o tratamento do câncer geram stress e ansiedade, mas
esse estudo mostra que esses fatores podem também acelerar a progressão
da doença, acarretando um ciclo vicioso”, diz Firdaus Dhabhar,
coordenador do estudo, que chama a atenção para o fato de que a pesquisa
ainda deve ser realizada em humanos para que as conclusões sejam
consistentes. Segundo o cientista, o próximo passo de sua equipe será
analisar os efeitos positivos da redução do stress e da ansiedade no
tratamento de pessoas diagnosticadas com câncer. "Nós realmente
pretendemos aproveitar a mente e o corpo do paciente para fazer tudo o
que a medicina pode para conseguir o sucesso do tratamento".
Fonte:Veja

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