quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cultura popular de luto: morre o folclorista e pesquisador Deífilo Gurgel aos 84 anos.

Nas suas andanças pelas terras potiguares descobriu Dona Militana, bem no "miolo" das terras de Songa.

Alí, no Sítio oiteiros da curva, bem na entrada da sede do município de São Gonçalo do Amarante, o folclorista Deífilo visitava e lutava pela sobrevivência daquela que foi considerada o maior ícone da cultura popular das terras dos mártires, Militana Salustino, filha de Atanásio.
A sua convivência e preocupação em manter sempre Militana como ícone da cultura brasileira "viva", o fez sentir a grande perda. Deífilo Gurgel, um mestre do folclore se emociona em frente do caixão que continha em seu interior o corpo daquela que foi considerada a maior romanceira do Brasil. Fato ocorrido em julho de 2010, no Teatro Municipal Poti Cavalcanti onde acontecia o velório.
Morreu na manhã desta quarta-feira, dia 01 de fevereiro de 2012, Deífilo Gurgel que era pesquisador e considerado o maior folclorista dos tempos atuais.

Ele faleceu aos 84 anos no Papi, hospital que estava internado desde o dia 23 de janeiro.

Deífilo era professor aposentado de Folclore Brasileiro do Departamento de Artes da UFRN. Foi considerado o "descobridor" da maior romanceira do Brasil Dona Militana (in memorian) que residia no sítio Oiteiros em São Gonçalo do Amarante.

Recebendo o apoio da Universidade para viabilizar sua pesquisa que o tornou famoso, descobriu romances que antes só havia registro de versões em espanhol como "Milagre do Trigo", apresentado por Dona Militana.

Ao fazer um levantamento com maiores detalhes percorrendo o RN, se deparou com o que ainda restava dos romances ibéricos imortalizados por nomes como Dona Militana, de São Gonçalo do Amarante, e constatou que a sua pesquisa se contrapõe à de Mário de Andrade, musicólogo e historiador que circulou pela região na década de trinta catalogando as sonoridades nordestinas. Segundo o folclorista potiguar, Mário de Andrade só reclamou de não ter encontrado romances por aqui, porque ele pesquisou pouco e só passou um mês e meio no RN.

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