terça-feira, 2 de abril de 2013

Fátima Bezerra admite desejo de ser candidata ao Senado em 2014



O PT do Rio Grande do Norte abriu o diálogo político com os aliados e a deputada federal Fátima Bezerra (PT), sua maior expressão eleitoral, admite disputar o cargo de senadora da República. Segundo ela, para 2014 o partido lançou a tática eleitoral que visa eleger, pela primeira vez, um representante para um cargo majoritário estadual. Além disso, a legenda quer manter a cadeira na Câmara dos Deputados e ampliar seus espaços na Assembleia Legislativa, onde hoje há apenas o mandato do deputado estadual Fernando Mineiro, também do PT.
Para a petista, esse é o desejo do PT, inclusive extraído da última reunião do diretório estadual do partido, na última segunda-feira, quando ficou decidido que, diante do quadro de indefinição para as eleições de 2014, a legenda irá buscar os aliados, PDT, PC do B, PSB e PSD, para propor o debate sucessório. Paralelamente, a sigla irá realizar reuniões temáticas e regionais visando discutir os principais problemas do Rio Grande do Norte.
“Não é abrir mão (de estar na chapa majoritária). Este é o nosso desejo. Nós vamos trabalhar nessa direção, de o PT norte-rio-grandense estar na chapa majoritária”, afirmou a deputada, em entrevista concedida ao Jornal de Hoje, na manhã desta terça-feira.
PORTE
Partido da presidente da República, Dilma Rousseff, o PT, segundo Fátima Bezerra, quer ousar nas eleições de 2014 no Rio Grande do Norte, rompendo com o fato de nunca ter vencido uma eleição majoritária estadual. “Acho que 2014 pode ser um divisor de águas para o PT no RN. Porque talvez o PT quebre essa barreira, ou essa dificuldade que a gente enfrentou, de nunca ganhar uma eleição de caráter majoritário no plano estadual no RN”, afirmou.
Para tanto, o PT está unido em torno da tática exposta acima, que inclui a formação de uma boa nominata de candidatos a deputado estadual, além de manter a vaga de deputado federal e lançar um candidato majoritário (governador ou senador). “Vamos ampliar a presença na Assembleia Legislativa. Estou convencida”, diz Fátima, citando, como “brilhante e muito competente” o mandato do deputado Fernando Mineiro. “A nossa tática é manter a vaga de deputado federal e vamos nos inserir fortemente na composição da chapa majoritária”.
Sobre sua candidatura ao Senado, Fátima insiste que por ora seu projeto continua sendo a reeleição à Câmara Federal. “Mas, não descarto a possibilidade de disputar o Senado. Não é novidade que tenho o desejo e a motivação para me colocar nesse cenário. Mas essa não é uma decisão que depende apenas da deputada Fátima. Vou fazer o debate dentro do PT, no plano local e nacional, tendo em vista que é uma disputa de caráter majoritário”.
A petista disse ainda que, neste cenário, o debate com os aliados será de grande importância. “Vamos debater também com os aliados. Eu defendo que possamos construir uma aliança política forte e ampla para as eleições de 2014. Por fim, vamos ouvir o povo, que é o principal, o sentimento e aceitação popular”, diz.
NACIONAL
No PT, a candidatura de Fátima ao Senado já é tema de análise no plano nacional. Para a parlamentar potiguar, o foco nacional do partido é a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Contudo, ao lado da renovação do mandato da presidente, o PT vai “centrar fogo” na disputa proporcional para o Senado e a Câmara.
“Hoje somos a maior bancada de deputados na Câmara Federal. Queremos chegar a 2014, com esse status, com o maior número de deputados federais. Temos 89 deputados e queremos chegar a 100. O outro desafio é no âmbito do Senado, onde temos a segunda maior bancada. Aí o desafio para o qual o PT nacional vai se empenhar fortemente, para que a gente chegue ao Senado com a maior bancada. Não basta reeleger Dilma, o PT precisa de representação política forte no âmbito congressual, começando pelo crescimento do PT e dos aliados”
.Segundo a deputada, em todos os estados onde não tiver candidatura competitiva ao governo, a tendência será o PT apoiar um partido aliado e compor com candidatura ao Senado, ou vice e versa. “Se tivermos candidato competitivo ao governo, não vamos abrir mão, comporíamos com outros partidos. Mas, na hora que no RN o PT tem uma candidatura competitiva no plano majoritário, seja para o Senado ou para o governo, evidente que isso será levado de forma muito especial em consideração, não só aqui, mas pela direção nacional”, afirma.

Deputada do PT quer PMDB de Henrique e Garibaldi junto com a oposição a Rosalba
Ao falar sobre a posição do PMDB, de aliado de Dilma Rousseff no plano nacional, e de aliado de Rosalba Ciarlini (DEM) no local, Fátima Bezerra afirma que “seria muito bom que o PMDB rompesse com o governo do DEM; seria bom que o PMDB viesse se somar com os partidos que hoje estão na oposição a Rosalba”. Na avaliação da petista, o PMDB e o PT são parceiros no plano nacional, tendo o PMDB o vice-presidente da República, Michel Temer. Enquanto isso, no Rio Grande do Norte, a legenda alia-se ao DEM, que é presidido nacionalmente pelo senador José Agripino, algoz do governo do PT durante Lula e agora sob Dilma.
“De fato, não é uma situação confortável. O PMDB é nosso aliado no plano nacional, mas aqui, no plano local, o PMDB está ao lado do DEM, que é o partido presidido pelo senador José Agripino, que faz oposição sistemática no plano nacional, projeto do qual o PMDB faz parte. Fez oposição raivosa e sistemática ao governo do presidente Lula e continua fazendo ao governo da presidenta Dilma”, salienta.
Na avaliação de Fátima Bezerra, ficando ao lado do DEM, o PMDB não está contribuindo para a melhor proposta para o povo do Rio Grande do Norte. “O próprio senador Garibaldi Filho, que é um político muito sensível, é um político muito atento, em todas as entrevistas que eu tenho lido, o senador tem expressado a sua insatisfação, aquilo que ele está sentindo junto aos correligionários dele e aos mais diversos segmentos da sociedade norte-rio-grandense, que é a frustração com esse governo”.
Para Fátima, o governo da presidente Dilma tem tratado o RN da melhora maneira possível. “Uma coisa é a relação institucional. O nosso governo é republicano, está aí o quanto a presidente Dilma tem tratado com respeito o RN. A presidenta Dilma não tem faltado ao RN, independe do governo ser aliado ou não. Portanto, essa questão da institucionalidade está preservada”, diz.
Assim, Fátima diz respeitar a posição do PMDB, mas sugere o rompimento da legenda, para que haja o alinhamento do partido com as forças de oposição ao governo estadual. “O PMDB ficar ao lado do DEM não contribui com aquilo que julgamos que seja o melhor projeto e proposta para o norte-rio-grandense. Isso vale para o PMDB e para os outros partidos que estão lá e que fazem parte da base de sustentação da presidenta Dilma. Mas, se eles rompem com o DEM, nós temos que estar abertos para conversarmos com esses partidos”.
Instada a falar sobre uma eventual candidatura do presidente da Câmara dos Deputados a governador do Rio Grande do Norte pela oposição, Fátima Bezerra diz que, “quem tem que primeiro se pronunciar, é o PMDB. Uma vez colocada a posição, nós analisaremos”.
Apesar disso. Fátima ressalta o respeito que o atual presidente da Câmara tem nacionalmente, do PT, e dela própria, pela trajetória política, como deputado federal. “Henrique é um deputado do PMDB, nosso aliado no plano nacional, partido do vice-presidente da República. É um nome respeitado que ocupa a posição de presidente da Câmara, por quem tenho todo respeito. Tenho com o deputado Henrique um diálogo muito respeitoso, a despeito de diferenças de caráter mais ideológico, que tenhamos aqui ou acolá. Agora não posso falar sobre hipóteses. Eventual candidatura dele, diz respeito a partido dele”.

JH

Nenhum comentário:

Postar um comentário