terça-feira, 9 de abril de 2013

Detentos do Presídio Raimundo Nonato se rebelam novamente por falta de água



Insatisfeitos com a situação, vários presos se amotinaram na manhã de hoje, causando apreensão no local. Foto: Divulgação

Revoltados com as alterações nas regras de alimentação e as constantes faltas de água, os apenados do Presídio Provisório Raimundo Nonato, na zona Norte de Natal, se amotinaram na manhã de hoje, causando apreensão no local. Eles saíram das celas e ocuparam um dos pátios internos da unidade em sinal de protesto e só retornaram para os cômodos após negociação com a direção da unidade prisional.
Segundo o vice-diretor do Raimundo Nonato, Wellington Marques, a confusão começou por volta das 9h e permanecia até o fechamento desta edição d’O Jornal de Hoje, por volta das 13h, mesmo após a direção ter entrado em acordo com os presos sobre os itens reivindicados.
“Além do problema coma falta de água, eles também questionaram a suspensão da entrada de alguns itens alimentares na unidade, como iogurtes e lanches rápidos. Mas, já conversamos com os detentos, explicamos o que realmente aconteceu e eles entenderam a situação”, explicou o vice-diretor.
Marques disse ainda que as alterações foram propostas na semana passada e que diante do ocorrido hoje, serão suspensas para que não provoquem mais nenhum problema no Presídio Provisório. Ele disse ainda que, como os detentos da unidade ainda não foram sentenciados, eles podem receber normalmente os alimentos trazidos pelos familiares, desde que passem por revista pelos agentes penitenciários.
“Tentamos entender um pouco as razões deles, que têm que pagar por seus erros de forma humana e digna, mas também sofremos com alguns problemas que os afetam, como o racionamento e aí, sempre apelamos para que eles entendam a situação em que trabalhamos”, disse.
Há cerca de um mês, os presos do Raimundo Nonato se rebelaram e, após quebrarem os cadeados de dez celas do pavilhão B, se amotinaram no pátio interno da unidade. Na ocasião, eles alegaram a falta de água causada pelo racionamento que é seguido no presídio por causa do número excessivo de presos no local, que possui capacidade para 160 mas comporta hoje 410 homens. A caixa d’água de cinco mil litros existente não é suficiente para atender à demanda.
O juiz do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Esmar Custódio Filho, que está no Rio Grande do Norte para coordenar o Mutirão Carcerário, disse ontem que o Presídio Provisório Raimundo Nonato é uma das piores unidades prisionais do país, já inspecionadas pelo órgão. Problemas como a superlotação, falta de estrutura física, sanitária e elétrica e outras situações compõem a lista de problemas encontradas pelo magistrado, que classificou a unidade, integrante do Complexo Penal João Chaves, como “muito ruim”.
JH

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